Congresso Paulista de Economia 2008
Junho 30, 2008
A capital paulista recebe, nos dias 3 e 4 de julho, o Congreso Paulista de Economia 2008, promovido pelo CORECON-SP. O evento acontece no hotel Maksoud Plaza (Alameda Campinas, 150). O tema geral é “Os diferenciais competitivos da economia paulista: crescimento e desenvolvimento”. O estado possui cerca de 40 milhões de habitantes e responde por aproximadamente um terço do PIB nacional.
As inscrições custam R$ 400 para profissionais, R$ 300 para economistas com registro, R$ 50 para estudantes sem registro e são gratuitas para estudantes com registro. As inscrições antecipadas (até dia 30) terão 10% de desconto (exceto para estudantes).
Outras informações podem ser obtidas no site www.cpecon.com.br, onde também pode-se obter a ficha de inscrição.
Economistas estimam inflação de 6,3% em 2008
Junho 30, 2008
Economistas e analistas do mercado financeiro aumentaram as previsões para a inflação em 2008, tendo como fonte a pesquisa semanal do Banco Central conhecida como relatório Focus. A expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta de inflação, subiu pela 14ª semana seguida. O IPCA deve fechar o ano a 6,3%, acima dos 6,08% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%, mais ainda dentro do teto da meta, de 6,5%. Para 2009, a previsão para o IPCA subiu de 4,78% para 4,8%. Na semana passada, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo BC, a instituição admitiu pela primeira vez que a inflação deve ficar acima dos 6%. Os demais indicadores de inflação pesquisados pela instituição também tiveram as projeções para 2008 elevadas pelo mercado.O maior destaque foram os IGPs, que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas. A expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) subiu de 11,02% para 11,36%; o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve a previsão aumentada de 10,36% para 11%; e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) ficaria em 5,85%, ante 5,79% da semana anterior.
Juros
Os economistas mantiveram a previsão de que a taxa básica de juros termine 2008 em 14,25% ao ano, feita na semana passada. Para o final de 2009, a estimativa é de a Selic estaria em 13,50% ao ano. No início do mês, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) aumentou a taxa básica de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Na ata da reunião, os diretores do BC dizem que continuarão aumentando os juros ‘enquanto for necessário’.
Com informações da FSP
Bovespa tem alta discreta após tombo de ontem
Junho 27, 2008
Com os ganhos de ações de empresas de eletricidade e commodities, a Bovespa resistiu a mais um dia negativo dos mercados internacionais e fechou positiva. O Ibovespa subiu 0,59% nesta sexta-feira, para 64.321 pontos. O volume negociado na bolsa foi de R$ 5,56 bilhões. No acumulado da semana, o índice registrou queda de 0,45%.
Os investidores foram atrás de pechinhas na bolsa paulista, a despeito de um panorama externo bastante desanimador, em que a alta do petróleo, estimativas de mais perdas de bancos relacionadas à crise de crédito e dados desanimadores da economia dos Estados Unidos que levaram o índice Dow Jones a uma queda de 0,93%.
Os maiores alvos de compras foram ações de empresas ligadas a commodities, movimento facilitado pela valorização desses produtos no mercado internacional.
Com informações FSP, Terra e Reuters News
Falências abrem campo para economistas
Junho 27, 2008
Se administrar uma nova empresa é difícil, assumir uma com pendências judiciais, em processo falimentar e sem crédito é tarefa para heróis. Ou melhor, síndicos de massa falida. Por pior que possa parecer, esse é um campo de trabalho para economistas e dos mais atraentes, podendo gerar boas remunerações e experiências. A dica é dada pelo economista e atual administrador da massa falida da Sulfabril, Celso Zipf.
Zipf comenta que os campos formais para economistas estão mais restritos, mas na mesma medida se abrem novas possibilidades, dentre elas a administração de empresas falimentares. Atentos ao mercado, muitos administradores e advogados estão buscando ocupar essa lacuna.
O economista atua há oito anos como síndico da Sulfabril, empresa têxtil que chegou a ser a segunda maior empresa de confecção em malha da América Latina, com forte atuação no mercado internacional. Ele confessa que se tivesse conhecimento de como seria difícil atuar naquela época não teria aceito o cargo que ocupa hoje, mas com a atual Lei Federal 11.101, de 2005, a administração certamente seria mais fácil e atraente. A nova legislação de falências reduziu o papel da Justiça na administração da massa falida e na condução da recuperação judicial, deixando essas tarefas para o comitê de credores, estimulando negociações e acordos.
A falência da Sulfabril foi decretada em setembro de 1999, mas até agora o caso está na Justiça. Em 1994, a Sulfabril tinha faturamento de US$ 140 milhões, mais de 5,6 mil funcionários e produção mensal de 5,1 milhões de peças. Hoje, a empresa possui 1,2 mil funcionários, quatro unidades (duas desativadas) e um faturamento de R$ 80 milhões. A empresa mesmo em estado delicado ainda é representativa para a região e é uma das maiores empregadoras na região de Blumenau, assim como arrecadadora de impostos.
O administrador da Sulfabril, Celso Zipf, possui um valioso e extenso currículo, que inclui a reitoria da FURB (Universidade Regional de Blumenau), cargos em bancos como Banco do Brasil e Besc, além de sua formação como economista em 1967, 41 anos de experiência que não foram fáceis. Talvez, segundo ele, estar há tanto tempo no comando da recuperação de uma empresa como a Sulfabril se dá também pelo respeito e confiança que credores e funcionários atualmente depositam nele.
Nesse período à frente da complicada administração da massa falida, Celso coleciona problemas e uma magistral habilidade para lidar com brigas judiciais, falta de apoio do governo, entraves com sindicatos, credores e os demais problemas que qualquer empresa enfrenta. Ele estima ter faturado R$ 700 milhões nesses anos, mas para espanto, cerca de R$ 61 milhões foram sugados pelos juros. Precisa-se frisar que a empresa não pode captar recursos em bancos, buscando dinheiro nas factorings. Quando assumiu, o panorama não era nada animador: R$ 240 milhões de dívida, sendo R$ 40 milhões para trabalhadores, R$ 100 milhões para bancos e outros R$ 100 em impostos.“Acabei me acostumando com a falta de apoio”, lamenta Zipf, quando questionado sobre o interesse político em reerguer a empresa.
A empresa possui integração fabril total, só não planta e tece o algodão. O que pode ser um problema. E dos grandes. Para o administrador, a solução seriam investimentos, mas qualquer mudança no pátio da empresa, incluindo a venda e compra de novos equipamentos é um trâmite nada simples, por estar sendo fiscalizado pela antiga lei. A nova, segundo Celso, facilita essa caminhada hostil. “O síndico conquistou mais autonomia”. De acordo com ele, a nova lei permite incorporar, fundir, buscar equipamentos. “O juiz irá procurar uma maneira da empresa continuar por pelo menos dois anos”, explica.
Que bons tempos soprem a favor da empresa.
Governo registra superávit primário de R$ 5,5 bi em maio
Junho 27, 2008
O resultado primário registado pelo Governo em maio foi um superávit (dinheiro que economiza para pagar os juros da dívida pública) de R$ 5,5 bilhões, contra os R$ 16,9 bilhões obtidos em abril e os R$ 4,2 bilhões de maio de 2007, conforme dados anunciados nesta sexta-feira pelo Tesouro nacional.
O Tesouro ajudou para o desempenho do mês com superávit de R$ 8,3 bilhões enquanto a Previdência Social e o Banco Central apresentaram déficit de R$ 2,8 bilhões e de R$ 19,1 milhões, respectivamente.
No acumulado do ano, o resultado do governo central é 43,3% superior ao obtido no mesmo período do ano passado. Com isso, o resultado primário passou de 3,68% para 4,69% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o período.
Com informações Terra e FSP
Bovespa fecha em queda de 2,89% e quase anula ganhos de 2008
Junho 27, 2008
A Bovespa anulou a forte alta de quarta-feira e ficou à beira de zerar os ganhos acumulados neste ano. Num momento de volatilidade e maior aversão ao risco, os investidores liquidaram os papéis que subiram bem na quarta-feira para embolsar ganhos quinta-feira.
O Ibovespa, termômetro dos negócios, desvalorizou 2,89% no fechamento, para os 63.946 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,66 bilhões. No mês, a Bolsa soma perdas de 11,91%, mas ainda registra um leve ganho no ano: 0,09%.
” Foi uma realização técnica [venda de ações valorizadas], de curto prazo. O mercado está muito instável e, quando as ações sobem um pouco, todo mundo já aproveita para vender e colocar no bolso”, avalia André Segadilha, gerente de análise da Prosper Corretora.
O dólar comercial foi vendido por R$ 1,602, o que representa uma alta de 0,62%. A taxa de risco-país marca 219 pontos, número 4,78% superior à pontuação final de quarta.
Na Europa, as principais Bolsas de Valores fecharam em terreno negativo, a exemplo de Londres (baixa de 2,42%) e Frankfurt (recuo de 2,39%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York recuou 3,03%, uma variação vista poucas vezes em Wall Street. O mercado americano foi afetado por mais um “downgrade” de empresas do setor financeiro: o banco de investimentos Goldman Sachs rebaixou sua recomendação para grandes corretoras de valores americanas, citando a perspectiva de que a retomada do setor financeiro, afetada pela crise dos “subprime”, “vai levar mais tempo que o previsto”.
Analistas ressaltam que o investidor tem razões de sobra para ficar nervoso: ainda há muito pessimismo sobre os rumos da economia americana, com o acúmulo de notícias negativas sobre o setor financeiro; o barril de petróleo ruma para a casa dos US$ 140, o que puxa a inflação em nível global. Analistas já temem um aperto monetário (juros básicos mais elevados) em vários países, inclusive nos EUA, o que é sempre desfavorável, em tese, para o mercado acionário.
Com informações da Folha Online
O novo economista precisa estar pronto para a “economia verde”
Junho 24, 2008
Um dos campos que despontam como importante mercado de trabalho para os economistas está justamente no meio ambiente. O Consultor e Mestre em Economia Ambiental, Roulien Paiva Vieira, destaca o crescimento da área e reforça que para o economista ocupar espaço no mercado “verde” que se forma precisa especializar e buscar conhecimento além das salas. O economista pode e deve integrar as análises econômicas com o contexto sócio-ambiental que o cerca, abrindo campos inexplorados. Acompanhe mais na íntegra da entrevista com Vieira.
O Economista – O que o economista precisa para atuar nessa área?
Roulien Paiva Vieira – O profissional economista deve possuir conhecimento técnico-científico dos recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Saber das aplicações dos Acordos Multilaterais Ambientais como a Convenção de Estocolmo, Protocolo de Montreal, ECO 92, Protocolo de Kyoto, etc…, desenvolver habilidades analíticas para avaliar e implantar estes instrumentos em projetos e ações quotidiânicas o que poderá resultar em melhorias significativas para o meio ambiente, o bem estar e ainda possivelmente gerar Créditos Ambientais (Ativos Financeiros Ambientais reconhecidos pelo Banco Central que podem ser registrados em Esquemas de Negociações Ambientais de Créditos de Carbono, Metano, Óxido Nitroso, Energia, Água, etc … para comercialização.).
O Economista – Há mercado? Quem procura?
Roulien Paiva Vieira – O acordo internacional que mais gera força de mercado para o crescimento deste meio econômico é o Protocolo de Kyoto (PK) que forçou os países do Anexo-I (anexo) do mesmo, através de suas alíneas, a disponibilizar orçamento com a finalidade de compra e desenvolvimento de atividades que gerem o Crédito Ambiental, devidamente reconhecido e homologado pelos princípios do próprio protocolo. A soma do montante disponível destes países arrolados no Anexo do PK geram valores que podem e devem ser desembolsados com fins sócio-ambientais através dos Créditos Ambientais. Em 2001, parte do orçamento destinado a investimentos no âmbito do PK fora designado através de fundos para aquisição de Créditos Ambientais, na ordem de US$ 350 milhões, atualmente esta soma disponibilizada em forma de fundos, projetos e moeda corrente para investir neste mercado está estimada em US$ 600 bilhões. Sendo que os mais interessados em fazer parte deste mercado são os países que detém o débito sócio-ambiental parametrizado em 1990 nominado junto ao PK como déficit ambiental global e qualquer detentor de atividades que podem se transcritas e homologadas como Créditos Ambientais.
O Economista – O que estudar para atuar nessa linha?
Roulien Paiva Vieira – Tenho reparado no Brasil algumas universidades estabelecerem formações de Gestão Econômica em distintas áreas correlacionadas ao Meio Ambiente, e, pelas prerrogativas dos Acordos Multilaterais Ambientais, sabe-se que é necessário ter o conhecimento de Economia Ambiental do ponto analítico como o caso de ciências como a Econologia (Recursos Naturais e, Desenvolvimento Sócio-Ambiental Humano e Industrial), Finanças Ambientais, Antropogenia (atividade originada pela ação humana), Química Ambiental (química em processos naturais e, química em processos humanos e industriais), Toxigenicidade (ambiental e humana) e Avaliação de Sistemas Ambientais são essenciais para se apresentar uma análise econômica ambiental concisa.
O Economista – Quais os cuidados ao analisar ou efetuar um projeto ambiental?
Roulien Paiva Vieira – Primeiramente determinar o enquadramento distinto e aplicativo entre a Gestão Ambiental, a Produção mais limpa e o Mecanismo Flexível (Protocolo de Kyoto), através dos instrumentos de análise como a Avaliação Pontual de Poluição, o Ciclo Evolucionário Sócio-Ambiental e a Avaliação do Sistema Ambiental, para definir a metodologia passível de ser proposta e implantada, pelos níveis de desempenho e eficiência ambiental almejados para a concepção do projeto em voga, delineando assim o tripé da sustentabilidade (social, econômico e ambiental) junto aos objetivos de execução desejados. Pois somente as metodologias técnico-científicas que tem validade junto à ONU para aferimentos efetivos de desenvolvimento sustentável.
O Economista – Quais as vantagens para o profissional de economia?
Roulien Paiva Vieira – O profissional passa a ter mais subsídios sobre externalidades e falhas que poderiam gerar defeitos sócio-ambientais estruturais nas atividades (empreendimentos, projetos, etc…) que são produzidas pelos comportamentos macro de mercado advindos da influência do homem junto ao meio ambiente.
Este profissional passa a ter dados e informações mais apropriados para avaliar, coordenar, determinar, gerenciar e implantar ações quotidiânicas mais seguras com relação à vulnerabilidade do ser humano para com o meio ambiente.
O Economista – Por que o Sr. buscou essa área?
Roulien Paiva Vieira – Quando obtive êxito no concurso para o Mestrado Francês, poderia escolher entre 17 universidades e, como já detinha a Licença Européia para Operar no Mercado Bursátil Ambiental Internacional (ETS / ITL), tomei a decisão de escolher esta vertente das Ciências Econômicas habilitada em Economia Ambiental, o que me proporcionou melhor subsídio de avaliação para dirimir as negociações internacionais ambientais e profícua atuação em projetos e atividades na esfera sócio-ambiental.
O Economista – Os economistas brasileiros estão aptos para atuar nessa área?
Roulien Paiva Vieira – Infelizmente os economistas brasileiros deverão realizar uma atualização / reciclagem em suas instruções para que adquiram este conhecimento extra com habilidade de atuação nesta vertente que se desponta como diferencial no mercado.
O Economista – O que indica para quem quer trabalhar esse setor?
Roulien Paiva Vieira – Conhecer à fundo os Acordos Multilaterais Ambientais (Protocolo de Kyoto, Protocolo de Montreal, ECO-92, etc….) e os demais que estão por vir (Protocolo de Copenhague), e uma rigorosa atualização de conhecimentos de ciências como a econologia e demais já aqui citadas.
O Economista – Uma dica de livro ou filme para os leitores:
Roulien Paiva Vieira – Primeiramente, indicaria um acompanhamento sempre atualizado das negociações na esfera da ONU com relação ao meio ambiente, desenvolvimento, biodiversidade, etc … e como um início sobre Projetos e o Crédito Ambiental como ativo financeiro o livro “Aquecimento Global e Créditos de Carbono”, da Editora Quartier Latin.
Roulien Paiva Vieira, Consultor, empresário, M.sc. Economia Ambiental pela URCA / França, operador no mercado ambiental de Bolsas Ambientais da Europa pelo MEFF - Mercado Espanhol de Futuros Financeiros. Sócio-diretor da MAR Assessoria Ambiental e Internacional e do sítio eletrônico www.creditosambientais.com.br, co-autor do livro Aquecimento Global e Créditos de Carbono, da editora Quartier Latin.
Editor diz que Brasil começa a comportar-se como país sério
Junho 24, 2008
“O Brasil está começando a comportar-se como um país sério”. A afirmação é de Michael Reid, editor da seção das Américas na revista The Economist. Ele escreveu um artigo, publicado hoje no jornal espanhol El País, com o título “Já é amanhã no Brasil” (ou, em tradução livre, o ‘futuro já chegou no Brasil’). Enquanto elogia vários aspectos positivos da economia brasileira, não deixa de criticar também diversos pontos negativos.
Já no início o artigo menciona um discurso de Lula, no qual o presidente diz que sua fórmula política consistia em ser “conservador na economia” e “audaz na política social”. Avalia que a fórmula de Lula deu certo, já que este “cavalga no lombo da popularidade” e o país “começa a ser levado a sério como nova potência econômica e política”.
Quando a sigla BRIC foi cunhada, em 2003, muitos especialistas resmungaram, dizendo que “a letárgica economia brasileira não merecia estar neste clube”. Ao analisar a situação atual, Reid afirma que a renda per capita brasileira é sete vezes superior à da Índia e que o Brasil, “diferentemente da China e Rússia, conta com uma democracia próspera, embora caótica”.
Após comentar brevemente o cenário econômico brasileiro dos anos 60 a 90, Reid escreve que “para surpresa de alguns, Lula decidiu iniciar com os êxitos de FHC”, citando a seguir a independência do Banco Central. “O governo atende seus objetivos orçamentários, reduzindo pouco a pouco a dívida pública”.
Embora o Brasil se beneficie dos preços de algumas matérias-primas, o editor destaca a eliminação de barreiras tarifárias para a indústria como um impulso maior na economia. “Hoje a Embraer constrói um avião na China, a Vale se tornou a segunda maior mineradora do mundo e outras empresas brasileiras são líderes no setor agroindustrial”.
Destaca ainda a possibilidade que o país tem de ser uma potência energética, não só pelas novas descobertas de petróleo, como também pela produção de etanol, que “diferentemente do subsidiado etanol de milho norte-americano, é eficiente em termos econômicos e ambientais”. E comenta ainda que “o Brasil pode aumentar a produção de alimentos e etanol sem tocar na selva amazônica”.
Ao falar dos benefícios econômicos e sociais, Reid fala do Bolsa-Família (que atende 11 milhões de famílias) e da obrigação de manter os filhos na escola para recebê-la. “Estas iniciativas, unidas a uma baixa inflação e rápido crescimento, reduziram os índices de pobreza” (passaram de 48% em 1990 a 33% em 2006). Cita também a melhora na distribuição de renda brasileira, “tristemente famosa por sua desigualdade”, que fez com que oito milhões de famílias chegassem à classe média entre 2000 e 2005.
A seguir, o artigo enumera uma série de problemas: criminalidade, sistema judicial lento e ineficiente, legislação trabalhista que atrapalha a contratação formal, aumento desnecessário das contratações na burocracia federal, carga fiscal elevada, serviço público ruim, décadas de investimentos insuficientes em infra-estrutura e ensino básico de má qualidade. “O pior é que o sistema político dificulta a mobilização das maiorias para impulsar mudanças”, escreve Reid. Menciona também que o PT “deitou por terra” a promessa de fazer política de forma ética.
Apontou também contradições na política externa do Brasil (”transformou-se numa grande potência diplomática comercial, mas compartilha com Estados Unidos e União Européia o fracasso da Rodada de Doha”), principalmente durante o primeiro mandato de Lula, enquanto no segundo mandato o presidente se mostra mais pragmático. “Mas muitos democratas latino-americanos gostariam de ver o Brasil apoiar com mais decisão a atribulada democracia colombiana”.
Por fim, Reid conclui dizendo que o progresso do Brasil durante os últimos 15 anos “se baseia em um paciente desenvolvimento de consensos democráticos e esta é a razão pela qual parece sustentável” e que o Brasil, apeasar dos defeitos, “está começando a comportar-se como um país sério”.
Fonte: Manoel Castanho
Jornalista do COFECON
manoel.castanho@cofecon.org.br
(61) 3208 1806
Pós em Economia Ambiental com Ênfase em Negócios Ambientais
Junho 21, 2008
Desenvolva capacidade analítica para a identificação de oportunidades na área ambiental e conheça as ferramentas econômicas de valoração e sustentabilidade sócio-ambiental.
Mais informações em: www.negociosambientais.ufpr.br
CSS, A PANACÉIA DE SEMPRE
Junho 19, 2008
Do parto da montanha, de onde era para nascer a reforma tributária este ano, veio o rato da recriação da CPMF, agora sob o nome de Contribuição Social para a Saúde(CSS), ainda que com alíquota menor e com aprovação apenas parcial na Câmara dos Deputados.
Chove dinheiro nos cofres da União, por conta de uma máquina arrecadadora cada vez mais voraz e eficiente e do crescimento da economia. Mesmo assim, a cada buraco que abre nas contas do governo, se tira do saco das maldades a panacéia usual: aumento dos impostos.
Não há tema mais recorrente do que a reforma tributária: todos os atores proclamam a sua necessidade e urgência. Mas a matéria só volta à tona quando ninguém em Brasília tem mais nada para fazer. Nem governo nem oposição jogam às veras esse jogo.
Para que mereça o nome, a reforma tributária teria que (1) simplificar os procedimentos, reduzir a barafunda de leis, portarias, resoluções, instruções normativas que infernizam a vida dos contribuintes em geral e (2) diminuir a carga tributária.
No atual debate, ninguém parece interessado em retirar das leis tributárias, a carga de complexidade e mistério que elas encerram. A idéia de descomplicar as normas, diminuir sua quantidade e aumentar sua clareza e qualidade, vai na contra-mão do poder e vaidade dos tecnoburocratas. Eles adoram pensar – e fazer os outros pensarem – que só eles entendem do riscado.
Reduzir a carga tributária, então, nem pensar. Na briga de foice entre União, estados e municípios, para ver quem fica com o maior quinhão do bolo tributário, os perdedores serão sempre os contribuintes.
A criação da CSS foi o previsível resultado desse embate: não se descomplicou uma vírgula do cipoal das leis específicas e, ao invés de reduzir a carga, se criou um novo tributo, aumentando a sangria nos bolsos combalidos dos contribuintes brasileiros.
ESPERANÇA
A CSS, entretanto, pode não emplacar. A primeira possibilidade está no Senado, uma casa menos dócil do que a Câmara. Os senadores tendem a mostrar coerência com a histórica decisão que baniu a CPMF. Além disso, pesam sobre a contribuição – segundo especialistas – ponderáveis dúvidas de legalidade. Pelos menos três partidos de oposição (PPS, DEM e PSDB) mantêm, prontas para serem apresentadas, ações de inconstitucionalidade junto ao Supremo.
Tito Guarniere (titoguarniere@terra.com.br)
Tito Guarniere é bacharel em direito e jornalismo, além de colunista do jornal O Sul, de Porto Alegre. Contribui quinzenalmente para a revista on line Terra Magazine e seus textos também são publicados no Blog.

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