Pacote fiscal desonera produção em R$ 1,6 bi
Março 31, 2009
Redução de impostos atinge setor automobilístico, que terá redução de IPI prolongada, e de material de construção. Para compensar parte da perda de arrecadação, governo aumentará taxas sobre cigarros, que devem ficar mais caros em maio
Como parte dos esforços para evitar o recrudescimento da crise no país, o governo federal anunciou ontem um novo pacote fiscal que prevê redução de impostos de R$ 1,675 bilhão. Mas, em um sinal do limite de suas ações, teve de elevar outro tributo, sobre cigarros, para não comprometer ainda mais o equilíbrio fiscal no momento em que a arrecadação está sofrendo queda.
As principais medidas dizem respeito ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): a diminuição da taxa incidente sobre veículos, instituída em dezembro, foi prorrogada por três meses, e 30 itens básicos de material de construção também tiveram suas alíquotas cortadas pelo mesmo período -como a Folha antecipou.
Além disso, foi reduzida a alíquota da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre motos, e outros cinco setores terão permissão para se instalar na Zona Franca de Manaus, gozando dos benefícios fiscais.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que o governo decidiu elevar o IPI e o PIS/Cofins sobre cigarros esperando que esse aumento de arrecadação compense as perdas geradas pela desoneração. Os maços mais baratos terão aumento médio de 20%. Os mais caros, de 25%. “É bom para a saúde dos fumantes”, disse.
No caso da extensão do corte de IPI para carros e caminhões, foi negociado entre o governo, as montadoras e os sindicatos o congelamento das demissões como contrapartida do benefício pelo prazo em que vigorar. Mesmo contratos temporários de emprego não poderão ser rompidos antes do seu vencimento. Programas de demissão voluntária, entretanto, estão permitidos. “O Brasil será um dos únicos países que apresentarão saldo positivo de geração de empregos no ano”, disse o ministro no anúncio do pacote, em São Paulo. “Após esses três meses, a economia brasileira estará se recuperando. Fico satisfeito se registrarmos um crescimento positivo em 2009, seja de 1%, 2% ou 2,5%, desde que mantenhamos as conquistas dos últimos anos.”
Para Jackson Schneider, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a produção de veículos poderia cair até 30% sem o prolongamento do IPI reduzido. “Com as medidas, devemos ter uma acomodação do mercado em abril. A expectativa é fechar o segundo trimestre [com um desempenho] próximo do mesmo período de 2008.”
Na opinião de Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, o acerto é satisfatório. “A cadeia produtiva da indústria automobilística é a principal do país, e garantir o emprego nesse setor dá uma sinalização positiva para as demais. Abre-se, ainda, a possibilidade de outros acordos.” Segundo ele, os sindicatos estão conversando com os setores de carnes e máquinas a fim de levar ao governo propostas semelhantes de ajuda fiscal para manter postos de trabalho.
Todas as medidas devem ser publicadas no “Diário Oficial” hoje, quando passam a valer, com exceção do aumento nos preços dos cigarros, que só entrará em vigor em 1º de maio.
Os decretos foram assinados pelo presidente em exercício, José Alencar, que defendeu a “responsabilidade fiscal” do governo nestes tempos de elevação de gastos e arrecadação menor. “Precisávamos manter o equilíbrio. Essas decisões acarretam em perda de arrecadação do Estado, portanto afetariam o Orçamento, o que não poderíamos permitir.”
Mantega acrescentou que o governo continuará buscando o superávit primário, porém sem sacrificar as ações que podem estimular a economia.
TUBO
Evaldo Dreher assume hoje o cargo de presidente do grupo Tigre. Amaury Olsen deixa a presidência e passa a compor o Conselho de Administração. Dreher, que está na Tigre há 13 anos -três como vice-presidente-, vai inaugurar três fábricas neste ano, uma na Grande Recife (PE) e as outras no Uruguai e na Argentina. Dreher foi responsável pela internacionalização da empresa.
NOVO NOME
O novo nome do Ibmec já foi escolhido. Será Insper Ibmec. Depois de dois anos, passa a se chamar apenas Insper. O Ibmec São Paulo realizou recentemente processo de mudança que envolveu consulta aos alunos.
COMBUSTÍVEL
A Shell vai anunciar hoje seu retorno ao Centro-Oeste. Afastada da região desde 2001, a Shell passa a fornecer anualmente cerca de 160 milhões de litros de combustíveis para os 45 postos da rede Simarelli em Mato Grosso. Com esse movimento, a Shell abocanha 13% de “market share” no mercado de distribuição do Estado.
ENERGIA
Mais de 90% das pessoas gostariam de poder usar medidores inteligentes e outras ferramentas para gerenciar o uso de energia, segundo estudo da IBM sobre energia elétrica, realizado em 12 países com 5.000 consumidores. Os jovens entre 18 e 34 anos estão mais dispostos a pagar um encargo adicional por esses novos serviços.
DENYSE GODOY
Cidade - Congresso
Março 30, 2009
Juntos, presidentes do Senado e da Câmara administram um Congresso com um orçamento de R$ 5,94 bilhões. Estes recursos são maiores que os orçamentos aprovados por oito Estados do Norte e Nordeste.
No Senado são 81 senadores, orçamento total, R$ 2, 74 bilhões. Isso equivale a pouco menos que o orçamento de Porto Alegre (R$ 2,8 bi), onde vivem 1.4 milhões de pessoas.
Na Câmara, são 513 deputados, orçamento total R$ 3,2 bilhões. Isso é maior que o orçamento do Estado do Acre (R$ 3 bi) onde vivem 655.385 habitantes. São 315 mil metros quadrados de área construída, três vezes maior que o estádio do Morumbi, em São Paulo.
Estrutura de Trabalho
Senado – equipe de até 8 servidores do quadro permanente e 11 comissionados com salário médio de R$ 12.879. Câmara – o salário vai de R$ 420,00 a R$ 8.040 para equipe de 5 a 25 assessores contratados.
Para fazer face a essas despesas, há um montante chamado de verba de pessoal no valor de R$60.000 mensais.
O salário de senadores e deputados é, conforme os próprios, de apenas R$ 16.500, no entanto, todos dispõe de uma verba indenizatória de R$ 15 mil, que pode ser gasta no domicílio do congressista e cobre despesas com aluguel de escritórios (comitês), alugues de veículos, combustível, cafezinhos, água, segurança, etc. O congressista repetimos, seja senador ou deputado dispõe, ainda, de um apartamento funcional. Salienta-se, eles não sabem o que é uma cota condominial, são 504 apartamentos funcionais, mais mansões na Península dos Ministros, à disposição, incluindo seguranças. Caso dispense a morada, recebe, o senador, uma ajuda de custo de R$ 3.800 mensais e o deputado, R$ 3.000. Todos têm direito a quatro passagens aéreas mensais (Brasília-Estado-Brasília). O senador dispõe ainda de um carro com uma cota diária de 25 litros de combustível. Todos os congressistas dispõe de seguro saúde.
Junto à eleição dos novos presidentes, os próprios escolhem cerca de 20 colegas, que serão responsáveis pela administração de toda a estrutura do Congresso. Serão eles que assinarão os contratos para obras e serviços. E, também, indicarão seus pares para representar o Congresso no Brasil e no Exterior. Os que compõe a Mesa Diretora, terão, ainda, direito a gabinetes especiais e cargos extras para os integrantes da Mesa. Assim, o número de funcionários pode ser até cinco vezes maior. Mais um detalhe: existem nesta Cidade-Congresso, as Comissões (p.ex. da Justiça, Saúde, Agricultura, etc.). São 20, que asseguram ajuda de custo para postagem e telefonia de R$ 1.700 maior que os R$ 4.200 que os deputados têm direito normalmente.
Na Cidade-Congresso, há 13.9 mil computadores. O consumo de água mineral é de 43,9 mil litros diários. O complexo possui 11 restaurantes e lanchonetes. O estacionamento do Congresso possui 4.700 vagas. A TV’s Senado e Câmara possuem 952 funcionários, sendo 440 terceirizados. Há duas bibliotecas, com um excelente acervo e excelente atendimento. Guarda obras desde 1823. E uma última observação, tudo bancado por mim e você, o contribuinte.
Prof. Luciano Moraes Coelho
O porrete do Estado
Março 30, 2009
Aproveitando o imenso fascínio e temor que a atual crise internacional desperta, o presidente dos EUA, Barack Obama, tem usado a superexposição pessoal para tentar redesenhar a América com apoio popular.
Até a programa de auditório Obama já compareceu, além de ter sido generoso em entrevistas e pronunciamentos recentes.
Assim como o presidente Ronald Reagan (1981-1989) o fez em sua época, Obama pretende mudar a orientação geral em seu país e a agenda de longo prazo norte-americana.
Em seu tempo, Reagan marcou um divisor de águas na economia dos EUA. Desregulamentou e pisou fundo na liberdade ao mercado. Foi a partir de seu governo e além que os EUA viram os preços dos imóveis disparar e pessoas comuns virarem especuladores na Bolsa.
Pode ser apenas coincidência, mas como lembrou nesta semana a “Time”, entre o final dos anos 1980 e hoje, saltou de apenas dois (Nevada e Nova Jersey) para 12 o número de Estados nos EUA que aprovaram a abertura de cassinos. No total, 48 têm hoje algum tipo de jogo ou loterias legalizados.
Entre a era Reagan e a atual, em contrapartida, a taxa de poupança dos EUA despencou de 11% do total da renda das famílias para 0,6% até meados do ano passado.
Nos anos Reagan, aos bancos e empresas foi dada quase total liberdade. O governo cortou impostos e incentivou o aparecimento de produtos financeiros e bancos de investimento mais “sofisticados”. Assim como de braços financeiros de empresas industriais, como General Eletric e General Motors, que acabaram não ficando submetidos a regras mais estritas.
Agora, Obama vai na direção oposta.
Sua proposta de regulamentação do sistema financeiro e para as empresas em geral é ambiciosa, abrangente e, do ponto de vista dos bancos, quase draconiana. Especialmente no que se refere a bônus a executivos, liberdade para operar e quanto à criação de produtos financeiros “exóticos”.
Em carta enviada aos presidentes dos países do G20, que se encontram nesta semana em Londres, o IIF, que reúne quase quatro centenas de bancos no mundo, diz, candidamente: “Reconhecemos que as estruturas de compensação têm problemas e que precisamos colocar em prática medidas mais adequadas às exigências de estabilidade do mercado”.
Por trás desse “tucanês”, os bancos sabem que pagaram demais, exageradamente, a pessoas que quebraram o sistema. E que agiram de forma totalmente irresponsável. A tentativa é fazer um “mea-culpa” preventivo, antes que a mão do Estado venha pesada demais sobre eles. Tentam se antecipar. Mas, desta vez, o caso parece perdido.
De forma hábil, Obama vai usando a crise como mola mestra para sua agenda. Endividados e dependentes da ajuda estatal nos EUA e em vários países, os sistemas financeiro e empresarial dificilmente escaparão do novo enquadramento.
Até há pouco, antes de sua derrocada, era o porrete do mercado que ditava as regras e punha governos de joelhos.
É esse o jogo que Obama parece querer virar.
Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.
Balanços mostram que crise financeira abalou saúde das empresas brasileiras
Março 30, 2009
Algumas das maiores empresas nacionais divulgaram nos últimos dias seus balanços do ano passado, e o que se observa são fortes prejuízos em quase todas, principalmente no quarto trimestre, quando agravou-se crise financeira internacional, com a falência do banco norte-americano de investimentos Lehman Brothers, no mês de setembro.
De acordo com o economista Roberto Macedo, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), o pior é que os efeitos da crise ainda serão notados durante algum tempo, que ninguém sabe quanto: “Esse tipo de crise a gente sabe como começa, mas não como termina.”
Os números reais do mercado mostram prejuízos em diversos setores, como o da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), líder mundial na fabricação de jatos comerciais até 120 assentos, que viu seu lucro cair de R$ 1,185 bilhão, em 2007, para R$ 428,8 milhões, no ano passado – uma queda de 63,8%, porque, por falta de crédito no mercado financeiro, as vendas de aviões desabaram.
Mas, como ressalta o professor de economia Roberto Piscitelli, da Universidade de Brasília (UnB), esse é um fenômeno associado a todo o comércio internacional, notadamente no segmento de produtos manufaturados, com maior valor agregado, que é o caso da Embraer. Por ser uma empresa muito grande, “o impacto é sentido também pelas empresas fornecedoras e gera demissões, com perda de renda do trabalhador”, explicou o professor.
Segundo ele, “houve uma freada brusca da economia, para a qual ninguém estava preparado”, e cujos efeitos se farão sentir também neste primeiro semestre. Piscitelli diz que torce pela estabilização na segunda metade do ano e fala em perspectivas de reversão da queda dos níveis de atividade econômica no decorrer de 2010. Ele destaca que o Brasil tem grau de abertura considerável e capacidade de se ajustar melhor à situação, embora dependa mais da recuperação da economia mundial.
Para Piscitelli, alguns balanços negativos já eram aguardados, como foi o caso da Aracruz, que fechou 2008 com prejuízo de R$ 4,194 bilhões, provocado principalmente por perdas financeiras de US$ 2,13 bilhões em operações com derivativos (títulos podres). A Sadia, empresa do ramo da alimentação, também divulgou prejuízo de R$ 2,5 bilhões, contra lucro de R$ 689 milhões em 2007, em virtude de operação semelhante.
Com atuação no mesmo segmento de mercado da Aracruz, a Suzano Papel e Celulose teve perdas de R$ 451 milhões em 2008 – no ano anterior havia lucrado R$ 537 milhões. A Suzano conseguiu bons resultados no primeiro semestre, mas de julho em diante as vendas começaram a cair. No quarto trimestre, sob impacto direto da crise financeira mundial, a situação piorou e a empresa teve prejuízo de R$ 495 milhões, ante lucro de R$ 85 milhões no mesmo período de 2007.
Porém, nem todos os segmentos de mercado tiveram prejuízos em 2008. Tiveram lucro, apesar da crise, empresas de construção civil como a Cyrela Brazil Realty S.A., maior incorporadora do país, presente em 17 estados, e da MRV Engenharia e Participações S.A. Mesmo com a queda de receitas no quarto trimestre, a receita da Cyrela foi de R$ 2,667 bilhões no ano passado, com expansão de 56,2% em relação a 2007; e a MRV vendeu R$ 1,54 bilhão em 2008, com aumento de 115,42% sobre o ano anterior.
Outra empresa que apresentou bom resultado em 2008 foi a Medidata, integradora de sistemas de informática. No mercado há 32 anos, a empresa fechou o ano com lucro de R$ 370 milhões, ou 39% de aumento em relação a 2007. Em meio à crise, a receita foi de R$ 129 milhões no quarto trimestre, com evolução de 26,5% sobre igual período de 2007. O presidente da empresa, Jaques Scvirer, estima crescimento substancial também neste ano, principalmente por causa da introdução de novas soluções em mobilidade e comunicação empresarial.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Crise mundial só acabará quando problema for resolvido nos Estados Unidos, diz especialista
Março 30, 2009
Por ter tido origem nos Estados Unidos, a crise financeira internacional só acabará quando o problema for resolvido lá. A avaliação é do professor de economia da Universidade de São Paulo, Roberto Macedo, feita em palestra, nesta última semana, a estudantes da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
Para o especialista, “se não resolver o problema de lá, não resolverá em lugar nenhum e nem o G20 [grupo das maiores economias do mundo] dará jeito”, comentou.
Macedo acredita que o aprofundamento da crise financeira depende mais de encontrar uma solução para o sistema americano do que o G20. “A crise está mais cravada lá, foi lá que ‘pipocou’ o mercado de subprime”, ressaltou.
Macedo pontou que a reunião do G20, que se realizará na próxima semana, em Londres, servirá “para lavar roupa suja”. “Torço pelo melhor e que eles consigam achar uma solução, mas acho difícil que mude alguma coisa”, disse. Conforme o professor, a maioria dos países continua adotando medidas protecionistas para seus mercados, mesmo quando há uma tendência de abrir o comércio.
O professor alertou que as negociações do G20 podem ser desviadas por conta de um dos temas que estão na pauta e que foi proposto pela China, a criação de uma nova moeda internacional que substitua o dólar.
Macedo explicou que os chineses têm medo que a moeda americana se desvalorize porque ele têm mais de US$ 1 trilhão em reserva. “O euro já se qualifica como uma nova moeda porque muitos contratos agora são negociados em euro. Mas isso é pouco provável porque nem a Inglaterra o aceitou, que dirá os outros países.”
Segundo o professor, o pior aspecto da crise é o desemprego e esta é uma questão que deve ser tratada como uma das prioridades. “Para mim o desemprego é um dano moral, o funcionário que perde seu trabalho se sente diminuído, sofre por não ter dinheiro, por não poder sustentar a família”.
Agência Brasil / Ivy Farias
Crise pode abrir oportunidades de exportação para pequenos empreendimentos
Março 30, 2009
A crise financeira internacional que atinge, entre outros setores, o da exportação praticada por grandes empresas pode representar uma excelente oportunidade para os micro e pequenos empreendimentos. A avaliação é do analista de comércio exterior do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Carlos Tavares. Ele participou como instrutor, nesta última semana, de um curso de capacitação em exportação voltado a micro e pequenos empresários de diversos setores do município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Durante dois dias, o grupo recebeu noções sobre a rede nacional de agentes de comércio exterior, acordos comerciais, incentivos fiscais, regimes aduaneiros e formação de preço. A iniciativa faz parte de um projeto coordenado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, em parceria com o ministério e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio de Janeiro (Sebrae-RJ).
“O Brasil não está sendo tão atingido pela crise como diversos países da Europa ou os Estados Unidos e a China. Além disso, as grandes empresas são as que mais sofrem com essa restrição de crédito [já que em geral necessitam de um volume maior de captação para desenvolverem seus projetos]. A pequena empresa tem maior mobilidade e, conseguindo pequeno volume de crédito, pode aproveitar essa fase para conquistar novos mercados”, afirmou.
Tavares acredita que muitos negócios de menor porte deixam de alavancar seus rendimentos porque não conhecem os procedimentos necessários para entrar no mercado internacional. Ele destacou, ainda, que não existe um ramo com maiores possibilidades de sucesso na venda para outros países, mas é preciso se adequar às exigências externas.
“O mercado internacional tem espaço para diversos setores, não há um específico com mais chances de dar certo. O que existe é uma série de normas e regras que os exportadores precisam conhecer. É possível exportar tudo, basta estar preparado para cumprir as exigências do mercado internacional”, acrescentou.
A microempresária Mônica Andrade, dona de uma pequena confecção de quimonos, conta que já recebeu encomendas do Canadá, de Portugal, dos Estados Unidos e da Finlândia. Apesar disso, até hoje não vendeu nenhuma peça para esses países por não saber como fazer para enviar legalmente os produtos.
“Aprendi muita coisa que vai ser bastante útil. Nunca exportei, apesar do interesse, porque tinha muito medo de não saber fazer certo e acabar trazendo um prejuízo para a empresa. Agora espero que dê certo”, disse Mônica, que participou do curso de capacitação em Nova Iguaçu.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apontam que existem hoje no Brasil cerca de 20 mil empresas que exportam. Aproximadamente metade é formada por micro e pequenos empreendimentos. Ao todo, no ano passado, o país contabilizou a exportação de R$ 197 bilhões. Desse montante, apenas R$ 3 bilhões são relativos aos negócios de menor porte, um volume ainda considerado pequeno, segundo Tavares.
Quem desejar obter informações sobre os procedimentos para exportar seus produtos, pode acessar o site www.portaldoexportador.gov.br.
Agência Brasil / Thais Leitão
ENECO 2009 - XXXV Encontro Nacional de Estudantes de Economia
Março 30, 2009
De 19 a 24 de julho de 2009.
Local: Centro de Cultura e Eventos da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis/SC
Tema do Evento: Integração Latino-Americana em Tempos de Crise
Mais informações: www.eneco2009.com.br
Demissão pode ser momento para recolocação no mercado, acreditam especialistas
Março 30, 2009
A demissão é um momento para que a pessoa reavalie sua posição no mercado de trabalho, aconselha o diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Ricardo Tortorella. Para ele, o planejamento é fundamental, o que envolve a busca por informações e a avaliação dos riscos de cada possibilidade. Estar atento a mudanças no cenário do país, como medidas e programas governamentais, também é interessante, orienta Tortorella.
O consultor Renato Torquato, de 42 anos, encarou a demissão como uma oportunidade de crescimento. Em novembro do ano passado, ele foi dispensado de um grande banco após 14 anos de serviços prestados. Segundo o consultor, é natural que haja uma frustração com a perda do emprego, mas é importante pensar rapidamente em estratégias para contornar a situação. “Você não pode ficar esperando aquele setor lhe absorver novamente.”
Torquato acredita, devido à idade, dificilmente conseguiria voltar a atuar no ramo competitivo das instituições financeiras. Por isso, buscou uma atividade em que sua experiência seria mais bem aproveitada. Passou a trabalhar como consultor de empresas e a dar aulas em faculdades de administração. “O meio acadêmico absorve essas competências, porque, além de conhecimento técnico, necessita da experiência”, explicou.
Torquato ressaltou que os primeiros momentos após a perda do emprego costumam ser complicados, pela diminuição da renda e queda na auto-estima.”Eu trabalhava das 9h às 18h desde os 14 anos. É difícil você se sentir inútil naquele momento [da demissão].”
É exatamente por essa fase que o metalúrgico Júlio César da Silva está passando. Ele trabalhou durante 20 anos na Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e é um dos 4,2 mil dispensados recentemente pela companhia.“No primeiro momento você fica sem chão”, disse.
O metalúrgico contou que, com a perda da renda, foram necessários vários cortes para acertar o orçamento da família. As despesas com TV por assinatura, internet e almoços em restaurantes nos fins de semana foram as primeiras a serem eliminadas. Mas a situação está obrigando o metalúrgico a fazer outros ajustes, que afetam inclusive os gastos com educação dos três filhos. O mais velho vai assumir os custos da própria faculdade e a filha mais nova terá de abandonar o curso técnico de mecânica.
Silva está tentando se recolocar no mercado o “mais rápido possível”. Ele disse que já enviou diversos currículos, inclusive para contatos em outros estados. Uma de suas maiores preocupações é a aposentadoria. “Tenho mais uns sete anos para me aposentar. Sempre paguei o teto de contribuição. Mas provavelmente agora, em outro emprego, vou ganhar menos.”
Agência Brasil / Daniel Mello
Crise gera desânimo e 33% dos empresários cortarão investimento
Março 30, 2009
A expectativa dos empresários se deteriorou para o segundo trimestre deste ano e 33% dos empresários vão reduzir os investimentos no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, conforme pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial, em reportagem do colunista Guilherme Barros na Folha de domingo (29). O resultado é o pior desde que a pesquisa foi criada, em 2005.
Em relação ao primeiro trimestre, apenas 14% dos empresários pretendiam reduzir os investimentos no começo do ano. Já o total dos empresários que pretendem aumentar os investimentos caiu de 50% no primeiro trimestre para 21% no segundo.
Por setor, 36% dos empresários industriais preveem queda dos investimentos. Em serviços, a parcela atinge 33%, e, no comércio, de 32%. No setor financeiro, que se apresenta como o mais otimista dos segmentos, a pesquisa mostra que 27% estimam queda dos investimentos, e 32%, alta.
Do Folha Online
Desemprego tem crescimento recorde, mas taxa é a menor desde 98
Março 26, 2009
Apesar de esperado, o crescimento foi o mais intenso para o período de toda a série, iniciada em 1998. Em relação à taxa de desemprego, porém, trata-se da mais baixa para um mês de fevereiro. No ano passado, no mesmo período, a taxa era de 14,5%. No mês passado, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,756 milhões de pessoas, 136 mil a mais do que no mês anterior –resultado da eliminação de 229 mil postos e a saída de 94 mil trabalhadores do mercado.
“Esse movimento é usual. O que nos assusta um pouco é a intensidade do crescimento do desemprego, só comparável ao período crítico da crise no início dos anos 90″, disse Alexandre Loloian, coordenador de análises da Seade. Em fevereiro, o nível de ocupação diminuiu 1,3%, pelo segundo mês seguido, o que também era esperado de janeiro para fevereiro, segundo o Dieese/Seade. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17,107 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 19,863 milhões.
O crescimento da taxa de desemprego ocorreu em quase todas as regiões, com exceção de Salvador, onde ficou estável em 19,4%. No Distrito Federal a taxa passou de 15,7% em janeiro para 16,3% em fevereiro; em Belo Horizonte foi de 8,8% para 9,4%; em Porto Alegre, de 10% para 10,4%; em Recife, de 18,3% para 19,1%; e em São Paulo, de 12,5% para 13,5%. “Além da intensidade da eliminação de ocupação, preocupa a perspectiva de que é não é um efeito estritamente sazonal. A gente não sabe o quanto vai durar. O mercado de trabalho é estratégico para combater a crise, com a manutenção do emprego e renda, e assim tem de ser tratado”, afirmou a técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa.
Segundo os principais setores de atividade, houve queda em todos os pesquisados. O nível ocupacional recuou nos serviços (eliminação de 88 mil ocupações), na indústria (77 mil), na construção civil (27 mil), comércio (27 mil) e em outros setores (10 mil). Em janeiro, no conjunto das regiões pesquisadas, o rendimento médio real dos ocupados ficou estável (leve alta de 0,2%) e passou a valer R$ 1.193, enquanto o dos assalariados permaneceu em R$ 1.255.
Com informações do Folha Online

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