Mercado financeiro sofrerá redução de demanda e rejeição de pacote indica fraqueza do governo americano
Setembro 30, 2008
O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças - seção Rio de Janeiro (Ibef/RJ), Luiz Leonardo Cantidiano, disse que a rejeição dos congressistas norte-americanos ao pacote de US$ 700 bilhões para socorro a bancos e empresas financeiras do país mostra a fraqueza do governo dos Estados Unidos.
“Já não é mais um pato manco (da expressão inglesa ‘lame duck’, que designa um governante que está no poder, mas que se tornou inelegível ou não pode ser reeleito). Já é morto”, afirmou Cantidiano.
Ex-titular da Comissão de Valores Mobiliários, ele acredita que o mercado brasileiro sentirá os reflexos negativos dessa rejeição, “porque vai haver contração da movimentação financeira”. O crédito já está sendo restringido e existe o “empoçamento” de liquidez, disse.
“Ninguém está operando, seja porque os investidores que estão perdendo lá [nos Estados Unidos] e que eram investidores no Brasil vão precisar liquidar investimentos aqui para pagar compromissos que tenham lá, seja porque a retração que já está acontecendo na economia pode implicar na redução de preço e de volume de bens exportáveis por nós. Então, eu acho que vamos ter reflexos, sim”, analisou.
O presidente do Ibef trabalha com a perspectiva de diminuição do fluxo de dinheiro externo para o Brasil. “A demanda vai diminuir e pode ter venda de posições aqui para poder liquidar compromissos lá fora. Então, você tem ao mesmo tempo uma diminuição da demanda e aumento da oferta de venda. Isso pode deprimir preços das ações”. Ele não soube avaliar a extensão desse movimento. “É uma incógnita. E com a surpresa de hoje…”.
Cantidiano descartou, entretanto, que possa haver uma extensão da crise americana para o setor imobiliário brasileiro, uma vez que o problema registrado nos Estados Unidos é específico e não tem similar no nosso país.
Agência Brasil / Alana Gandra
Crise global gera perdas de US$ 1,3 trilhão
Setembro 30, 2008
O colunista de economia do jornal catarinense A Notícia, Cláudio Loetz, comenta em sua nota hoje (30 de setembro) que o tamanho da crise global gerou, até agora, US$ 1,3 trilhão de perdas. Mas, segundo a presidente da câmara de comércio exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Teresa Bustamante (fonte da nota publicada), nem por isso ocorrerá uma falência do sistema econômico mundial. Para ela, a hora é de cautela e o gigante chinês pode sair fortalecido.
A jornalista Estela Benetti, do Diário Catarinense, também aborda o mesmo assunto. Ela comenta que os industriais catarinenses, surpresos com a rejeição do plano pela Câmara dos EUA esperam que as autoridades americanas encontrem uma saída para socorrer o setor financeiro, mas admitem que a economia catarinense será afetada. Os maiores problemas serão a queda das exportações e a limitação da oferta de crédito às empresas. Segundo ela, o primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias, Glauco José Côrte, estima que a desaceleração do crescimento econômico mundial será maior e vai atingir expressivamente as exportações.
Embora o Estado tenha boa parte da pauta com produtos de valor agregado, também é grande exportador de commodities. Se há um ponto positivo, apontado pelos colunistas, é a melhora na cotação do dólar, que permite maior receita com vendas externas.
Economista avalia que rejeição ao pacote de socorro americano vai gerar crise mundial
Setembro 30, 2008
O mercado financeiro brasileiro sofrerá a influência de uma crise da economia global, que será conseqüência da rejeição do pacote de socorro ao mercado financeiro americano pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A avaliação foi feita ainda ontem (29), à Agência Brasil, pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon/RJ), João Paulo de Almeida Magalhães.
A notícia da rejeição do pacote teve impacto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que, até o início da tarde, registrava uma queda superior a 10%, provocando a paralisação do pregão.
“Um banco é interligado com outro e os bancos com o mercado”, observou Magalhães. Ele disse que uma das conseqüências do efeito cascata é que a China vai crescer menos do que o previsto e, portanto, vai demandar menos commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior) do Brasil.
Com isso, os preços, que já mostravam uma tendência declinante, vão cair ainda mais. Para Magalhães, nesse cenário, é possível que a balança comercial brasileira tenha redução em 2009.
Segundo ele, as repercussões diretas da crise americana sobre o sistema financeiro nacional serão sentidas, de forma especial, no setor imobiliário, que “estava tomando crédito e lançando ações adoidado e que, na Bolsa de São Paulo [Bovespa], ontem, já apresentava uma queda maior”. O economista destacou, contudo, que não haverá nas empresas do setor imobiliário nada que configure uma crise da dimensão da crise americana.
“Nós vamos ter sobras da crise dos Estados Unidos. E, a meu ver, através de um impacto na economia geral, nas quedas de commodities, mais dificuldades de exportações. Isso vai repercutir no Brasil”, concluiu.
Agência Brasil / Alana Gandra
Após rejeição do pacote de Bush, Bovespa fecha em queda de 9,36%
Setembro 29, 2008
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou hoje (29) em queda de 9,36% e 334.362 pontos. Às 14h49, o pregão ficou paralisado durante 30 minutos após o Ibovespa, índice da bolsa, apontar queda de 10% em relação à última marca de sexta-feira. As ações que mais caíram foram as da Rossi Resid e da BMF Bovespa: 21,06% e 20,21%, respectivamente. O volume negociado foi de R$ 5.780.202.507,00. O dólar fechou em alta de R$ 1,96, numa ascensão de 6%.
A forte queda no mercado acionário ocorreu após a rejeição, pelos deputados norte-americanos, do pacote de ajuda proposto pelo governo George W. Bush, que prevê o desembolso de US$ 700 bilhões para socorrer bancos dos Estados Unidos, comprando “títulos podres”.
“Hoje é um dia atípico e um caso especial em que não é possível prever o que acontecerá daqui para frente”, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). De acordo com ele, a crise pode desacelerar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Para o economista, os bancos brasileiros, e o país como um todo, estão em situação favorável perante os norte-americanos em termos de capitalização, porque aqui os empréstimos não são tão vultosos quanto lá. “Além disso, não concentramos os investimentos em uma única carteira como os americanos costumam fazer”.
Segundo Ricardo José Almeida, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), a crise não se deve apenas ao boom do crédito imobiliário, mas é um reflexo da situação política dos Estados Unidos, que vivem a reta final da disputa eleitoral entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.
“A incerteza agora é com relação ao futuro presidente dos Estados Unidos. Como a opinião pública é contra o pacote, quem o apoiar perderá a eleição”, diz Almeida. “Este é um momento de extremo pessimismo e não pensei que fosse chegar até este ponto. A tendência é que a Bovespa sofra ainda mais”.
Fonte: Ivy Farias - Agência Brasil
BC eleva projeção de crescimento econômico em 2008
Setembro 29, 2008
O BC aumentou para 5% a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2008, conforme o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta segunda-feira pela instituição. A previsão aumentou em 0,2%. Para o Banco, o ramo agroindustrial deve crescer 5,5% no ano e a estimativa para o crescimento do setor industrial passou de 5,3% para 5,5%. A construção civil deverá crescer 8,8%, acima dos 6,9% previstos já três meses. A projeção relacionada à expansão do setor de serviços passou de 4,4% para 4,5%, puxada pelos bancos. “O aumento da estimativa reflete melhora generalizada das projeções, seja considerada a ótica da produção ou da demanda”, indica o BC.
Confira aqui a íntegra do relatório.
Congresso e governo americanos fecham acordo para votar pacote econômico
Setembro 28, 2008
Os congressistas e o governo dos Estados Unidos chegaram a um acordo para aprovar o pacote de resgate do governo americano para a economia do país. O anúncio foi feito hoje (28) pela presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.
Segundo ela, os parlamentares e o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, trabalharam para resolver as diferenças. “Assim, podemos ir adiante com o pacote para estabilizar os mercados e, o mais importante, para proteger os contribuintes americanos”, disse Pelosi.
Os parlamentares estiveram reunidos durante a madrugada de hoje para acertar o acordo, que ainda deverá ser formalizado. O pacote do governo americano prevê investimentos de US$ 700 bilhoes para a compra de títulos de instituições financeiras falidas.
Fonte: Agência Brasil
Produção industrial cresce 2,5% em agosto deste ano
Setembro 28, 2008
A produção industrial de agosto de 2008 cresceu 2,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. É o que aponta o indicador da PIM (Produção Industrial Mensal), documento produzido pelo Ipea.
Na variação em relação a julho, descontando os efeitos sazonais, a produção registrou queda de 0,5%.
Os indicadores setoriais apontam que apesar de uma pequena desaceleração em relação ao crescimento ocorrido nos dois meses anteriores, a indústria automotiva registrou um avanço de 12,6% sobre agosto de 2007.
Confirma mais informações em:
http://www.oeconomista.com.br/arquivos/producao_industrial_set_2008.pdf
Fonte: IPEA
BC altera regulamentação de recolhimentos compulsórios
Setembro 24, 2008
Com o objetivo de preservar o Sistema Financeiro Nacional dos efeitos da restrição de liquidez que vem sendo observada no sistema financeiro internacional, o Banco Central do Brasil decidiu fazer as seguintes alterações, de caráter pontual, na regulamentação de recolhimentos compulsórios:
1 - Fica adiado o cronograma de implementação do recolhimento compulsório em títulos federais sobre Depósitos Interfinanceiros captados de sociedades de arrendamento mercantil. O recolhimento com base na alíquota de 20%, que seria feito a partir de 14 de novembro de 2008, passa a vigorar em 16 de janeiro de 2009. A adoção da alíquota de 25% foi adiada de 16 de janeiro de 2009 para 13 de março de 2009.
2 - Fica ampliado de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições financeiras do cálculo da exigibilidade adicional sobre depósitos à prazo, depósitos de poupança e recursos à vista. As alíquotas usadas para o cálculo dessa exigibilidade, que é remunerada pela taxa Selic, permanecem inalteradas em 8% para os depósitos à prazo, 10% para os depósitos de poupança e 8% sobre os recursos à vista.
Fonte: Assessoria de Imprensa Banco Central
Governo revisa a meta de exportações de 2008 para US$ 202 bilhões
Setembro 24, 2008
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, anunciou nesta terça-feira (23/9) a revisão da meta das exportações brasileiras de 2008 para US$ 202 bilhões. A meta divulgada hoje, durante entrevista coletiva realizada no MDIC, significa um crescimento de 25,7% em relação às exportações de 2007, que chegaram a US$ 160 bilhões.
Alguns fatores são importantes em relação às perspectivas de bom desempenho da balança comercial brasileira para este ano. De acordo com Barral, o preço de commodities como carnes, minério de ferro, café, ferro gusa, açúcar, farelo e óleo de soja estão em alta ou estáveis. Outras, como petróleo, metais, soja em grão, couro, celulose e milho, mesmo em baixa, permanecem acima dos preços praticados em 2007.
Além das commodities, o aumento das exportações de aeronaves, a retomada nas exportações de telefone celular, o crescimento das exportações de tratores e caminhões, e a retomada dos embarques de petróleo são outros fatores que contribuíram positivamente para o desempenho da balança comercial.
O secretário destacou ainda que a previsão para os últimos quatro meses de 2008 é que o Brasil exporte mais US$ 71 bilhões, o que representa uma média 22% superior ao mesmo período do ano passado. ” Nós pretendemos que a média dorsal entre setembro e dezembro seja superior a média mensal do resto do ano”.
A última revisão do índice foi feita em julho deste ano, quando foi estabelecido o valor de US$ 190 bilhões. A primeira meta prevista para 2008, divulgada em novembro de 2007, havia sido de US$ 172 bilhões.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC
Brasil levará 18 anos para alcançar média mundial de desigualdade de renda
Setembro 23, 2008
Embora a desigualdade da distribuição de renda no Brasil esteja em queda, tendo recuado 7% nos últimos seis anos, ainda faltam pelo menos 18 anos para o país se alinhar à média da desigualdade mundial. A avaliação foi feita ontem (22) pelo pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros.
A taxa de redução da desigualdade no Brasil é consideradas uma das mais aceleradas do mundo, mas não suficiente, segundo o pesquisador, para colocar o país na média mundial.
“A nossa desigualdade é imensa. Mas, na velocidade que vamos, para fazer ela chegar à desigualdade registrada no mundo, ainda temos que repetir o nosso desempenho dos últimos seis anos. São três vezes, ou seja, 18 anos”, afirmou. “Estamos 24 anos atrasados, já tiramos seis.”
Segundo ele, a desigualdade no país ainda é um problema, apesar da queda nos índices ser “consistente”, puxada pelo aumento da renda dos mais pobres. Os 20% dos brasileiros mais pobres têm renda mensal de cerca de U$ 1,2 mil, enquanto a média de renda per capita no país é de U$ 8,4 mil.
Para Barros, o desafio da política social para os próximos anos é reduzir a desigualdade social elevando a renda obtida pelos mais pobres por meio do trabalho. Segundo o pesquisador do Ipea, os programas assistenciais como o bolsa família, além dos benefícios da previdência, não são saídas capazes de dar fim ao problema.
“O bolsa família oferece condições mínimas de a pessoa procurar um emprego, educar os filhos, mas é preciso uma política que dê oportunidade de aproveitar o potencial produtivo do cidadão, para que ele gere renda e saia da pobreza por seus próprios meios”, destacou.
De acordo com o Ipea, dentre 74 países sobre os quais há informações a respeito da evolução do coeficiente Gini (índice que mede a diferença entre os mais ricos e os mais pobres do país), menos de 25% conseguiram reduzir a desigualdade no mesmo ritmo que o Brasil (7%).
O progresso, no entanto, só fez o país subir cinco posições no ranking da desigualdade social, composto por 126 países. Assim, 113 países apresentam distribuição de renda menos concentrada que a do Brasil, embora 62% deles tenham renda per capita menor do que a brasileira.
Agência Brasil / Isabela Vieira

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