Bolsa encerra 2008 com queda de 41,2% e real perde 31,3% frente ao dólar
Dezembro 31, 2008
A Bolsa de Valores de São Paulo teve ligeira recuperação na última sessão do ano, com alta de 1,32%, o que elevou o Índice Bovespa (Ibovespa) para 37.550 pontos. Mas, no decorrer do ano, a evasão de recursos estrangeiros do mercado acionário brasileiro fez a Bovespa perder 41,2% em relação ao fechamento de 2007.
Com a Bolsa em alta, a cotação do dólar cedeu 3,35% e terminou o dia valendo R$ 2,332, depois de o Banco Central intervir no mercado de câmbio. O BC colocou US$ 550 milhões em leilões de venda, com compromisso de compra futura, e também vendeu dólares no mercado à vista. Mas nesses casos não divulga quanto ofereceu.
De acordo com números da consultoria Economática, a moeda norte-americana se valorizou só 0,56% em dezembro. No acumulado do ano, entretanto, a valorização frente ao real chegou a 31,3%. Em especial, por causa do agravamento da crise financeira internacional no mês de setembro, que culminou com a falência do banco Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos.
Dados da Economática mostram que a moeda norte-americana terminou 2007 cotada a R$ 1,777 e continuou se desvalorizando durante todo o primeiro semestre do ano, em função da crescente entrada de dinheiro estrangeiro no país, depois que o Brasil foi considerado “grau de investimento”, em abril, por duas empresas internacionais de classificação de risco.
Para desespero dos exportadores brasileiros, que viam seus produtos perderem concorrência no mercado externo, o dólar chegou a valer R$ 1,562 no final de julho, registrando sua menor cotação desde janeiro de 1999, quando o governo adotou o regime de metas, com câmbio flutuante.
A partir daquele momento, porém, começaram a aparecer os desdobramentos da bolha hipotecária, revelada ao mundo em agosto do ano passado, com epicentro nos Estados Unidos e reflexos fortes na Europa e Japão. Os investidores estrangeiros começaram, então, a transferir dinheiro do Brasil para cobrir prejuízos lá fora.
Com esse movimento de evasão, os preços das ações negociadas na Bolsa de Valores começaram a perder terreno e, com menos dólares no mercado, a cotação da moeda americana começou a subir. Movimento que se agravou nos meses de setembro, outubro e novembro, a ponto de a cotação do dólar atingir seu mais alto nível no dia 4 de dezembro, quando chegou a R$ 2,508 por causa da constatação de recessão, com desemprego, nos Estados Unidos, Europa e Japão.
De lá para cá, porém, o mercado de câmbio oscilou menos e a tendência altista do dólar amenizou, forçada em parte pelas intervenções do Banco Central. A autoridade monetária tinha interesse especial em baixar a cotação de hoje, de modo a fechar a cotação média do dólar (Ptax) no ano em baixa, pois essa Ptax é que vai balizar o vencimento de contratos futuros.
Fonte: Agência Brasil
Variação Negativa do IGP-M em dezembro
Dezembro 30, 2008
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou -0,13%, em dezembro.
Em novembro, a taxa alcançou 0,38%. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
Fonte: IBRE-FGV
Economista prevê dificuldades para as classes C, D e E pagarem as contas
Dezembro 26, 2008
As dificuldades para pagar as contas em dia devem ser maiores para as classes C, D e E no próximo ano, na opinião do economista e professor da Universidade de Brasília Roberto Piscitelli. Essa expectativa pode se configurar, com maior intensidade, no primeiro trimestre de 2009, por conta da crise financeira internacional, que no Brasil tem gerado efeitos como redução do crédito e previsão de desaquecimento da atividade econômica, com aumento da taxa de desemprego.
“Os efeitos da crise não poupam sequer outras classes. Para as classes C, D e E as dificuldades serão maiores. É natural que isso ocorra porque muita gente vinha rolando dívida ou substituindo por outras”, explicou. Agora, segundo Piscitelli, com a perda de confiança das instituições financeiras, renovar crédito ou fazer novos financiamentos fica mais difícil, umas vez que as exigências tornaram-se maiores. Ele acrescentou que nas classes mais baixas “as pessoas podem não ter tantas garantias para oferecer”.
Além disso, o crédito está mais caro, o que também é um fator de dificuldade a mais para a população com menor renda. Segundo dados do Banco Central, a taxa de juros para as pessoas físicas subiu de 54,9% para 58,7% ao ano, a mais alta desde março de 2006, que estava em 59%.
Outro fator observado pelo economista é que o aumento da taxa de desemprego, que deve ser observado com maior intensidade no primeiro trimestre de 2009, também é um fator que pode levar a maior inadimplência. “Uma outra questão é a renda. Muitas pessoas podem ter que abrir mão de parte da renda, com redução de jornada, menos horas extras, menos turnos de trabalho”, disse.
Segundo dados do Banco Central, as instituições financeiras reforçaram suas provissões de outubro (R$ 61,301 bilhões) para novembro (63,431 bilhões) deste ano em R$ 2,13 bilhões, porque com a crise há expectativa de maiores perdas. Nesse mesmo período, a inadimplência das pessoas físicas mudou de 7,6% para 7,8%, a mais alta desde agosto de 2003, que era de 7,9% no cálculo do BC que considera atrasos superiores a 90 dias. Em janeiro deste ano, esse percentual era de 7,1%.
A inadimplência específica da compra de bens passou de 13,1% para 14,7%, de outubro para novembro deste ano. No caso da aquisição de carros, a alta foi menor: de 4% para 4,1%. A inadimplência do crédito pessoal permaneceu estável em 5,4%. O BC não tem dados sobre inadimplência por classes socias.
Agência Brasil - Kelly Oliveira
Vendas nos shoppings crescem 3,5% no Natal, diz Alshop
Dezembro 26, 2008
As vendas nos shoppings no período do Natal tiveram aumento real (já com o ajuste da inflação) de 3,5%, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). De janeiro a dezembro as vendas cresceram 3,5%. Entre os segmentos com melhor desempenho de vendas no Natal estão o de perfumaria e cosméticos (9%), óculos e acessórios (14%), vestuário e calçados (4%), eletroeletrônicos (3%), livros, dvds e cds (5%). O setor de brinquedos e bolsas, pastas, malas e artigos para viagem apresentaram queda de 5% e 4% respectivamente.
Segundo os dados do setor, em 2008 foram inaugurados 21 centros de compras, totalizando 4.647 novas lojas, gerando 46,5 mil empregos. Ao todo são 689 centros de compras no país, com 85 mil lojas. O faturamento do setor em 2008 chegou a R$ 70,7 bilhões, 6,4% a mais do que em 2007.
Há ainda 79 novos shoppings em obras, dos quais 23 devem ser inaugurados em 2009, com três mil novas lojas e 30 mil novos empregos. O faturamento do setor deve chegar a R$ 74,3 bilhões em 2009. Ao todo os investimento devem chegar a R$ 8,3 bilhões nos próximos dois anos.
Segundo o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, os shoppings devem crescer em 2009 porque já iniciaram as obras, mas se pudessem “segurariam” essas obras. “Como essas obras já se iniciaram e tem investimentos em torno de R$ 50 milhões. Têm que acabar o mais rápido possível”.
Ele explicou que quando essas obras estiverem prontas os empresários buscarão franqueadores e bons lojistas que precisam expandir seus negócios mesmo em época de crise econômica.
Sahyoun destacou que por conta de crise econômica global o setor deve demitir, mas ainda é cedo para projetar números. Segundo ele, isso deve ficar mais claro em março, já que janeiro e fevereiro são meses tradicionalmente importantes para os shoppings. “Se a nossa economia não estiver atendendo às expectativas e o nosso varejo tiver um decréscimo, certamente vamos ter em alguns setores demissões”. De acordo com ele, o setor é heterogêneo e por isso não há como prever quais segmentos poderão sofrer com a crise.
Ele afirmou ainda que o setor está preocupado com a taxa de juros e as reformas tributária e trabalhista.
Agência Brasil - Flávia Albuquerque
A música que vinha da casa
Dezembro 23, 2008
Como sempre fazia na véspera de Natal, o rei convidou o primeiro ministro para um passeio. Gostava de ver como enfeitavam as ruas – mas para evitar que os súditos exagerassem nos gastos com o objetivo de agradá-lo, os dois sempre se disfarçavam com roupas de comerciantes que vinham de terras distantes.
Caminharam pelo centro, admirando as guirlandas de luz, os pinheiros, as velas acesas nos degraus das casas, as barracas que vendiam presentes, os homens, mulheres e crianças que saiam apressados para juntar-se a seus parentes e celebrarem aquela noite em torno de uma mesa farta.
No caminho de volta, passaram pelo bairro mais pobre; ali o ambiente era completamente distinto. Nada de luzes, velas, ou o cheiro gostoso de comida pronta para ser servida. Não se via quase ninguém na rua, e como fazia todos os anos, o rei comentou com o ministro que precisava prestar mais atenção aos pobres do seu reino. O ministro acenou positivamente com a cabeça, sabendo que em breve o assunto estaria de novo esquecido, enterrado na burocracia cotidiana, aprovação de orçamentos, discussões com emissários estrangeiros.
De repente, notaram que de uma das casas mais pobres vinha o som de uma música. O barraco mal construído, com várias frestas entre as madeiras apodrecidas, permitia que vissem o que se passava lá dentro, e era uma cena completamente absurda: um velho em uma cadeira de rodas que parecia chorar, uma jovem completamente careca que dançava, e um rapaz de olhar triste que tocava um tamborim e cantava uma canção do folclore popular.
- Vou ver o que está acontecendo – disse o rei.
Bateu à porta. O jovem interrompeu a música e veio atender.
- Somos mercadores em busca de um lugar para dormir. Escutamos a música, vimos que ainda estão acordados, e gostaria de saber se podemos passar a noite aqui.
- Os senhores encontrarão abrigo em algum hotel da cidade. Infelizmente não podemos ajudá-los; apesar da música, esta casa está cheia de tristeza e sofrimento.
- E podemos saber por que?
- Por minha causa – era o velho na cadeira de rodas que falava. – Durante toda a minha vida, procurei educar meu filho para que aprendesse caligrafia, de modo a ser um dos escribas do palácio. Entretanto, os anos se passavam e as novas inscrições para o cargo jamais foram abertas. Até que esta noite tive um sonho estúpido: um anjo aparecia e me pedia para que comprasse uma taça de prata, já que o rei iria me visitar, beber um pouco, e conseguir emprego para o meu filho.
“A presença do anjo era tão convincente que resolvi seguir o que dizia. Como não temos dinheiro, minha nora foi hoje de manhã até o mercado, vendeu seus cabelos, e compramos esta taça que está ai na frente. Agora eles tentam me alegrar, cantando e dançando porque é Natal, mas é inútil”.
O rei viu a taça de prata, pediu que servissem um pouco de água porque estava com sede, e antes de partir, comentou com a família:
- Que coincidência! Hoje mesmo estivemos com o primeiro ministro, e ele nos disse que as inscrições seriam abertas na semana que vem.
O velho acenou com a cabeça, sem acreditar muito no que ouvia, e despediu-se dos estrangeiros. Mas no dia seguinte, uma proclamação real foi lida por todas as ruas da cidade; procuravam um novo escriba para a corte. Na data marcada, o salão de audiências estava cheio de gente, ansiosa para competir por tão cobiçado cargo. O primeiro ministro entrou, pediu que todos preparassem seus blocos e canetas:
- Eis o tema da dissertação: por que um velho homem chora, uma mulher careca dança, e um rapaz triste canta?
Um murmúrio de espanto percorreu toda a sala: ninguém sabia contar uma história como essa! Exceto um jovem com roupas humildes, em um dos cantos da sala, que abriu um largo sorriso e começou a escrever.
(baseado em um conto indiano)
Por: Paulo Coelho
Banco Central revê para 5,6% crescimento da economia em 2008
Dezembro 22, 2008
O Banco Central revisou de 5% para 5,6% a projeção para o crescimento da economia em 2008 (Produto Interno Bruto - PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). A estimativa consta do Relatório Trimestral de Inflação divulgado hoje (22).
Segundo o relatório, essa estimativa maior é resultado da incorporação do crescimento econômico observado no terceiro trimestre deste ano. “Ressalte-se que o resultado expressivo assinalado no terceiro trimestre do ano não refletiu os impactos do agravamento da crise nos mercados financeiros sobre as condições de crédito e o nível de incertezas de consumidores e empresários, ambiente que deverá se traduzir em desaceleração da atividade econômica no último trimestre do ano”.
Em 2009, no entanto, o BC considera que o PIB deve cair para 3,2%, o que deve ser “sustentado, pelo quarto ano consecutivo, exclusivamente pela demanda interna”.
“A projeção para a expansão anual do PIB considera a ocorrência de desempenho favorável em todos os setores da economia, mas em cenário de desaceleração generalizada, em relação a 2008 e 2007″, diz o relatório.
Agência Brasil - Kelly Oliveira
Banco Central não descarta queda do preço da gasolina em 2009
Dezembro 18, 2008
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a projeção de que não haverá aumento no preço da gasolina neste ano. Entretanto, o colegiado avaliou que, por conta do recuo dos preços do petróleo no mercado internacional, não está descartada possibilidade de redução no valor da gasolina no país em 2009. A informação consta da ata da última reunião do Copom, realizada nos dias 9 e 10 deste mês, quando o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.
Segundo a ata, divulgada hoje (18), ao “persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorram reduções de preços [da gasolina] em 2009”.
O Copom ressaltou, entretanto, que “independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo pode eventualmente se transmitir à economia doméstica, tanto por meio de cadeias produtivas como a petroquímica quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação”.
Na ata, o comitê avalia ainda que os preços de outras commodities (matérias-primas ou com pequeno grau de industrialização, como petróleo e minério de ferro) “também mostraram reduções importantes desde a última reunião do Copom, reagindo tanto ao maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial quanto à continuidade da turbulência nos mercados financeiros globais”.
Segundo a ata, o Copom aumentou para 3,8% a expectativa de alta do conjunto de preços administrados por contrato (derivados de petróleo, energia elétrica, gás, planos de saúde, tarifas de água, esgoto e transportes públicos). Antes, o aumento estava estimado em 3,5%.
Esse conjunto de preços administrados, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correspondeu a 29,62% do total do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de novembro.
Segunda a ata, não há expectativa de aumento nos preços da gasolina, mas os diretores do BC ajustaram de 0% para 2,6% o ajuste do botijão de gás. A ata também informa que a projeção de alta das tarifas de telefonia fixa foi alterada de 3,5% para 3,6% e a de energia elétrica foi mantida em 1,1%.
A projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi mantida em 5,5%.
Agência Brasil - Kelly Oliveira
Medidas anunciadas por Mantega vão ampliar crédito e consumo, avalia economista
Dezembro 12, 2008
As medidas anunciadas ontem (11) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão estimular o consumo, o crédito e o aumento da demanda agregada no país, como é chamado o dinheiro do investimento do governo, afirmou em entrevista à Agência Brasil o economista Cláudio Considera, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ao criar faixas intermediárias do Imposto de Renda Pessoa Física, visando a aliviar a carga tributária em 2009, o governo propicia, segundo o economista, um aumento dos recursos que as famílias têm para usar para consumo. “Na verdade, esse consumo é mais direcionado para atender o mercado”, explicou Considera, que foi secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.
Da mesma forma, a redução do Imposto sobre Circulação Financeira (IOF) para pessoa física de 3% para 1,5% ao ano “permite que você entre no cheque especial ou faça contratações de crédito. Então, a redução do IOF aumenta também a renda disponível das famílias e o consumo”.
Considera salientou ainda que a intenção do governo de cortar gastos com custeio e ampliar o investimento público em janeiro próximo “já deveria ter sido feito. Porque o gasto com investimento acaba. Ele não tem continuidade. E o gasto de custeio, principalmente com pessoal, passa a ser um gasto permanente”. Isso não é um fato positivo do ponto de vista da gestão do orçamento público, acentuou.
“O governo deveria fazer o que está pretendendo agora, que são mais investimentos, obras de infra-estrutura”, disse ele. Nesse sentido, lembrou que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, está justamente querendo desenvolver um programa grande de obras públicas, “em vez de dar recursos aos bancos, porque a construção civil cria muitos empregos. É fortemente intensiva em emprego”.
O economista da UFF disse ignorar, contudo, até que ponto vão sobrar recursos do Orçamento para o governo investir em 2009. É preciso considerar, destacou, que o aumento das despesas do próprio governo só foi coberta pela elevação da arrecadação, ou seja, da carga tributária. “Só que, no ano que vem, essa arrecadação não deve ser tão grande. O PIB [Produto Interno Bruto] caindo reduz a arrecadação de todos os impostos. E o próprio Imposto de Renda deve se reduzir”.
Ele acredita que isso pode trazer problemas em 2009 para o cumprimento de metas do governo de superávit primário, “que, afinal, deram a saúde à economia brasileira para que ela pudesse crescer”.
Agência Brasil / Alana Gandra
Governo cria mais duas alíquotas de Imposto de Renda e reduz IPI de carros
Dezembro 12, 2008
Os trabalhadores assalariados vão pagar menos Imposto de Renda na fonte, a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme garantiu ontem (11) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a criação de mais duas alíquotas na tabela do IR para pessoa físicas: uma de 7,5% e outra de 22,5%.
Atualmente só existem duas alíquotas: de 15% e de 27,5%, com direito a descontos no cálculo final. Com a mudança, o desconto agora fica diferente. Os salários até R$ 1.434 mil ficam isentos, e deste patamar até R$ 2.150 mil vão pagar 7,5%; de R$ 2.151 mil a R$ 2.866 mil a alíquota será de 15%; de R$ 2.,867 mil a R$ 3.582 mil fica na faixa de 22,5%; e daí em diante pagam 27,5%.
O ônus fiscal dessa medida será de R$ 4,9 bilhões, de acordo com Mantega. Será um dinheiro a menos nos cofres públicos, mas que, segundo ele, “será injetado na economia como consumo. Vai aliviar a carga fiscal, que é o que todo mundo quer, e ao mesmo tempo vai estimular a demanda”.
O ministro informou que, a partir de amanhã (12), haverá desoneração fiscal de R$ 12,5 bilhões por ano com a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje de 3% mais 0,38%. Ele assegurou que a alíquota vai cair para 1,5%, voltando ao que era no início do ano, mais 0,38% correspondente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
De acordo com seus cálculos, o impacto dessa medida no spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na captação de depósitos e na concessão de empréstimos) deve ser de aproximadamente 4%. “Com isso, esperamos baratear uma parte importante dos juros, que aumentaram muito nesse período de crise e de escassez de crédito”, afirmou.
O ministro ressaltou, contudo, que à medida que o crédito vai sendo restabelecido e a oferta aumenta, ao mesmo tempo a insegurança diminui. “Acredito que estamos numa situação caminhando para a normalidade”, disse Mantega. Ele ressaltou, no entanto, que os juros podem se reduzir ainda mais, de modo a reativar a atividade econômica e a demanda por consumo.
No caso dos bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), ele garantiu que “haverá redução imediata”. Para ele, os bancos privados irão pelo mesmo caminho, para que o nível de crescimento se mantenha satisfatório no país no próximo ano.
Também presente à entrevista, no Ministério da Fazenda,o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, explicou as mudanças na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrados da indústria automobilística, que vão gerar incentivo fiscal estimado em R$ 1 bilhão.
Com o objetivo de preservar empregos e ajustar gradualmente a promoção de vendas do setor automotivo, a medida visa a baratear temporariamente a compra de automóveis, de amanhã (12) até 31 de março de 2009. Por isso, carros de até 1.000 cilindradas, que pagavam alíquota de 7% de IPI, estarão isentos do tributo nesse período.
Acima disso, continuarão recolhendo o IPI, mas em bases menores. Para os carros de 1.001 a 2000 cilindradas, a taxa cai dos atuais 13% para 6,5% (a gasolina) e de 11% para 5,5% (a álcool e flex); de 2.000 cilindradas em diante ficam mantidas as alíquotas de 25% (gasolina) e de 18% (álcool e flex).
No caso das pickups até 1.000 cilindradas, consideradas veículos leves, a queda será de 8% para 1% qualquer que seja o combustível. As pickups de 1.001 a 2.000 cilindradas terão IPI reduzido de 8% para 4%, tanto a álcool quanto a gasolina.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Governo cria mais duas alíquotas de Imposto de Renda e reduz IPI de carros
Dezembro 12, 2008
Os trabalhadores assalariados vão pagar menos Imposto de Renda na fonte, a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme garantiu ontem (11) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a criação de mais duas alíquotas na tabela do IR para pessoa físicas: uma de 7,5% e outra de 22,5%.
Atualmente só existem duas alíquotas: de 15% e de 27,5%, com direito a descontos no cálculo final. Com a mudança, o desconto agora fica diferente. Os salários até R$ 1.434 mil ficam isentos, e deste patamar até R$ 2.150 mil vão pagar 7,5%; de R$ 2.151 mil a R$ 2.866 mil a alíquota será de 15%; de R$ 2.,867 mil a R$ 3.582 mil fica na faixa de 22,5%; e daí em diante pagam 27,5%.
O ônus fiscal dessa medida será de R$ 4,9 bilhões, de acordo com Mantega. Será um dinheiro a menos nos cofres públicos, mas que, segundo ele, “será injetado na economia como consumo. Vai aliviar a carga fiscal, que é o que todo mundo quer, e ao mesmo tempo vai estimular a demanda”.
O ministro informou que, a partir de amanhã (12), haverá desoneração fiscal de R$ 12,5 bilhões por ano com a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje de 3% mais 0,38%. Ele assegurou que a alíquota vai cair para 1,5%, voltando ao que era no início do ano, mais 0,38% correspondente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
De acordo com seus cálculos, o impacto dessa medida no spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na captação de depósitos e na concessão de empréstimos) deve ser de aproximadamente 4%. “Com isso, esperamos baratear uma parte importante dos juros, que aumentaram muito nesse período de crise e de escassez de crédito”, afirmou.
O ministro ressaltou, contudo, que à medida que o crédito vai sendo restabelecido e a oferta aumenta, ao mesmo tempo a insegurança diminui. “Acredito que estamos numa situação caminhando para a normalidade”, disse Mantega. Ele ressaltou, no entanto, que os juros podem se reduzir ainda mais, de modo a reativar a atividade econômica e a demanda por consumo.
No caso dos bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), ele garantiu que “haverá redução imediata”. Para ele, os bancos privados irão pelo mesmo caminho, para que o nível de crescimento se mantenha satisfatório no país no próximo ano.
Também presente à entrevista, no Ministério da Fazenda,o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, explicou as mudanças na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrados da indústria automobilística, que vão gerar incentivo fiscal estimado em R$ 1 bilhão.
Com o objetivo de preservar empregos e ajustar gradualmente a promoção de vendas do setor automotivo, a medida visa a baratear temporariamente a compra de automóveis, de amanhã (12) até 31 de março de 2009. Por isso, carros de até 1.000 cilindradas, que pagavam alíquota de 7% de IPI, estarão isentos do tributo nesse período.
Acima disso, continuarão recolhendo o IPI, mas em bases menores. Para os carros de 1.001 a 2000 cilindradas, a taxa cai dos atuais 13% para 6,5% (a gasolina) e de 11% para 5,5% (a álcool e flex); de 2.000 cilindradas em diante ficam mantidas as alíquotas de 25% (gasolina) e de 18% (álcool e flex).
No caso das pickups até 1.000 cilindradas, consideradas veículos leves, a queda será de 8% para 1% qualquer que seja o combustível. As pickups de 1.001 a 2.000 cilindradas terão IPI reduzido de 8% para 4%, tanto a álcool quanto a gasolina.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro

Carregando ...