A Tarefa do Economista Moderno

Fevereiro 28, 2010

A primeira e, talvez, a mais importante constatação que o economista moderno deve fazer é que, hoje, infelizmente, a ciência econômica ignora o indivíduo e se preocupa, exclusivamente, com a acumulação de capital. É forçoso ressaltar, nesse sentido, que desde que surgiu, a Economia está focada no materialismo, no individualismo e no “salve-se quem puder”.

A socialização de bens e serviços, a luta por uma boa colocação no mercado de trabalho e uma justa e equilibrada distribuição da renda, são objetivos que, em matéria de políticas econômicas, tem passado longe das preocupações governamentais. O discurso contrário tem ficado apenas restrito aos “programas de governo”, ou seja, apenas no papel. Quando “saem” do papel encontram morada tranquila nas gavetas dos “escritórios do poder”. Nesse pormenor, os objetivos econômicos (que em época de campanha política elege muita gente) ficam apenas no plano teórico e são muito bem explicitados, por sinal, apenas, e tão somente, na propaganda política televisiva. É nesse momento que se “vende” aos eleitores um mundo de sonhos que jamais será entregue. Daqui alguns meses veremos isso novamente.

No entanto, o objetivo aqui é outro. Queremos ressaltar a tarefa que cabe ao economista moderno diante de uma sociedade repleta de injustiças sociais. Esse economista, conhecedor teórico dos problemas sociais, que não vive num “mundo onírico”, precisa ter em mente que um mundo melhor para todos somente será possível quando as gritantes disparidades entre o modo de ser/agir dos ricos e o dos pobres for diminuída substancialmente.

Para que isso ocorra, deve o economista moderno pensar, antes, no social, e fazer com que isso esteja sempre acima do econômico. Por que isso? É necessário entender que um rompimento com a tradicional teoria econômica precisa ocupar lugar.

A economia moderna não pode continuar ignorando os aspectos não-monetários. Há muitas coisas interessantes que estão “fora” do padrão monetário-financeiro apregoado pela tradicional teoria econômica.
A economia tradicional dos manuais de Introdução à Economia sempre ignorou o aspecto não-monetário. A moderna economia que desejamos que aconteça precisa equacionar essa pendência. O lado não-monetário envolve aspectos da vida, dos desejos que nem sempre passam pelas portas do crédito financeiro como pré-condição para a obtenção de bens e serviços. É necessário entender que o lado não-monetário tem a ver com a real concepção de Economia propugnada por Alfred Marshall: “a economia cuida das atividades correntes da vida”. Por isso é tão urgente “repensar” a economia, mesmo que isso implique em remar contra a maré.

É necessário, para tanto, uma vez mais combinar reflexão com ação. Basicamente, para o ambiente econômico em questão, é preciso fazer aquilo que frei Leonardo Boff diz com bastante propriedade: “idéias podemos até tê-las, mas o que realmente move o mundo são nossas ações”.

Se todos estiverem imbuídos desse pensamento (ação para mudar), ficará mais fácil então cobrar por ações da política pública nesse sentido. Todo governo, e todo governante, tem o direito de dizer o que fez em sua administração, mas tem também o dever de dizer o que não fez e, por isso, pedir desculpas pelas falhas cometidas ou omissões praticadas. Todo governo, por conseguinte, todo governante, precisa entender que está à serviço da comunidade que o elegeu. Todo governo precisa saber entender a vontade popular e ficar sensível aos anseios do povo, principalmente quando os desejos populares vêem embasados em perspectivas humanísticas, igualitárias, democráticas, com senso de ética e solidariedade. A ciência econômica, por sua vez, precisa, em certo momento, remar contra a maré e abandonar o pragmatismo acadêmico, ressaltando aos estudantes, nos cursos superiores, essa premissa (a da necessidade de mudanças) que aqui me parece básica e fundamental.

Insistindo nesse assunto, é imperioso ressaltar que a ciência econômica precisa se colocar junto à força do povo, buscando promover ações em favor das mudanças de paradigmas. Paradigmas, é imperioso ter isso em voga, em certas ocasiões, são mais fortes que teorias.

Historicamente, toda vez que o povo saiu às ruas, algo aconteceu. Curiosamente, em todas as ocasiões em que houve manifestação popular, o lado econômico encontrava-se abalado; por vezes era uma inflação qualquer que estava fora de controle, por outras era um orçamento público incompatível com os anseios populares, ou ainda foi a falta de pão (ainda que alguém da elite, virando às costas ao povo, como de costume, recomedasse comer broas) ou fora o dinheiro do contribuinte “confiscado”. O fato é o seguinte: sempre um acontecimento econômico se fez (e esteve) presente nas diversas manifestações populares que provocaram mudanças.


Nem tudo se resume a mera questão de mercado

Conquanto, um primeiro passo para qualquer mudança, em especial no ambiente econômico, talvez seja fazer com que os economistas modernos e outros cientistas sociais, se sintonizem no fato de que nem tudo se resume em commodities; portanto, nem tudo deve ser condicionado à mera questão do mercado. Por consequência, nem tudo deve se resumir na pré-condição de mercadoria pronta a ser vendida. Segundo creio, o essencial (a vida em toda sua abrangência) não está a venda! A economia não pode ser resumida a estreita visão de que o mercado (as vendas, por consequência) é o único caminho a ser percorrido. É importante salientar que o mercado não produz progresso, apenas o segue.

Essa visão mercantilista, fortemente reforçada pelos mecanismos capitalistas de mercado, e por políticas que tem destruído a proteção social, leva a um fato crucial: tudo está (é colocado) à venda; assim querem os donos do dinheiro! Dessa forma, preconizam os defensores do capitalismo que querem tudo vender e, para tanto, em tudo colocam seus preços.

De nossa parte, entendemos a economia de outra maneira: vale aduzir que a economia vai além dos preços; vai além dos mecanismo de mercado. A economia não se restringe apenas a variável “consumo”. A economia vai além dos fatores não-monetários, para reiterar-se uma vez mais essa premissa.

Frei Betto, frade dominicano e escritor respeitado no cenário nacional, foi categórico, a esse respeito, em A Mosca Azul, afirmando que “o consumo consome o consumidor”. Em outras palavras, o que Frei Betto diz é que a economia não reconhece direitos, apenas o poder de compra, daí a necessidade da economia tradicional em valorizar o tempo todo o consumidor, não o cidadão. Cabe procurar escapar a essa “provocação econômica”, pois a vida, definitivamente, não se restringe a compra de meras mercadorias.

No entanto, as leis do mercado, centradas exclusivamente na venda de tudo, devora o “muito” daqueles que “pouco” tem. Longe dessa visão puramente mercantil (e mercadológica), cabe ao economista moderno pensar primeiramente nos pressupostos que devem nortear uma sociedade que visa o equilíbrio como objetivo central.

A mudança para isso passa inexoravelmente por entender a economia de outra maneira. Para tanto, os ideais de justiça, liberdade e igualdade precisam, constantemente, virem à baila. Contra a exclusão e a desigualdade sócio-econômica o economista de hoje deve insistentemente se posicionar. Igualdade não combina com exclusão; assim como liberdade não combina com injustiça.

O tipo de sociedade que o economista moderno deve pensar (e procurar fazer) tem que necessariamente passar pela cooperação, em lugar da competição. Esta última, até mesmo por ser quase sempre praticada de maneira desigual (concorrência desleal e imperfeita no jargão econômico), privilegiando apenas os mais abastados, apresenta evidências, a todo instante, e mais que suficientes, que serve apenas para dividir e segregar. Quem ganha na competição se dá bem. The winner takes it all, (O vencedor leva tudo!) diz o título de uma canção do grupo musical sueco Abba. O perdedor? Ah, esse será um eterno excluído! A ele dá-se as batatas!

Alguém lendo isso poderá recorrer ao velho axioma: quem não é competente não se estabelece. Logo, é justo que o vencedor leve tudo. Acontece que, antes de olhar nessa direção, é necessário saber em quais condições estão se dando essa tal competição.

Muitos são sabedores que a competição privilegia àqueles com mais acesso às informações. Certamente, esse gozam de privilégios financeiros que a imensa maioria (os despossuídos) nem sonha chegar perto. Logo, por possuírem vantagens em relação aos que tem enormes dificuldades de se manter em pé, quem é que ganhará esse jogo competitivo que mais parece um jogo entre gato e rato? A pergunta que fica então é a seguinte: é justo, nesse sentido, que o vencedor deva levar tudo?

Essa é uma das razões da sociedade ser extremamente dividida. A primeira premissa dessa separação se dá pela ótica das posses; pela extrema e elevada condição financeira de uns que facilita, na ponta final, a posição social que cada um desses irá ocupar em relação aos que nada possuem. A continuar tal “separação”, dada pela questão financeira, jamais se chegará a condição sonhada de ter-se um amanhã melhor para todos. Somente somando forças, e não dividindo, se poderá, quiçá, alcançar uma sociedade mais justa e menos desigual. É sabido que a força coletiva faz o progresso acontecer. Com o progresso, a chance dos que nada tem passa a ser considerável.

A cooperação, nesse sentido, pode ser à luz que falta àqueles que hoje vivem completamente à margem dos benefícios, tanto econômicos, quanto sociais, que uma sociedade equilibrada e justa é capaz de oferecer.
É nessa direção que o economista moderno deve direcionar esforços. E, antes de qualquer outra coisa, é nessa linha de conduta que o economista moderno deve remar contra a maré da sabedoria econômica tradicional.

As causas e consequências da pobreza em que vive 1/3 dos brasileiros, para tomar-se aqui como paradigma o Brasil, deve ser ensinada pelas ciências econômicas como sendo a mais abjeta situação, comparável a ignomínia da escravidão que marcou esse país por séculos. Essa deve ser a primeira lição ensinada no primeiro dia de aula no primeiro ano do curso de graduação em Ciências Econômicas. E essa mesma “preocupação” deve continuar nos cursos de pós-graduação na área de Economia e de outras ciências sociais. Essa preocupação com o social precisa nortear, definitivamente, as ações de nossos economistas e cientistas sociais.

Há uma passagem ilustrativa de Ladislau Dowbor em O Mosaico Partido, que abrilhanta essa assertiva: “Quem não entende os processos econômicos, acaba não entendendo coisas tão elementares como porque somos capazes de façanhas fenomenais como as viagens no espaço, mas somos incapazes de reduzir a tragédia de 11 milhões de crianças que morrem anualmente de fome e outras causas absurdas, ou ainda de conter o ritmo de destruição ambiental do planeta. Já estamos tentando brincar de criadores clonando a vida, mas não somos capazes de resolver o problema do carrapato”.

A pobreza, a fome, a miséria e todo e qualquer tipo de exclusão social devem ser os temas de maior interesse do economista moderno; principalmente em sociedades com elevados índices de desigualdades. É simplesmente inadmissível aceitar que no mundo de hoje haja gente passando fome em qualquer parte do planeta, visto que os recursos para acabar com a fome sobram – são até mesmo desperdiçados.
Uma questão de ética

Esses temas (fome, miséria), abarcados, pois, na definição ampla de exclusão social, devem, antes, ser encarados como temas concernentes aos Direitos Humanos; portanto, não apenas restrito a uma área específica do conhecimento, até porque a existência da fome, em especial, é uma questão de ética, e não apenas de “desequilíbrio” econômico ou uma mera questão de ajustes produtivos. Isso não quer dizer que o economista não deva se debruçar sobre essa questão como enfatizado anteriormente.

Nesse pormenor, o economista precisa se engajar em outras áreas do conhecimento para junto a outros “pensadores” encontrarem, coletivamente, as alternativas para a necessária mudança. Uma simbiose com a Sociologia, com as Ciências Políticas, a Administração, o Direito ou mesmo a Psicologia precisa aflorar. Sozinha, a Ciência Econômica não conseguirá dar boas respostas a tais anomalias, embora seja um instrumental riquíssimo de análise dos fatos e acontecimentos que correm atualmente.

Propor alternativas para erradicar esses males deve ser a tarefa a ser empreendida por todos os profissionais que chegam a todo momento ao mercado de trabalho, independente da área de atuação.

A Economia, em especial, precisa resgatar seu DNA social, afinal, a ciência econômica “nasceu” também para isso: para dar uma resposta positiva aos problemas sociais que tanto aflinge o pensamento do homem moderno. Certamente, os problemas da fome e da pobreza que marcam a ferro e fogo a desigualdade social no Brasil, precisam ser pensados a todo instante por aqueles que tem a rara oportunidade de dirigir a vida econômica de um país.

Definitivamente, a meu ver, o que deve ser entendido é que, por meio das conhecidas políticas econômicas, abre-se grande chance de mudar a vida de milhões de pessoas. Mudar para melhor a vida de milhões de pessoas: eis a grande tarefa que cabe ao economista moderno.

Prof. Marcus Eduardo de Oliveira
Economista, mestre pela USP e professor do UNIFIEO (Depto. de Comércio Exterior) e da FAC-FITO (Depto. de Economia). Autor dos livros “Conversando sobre Economia” (Ed. Alínea) e “Provocações Econômicas” (no prelo).

Aumento do desemprego em janei…

Fevereiro 26, 2010

Aumento do desemprego em janeiro foi o menor dos últimos cinco anos, diz IBGE. http://bit.ly/939buk

Aumento do desemprego em janeiro foi o menor dos últimos cinco anos, diz IBGE

Fevereiro 26, 2010

O aumento da taxa de desemprego de 7,2% registrado em janeiro, quando comparado ao de dezembro do ano passado, que foi de 6,9%, foi o menor dos últimos cinco anos, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

“Janeiro é quando geralmente terminam as contratações temporárias do período do Natal. O que surpreendeu é que o aumento foi de apenas 0,4 ponto percentual em comparação com o do ano passado, que foi de 1,6%. Além disso, essa foi a menor variação de dezembro para janeiro em cinco anos”.

O cenário econômico forte foi, na opinião de Azeredo, o principal fator para que o mercado tenha absorvido a mão de obra temporária com mais força que nos anos anteriores.

Segundo o IBGE, existem hoje 21,6 milhões de brasileiros ocupados, sendo que 9,8 milhões com carteira assinada e cerca de 1,7 milhão de desempregados, com base na pesquisa realizada em seis regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre.

Belo Horizonte foi a única região pesquisada que registrou variação significativa no número de desocupados diante dos números de dezembro (18,2%). Em relação a janeiro de 2009, três regiões foram responsáveis pela queda na desocupação: Rio de Janeiro (16,8%), São Paulo (14,6%) e Porto Alegre (24%).

Flávia Villela / Agência Brasil

Banco do Brasil fecha 2009 com…

Fevereiro 25, 2010

Banco do Brasil fecha 2009 com lucro de R$ 10 bilhões. http://bit.ly/cVlAat

Banco do Brasil fecha 2009 com lucro de R$ 10 bilhões

Fevereiro 25, 2010

O Banco do Brasil encerrou 2009 com lucro líquido de R$ 10,148 bilhões, de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira (25). O resultado foi 15,3% superior ao registrado no ano anterior;

O lucro recorrente atingiu R$ 8.506 milhões, 27,2% acima do resultado recorrente 2008.
A nota do banco afirma que o resultado recorrente do ano foi influenciado pelo montante de R$ 3.030 milhões resultante da atualização dos ativos e passivos atuariais do Plano de Aposentadoria e Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ).

Os ativos totais do banco alcançaram R$ 708,549 bilhões no final de 2009.

Com informações do G1.

Economia brasileira é destaqu…

Fevereiro 23, 2010

Economia brasileira é destaque na América Latina. http://bit.ly/bPx1Vz

Economia brasileira é destaque na América Latina

Fevereiro 23, 2010

É grande o otimismo em relação à recuperação da economia latino-americana frente à crise internacional, de acordo com a Sondagem Econômica da América Latina, divulgada na segunda-feira (22) pela Fundação Getulio Vargas. O destaque na região, segundo os especialistas consultados, é o Brasil, que apresentou o melhor Índice de Clima Econômico (ICE), de 7,8 pontos, para uma média regional de 5,6 pontos, numa escala de um a nove, entre outubro do ano passado e janeiro deste ano.

O superintendente de Ciclos Econômicos da FGV, Aloísio Campelo, afirmou que o otimismo é grande em relação aos próximos seis meses. “Mas a gente nota que a avaliação sobre a situação atual ainda é desfavorável na maior parte dos países.”

O economista da FGV observou que os países mais dependentes dos Estados Unidos, como México, República Dominicana e Costa Rica, estão mais atrás na recuperação. Na Venezuela, o clima é de recessão. Ele disse que há um desânimo do investidor privado, e o petróleo — principal produto do país — tem recuperação lenta, porque a exportação depende da retomada do mercado internacional, “que está indo devagarzinho”.

Na América do Sul, os países que já tinham uma maior solidez no período pré-crise — Brasil, Chile, Peru e Uruguai — tiveram recuperação mais rápida. “O Brasil saiu muito bem, saiu muito rápido realmente e o clima econômico já está bom”. Campelo afirmou que no caso brasileiro a própria avaliação sobre a situação atual é boa.

“A gente já passou da fase de recuperação do consumo e está entrando na fase de realização de investimento. A maioria dos especialistas diz que os investimentos vão aumentar. Os outros países ainda não chegaram a essa fase, com exceção, talvez, do Chile, que estaria também pensando em expansão [dos investimentos]”, comentou.

Segundo Campelo, o cenário favorável traçado para o Brasil seria um chamariz para o investimento. Ele salientou, entretanto, que isso depende da disponibilidade, ou seja, da liquidez internacional. “O que precisa é manter os fundamentos macroeconômicos, trazer de volta o equilíbrio fiscal, fazer um esforço para voltar a ter superávits primários mais perto de 4% e não de 2%, que foi o caso de 2009. E, na área de inflação, manter a seriedade.”

Isso significa que, se houver um descasamento entre oferta e procura este ano por conta de uma aceleração de demanda interna que a indústria não possa acompanhar, o Banco Central deverá agir e manter uma sintonia fina para que a inflação permaneça próximo da meta, recomendou.

O cenário, frisou Campelo, é virtuoso, “a não ser que a gente comece a tomar medidas equivocadas doravante”. Com o cenário positivo para investimentos, a expectativa é de geração de empregos no Brasil. Ele informou que, por enquanto, apenas a indústria não retomou o patamar de empregos pré-crise. Já os setores de serviços e comércio apresentam expansão nessa área. “E a tendência é continuar com aumento da oferta de empregos nos próximos meses.”

A Sondagem Econômica da América Latina de janeiro de 2010 consultou 139 especialistas de 17 países e foi realizada pela FGV em parceria com o Institute for Economic Research da Alemanha.

Alana Gandra / Agência Brasil

Analistas voltam a aumentar pr…

Fevereiro 22, 2010

Analistas voltam a aumentar projeção de crescimento da economia em 2010. http://bit.ly/d8QaVQ

Analistas voltam a aumentar projeção de crescimento da economia em 2010

Fevereiro 22, 2010

Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) voltaram a elevar a estimativa para o crescimento da economia neste ano. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, em 2010, subiu de 5,47% para 5,50%, segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (22) pelo BC. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 5,30%. Para 2011, foi mantida a previsão de crescimento do PIB de 4,5%.

Para o crescimento da produção industrial, neste ano, a estimativa passou de 8,55% para 8,41%. No próximo ano, os analistas esperam por expansão de 4,95%, contra os 4,85% previstos no boletim anterior.

A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB passou de 41,95% para 41,70%, neste ano, e de 40,50% para 40,30%, em 2011.

A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) para este ano permaneceu em US$ 10 bilhões. Já a expectativa para 2011 caiu bastante, de US$ 5 bilhões para US$ 1,6 bilhão.

Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa para este ano foi ajustada de US$ 50,050 bilhões para US$ 50 bilhões. Em 2011, os analistas alteraram a expectativa para o resultado negativo de US$ 57,810 bilhões para US$ 56,410 bilhões.

A projeção para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 38 bilhões, em 2010, e em US$ 40 bilhões, em 2011.

Kelly Oliveira / Agência Brasil

A Economia servindo de instrumento na construção de uma sociedade mais justa

Fevereiro 20, 2010

Viver em uma sociedade mais fraterna e menos desigual, com relações sociais e humanas ditadas pela ordem da cooperação, em lugar da competição desleal, certamente é o sonho de muitos e a necessidade premente do tão sonhado e decantado mundo melhor para todos.

Buscar construir esse mundo mais harmonioso, mais solidário, mais participativo, onde as disputas sejam travadas de maneira igual é o ideal pensado e idealizado por todos aqueles que sentem (ou já sentiram) na pele, de uma forma ou de outra, a dor e o peso da discriminação e das oportunidades desiguais.
Conquanto, o ideal de um tipo de sociedade mais justa tem sido pensado desde os tempos iniciais da Filosofia Clássica.

Platão (428–347 a.C.) pensou isso em A República (Politéia), quando idealizou uma cidade onde seus habitantes gozassem de plena e pura racionalidade. O egoísmo não existiria, as paixões seriam controladas, os interesses pessoais dariam lugar aos interesses coletivos; o Bem comum, o Belo e o Justo imperariam como princípios básicos, universais e pétreos. Tommaso Campanella (1568–1639), outro iluminado da escrita, em A Cidade do Sol idealizou uma comunidade a ser governado por homens iluminados, dotados de plena razão. Thomas More (1478–1535) pensou em Utopia (em grego, “Lugar que não existe”) uma sociedade ideal que se mantivesse longe do conceito da propriedade privada. O luxo, o supérfluo, o orgulho e a vaidade não teriam lugar nas cidades da “Ilha de Utopia” idealizada por More. Lá, o bem individual seria totalmente submetido ao bem geral. O inglês James Hilton (1900–54), por sua vez, pensou em Shangri-la um local onde a convivência entre as pessoas de diferentes procedências fosse, no bojo, de cunho puramente harmonioso.

De fato, desde os primeiros passos da criação literária, o ideal de se viver em harmonia tem dominado o pensamento da humanidade.

Assim também se deu com o nascimento das ciências, em especial, as humanas (sociais), cada qual, à época de seu surgimento, de certa forma, incidiu em profunda contribuição para aguçar esse debate em torno da construção da justiça plena e igualitária estendida a todos. E a Economia (enquanto ciência social), evidentemente, não poderia ficar de fora dessa seara.

No entanto, algo sobre essa temática em torno das ciências econômicas precisa ser bem esclarecido. Repousa sobre esse corpo sistemático de conhecimento, desde a obra seminal do escocês Adam Smith (1723-90), certa nuvem negra em torno de sua real abrangência social. Ao fazer por sistemáticas vezes intenso uso dos cálculos frios em suas análises, dispondo, para isso, por exemplo, do cabedal teórico da econometria (disciplina fundada pelo norueguês Ragnar Frisch, [1895-1973], cujo emprego de fórmulas matemáticas serve para analisar quantitativamente os fenômenos), é comum que a ciência econômica se afaste, por conseqüência, da sensibilidade social.

Conquanto, resgatar a Economia (enquanto ciência) para essa abrangência (e preocupação para com o) social é, pois, tarefa de suma importância que cabe aos teóricos da economia nos dias de hoje executar; até mesmo porque não se deve perder de vista que a economia é, na essência, uma ciência humana, não exata.
A esse respeito, nosso maior pensador no campo da economia, Celso Furtado (1920-2004), disse, em meados dos anos 1970, que é necessário “buscar construir um debate a partir da constatação de que carecemos de uma teoria geral das formações sociais que provoquem os economistas e outros teóricos das ciências sociais a pensar a teoria social de forma global”. (Prefácio a Nova Economia Política, 1977).

Não por acaso, nessa mesma linha de pensamento, Furtado afirmou, tempos depois, que “a descoberta do social foi a coisa mais relevante em minha vida”. (O Longo Amanhecer, 2003).

Tomando a liberdade de aqui “escapar” um pouco das brilhantes contribuições teóricas legadas por Furtado, em meu entendimento, creio que colocar a economia (usando-a como instrumento) ao serviço da construção de uma sociedade mais justa somente fará sentido se, e somente se, entendermos, definitivamente, que as estruturas sociais (incluindo o grau de desigualdade sócio-econômica) são historicamente determinadas e, por isso, todo esforço na construção de um mundo melhor, terá validade quando, e somente quando, romper-se com os determinantes que estabelecem esses padrões de desigualdades. Sem essa ruptura, nada avançará. Crucial é entender, segundo creio, que as diferenças sociais não são coisas naturais, mas, antes, são condições impostas. Ninguém é pobre ou miserável por que quer. A pobreza e a miséria, espelhos de uma sociedade desequilibrada em sua essência social, são fatores impostos.

Contornar essa celeuma talvez seja o fato de grande relevância para os dias que seguem. Romper com a teoria econômica tradicional que projeta luz somente no mercado e nas mercadorias é um primeiro passo para o objetivo da transformação social.

A economia não pode ficar restrita somente ao conteúdo mercadológico; antes disso é necessário entender que há pessoas que participam, que compõem e que formam toda a estrutura econômico-social. O objeto central de análise de uma ciência social, tal qual a Economia, deve sempre ser o indivíduo e suas necessidades.

A ciência econômica moderna, não pode mais ser pensada sem a inclusão da esfera social. Incluir os diversos atores que compõem todo o cenário social é imprescindível; assim como também é imprescindível pensar, por exemplo, em desenvolvimento econômico (tema esse caro ao objetivo mor de melhorar a vida de todos) sem desconsiderar o problema ecológico (incluindo a problemática em torno da limitação dos recursos).

Junto a isso, tendo em conta a necessidade de levar a economia para perto da análise social, é fundamentalmente importante condenar de forma veemente o mito de que os mercados se autorregulam. Os mercados conduzidos sozinhos, ao léu, somente potencializam as crises, os desajustes, os desequilíbrios à medida que se prioriza apenas uns poucos, em total esquecimento da maioria.

Para que esse padrão de análise dê certo, ou seja, para que a atividade econômica incorpore, de fato, a preocupação para com o lado social, a dinâmica do crescimento da economia, por exemplo, deve ser pensada “por dentro”, e não “por fora”. Esse crescimento deve ser endógeno, não exógeno. Para tanto, deve ser priorizado o capital social e humano de dentro das fronteiras; deve ser canalizado os recursos via poupança doméstica, não os recursos externos que sopram a favor dos ventos da especulação, da volatilidade de ordens diversas.

Assim também pensa o economista chileno Oswaldo Sunkel que formulou o conceito de “desenvolvimento a partir de dentro”, ou seja, respeitando-se e levando-se em conta as idiossincrasias próprias de cada lugar, de cada povo, de cada necessidade básica, de cada peculiaridade.

É nesse pormenor que entendemos a necessidade do rompimento com a tradicional teoria econômica que ainda infesta os manuais acadêmicos. Buscar olhar a economia sob o prisma de que essa ciência pode (e deve) ajudar na construção de um mundo melhor nos parece, a contento, uma tarefa das mais imprescindíveis. Assim como um dia, nos idos iniciais do pensamento fisiocrático, o bem-estar de todos dependia, exclusivamente, da produtividade do trabalho agrícola, a ciência econômica precisa superar certas “ponderações” e colocar o indivíduo e o meio-ambiente como pontos centrais em suas “preocupações”.

A todos que se identificam com esse objetivo, resta fazer valer e prédica que recomenda que a vida somente faz sentido quando dela fazemos uma ferramenta capaz de transformar o mundo em que vivemos. A economia (ciência e atividade) não pode se furtar a esse compromisso.

Por Marcus Eduardo de Oliveira
Economista, mestre pela USP e professor do UNIFIEO (Depto. de Comércio Exterior) e da FAC-FITO (Depto. de Economia). Especialista em Política Internacional pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP).
Autor dos livros “Conversando sobre Economia” (Ed. Alínea) e “Provocações Econômicas” (no prelo).

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