ANPEC - Seleção para Mestrados em Economia
Junho 19, 2008
A ANPEC realiza anualmente o Exame Nacional de Seleção de candidatos aos cursos de mestrado em economia oferecidos por seus centros membros ou associados. São objetivos do Exame avaliar a qualificação acadêmica dos candidatos e fornecer aos centros os resultados da avaliação.
As inscrições para o Exame Nacional de Seleção 2009 serão realizadas em 1° de junho e 3 de agosto de 2008. As provas ocorrerão nos dias 8 e 9 de outubro de 2008. A taxa de inscrição será de R$300,00 (para os que pagarem até 30 de junho) e de R$310,00 (para a de julho e 3 de agosto).
Mais informações em:
http://www.anpec.org.br/exame.htm
Indústria puxa elevação do PIB no primeiro trimestre de 2008
Junho 16, 2008
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresentou alta no primeiro trimestre do ano e cresceu 5,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Comparado com o trimestre imediatamente anterior, a expansão foi de 0,7%. O total de riquezas produzidas no país nos três primeiros meses de 2008 foi de R$ 665,5 bilhões, sendo R$ 104,8 bilhões em impostos sobre produtos e R$ 560,7 bilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos. A informação foi divulgada hoje (10) pelo IBGE.
O resultado foi levemente superior à previsão divulgada pelo Banco Central no relatório Focus, que era de 5,66%. O relatório aponta ainda que o crescimento esperado para este ano é de 4,77%.
Setores
A alta se deve, principalmente, ao desempenho da indústria, que cresceu 6,9% em comparação com o primeiro trimestre de 2007. Neste setor, o principal destaque foi a construção civil (alta de 8,8%).
Nos outros dois setores, o de serviços cresceu 5% (destaque para a área de seguros, com 15,2%) enquanto o agropecuário teve uma expansão de 2,5%. Em comparação com o trimestre imediatamente anterior, a indústria teve alta de 1,6%, o setor de serviços cresceu 1,0% e agropecuária registrou uma queda de 3,5%.
Na distribuição do PIB por setores, a agropecuária representa 5,6%, a indústria 27,7% e os serviços 66,7%.
Investimento e Poupança
O aumento dos investimentos puxou para cima o desempenho da indústria. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou 15,2% em relação ao primeiro trimestre de 2007. A taxa de investimento (valor investido sobre o total do PIB) foi de 18,3% contra 16,7% no mesmo período do ano passado.
A taxa de poupança bruta (poupança sobre o total do PIB) foi de 16,8% no primeiro trimestre de 2008. A taxa é menor do que a de 2007, que havia sido de 17,2%.
O IBGE só compara as taxas de investimentos e poupança com o mesmo período de anos anteriores.
Consumo
O consumo das famílias aumentou 6,6% e teve o 18º mês seguido de crescimento (0,3% sobre o último trimestre de 2007). Já o consumo do governo cresceu 5,8%, sendo 4,5% sobre o último trimestre.
Fonte: Por Manoel Castanho
Jornalista do COFECON
manoel.castanho@cofecon.org.br
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Mais de 2 mil municípios operaram com comércio exterior em 2008
Junho 12, 2008
O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou hoje (11/6), em seu site (www.desenvolvimento.gov.br), os números das exportações e importações dos 2.205 municípios brasileiros que operaram no mercado internacional nos cinco primeiros meses do ano de 2008. No período, as exportações brasileiras somaram US$ 72,051 bilhões e as importações US$ 63,400 bilhões.
Do estado de São Paulo, quatro municípios estão entre os dez maiores exportadores brasileiros de janeiro a maio. A principal exportadora foi a capital paulista que, no período, vendeu ao mercado internacional US$ 3,276 bilhões. Na segunda colocação, está a cidade de São José dos Campos com embarques no valor de US$ 2,476 bilhões. São Bernardo do Campo (US$ 1,757 bilhão) apareceu na quarta colocação do ranking nacional e o município de Santos ocupou a sexta posição da lista, com exportações de US$ 1,474 bilhão.
Angra dos Reis obteve o melhor desempenho do estado do Rio de Janeiro, ficando com a terceira colocação nacional com exportações de US$ 1,932 bilhão nos cinco meses. Ainda no estado fluminense, as cidades do Rio de Janeiro (8ª colocação) e de Macaé (9ª colocação) figuraram na lista dos dez maiores municípios brasileiros exportadores, com exportações de US$ 1,195 bilhão e US$ 1,157 bilhão respectivamente.
De janeiro a maio, a cidade paranaense de Paranaguá vendeu ao mercado mundial US$ 1,679 bilhão, o que lhe rendeu a 5ª colocação no ranking brasileiro. A catarinense Itajaí apareceu na 7ª colocação com embarques de US$ 1,199 bilhão.
O décimo melhor desempenho no período foi da paraense Barcarena com exportações de US$ 1,093 bilhão de janeiro a maio.
Clique aqui para acessar os números.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Balança comercial tem superávit superior a US$ 4 bilhões em maio
Junho 10, 2008
A balança comercial brasileira teve registrou no mês de maio um superávit de US$ 4,07 bilhões. O resultado, além de ser o melhor desde abril de 2007, foi atingido num período em que o comércio exterior se viu prejudicado pela greve dos auditores da Receita Federal (que durava desde meados de março). As exportações do país no mês somaram US$ 19,306 bilhões, enquanto o valor das importações foi de US$ 15,229 bilhões. A informação foi divulgada pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior nesta segunda-feira (2).
A comparação com abril indica um aumento de 44,2% no valor das exportações, enquanto as importações também cresceram 29,8%. Vale destacar que o mês de abril foi inteiramente afetado pela greve dos auditores.
Apesar do resultado, o superávit acumulado do ano de 2008 (US$ 8,655 bilhões) é apenas um pouco superior à metade do saldo alcançado no mesmo período de 2007 (US$ 16,758 bilhões). Ao longo de 2008, as exportações foram de US$ 72,054 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 63,399 bilhões.
As quedas no resultado da balança comercial brasileira estão sendo provocadas pelo baixo valor do dólar, que torna as importações mais baratas e as exportações mais caras. O aumento da renda dos brasileiros é outro fator que influi no aumento das importações.
O Banco Central estima um superávit de US$ 27 bilhões em 2008, enquanto o mercado financeiro espera US$ 24 bilhões. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima US$ 25 bilhões.
Ao longo do ano, o superávit foi de US$ 943 milhões em janeiro, US$ 880 milhões em fevereiro, US$ 1,01 bilhão em março e US$ 1,74 bilhão em abril.
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Por Manoel Castanho
Jornalista do COFECON
manoel.castanho@cofecon.org.br
(61) 3208 1806
Inflação é desafio para economia de SC
Junho 9, 2008
A vida do catarinense tem ficado mais cara do que a média dos brasileiros. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - índice oficial da inflação - ficou em 5,04% no Brasil, nos últimos 12 meses, em Santa Catarina as variações nos preços chegam a até 9,11%. O percentual mais alto foi atingido em Florianópolis, segundo levantamento feito pelo Instituto Técnico de Administração e Gerência (Itag). A única cidade que ficou abaixo do número nacional foi Itajaí, onde a inflação acumulada marca 3,32%, de acordo com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali)
Elevação nos preços de alimentos e higiene pessoal influenciam no aumento da inflação
A alta no preço dos alimentos é um dos principais combustíveis para a inflação. Mesmo quando a comida não é o maior responsável pelo aumento na composição do índice, a elevação de preços está presente. Em Chapecó, o percentual de aumento da cesta básica chega a 26,4% em 2008. Na capital catarinense, os produtos de elaboração primária, como arroz agulha, feijão e farinha de trigo, sofreram elevação de 9,64% este ano. Já em Blumenau, o grupo de alimentação in natura, como tomate, cebola e batata, subiu 22,4%.
Outra tendência é o aumento entre os serviços e itens relacionados à saúde e cuidados com o corpo. Eles são os principais vilões em três cidades analisadas: Joinville, Blumenau e Itajaí. Em Joinville, pagar por saúde e cuidados pessoais ficou 6,86% mais caro esse ano. De acordo com o economista Volnei Soethe, professor da Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenador do projeto que calcula o Índice de Variação Geral dos Preços (IVGP), o aumento se explica por reposição de preços. Com informações do A Notícia
Planejamento: desafios para ter bem-estar na aposentadoria!
Junho 8, 2008
Existem alguns desafios a serem enfrentados, quando o assunto é planejamento de aposentadoria.
O primeiro deles, que aflige grande parte da população, de acordo com o gerente da área de consultoria da Mercer, Evandro Oliveira, é não conseguir dimensionar qual será a quantidade de dinheiro necessária para viver dignamente quando parar de trabalhar. “Quanto vou gastar neste novo estilo de vida?”, indaga.
Segundo especialistas, o que se observa é que as pessoas conseguem viver, depois de parar de trabalhar, com 60% ou 70% da renda que obtinham antes.
A saúde
Em alguns casos, as pessoas se aposentam antes mesmo do que planejam, mesmo porque adoecem. É por isto que se faz extremamente importante um plano de saúde. “É um assunto muito sensível este. Se a pessoa não tiver uma maneira de pagá-lo, pagará muito mais caro”, afirma Oliveira.
Segundo o gerente, o que acontece é que as pessoas estão mais propensas a achar que os outros precisarão de mais cuidados no longo prazo do que elas. Elas tendem a subestimar a própria necessidade de cuidados.
Investimentos
Um grande desafio, e talvez o maior deles, é que as pessoas não têm entendimento suficiente sobre a estrutura do mercado financeiro e dos produtos de investimento, para poder acumular o valor da aposentadoria, fazê-lo render de maneira correta e recebê-lo.
Existem diversos produtos no mercado destinados a isso: ações, para quem gosta de acompanhar o mercado e não teme estar sujeito a riscos maiores, planos de previdência, quando devem atentar à tributação, poupança, mais conhecida e conservadora, dentre outros.
O mais indicado, de acordo com especialistas em finanças pessoais, é fazer um mix de investimentos e sempre ter um plano B.
Longevidade
Ainda é preciso levar em conta que muitas pessoas não sabem que podem viver muito mais do que esperam, e sem o cônjuge, com o qual, muitas vezes, compartilham as despesas da casa. O planejamento de aposentadoria deve ser feito a dois.
De acordo com Oliveira, a necessidade de renda muda ao longo dos anos, durante a aposentadoria. “Começam altas, se reduzem e voltam a crescer nos últimos anos de vida”, quando a pessoa se torna mais dependente.
“Agora, esperar que você vai ter condições de gerenciar sua reserva eternamente é pedir demais de você mesmo!”, finaliza Oliveira.
Fonte: Flávia Furlan Nunes - InfoMoney
Ipea sugere mudanças na Cofins e no Imposto de Renda
Junho 5, 2008
Os dados do levantamento “Impostos diretos e redução da desigualdade”, apresentado no Senado, falam de redução dos impostos indiretos para todos e aumento dos diretos para os ricos.
O presidente do Ipea, Marcio Pochmann, detalhou o levantamento na audiência pública “Impacto da tributação na distribuição de renda e na qualidade de vida dos pobres e assalariados”.
Há duas semanas, um estudo anterior do Ipea já mostrou ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República que os pobres pagam mais impostos que os ricos no país; e os vilões tributários são os impostos indiretos.
Imposto de renda (IR) com 12 faixas de 5% a 60%
O levantamento sugere que o IR passe das atuais duas faixas de alíquotas para 12 faixas pagantes, com 5% no início, para quem recebe de R$ 1.257,00 a R$ 2.000,00, 27,5% na faixa intermediária (R$ 6,5 mil a R$ 8 mil) e 60% na última faixa (acima de R$ 50 mil). Também poderia ser criado um imposto de 1% sobre as grandes fortunas.
Pochmann lembra que houve época no Brasil em que o IR já foi cobrado em várias faixas. De 1979 a 1982, por exemplo, o IR era em 12 faixas de 0 a 55%.
Fortalecer a Carga Tributária Direta
As mudanças no IR ocorreriam no caso de uma possível compensação na arrecadação, uma vez que o levantamento também sugere a diminuição de impostos indiretos, como a COFINS.
A apresentação mostra que o índice de Gini, que mede desigualdade de renda, pode ser reduzido com alterações na Cofins e no Imposto de Renda.
Possível redução na desigualdade de renda com a simulação tributária
Os números também simulam o que ocorreria sem a COFINS, uma situação que reduziria a pobreza em 32,5%.
Redução da pobreza com a extinção da Cofins
O levantamento é um exercício teórico que busca a redução tributária mais pesada sobre os pobres.
Glossário
COFINS - A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é uma contribuição federal, incidente sobre a receita bruta das empresas em geral, destinada a financiar a seguridade social.
Veja a apresentação completa - Clique aqui.
Copom eleva a taxa Selic para 12,25% ao ano
Junho 5, 2008
Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica iniciado na reunião de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% ao ano, sem viés, nessa quarta-feira, 4 de junho. O reajuste, o segundo consecutivo, ficou dentro do esperado pelo mercado.
Em sua reunião anterior, após surpreender o mercado com um aumento dos juros maior do que o esperado após três anos sem elevações da Selic, o Copom havia afirmado que o movimento mais agressivo visava restringir o tamanho do aperto monetário total a ser promovido.
A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 22 e 23 de julho.
Análise econômica do potencial natural é campo de trabalho para economistas
Junho 4, 2008
Na atualidade, surgem muitas perguntas sobre porque e para que estudar Economia. Ao longo das semanas vamos citar itens que abrem as opções para os novos estudantes e aos profissionais que já estão no mercado querendo novas opções.
Dentre as atividades ligadas ao economista, uma ganha relevância e ainda segue pouco explorada no mercado profissional: avaliar o potencial natural e impactos ambientais. Cabe ao profissional de economia realizar estudos de mercado, de viabilidade e de impacto econômico-social relacionados ao meio ambiente, à ecologia, ao desenvolvimento sustentável e aos recursos naturais. O economista pode buscar atuar na valoração de bens até então de difícil mensuração, como por exemplo, o ar que você respira exatamente agora!
Em um mundo com menores fronteiras geográficas e menores barreiras comerciais, vivendo em um país com forte mercado de exportação baseado em commodities agrícolas, a análise desse potencial serviço de consultoria começa a ter destaque e o economista está pronto para esse desafio!
Preços de alimentos básicos continuam em alta, informa Dieese
Junho 2, 2008
Apenas duas, das 16 capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, apresentaram queda no preço dos gêneros alimentícios essenciais, em maio: Goiânia (-1,19%) e Salvador (-0,35%). Rio de Janeiro (0,31%) e Belo Horizonte (0,98%) apresentaram aumentos modestos; mas localidades como Recife (14,19%), Natal (8,91%) e Florianópolis (7,61%) registraram elevações expressivas.
Com a variação apurada em maio, houve alteração no quadro das capitais nas quais foram verificados os maiores custos para a cesta básica. O maior valor foi apurado em Porto Alegre (R$ 236,58), seguido por São Paulo (R$ 233,92) e em terceiro lugar, Belo Horizonte (R$ 230,55). Em abril, o maior custo fora anotado na capital mineira. Salvador (R$ 176,05), Aracaju (R$ 183,40) e João Pessoa (R$ 187,21) registraram os menores valores.
Com base no custo apurado para a cesta em Porto Alegre, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Com a alta ocorrida na maioria das localidades, o salário mínimo necessário passou a corresponder, em maio, a R$ 1.987,51, o que representa 4,79 vezes o piso em vigor (R$ 415,00). Em abril, o mínimo necessário equivalia a R$ 1.918,12, ou seja, 4,62 vezes o piso. Em maio de 2007, a relação entre o mínimo vigente e o necessário era bem menor que o atual, pois o valor de R$ 1.620,64 correspondia a 4,26 vezes o mínimo oficial (R$ 380,00).
Variações acumuladas
As variações acumuladas entre janeiro e maio são bastante elevadas para quase todas as cidades. Os maiores aumentos ocorreram em capitais do Nordeste: Recife (26,52%), Fortaleza (24,28%), Natal (21,87%) e João Pessoa (20,71%). As menores elevações foram verificadas em Goiânia (1,08%), Aracaju (7,15%), Belém (8,63%) e São Paulo (8,99%).
Os aumentos acumulados em 12 meses – de junho de 2007 a maio último – superam o patamar de 20,0%, em todas as capitais, enquanto o salário mínimo subiu, em março, 9,21%. Os destaques foram Recife (46,55%), Fortaleza (40,78%) e Natal (40,75%). As menores altas foram apuradas em Porto Alegre (22,64%) e Goiânia (24,22%).
Cesta x salário mínimo
A exemplo do que se verificou em abril, também em maio o grande aumento da cesta básica, principalmente no período anual – caso em que todos os percentuais foram bem superiores à revisão do salário mínimo - implicou a necessidade de realização de maior jornada média para aquisição dos produtos essenciais. Dessa forma, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo, na média das 16 capitais pesquisadas, precisou cumprir, em maio, uma jornada de 111 horas e 08 minutos, para adquirir os mesmos bens que no mês anterior demandavam 106 horas e 57 minutos. Em comparação com maio de 2007 – quando o preço da cesta estava em queda em todas as capitais - a diferença supera 19 horas, pois o tempo necessário correspondia a 92 horas e 03 minutos.
A mesma diferença pode ser verificada quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto equivalente à Previdência Social. Em maio, a compra da cesta exigia o comprometimento de 54,91% do rendimento líquido, enquanto em abril, a aquisição requisitava 52,84% desse total. Em maio de 2007, eram necessários 45,31% para comprar os mesmos produtos.
Comportamento dos preços
Quando se observa o comportamento dos preços em maio em comparação com os de abril, a maior parte dos itens que compõem a cesta básica teve aumento na maioria das capitais. Caso se faça a comparação com maio de 2007, verifica-se que sete produtos pesquisados nas 16 capitais tiveram alta em todas elas. Estes aumentos generalizados devem-se basicamente a fatores climáticos, pressões do mercado internacional e à alta dos insumos como adubos e fertilizantes derivados do petróleo, uma vez que este teve forte aumento.
A carne teve alta, no mês em 15 capitais, e apenas em Brasília houve retração (-2,22%). As maiores elevações ocorreram em Florianópolis (9,92%) e Curitiba (6,20%). No período anual, o produto teve aumento nas 16 localidades, com variações entre 16,74%, em Porto Alegre, a 39,09%, em Fortaleza. O período de maior oferta do produto está no fim e seu preço encontra-se em patamar elevado. Como a Comunidade Européia reviu sua posição contra a importação da carne brasileira de vários estados, a exportação pode ser mais um fator de pressão para os preços, ainda que haja forte concorrência de países vizinhos como Argentina e Uruguai que praticam preços menores.
Também o arroz teve alta em 15 capitais, com exceção apenas do Rio de Janeiro, onde houve pequena queda (-0,45%). Os aumentos situaram-se entre 7,03%, em Salvador, e 36,77%, em Florianópolis. Quinze capitais registraram também aumento em 12 meses no preço do produto. Neste período, as elevações ficaram entre 13,03%, em Recife, e 47,50%, em Porto Alegre, capital de estado de grande produção do bem e que acabou de colher a safra da variedade agulhinha. Devido ao anúncio de escassez mundial de grãos, provavelmente há retenção do cereal por parte de produtores e especulação no comércio intermediário. Como é pouco provável que este quadro se mantenha, a expectativa é de barateamento nos próximos meses.
No caso do pão, o preço ficou estável em Belém, em maio, e caiu em Salvador (-2,55%). Em 14 capitais, porém, foram verificadas elevações, com destaque para Porto Alegre (10,16%); Brasília (8,63%), Natal (7,80%) e Aracaju (7,64%). No período anual, os aumentos ocorreram em todas as capitais, com variações superiores a 30,0% em Belo Horizonte (35,35%), Natal (33,57%) e João Pessoa (30,63%). Apenas em Goiânia (4,48%) a alta ficou abaixo de 10,0%. Os aumentos do pão estão relacionados ao encarecimento da farinha de trigo, cuja importação está sendo realizada de países mais distantes e com maior custo de frete – como EUA e Canadá, pois a Argentina está privilegiando a exportação da farinha de trigo. Este produto, que tem seu preço acompanhado na cesta básica das capitais do Centro-Sul do país, teve alta em oito localidades, a maior de 11,11%, em Brasília e a única redução deu-se em Goiânia (-2,63%). Em comparação com maio de 2007, o aumento foi expressivo em todas as nove capitais, situando-se entre 32,50%, em Vitória e 52,75%, em Goiânia.
O leite teve aumento, em maio, em 13 capitais, com as maiores elevações verificadas em Florianópolis (3,55%) e Goiânia (3,35%). Em João Pessoa não houve alteração de preço e recuos ocorreram em Brasília (-0,54%) e Salvador (-14,55%). Em relação a maio do ano passado, o leite teve aumento em todas as 16 regiões, com variações entre 15,15%,, em Goiânia, a 33,33%, em Salvador. No próximo mês de junho tem início o período de entressafra, quando cai a oferta e há encarecimento do produto. No entanto, se as condições climáticas forem mais favoráveis, a redução da oferta pode ser menor.
O tomate, produto cujo preço é sempre sujeito a oscilações, teve aumento em 12 capitais, com taxas expressivas em Recife (119,86%) e Natal (43,23%). As reduções foram observadas em Belo Horizonte (-0,32%), Brasília (-0,39%), Rio de Janeiro (-3,00%) e Goiânia (-9,62%). Em comparação com maio de 2007, o tomate apresenta aumento em todas as capitais, que chegam a taxas muito elevadas em Recife (217,82%), Vitória (189,83%) e Belo Horizonte (129,85%), mas também registra altas mais modestas, como em Belém (3,50%) e Salvador (9,66%). O aumento no preço do tomate, além de episódios de especulação, relaciona-se à alta dos adubos e fertilizantes derivados do petróleo, usados na lavoura.
O preço do feijão destacou-se, em maio, pela predominância de queda. Houve retração em 14 capitais, com destaque para Fortaleza (-16,85%), João Pessoa (16,30%), Goiânia (-11,33%) e São Paulo (-10,31%). Os aumentos ocorreram em Curitiba (9,10%) e Porto Alegre (1,95%). Apesar da retração do último mês, o feijão ainda está bem mais caro que em maio do ano passado. Apenas em João Pessoa a elevação anual é inferior a 100,0%, ficando em 94,97%. As variações chegam a 171,68%, em Fortaleza; 164,83%, em Belém; 159,96%, em Belo Horizonte; 158,79%, em Porto Alegre e 152,81%, em Salvador. Para os próximos meses é esperada a manutenção da tendência de queda no preço.
São Paulo
Em maio, o custo da cesta básica na capital paulista foi de R$ 233,92, com um aumento de 2,68% em relação ao mês anterior. O valor registrado em São Paulo foi o segundo maior dentre as 16 capitais pesquisadas pelo DIEESE, sendo superado pelo de Porto Alegre (R$ 236,58). Nos cinco primeiros meses deste ano a alta está em 8,99% enquanto em 12 meses o aumento chegou a 26,49%.
Somente o feijão carioquinha apresentou redução em seu preço na capital paulista: -10,31%. Três itens registraram estabilidade, caso do café em pó; açúcar refinado e manteiga. Elevações relativamente pequenas ocorreram para o óleo de soja (0,31%); carne bovina de primeira (1,93%); leite in natura tipo C (1,67%); banana nanica (2,17%). O pão francês subiu 5,68%; três produtos aumentaram cerca de 10,0%: batata (10,37%); tomate (10,57%) e farinha de trigo (10,63%) enquanto o arroz agulhinha tipo 2 teve o maior aumento: 21,25%.
Três produtos tiveram, em maio, preço inferior ao verificado em igual mês, em 2007: batata (-3,72%); café (-6,00%) e, principalmente, o açúcar (-23,24%). Os outros 10 itens subiram. As altas mais expressivas foram apuradas para o feijão (104,62%); óleo de soja (63,00%); farinha de trigo (42,74%); arroz (39,57%) e tomate (36,28%). As mais contidas variações anuais (nem por isso, pequenas) deram-se para a manteiga (15,89%); carne (21,60%); banana (22,11%); leite (23,83%), e pão (27,88%).
Em maio, o trabalhador paulistano cuja remuneração equivale ao salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 124 horas, quase três horas a mais que em abril, quando correspondia a 120 horas e 46 minutos. Em comparação com maio de 2007, o tempo de trabalho necessário verificado para o último mês, supera em quase 17 horas o então registrado (107 horas e 04 minutos).
Também quando se considera o valor do salário mínimo líquido – após o desconto da parcela referente à Previdência Social – verifica-se a mesma correlação. Em maio, o custo da cesta representava 61,27% do valor do mínimo líquido, contra 59,67%, de abril e 52,70% de maio de 2007. Estes resultados mostram que o custo da cesta subiu muito mais que o salário mínimo, reajustado em março deste ano.
Fonte: Dieese

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