País tem superávit primário de R$ 118,4 bilhões de janeiro a setembro

Outubro 31, 2008

O superávit primário - a economia que o país faz para honrar compromissos financeiros, inclusive o pagamento de juros - chegou a R$ 118,414 bilhões de janeiro a setembro deste ano. O valor representa 5,59% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, e é o maior para esse período desde 1994 (5,92%). A meta para o ano, que é de 4,3%.

No mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 91,223 bilhões, ou 4,85% do PIB. A informação foi divulgada hoje (31) pelo Banco Central.

De janeiro a setembro deste ano, o segmento público que mais contribuiu para o resultado foi o governo federal, com R$ 113,088 bilhões. Os governos estaduais geraram superávit primário de R$ 23,718 bilhões. Os municípios contribuíram com R$ 2,402 bilhões. As empresas estatais federais economizaram R$ 10,106 bilhões, as estaduais, R$ 1,295 bilhão e as municipais, R$ 15 milhões.

Os gastos com juros chegaram a R$ 125,472 bilhões no acumulado do ano, contra R$ 119,363 bilhões acumulados no mesmo período de 2007. O resultado do período, no entanto, não foi suficiente para pagar os juros. Com isso, o país teve déficit nominal no acumulado do ano de R$ 7,058 bilhões, valor menor do que os R$ 28,149 bilhões do mesmo período do ano passado. Em relação ao PIB, o déficit nominal ficou em 0,33%, o menor para o período de janeiro a setembro desde o início da série histórica do BC, em 1991.

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

Presidente da Renault-Nissan analisa a economia norte-americana e diz que ainda não vimos o pior

Outubro 30, 2008

Frente à crise econômica mundial, o presidente do conglomerado Renault-Nissan, Carlos Ghosn, declarou ao Automotive News que as circunstâncias atuais podem dificultar a formação de sociedades entre os fabricantes, e que o futuro a médio prazo não promete grandes melhoras. “Eu não vejo muitas negociações a caminho. E eu não creio que haverão muitas empresas se arriscando em operações estratégicas envolvendo cash”.

Suspeita-se que o comentário de Ghosn possa também ser uma resposta às especulações de que a Nissan poderia adquirir 20 por cento das ações da Chrysler.

Ghosn não vê uma recuperação rápida do mercado norte-americano. “Ainda não vimos o pior. Esta não será uma crise em termos curtos. Eu não creio que sairemos dela em 2009, mesmo talvez em 2010″.

As vendas de automóveis nos Estados Unidos sofreram um decréscimo de 12,8 por cento entre Setembro de 2007 e 2008. Analistas de mercado temem que o total de vendas deste mês represente o pior Outubro dos últimos 17 anos.

4 rodas / Juliano Barata

Mantega avalia que fase mais aguda da crise financeira internacional já passou

Outubro 30, 2008

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou o seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Mantega dizendo que a fase mais aguda da crise financeira internacional já passou e que o quadro atual é mais ameno em relação a situação anterior.

De acordo com Mantega, um dos sintomas positivos do fim dessa fase mais aguda da crise é o aumento das operações interbancárias internacionais.O ministro também informou que atuação do Banco Central no câmbio poderá trazer dividendos para o BC já que comprou dólares a R$ 1,60 e atuou nos leilões de venda ao preço de R$ 2,10.

O títular da Fazenda está, neste momento, respondendo às indagações dos parlamentares que integram a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre os efeitos da crise internacional sobre o nível de atividade da economia brasileira.

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

Entrada de dinheiro não significa desenvolvimento

Outubro 29, 2008

Toda vez que fecha-se a balança comercial com lucro a idéia é que com certeza haverá ou houve desenvolvimento econômico. E quando pensamos em “desenvolvimento econômico”, seguimos a idéia na qual Celso Furtado constrói sua crítica, “a idéia de que os povos pobres podem algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos”. Esta semana estive lendo o relatório do Ministério de Desenvolvimento do Brasil, referente a balança comercial de exportações e importações dos municípios brasileiros, que me fez lembrar imediatamente de outro Relatório do Índice de Desenvolvimento Municipal, elaborado pela FIRJAN, divulgado em julho deste ano. Uma breve análise dos dois é suficiente para provar que entrada de dinheiro não necessariamente implica em desenvolvimento sócio-econômico. Confirmando Celso Furtado, “o aumento relativo de privilegiados…não impede, entretanto, que se mantenha e aprofunde o fosso que entre eles e a grande maioria da população…”.

Divulgado recentemente, o primeiro relatório mostra que “… 2.259 cidades brasileiras operaram no comércio exterior. De janeiro a setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 150,868 bilhões e as importações US$ 131,212 bilhões, desempenhos que resultaram num superávit comercial (diferença entre o valor exportado e o importado) de US$ 19,656 bilhões.” De início, podemos nos surpreender com tal número, pois afinal de contas ele mostra que quase a metade do número total de municípios emancipados do país estão exportando desde matérias primas a bens de consumo, e olhando para o resultado de superávit relacionamos o lucro com desenvolvimento em tais regiões. Porém, em breve análise, perceberemos o contraste entre as regiões e a predominância da centralização e concentração de um pólo exportador.

Dentre as dez primeiras cidades que tiveram um maior fluxo de exportações no período de janeiro a setembro, encontramos quatro do estado de São Paulo, três do Rio de Janeiro, uma de Minas Gerais, uma do Pará e uma do Paraná, trazendo a tona mais uma vez a disparidade do crescimento econômico do Brasil,entre o fortíssimo eixo sudeste-sul e a debilidade de outras regiões, construindo o seguinte ranking:

1- São Paulo/SP – US$6,416 bilhões
2- São José dos Campos/SP – US$5,085 bilhões
3- Angra dos Reis/RJ – US$4,489 bilhões
4- São Bernardo do Campo/SP – US$3,392 bilhões
5- Paranaguá/PR – US$3,278 bilhões
6- Santos/SP – US$3,223 bilhões
7- Macaé/RJ – US$2,991 bilhões
8- Itabira/MG – US$2,422 bilhões
9- Parauapebas/PA – US$2,648 bilhões
10- Rio de Janeiro/RJ – US$2,530 bilhões

Paralelamente a estes dados podemos visualizar o segundo relatório, onde foi divulgado o índice de desenvolvimento municipal, que considera com igual ponderação três áreas de desenvolvimento humano – Emprego e Renda, Educação, Saúde. A pesquisa é realizada com um recorte municipal com alcance de todo o país. Sendo que o resultado final ficou resumido da seguinte maneira: “Considerando o grupo dos 100 primeiros colocados, 87 municípios estão no Estado de São Paulo. Os 13 restantes dividem-se entre Paraná (Maringá, Londrina e Curitiba), Santa Catarina (Brusque, Videira e Jaraguá do Sul), Rio de Janeiro (Macaé e Niterói), Rio Grande do Sul (Marau e Lajeado), Goiás (Catalão), Espírito Santo (Vitória) e Minas Gerais (Nova Lima).” Neste ponto, fazemos uma breve comparação entre o registro dos dez primeiros de um com os 100 primeiros de outro, pois se alinhássemos apenas os dez primeiros de cada ranking não seria possível uma visualização abrangente. Afinal de contas, no que tange a desenvolvimento municipal, o estado de São Paulo predomina nas 33 primeiras posições.

Na verdade, sabemos muito bem, que esta desigualdade na construção do desenvolvimento econômico brasileiro, a desigualdade entre regiões e a concentração de pólos econômicos não são frutos de acontecimentos recentes . Desde pós-segunda guerra mundial alinhado ao processo de industrialização vivido pelo país, o Brasil entrou em um processo de urbanização e desenvolvimento de pontos estratégicos em seu território. Resultando aglomerações espaciais e concentrações econômicas, fenômeno chamado por muitos de metropolização, que gerou nada mais nada menos do que o que os relatórios acima citados identificam em suas análises.

Este fantasma, de centralização, disparidades regionais, entrada de fluxos financeiros elevados porém baixas taxas de desenvolvimentos locais, nos assombra até hoje, afinal de contas, Angra dos Reis com um total de US$4,489 bilhões, Paranaguá com US$3,278 bilhões, Parauapebas com US$2,648 bilhões, ocupam respectivamente a 427º, 820º, 2154º posição no ranking de desenvolvimento municipal. Este breve olhar, só nos leva concluir que uma plataforma de lucro e superávit não está diretamente ligada a avanço econômico social do local. Infelizmente ainda não aprendemos com nossa construção histórica e permanecemos agindo da mesma maneira. Faz-se necessário a implantação de uma proposta de desenvolvimento conectada com a realidade de todo o país, não apenas com as regiões mais lucrativas e principalmente contextualizada com as novas questões que se abrem neste início de século. Quem sabe, uma proposta de “identificação das necessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que abre ao homem o avanço da ciência”.

• Trechos do livro O Mito do Desenvolvimento Econômico – Celso Furtado – 5ªEdição

João Baptista
Email: joao@3cnetwork.org
Blog: www.concepcoeseconjunturas.blogspot.com

Banco Central mantém em 13,75% a taxa básica de juros do mercado

Outubro 29, 2008

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve hoje (29) a taxa básica de juros, a Selic, 13,75%, sem viés. Essa taxa remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é usada pelo BC como instrumento de controle da inflação.

Quanto mais alta a Selic, mais caro fica o crédito, o que desestimula o consumo de bens e serviços. Quanto a Selic é alta, os bancos preferem comprar títulos do governo, remunerados pela Selic, do que emprestar aos consumidores.

No início deste ano, a Selic estava em 11,25%, permaneceu assim em março, subiu para 11,75% em abril, e na reuniões seguintes do Copom também foi elevada: 12,25% em junho, 13% em julho e 13,75% em setembro. A reunião de hoje foi a penúltima prevista do ano. A última reunião de 2008 está marcada para dezembro.

A taxa de juros fixada pelo Copom é a meta para a Selic e normalmente vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do comitê. No entanto, pode ser definido o chamado viés, que permite ao presidente do BC alterar a taxa a qualquer momento entre as reuniões. A última vez que isso aconteceu foi em março de 2003, quando foi estabelecido o viés de alta, ou seja, o presidente do BC podia elevar a Selic.

Fonte: Agência Brasil

Copom define hoje taxa básica de juros da economia

Outubro 29, 2008

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define hoje (29) a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está 13,75%. Essa taxa remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é usada pelo BC como instrumento de controle da inflação.

Quanto mais alta a Selic, mais caro fica o crédito, o que desestimula o consumo de bens e serviços. Por conseqüência, os preços são reduzidos. Quanto a Selic é alta, os bancos preferem comprar títulos do governo, remunerados pela Selic, do que emprestar aos consumidores.

Entretanto, nesta reunião o Copom analisa perspectivas e trajetória de inflação, além dos efeitos do agravamento da crise financeira internacional, que tem restringido o crédito no país.

A situação levou o governo a adotar várias medidas para aumentar os recursos disponíveis na economia. Com isso, analistas argumentam que o BC não deveria usar a mesma estratégia de elevação da Selic, como fez em reuniões anteriores do colegiado.

Há também o argumento de que vários bancos centrais no mundo reduziram os juros básicos em função da crise financeira internacional. Hoje, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) também anuncia sua nova taxa de juros.

No início deste ano, a Selic estava em 11,25%, permaneceu assim em março, subiu para 11,75% em abril, e na reuniões seguintes do Copom também foi elevada: 12,25% em junho, 13% em julho e 13,75% em setembro. A reunião de hoje é a penúltima prevista do ano. A última reunião do ano está marcada para dezembro.

A taxa de juros fixada pelo Copom é a meta para a Selic e normalmente vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do comitê. No entanto, pode ser definido o chamado viés, que permite ao presidente do BC alterar a taxa a qualquer momento entre as reuniões. A última vez que isso aconteceu foi em março de 2003, quando foi estabelecido o viés de alta, ou seja, o presidente do BC podia elevar a Selic.

No primeiro dia de reunião, ontem, os chefes de departamento e o gerente-executivo do BC apresentam uma análise da economia brasileira e internacional, o que inclui o acompanhamento de preços e possíveis pressões inflacionárias.

Hoje, quando será definida a Selic, participam apenas os diretores e o chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), sem direito a voto. Depois de exposições, há uma votação, com busca de consenso. A ata da reunião é divulgada sempre na quinta-feira da semana seguinte, às 8h30.

Agencia Brasil / Kelly Oliveira

Desemprego cai para a menor taxa dos últimos 10 anos em setembro

Outubro 29, 2008

O desemprego recuou de 14,5% para 14,1% nas seis regiões metropolitanas do país em que é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). É a taxa mais baixa registrada em um mês de setembro desde 1998.

O total de desempregados atingiu 2,8 milhões de pessoas com redução de 72 mil em comparação a agosto. A redução é 168 mil quando comparado com desempenho de setembro do ano passado. No período, ocorreram 205 novas admissões e o corte de 75 mil vagas, resultando na geração de 130 mil postos de trabalho,0,8% acima de agosto e superou em 58 mil o número de pessoas que entraram para o mercado.

A maior parte das contratações ocorreu em serviços (171 mil), seguido da construção civil (18 mil) e indústria (16 mil). Nos segmentos do comércio, foram suprimidas 37 mil vagas e em outros setores (38 mil).

Na comparação com agosto, a maior redução na taxa de desemprego foi constatada em Recife (-4,2%), embora essa região dentre as seis pesquisadas registre o maior percentual de desempregados proporcionalmente à população economicamente ativa : (20,4%) ante (21,3%) em agosto.

A segunda maior taxa de desemprego é de Salvador (19,7%), 1% menos do que no mês anterior. Essa variação nos municípios baianos representa um avanço sobre o mesmo mês de 2007, quando detinha a maior taxa de pessoas em busca de uma vaga (21,7%). Nas demais regiões metropolitanas foram constatados os seguintes índices de desemprego: Distrito Federal (15,8%), 0,6% de queda; Belo Horizonte (9,5%) com recuo de 2,1%; Porto Alegre (11,2%), 0,9% menor; e São Paulo (13,5%), 3,6% abaixo de agosto.

No quesito nível de renda, a pesquisa mostra que, em agosto, piorou para quem teve ganho mensal médio de R$ 1,227,00. Este tiveram renda de 0,4% menor do que em julho. Já na média o rendimento médio dos ocupados aumentou em 1% para quem estava na faixa de R$ 1.171,00. As condições foram melhores para os trabalhadores do Distrito Federal, onde o rendimento médio atingiu R$ 1.735,00, que indica um ganho 2,6% superior ao verificado em julho último.

No conjunto das seis regiões, conforme a pesquisa, a massa de rendimentos cresceu 1,6%.

Agência Brasil / Marli Moreira

Setor automotivo já começa a sentir os reflexos da crise

Outubro 29, 2008

A crise no sistema financeiro internacional já começa a refletir no setor automotivo, com anúncios de férias coletivas e redução no número de veículos produzidos. E, na opinião do analista da Tendências Consultoria, Alexandre Andrade, a crise pode resultar em demissões nas montadoras.

“As empresas tiveram que contratar mais para atender a demanda de 2007, 2008. Como a economia desaquece, é natural que os empregados que foram contratados para turnos extras sejam dispensados”, explicou.

A Volkswagen, por exemplo, anunciou hoje (28) que concederá férias coletivas no final do ano para uma adequação de processos. De acordo com comunicado oficial da empresa, 900 empregados entrarão em férias na unidade de São José dos Pinhais (PR), de 10 a 20 de novembro. Mas, de acordo com a assessoria de comunicação da Volkswagen, a meta de produção de 750 mil veículos será mantida.

Já na General Motors, está prevista uma redução de 10 mil veículos produzidos devido às oscilações do câmbio e à redução das exportações. Nas unidades de São Caetano do Sul e São José dos Campos, ambas em São Paulo, os funcionários também terão férias coletivas decretadas pela empresa.

O analista acredita que a crise financeira afetará o setor pela restrição do crédito, que passa a ficar cada vez mais seletivo. Mesmo assim, ele não prevê grandes perdas. “O mercado não vai crescer tanto como estava crescendo, mas também não vai retrair”, disse Andrade.

As férias coletivas anunciadas por estas duas montadoras não preocupam, por hora, os presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo e do ABC. “O mercado interno brasileiro é grande e todas as empresas anunciaram que vão manter as metas de produção. Estas férias já estavam previstas e os trabalhadores não têm o que temer”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre.

Já para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, “o que existem são muitos boatos”. “Na nossa área, não temos nenhum comunicado oficial sobre férias coletivas. Quanto mais as pessoas acreditam na crise, pior ela fica. Se acreditarem menos e continuarem produzindo, os reflexos serão menores.”

Agência Brasil / Ivy Farias

Brasil já tem 1 milhão de “empregos verdes” e ainda pode criar mais

Outubro 28, 2008

Brasil tem cerca de 1 milhão de pessoas trabalhando em “empregos verdes” - atividades ambientalmente sustentáveis. Essa é a estimativa do conselheiro principal para desenvolvimento sustentável e mudança climática da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Peter Poschen.

Ele participou da elaboração do relatório “Empregos Verdes: Trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono”, promovido pela OIT e que fala sobre os novos postos de trabalho gerados a partir do combate mundial contra o aquecimento global.

Além dos 500 mil empregos em reciclagem, Poschen estima que existam outros 500 mil em biocombustíveis no Brasil. Mas, segundo ele, o país precisa pensar em criar “empregos verdes” para economizar energia.

“No Brasil há uma situação mista: ele é líder em algumas áreas como biocombustíveis e reciclagem. Mas ainda não há políticas votadas para a geração de empregos nas construções econômicas, ou na preservação da Amazônia, que trazem um bom retorno econômico”, analisa Poschen.

De acordo com o conselheiro da OIT, a energia economizada pelo Brasil com a reciclagem de alumínio seria suficiente para sustentar uma cidade de 1 milhão de habitantes durante um ano.

Contudo, o investimento em lavouras de cana-de-açúcar e em hidrelétricas não vai gerar muitos “empregos verdes”, segundo Poschen.

“As hidrelétricas geram muitos empregos enquanto estão sendo construídas, mas depois não precisa de muita gente na manutenção. E a cana-de-açúcar tem mecanizado cada vez mais o corte”, avalia.

Agência Brasil / Mariana Jungmann

Mantega diz que crédito está sendo revitalizado no país

Outubro 28, 2008

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem (27) que o impacto da crise econômica global no Brasil continua o mesmo, e que a escassez do crédito ainda existe, mas que vem melhorando com as medidas que o governo tem tomado. Segundo ele, o governo já está ativando uma linha de leilões para troca de títulos por dólares, o que dará recursos para os financiamentos das exportações.

Mantega admitiu que o governo está preocupado com os setores agrícola, da construção civil e automobilístico e também com o capital de giro. “A Fazenda e o Banco Central estão trabalhando junto com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para irrigar o sistema com esse crédito para que ele possa chegar aos consumidores e investidores das empresas que precisam dele”, disse ele, em entrevista após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles..

O ministro reafirmou que o governo não salvará nenhuma empresa, porque esses são assuntos privados, de empresas que ousaram no mercado financeiro futuro, e por isso pagam o preço dessa ousadia, mas que adotará medidas para dar crédito a elas.

“O governo tem obrigação de dar crédito e liquidez a valores de mercado, e é isso que o Banco do Brasil e a Caixa estão fazendo. Não haverá nenhum subsídio, concessão especial. Não vamos absorver o prejuízo de nenhuma empresa. E o governo não está fazendo nenhum favor em estimular o crédito”, disse Mantega.

Segundo o ministro, há medidas que demoram para surtir efeito, porque estão sendo implantadas pela primeira vez. Ele ressaltou que, além da questão do crédito, algumas empresas tiveram problemas operacionais com os derivativos cambiais, como a Aracruz, maior fabricante de celulose de eucalipto do país, que fechou o terceiro trimestre com perda de R$ 1,642 bilhão, depois de registrar lucro líquido de R$ 260,8 milhões no mesmo período de 2007. “Mas há perspectivas de que ela [Aracruz] consiga equacionar seus problemas nos próximos dias. Há outros problemas menores, que estão transcorrendo dentro das condições normais.”

A Sadia e a Votorantim tiveram também prejuízos no terceiro trimestre – a primeira, de R$ 760 milhões, e a segunda, de R$ 586 milhões. Para Mantega, os valores dos derivativos que geraram problemas para as empresas podem ser absorvidos pela economia brasileira sem problemas. “Essas são as três maiores empresas que tiveram tal problema. As demais são menores e muitas vezes têm problemas só de crédito, porque são exportadoras. Elas têm lastro para fazer as operações, apenas precisam de caixa para cobrir a margem do aumento do dólar”.

De acordo com o ministro, não se sabe a dimensão exata do problema, porque uma parte das operações foi feita na BM&F, outras são operações de balcão e outras no exterior, que só são reveladas quando o banco declara. “Estamos perguntando aos bancos qual é o montante dessas operações. Nenhum valor grande foi mencionado até agora. O maior valor até agora é da operação da Aracruz, portanto, é bem absorvido pela economia brasileira.”

Mantega reforçou que não há títulos podres no país, porque não há subprime (sistema de financiamento imobiliário por meio de hipoteca) na economia brasileira. Segundo ele, esses ativos estão todos na economia americana. Aqui existe um problema “diminuto” diante do tamanho da economia do país, que pode ser equacionado sem prejuízos para sua atividade econômica. “Houve de fato uma redução drástica, momentânea, do crédito, mas já há uma recomposição, com os bancos operando com 70%, 80% dos créditos que possuíam antes. Não esquecendo que o crédito vinha crescendo em volume muito grande. Então, tinha uma gordura.”

Para o ministro, o Brasil enfrenta problemas causados pela crise econômica global, porém menores do que os que atingem os países avançados. “Estamos administrando problemas que vêm de fora, de modo a minimizar o impacto que podem provocar na economia brasileira.” Segundo ele, o mercado interno e as instituições financeiras brasileiros são mais sólidos e menos alavancados. Portanto, disse, “o contágio é mais psicológico do que real, diante do desespero com relação à crise. Não podemos deixar que haja esse contágio”.

Agência Brasil / Flávia Albuquerque

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