O Economista » Artigos http://www.oeconomista.com.br Blog de Economia Tue, 07 Feb 2012 11:14:06 +0000 en hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.0 Copyright © 2012 O Economista celso@humantech.com.br celso@humantech.com.br posts http://www.oeconomista.com.br/wp-content/plugins/podpress/images/powered_by_podpress.jpg O Economista » Artigos http://www.oeconomista.com.br 144 144 Blog de Economia celso@humantech.com.br no no Bolsa-Brasil http://www.oeconomista.com.br/bolsa-brasil/ http://www.oeconomista.com.br/bolsa-brasil/#comments Mon, 24 Oct 2011 20:13:10 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=8928

Se você achou que este artigo trataria das perspectivas para nossas ações, enganou-se. Vou falar dos programas de transferência de renda do governo e suas consequências.

Com frequência, escuto inúmeras críticas ao Bolsa-Família. Algumas procedentes, como o fato do benefício não ter prazo para acabar e seu valor ser idêntico em locais com custo de vida tão díspares como São Paulo e o sertão nordestino. Outras, como a existência do programa, improcedentes.

O que realmente impressiona é que outros programas de transferência de renda e subsídios implícitos ou explícitos, com custos muito mais elevados do que os R$ 16 bilhões anuais do Bolsa-Família, não recebam as mesmas críticas.

Por exemplo, o Bolsa-Empresário – diferença entre o custo de financiamento do Tesouro Nacional e as taxas dos empréstimos do BNDES – custará R$18 bilhões em 2011. O Bolsa-Exportador – diferença entre a remuneração das reservas internacionais e o custo de financiamento da dívida pública – custará mais de R$ 60 bilhões. O Bolsa-Aposentado custará mais de R$ 90 bilhões – o déficit de nosso sistema de previdência.

Você deve estar pensando “só eu não ganho o meu”. É muito provável que ganhe, sim. Há, por exemplo, o Bolsa-Idoso e o Bolsa-Estudante, conhecidos popularmente como Lei da Meia Entrada, que faz com que todos os demais paguem ingressos mais caros para que estudantes e idosos paguem menos. Há ainda o Bolsa-Mulher, a lei que permite que mulheres se aposentem cinco anos antes dos homens; o Bolsa-Rural, com linhas de créditos subsidiadas para o setor; o Bolsa-Banqueiro, abençoado pelas nossas taxas de juros elevadíssimas para cobrir as enormes necessidades de financiamento do setor público; o Bolsa-Funcionário Público, devido a salários superiores aos praticados pela iniciativa privada para as mesmas funções e às aposentadorias privilegiadas; o Bolsa-Universitário, para os estudantes de universidades públicas gratuitas. Não nos esqueçamos do Bolsa-Corrupto, recursos do inchado erário público desviados para bolsos privados.

Eu sei, eu sei. O programa que beneficia especificamente você é completamente diferente dos demais e plenamente justificado. É por isso que o Brasil tem hoje uma das cargas tributárias mais elevadas do planeta, mas faltam recursos para investimentos em educação, saúde e infraestrutura. E continuamos discutindo a elevação do Bolsa-Político – a arrecadação pública – criando-se mais um imposto para financiar o setor de saúde.

Uma das funções mais importantes do Estado é corrigir distorções de mercado – como, por exemplo, uma excessiva concentração de renda. No Brasil, confundimos isto com governo gastão, que se mete em tudo e que distorce mais do que corrige distorções.

Enfim, enquanto você continuar convencido de que o seu programa é mais do que justo, pense duas vezes antes de reclamar do Bolsa-Família, dos impostos altíssimos, da infraestrutura precária e da saúde, educação e segurança deficientes. Ao compactuar com o atual sistema, a sociedade brasileira faz uma opção por um governo forte e poderoso que nos oferece migalhas e um país cuja capacidade de se mover é limitada pelo peso do próprio governo. Escolhemos o dinheiro dos Bolsas, ao invés de dinheiro nos bolsos. Já passou da hora de refazermos nossas escolhas.

* Este artigo foi publicado originalmente na revista IstoÉ.

** Ricardo Amorim é economista, apresentador dos programas Manhattan Connection da GNT e Economia e Negócios da Rádio Eldorado, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria Empresarial.

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A Bolsa é um jogo? http://www.oeconomista.com.br/a-bolsa-e-um-jogo/ http://www.oeconomista.com.br/a-bolsa-e-um-jogo/#comments Sun, 03 Jul 2011 20:34:53 +0000 admin http://www.oeconomista.com.br/?p=7634

Era muito comum há alguns anos ouvirmos alguém se vangloriar de que jamais havia “jogado” na Bolsa. O medo de perder dinheiro com ações e a falta de conhecimento fazia com que as pessoas se distanciassem da Bolsa e, ainda, em suas relações abordassem o tema de forma pejorativa. Hoje há um consenso de que a Bolsa traz uma real oportunidade de retorno, mesmo com juros internos tão altos.

Nos últimos 10 anos, os investidores em Bolsa no Brasil aumentaram de aproximadamente 70 mil para 600 mil. Evidentemente, estes novos investidores não vêem a Bolsa como um jogo, porém para alguns, sua forma de atuação pode ser vista como de jogador. E é isto que me preocupa.

Aos poucos, os investidores Brasileiros pessoas físicas buscam alternativas de diversificação e a Bolsa tornou-se uma boa opção. Porém esta opção é bem arriscada, especialmente se a estratégia de investimento é de curto prazo.

A Bolsa é realmente um negócio fascinante. As pessoas, mesmo sem informações, têm interesse por ela, principalmente quando ouvem que podem ficar milionárias rapidamente. Há uma enorme safra de livros de investimentos pessoais e de cursos dizendo que investidores pessoas físicas não financistas podem ficar ricos. Realmente, há como ficar rico na Bolsa, mas é uma falácia afirmar que isto pode acontecer com qualquer um, especialmente no curto prazo.

O mercado de Bolsa de Valores é altamente especializado. Os grandes investidores, também chamados de investidores institucionais, têm uma influência enorme nas movimentações dos preços das ações no curto prazo. Suas estratégias nem sempre são de longo prazo, mas geralmente motivadas por notícias que podem trazer instabilidade no curto prazo ou mesmo por uma simples mudança de estratégia.

Nós, investidores pessoas físicas, concorremos neste mercado de Bolsa onde investidores profissionais usam sistemas avançados e equipamentos de última geração, além de terem uma enorme carga de informações para tomarem as suas decisões. É evidente que em uma concorrência como esta estamos em desvantagem, principalmente quando, sem este aparato tecnológico, nos aventuramos a “operar”, comprando e vendendo ações para termos ganhos rápidos. Nesta concorrência de curto prazo, nossa chance de ganhar é baixa.  Mas, será que mesmo sem termos todos os recursos dos grandes investidores podemos nos beneficiar dos ganhos da Bolsa? Sim.

O preço de uma ação é o resultado de uma convergência de percepções e expectativas dos investidores em relação à valorização da companhia e pela sua geração de resultados futuros, o que, a rigor, deveria sustentar-se no longo prazo pelos seus fundamentos, ou seja, por sua capacidade de competir nos mercados em que atua. Assim, quando analisamos uma empresa devemos tentar entender como sua estratégia terá impacto nos seus resultados futuros. Fazer projeções é sempre muito difícil, principalmente para quem não vive no mundo das finanças e mais ainda para quem não tem tempo para acompanhar os mercados de perto. Mesmo assim, é sempre importante que tenhamos boas e confiáveis informações sobre as empresas nas quais investimos.

Definitivamente a Bolsa não é um jogo. Pelas nossas limitações de tempo e informação, deveríamos optar por fazer investimentos em ações com estratégia de longo prazo, o que aumenta a probabilidade de ganhos e permite uma diversificação mais eficiente nos nossos portifólios. Devemos investir em empresas que acreditamos ter possibilidade de geração de resultados consistentes no futuro e não somente pelas ilusórias chances de obtermos pequenos ganhos diários.

As tentações são enormes para que mudemos nossos portifólios constantemente, principalmente quando o mercado está em baixa. Atuamos como investidores jogadores quando mudamos nossos investimentos em Bolsa sem buscarmos e analisarmos informações. É consenso que os maiores ganhos estão no longo prazo. A grande questão é como montamos uma estratégia de investimento que nos permita obtê-los. Claramente, as chances de ganharmos no longo prazo diminuem quando fazemos apostas sucessivas no curto prazo.

Ricardo Mollo – Professor de Finanças Corporativas do Insper, tem MBA pela University of Dallas e é PhD candidate na University of London. Trabalhou por 20 anos no Mercado Financeiro tendo sido Diretor do Unibanco.

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Economia Colaborativa http://www.oeconomista.com.br/economia-colaborativa/ http://www.oeconomista.com.br/economia-colaborativa/#comments Tue, 24 May 2011 20:09:42 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=7211

Em decorrência do avançadíssimo processo tecnológico que vivenciamos, cujas expressões mais significativas talvez ocorram nos campos da medicina, cibernética, robótica e, principalmente, na informática, uma nova situação se irrompe com clareza para a ciência econômica e, em especial, para o conhecimento em geral. Em termos de conhecimento/aprendizagem a pergunta mais pertinente talvez seja a de como se adaptar rapidamente ao avanço das ferramentas que cercam a informática, em especial a mais usada delas: a rede internet e toda sua gama de opções.

Nesse pormenor, é ilustrativo resgatarmos a opinião de Don Tapscott, autor de “Wikinomics” que pontua com firmeza que “a internet não é uma nova forma de conhecimento e sim uma ferramenta que deverá mudar a nossa forma de adquirir conhecimento”. A economia, assim como todas as outras ciências, precisa estar adaptada a essa nova mudança. Um grande desafio que se vislumbra é fazer com que nossa economia esteja toda ela baseada no conhecimento, sendo mais dinâmica e competitiva, garantindo crescimento sustentado, gerando empregos de qualidade, distribuindo a renda, assegurando coesão social.

Nesse sentido, o MCT – Ministério de Ciência e Tecnologia, pasta dirigida pelo professor Aloizio Mercadante, envereda esforços para adotar a “Estratégia de Lisboa” – documento divulgado em 2000 que contém as principais diretrizes da União Européia voltadas para a Ciência, Tecnologia e Inovação.

Nessa mesma linha de defesa, fazendo da economia uma nova base pautada no conhecimento e na colaboração, somos partidários com Tapscott, pois, assim como ele, entendemos que o conhecimento hoje tem sido facilmente gerado e está à disposição de muito mais gente na atualidade do que há 30 anos.

A facilidade de acesso às informações somente foi (e tem sido) facilitada tendo em vista que a rede internet pode se infiltrar em todos os segmentos populacionais. Embora ainda haja certas restrições de acesso à rede, mesmo restrição de ordem orçamentária, é fato inconteste que uma infinidade maior de pessoas fazem uso diariamente do “conteúdo” disponibilizado pela rede. Mesmo as relações humanas, saindo um pouco do espectro informal, já contam com uma participação invejável. O Facebook, página de relacionamento social, por exemplo, já conta com mais de meio bilhão de usuários espalhados pelo mundo.

O grande problema que notamos, no entanto, em se tratando da rede internet, é o excesso de informação (curiosamente, antes era a falta disso). Nesse contexto, aprender requer então maior e melhor poder de concentração e capacidade de filtrar, sistematicamente, a abundante informação que se encontra disponível.

Entendemos que a grande questão que se coloca é como fazer para conseguir-se um bom e adequado conhecimento usando a internet? Acreditamos que se faz necessário repensar as metodologias de ensino e de aprendizagem. Para isso, os pedagogos, em especial, serão imprescindíveis.

O fato é que a linguagem deixou de ser plana, agora é hiper-textual. Nesse sentido, é ilógico pensar que os livros digitais não serão o sucesso que, por exemplo, a música digital alcançou. Disso decorre a necessidade de se repensar, pormenorizadamente, a “construção” de uma economia colaborativa.

O queremos dizer com economia colaborativa? Seria simplesmente a capacidade de várias pessoas construirem conhecimento mesmo que essas pessoas não se encontrem fisicamente num mesmo e único lugar; mesmo que estejam longes umas das outras. É a internet que propicia, sobremaneira, essa “aproximação”.

O Wikipédia, guardadas suas limitações e confiabilidade em certos textos e fontes, é um ilustrativo e excelente exemplo disso. Não estranhemos se, em breve, essa ferramenta se converter numa respeitada enciclopédia, superando as antigas e ainda famosas Barsa, Britânica e outras.

Outros bons exemplos de informações divulgadas em rede não param de acontecer. Em dezembro de 2006, um site sediado na Suíça publicava o seu primeiro documento sobre supostos acontecimentos que incriminavam governos de vários países. Esse site, o WikiLeaks, nasceu com a perspectiva de divulgar acontecimentos sigilosos realizados pelos governos poderosos do mundo todo. O tom denuncista do WikiLeaks incriminava diretamente procedimentos que ora comprometem os direitos humanos ou ferem as práticas da diplomacia internacional. Porém, qual seria a fonte de informações desse site? Eminentemente os dados provêm dos mesmos organismos que executam essas ações, só que são divulgadas de forma sigilosa e tem a intenção colaborativa de disseminar informações a todos. Nenhuma notícia foi, até agora, desmentida. Cada vez que o site publica alguma nota, a imprensa mundial repercute esses acontecimentos. A credibilidade do WikiLeaks é elevada e incomoda muita gente. Não por acaso, seu principal fundador, o australiano Julian
Assange está sendo processado sob a acusação de crime sexual, numa tentativa pífia de silenciá-lo. Só que o efeito é o contrário: quanto mais os incomodados batem, mais populariza o site. A viabilidade econômica do WikiLeaks também é realizada de forma colaborativa. Qualquer pessoa pode doar recursos para a causa.

Com os serviços prestados pelo site de Assange, todos vão aos poucos tomando conhecimento de informações outrora mantidas em sigilo absoluto. Inequivocamente, a rede internet permite de bom grado esse “espírito colaborativo”, preservando a autoria e permitindo que o conhecimento seja tecido como se fosse uma teia de aranha. Porém, no lugar de uma aranha só, muitas seriam essas “aranhas” que cumpririam a função do conhecimento colaborativo dentro dessa ideia aqui denominada de “economia colaborativa”.

Contudo, é necessário ter ciência que, infelizmente, nem sempre as boas ações irão sempre aflorar. Para desespero de todos que sonhamos com um mundo melhor e mais fraterno, é mister pontuar que temos visto uma incrível capacidade do homem em fazer mal a seu semelhante. E também para isso o mau uso da rede internet tem sua parcela de colaboração. O triste caso de Realengo é uma amostra perversa desse conhecimento colaborativo tecido no sentido da “destruição”. O ex-aluno Wellington Oliveira tinha informações diversas sobre Bullying e sobre como fazer bombas. Além disso, pelas informações já fartamente divulgadas, sabemos que idolatrava histórias de atentados, principalmente as do “11 de setembro”. Wellington chamava de irmãos outros assassinos de estudantes. Enfim, tinha pleno conhecimento para realizar suas motivações psicopatas. Esse mesmo perfil é também o de outros matadores que nessas últimas duas décadas tem surgido de forma pontual. A principal fonte de informações desses matadores, em geral, tem sido a rede internet. Sabe-se que o matador de Realengo passava horas na internet tecendo o final da teia de aranha do conhecimento do mal que teve como resultado o lamentável assassinato de doze crianças.

Diante disso, cabe profunda reflexão: como os agentes envolvidos com educação, por exemplo, estão se comportando diante dessas iminentes possibilidades perversas? Será que as novas práticas pedagógicas estão sendo adaptadas a encarar esse contexto? Como pode também a economia, a seu turno, se adaptar frente a essa realidade? Essas são perguntas que ainda levarão certo tempo a serem prontamente respondidas.

De nossa parte, fazemos votos que a economia colaborativa venha com força total para aquilo que de fato urge em termos de resgate social, qual seja, aplainar os caminhos para a construção de uma sociedade mais igual e menos perversa.

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FEAO), mestre pela USP e professor de economia da Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FAC-FITO) e da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (UNIFIEO). Mais artigos e materiais do economista, podem ser lidos no seu blog.

* *Hugo Eduardo Meza Pinto é economista, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba. Mais artigos e materiais do economista, podem ser lidos no seu blog.

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A China é aqui http://www.oeconomista.com.br/a-china-e-aqui/ http://www.oeconomista.com.br/a-china-e-aqui/#comments Mon, 11 Apr 2011 19:26:08 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=7011

Há mais de 30 anos, a China cresce a um ritmo de quase 10% ao ano, causando inveja e alterando toda a ordem econômica global.

No Brasil, a crescente importância da economia chinesa é visível a olhos nus. Examine os produtos à sua volta neste exato momento e encontrará as inevitáveis etiquetas de made in China. Desde 1999, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – entre Brasil e China saltou de US$ 1,5 bilhão para mais de US$ 55 bilhões.

De carona na fome chinesa por nossas matérias-primas e na sua oferta abundante de capitais baratos para financiar investimentos e consumo no país, o Brasil dobrou seu ritmo de crescimento nos últimos sete anos para cerca de 5% ao ano. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm sustentado taxas de expansão bem maiores. Vários setores, em particular o imobiliário, o automotivo e o agronegócio crescem em ritmo de dar inveja até aos chineses.

Este crescimento acelerado colocou o Brasil em posição de destaque. Na última década, o país passou de quinto a segundo maior exportador do agronegócio no mundo, multiplicando por seis o superávit comercial do setor, passando de US$ dez bilhões a mais de US$ 60 bilhões. O crescimento do interior do país não deixa nada a dever ao dragão asiático.

No setor automotivo, a história não é diferente. De 2003 para cá, as vendas de automóveis aumentaram quase 150% – sustentando uma média anual de crescimento de quase 14% –, passando de 1,4 milhão a 3,5 milhões de unidades. O Brasil pulou de oitavo para quinto maior mercado de automóveis no planeta. Se o crescimento continuar parecido até a Copa do Mundo, teremos o terceiro mercado mundial de automóveis. Ainda assim, o número de automóveis por habitante no Brasil será três vezes menor do que nos EUA.

Quem você acha que continuará crescendo?

A importância do Brasil para as montadoras é também cada vez maior. Há anos, a Fiat já vende mais automóveis aqui do que na Itália. Talvez ainda neste ano, a Volkswagen venda mais automóveis no Brasil do que na Alemanha. Para a GM, o Brasil já é o terceiro mercado consumidor. Aliás, o primeiro é a China – que você achava ser o país da bicicleta – onde a venda de automóveis era 1/10 da dos EUA há dez anos, mas há dois anos tem superado o tradicional país do automóvel.

A mesma coisa acontece no setor imobiliário. Enquanto a contração nos mercados americano, europeu e japonês parece não ter fim, o mercado brasileiro vive o melhor momento da história. Nos EUA, são vendidos hoje menos imóveis do que há 50 anos, cinco vezes menos do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras. A alta de preços dos imóveis ao longo dos últimos anos foi causada pela abundante oferta de crédito e consequente multiplicação dos compradores.

Aliás, é a expansão de crédito e renda nos países emergentes, onde o endividamento ainda é baixo, que deve manter esse quadro inalterado na próxima década, apesar de inevitáveis solavancos ao longo do caminho.

Você anda preocupado com as recentes manchetes comparando a alta de preços de imóveis no Brasil com a bolha imobiliária americana? Saiba que o crédito bancário ao setor imobiliário no Brasil não chega a 4% do PIB, 30 vezes menor do que nos EUA e 45 vezes menor do que na Suíça. Durma tranquilo em seu apartamento novo.

* Este artigo foi publicado originalmente na revista IstoÉ.

** Ricardo Amorim é economista, apresentador dos programas Manhattan Connection da GNT e Economia e Negócios da Rádio Eldorado, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria Empresarial.

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Conversando sobre Ecoeconomia http://www.oeconomista.com.br/conversando-sobre-ecoeconomia/ http://www.oeconomista.com.br/conversando-sobre-ecoeconomia/#comments Thu, 03 Mar 2011 12:10:48 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6826

A discussão em torno da necessidade de se obter a qualquer custo elevadas taxas de crescimento econômico tem propiciado cada vez mais a aproximação entre a reflexão econômica e a ecológica. No passado, essa relação sempre se manteve distante, em tom nada amistoso, o que provocava, por conseguinte, o aguçamento dos lados conflituosos. Parte considerável desse antagonismo residia, especialmente, em torno da problemática do crescimento da economia versus exploração de recursos naturais. Visto por outro prisma, estamos nos referindo ao conflito entre as Leis da Economia (que objetivam o crescimento da atividade produtiva) versus as Leis na Natureza (que determinam o quanto de recursos estão disponíveis para se atingir esse crescimento).

No calor desse debate que ainda se mantém vivo nos dias atuais, as divergências acirraram-se quando se busca estipular parâmetros para o desenvolvimento de uma economia mais verde que seja, caracteristicamente, mais respeitosa em relação ao meio ambiente. De um lado, há os que defendem um crescimento da economia a qualquer custo, vendo nisso a saída mais rápida para atenuar os graves problemas de ordem social. Do outro lado, há os que clamam pela interrupção imediata de uma taxa de crescimento que tem gerado mais passivo ambiental que proporcionado melhorias coletivas.

O lado bom dessa discussão é que inevitavelmente algumas verdades sempre vêm à tona. Uma delas, por exemplo, aponta que a atividade econômica, na voracidade de produzir mais, enaltecendo assim apenas o lado quantitativo do processo produtivo com o intuito único em atender aos ditames do mercado, sempre se posicionou de forma extremamente agressiva no ato de extrair recursos da natureza. O resultado disso é o total desequilíbrio ecológico que temos presenciado. Fora isso, a “agressão econômica” sobre o meio ambiente continua durante todo o processo produtivo e, principalmente, após o consumo final “soltando” resíduos que também vão diretamente agredir o planeta Terra.

Ademais, essas “verdades” não param por aí. Dessa dialética entre economistas pró desenvolvimento e ecologistas pró preservação, há que se firmar a irretocável veracidade de outro assunto: não há mais espaço físico – nem condições – para se fixar metas de crescimento exponencial. Os recursos para tal desejo são, por definição, finitos. Assim como a própria biosfera também é finita, limitada e hermeticamente fechada. Ou seja, em curtas palavras, não aumentará de tamanho. Qualquer tentativa de ir contra essa verdade é, em essência, potencialmente geradora de passivos ambientais.

Vejamos então que esse debate além de ser interessante é revestido de tom polêmico. Para aguçarmos ainda mais esse debate, essa polêmica propriamente dita, apresentamos a seguir, em forma de apontamentos, algumas considerações sobre essa questão que, na essência, vamos aqui chamar de Ecoeconomia, resgatando assim uma expressão definida e consagrada pela primeira vez por Lester Brown. Essa Ecoeconomia visa, na prática, reconhecer que a Economia não pode ser pensada sem o auxílio da Ecologia. E mais: definitivamente a economia precisa se reconhecer como sendo um subsistema de algo maior que é o meio ambiente. Clóvis Cavalcanti, um dos economistas brasileiros mais comprometidos com a defesa da economia ecológica pondera que “…não se trata de aceitar um dogma de fé, mas de reconhecer inquestionável evidência: não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia).”

Dito isso, vamos a alguns apontamentos que realçam essa relação entre o pensamento econômico em conjunto ao pensamento ecológico:

* Pelo menos desde o Neolítico (12.000 anos a.C.) todas as sociedades históricas consomem de forma crescente energias da natureza;

* A partir dessa constatação faz-se necessário conciliar a Economia com o Meio Ambiente, tendo em vista que tudo, absolutamente tudo, vem da natureza. Não é mais possível que os economistas (em especial os acadêmicos de cunho tradicionalista) continuem a ignorar essa realidade. A Economia precisa estar em fina sintonia com a Ecologia.

* O fato mais grave, no entanto, é que a teoria econômica tradicional propõe o crescimento econômico sem limites, de forma exponencial e ininterrupto, a qualquer custo, e esquece, nesse pormenor, que a biosfera é finita, limitada e não aumentará de tamanho. Nesse sentido, é absolutamente ignorado pelas Leis da Economia o pressuposto básico que aponta para um crescimento econômico que feito à revelia somente será capaz de produzir passivo ambiental. Essa questão é simples: não há espaço para todos; muito menos há recursos disponíveis para transformar a Terra num “Éden” como querem alguns. Assim, definitivamente a Terra não pode produzir tudo aquilo que a sanha consumista deseja;

* Gandhi, um dos seres mais Iluminados que habitou o planeta Terra, a esse respeito profetizou que: “A Terra é suficiente para todos, mas não para os consumistas”;

* Entretanto, de forma estúpida, irracional e pouco inteligente, a Economia não é mais entendida como gestão racional da escassez, mas sim como a ciência capaz de crescer exponencialmente, sendo que esse crescimento irá na opinião de alguns curar todas as enfermidades do mundo;

Dessa forma, o que temos pela frente?

* De um lado, temos um “crescimento” das necessidades das pessoas que vão se avolumando mais e mais, fruto de uma conta matemática que chega a ser assustadora: descontadas as mortes, temos a cada dia 200 mil novas almas nascendo em partes diferentes do mundo. Ao ano, são mais de 70 milhões de novos habitantes no planeta Terra;

* Mesmo assim, dizem os inconsequentes (em especial os economistas acadêmicos pouco sensíveis aos problemas ambientais), que o mais importante é crescer, aumentando a produção para atender toda essa gente que está chegando ao planeta Terra. Apenas a título de ilustração cabe apontar que em apenas 50 anos, de 1950 a 2000, o PIB mundial saltou de 6 trilhões de dólares para 43 trilhões. Portanto, aumentou sete vezes de tamanho. E a população, como se comportou ao longo do tempo? Em 1900, havia 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Hoje, 111 anos depois, dividimos o mesmo espaço no planeta Terra com 6,7 bilhões de pessoas;

* Dessa forma, cremos ser necessário pôr fim à ideia de um crescimento econômico exponencial por dois singelos motivos: 1°) Esse crescimento não eliminará todos os males sociais e econômicos do mundo; 2°) Os limites para tal crescimento são dados pelos recursos finitos da natureza;

* Ora, diante dessa realidade inelutável, é possível concluir que a Ciência Econômica desde seu nascedouro, se encontra anos-luz de distância e totalmente “desconectada” da realidade ambiental e, além disso, essa mesma ciência econômica não percebe os riscos que a insistência num crescimento sem respeito à biosfera está provocando;

* A Economia que aí está, praticada de forma livre, leve e solta pelas sociedades modernas e industrializadas, ainda não se deu conta que se trata apenas de um subsistema da natureza e que depende, substancialmente, dessa natureza para tudo – absolutamente para tudo;

* Tudo é fruto da questão da natureza. Vejamos que até mesmo as estrelas são essenciais nessa história de uma íntima relação entre Economia, Meio Ambiente e a capacidade de assegurar a vida de todos nós, pois são as estrelas que convertem o hidrogênio em hélio e, da combinação deles provém o oxigênio, o carbono, o fósforo e o potássio, sem os quais não haveria os aminoácidos nem as proteínas que são elementos indispensáveis à vida;

* No entanto, os “limites” ao crescimento econômico continuam sendo ignorados pela economia tradicional. Para o crescimento de qualquer economia é necessário matéria e energia. Acontece que o animal-homem não pode criar num piscar de olhos nem matéria nem energia.

* Entretanto, infelizmente, o sistema econômico sempre viu a natureza e seus recursos como um mero objeto para ser transformado, explorado e sugado. Nunca, em momento algum, esse sistema que “regula” as atividades da economia que conduz, por sua vez, a busca por taxas de crescimento econômico imperfeitos, falhos e destruidores, olhou para a natureza como algo a ser cuidado e protegido. A lógica mercadológica que prevalece é a de sempre: exploração;

* Diante disso, é possível afirmar que enquanto as Leis da Economia continuarem ignorando por completo as Leis da Natureza, o nosso futuro estará a cada segundo que passa mais comprometido, expondo, por conseqüência, todos nós em sério risco;

* Convém lembrarmos que não é a Terra que entrará em extinção com o desajuste entre a atividade produtiva e o sistema ambiental; somos nós que entraremos em “conflito”. Quem então está condenado? A Terra? Não, nós – a nossa espécie;

* De toda sorte, urge entendermos que é necessário trocar o crescimento (quantidade) por desenvolvimento (qualidade), sempre olhando atentamente para o equilíbrio ecológico;

* A continuar do jeito que está, com as coisas sendo feitas à revelia do equilíbrio ecológico, priorizando apenas os mecanismos de mercado que clama por mais lucros, somente quando o colapso ambiental se fizer evidente para todos, talvez aí sim recordá-lo-emos das sábias palavras do cacique Seattle: “Quando a última árvore for abatida, quando o último rio for envenenado, quando o último peixe for capturado, somente então nos daremos conta de que não se pode comer dinheiro”.

* Enquanto esse dia não chega que coloquemos desde já as mãos na cabeça para refletirmos sobre o que estamos fazendo a nós mesmos! E que dessa reflexão, encontremos as soluções necessárias para mudarmos a história que tem sido contada até hoje. A vida certamente nos agradecerá!

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FEAO), mestre pela USP e professor de economia da Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FAC-FITO) e da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (UNIFIEO). Mais artigos e materiais do economista, podem ser lidos no seu blog.

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Você sabe o que é inovação? http://www.oeconomista.com.br/voce-sabe-o-que-e-inovacao/ http://www.oeconomista.com.br/voce-sabe-o-que-e-inovacao/#comments Thu, 17 Feb 2011 13:44:43 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6737

A inovação é o elemento chave para gerar dinheiro “novo” para as empresas e promover o desenvolvimento econômico e social dos países. Segundo os autores do livro Innovatrix, Clemente da Nobrega e Adriano Lima, inovar possibilita a metamorfose dos fatores de produção escassos  na geração de riqueza econômica. Esses autores também afirmam que inovar não é uma dádiva exclusiva dos gênios ou de pessoas iluminadas; qualquer um que se proponha pode inovar. Se você tem uma ideia e essa ideia resolve um ou vários problemas, então pode inserir o produto, ou processo ou serviço decorrente desta ideia no mercado.

Se pessoas adquirem o produto, processo e serviço decorrente de sua inovação você cumpriu com o objetivo fundamental do processo inovativo.

O economista Joseph Schumpeter,em 1912, desenvolveu uma teoria em que afirmava que a economia é movimentada por grandes ciclos econômicos que são gerados a partir de inovações. Grandes descobertas, como por exemplo o motor de combustão ou a Internet, mudam estruturalmente relações econômicas e sociais, transformam processos e atividades. Essas modificações configuram um novo ciclo tecnológico, e como todo ciclo tem um início e fim. A parte final desse processo será substituída por outra inovação que iniciará um novo ciclo.

Entretanto, a inovação não significa somente a realização de invenções sofisticadas ou complexas, qualquer atividade ou ideia que resolva um problema ou contradição pode ser considerada inovação. Em 1890, no interior dos Estados Unidos, um vendedor de salsichas cozidas enfrentava um problema. Seus clientes queimavam as mãos com as salsichas quentes. Então ele decidiu dar luvas de algodão para os clientes. A ideia não foi muito efetiva, pois era uma solução pouco higiênica e cara. O problema foi resolvido quando um padeiro, amigo dele, sugeriu colocar as salsichas quentes dentro de pães. Dessa forma, os clientes não queimariam as mãos, se alimentariam mais. A ideia tambem incentivou a indústria de pães. Nascia assim o cachorro quente (hot-dog).

Como podemos observar, inovar não significa complexidade, pequenas ideias colocadas na prática podem ser  inovadoras e transformadoras, basta que estas resolvam problemas ou que melhorem as vidas dos consumidores com um custo econômico e social baixo.

Produtos e/ou serviços podem ser inovados, o que importa é o grau de resolução de problemas e a capacidade dessas inovações de agregar serviços ou produtos complementares. Um exemplo moderno sobre inovação é o IPad, tablet da Apple. O seu custo de montagem é de somente US$ 9,0 e o custo dos seus componentes é de US$ 250,00, porém o grau de inovação é tal que atualmente é o tablet líder de mercado. Além disso, a Apple ganha na escala de vendas, vendas que explodiram no mundo inteiro e obrigaram q fábrica chinesa que monta esse produto a aumentar o salário dos seus funcionários e flexibilizar as horas de trabalho para dar conta da demanda mundial.

O IPad é um produto inovador porque vai além do simples leitor digital. Ele é uma interface de várias soluções, pois permite navegar na internet, receber e-mails, assistir vídeos armazenar fotos e entre outros aplicativos. Inovar é superar expectativas.

Outro ponto forte do IPad é a complementaridade de produtos. Os donos desse produto podem comprar diferentes tipos de softwares na loja on-line, os softwares são desenvolvidos por programadores do mundo inteiro que ganham uma porcentagem por cada venda. A Apple incentiva assim uma cadeia produtiva que se complementa e cria dependências dos seus consumidores pelos seus produtos.
Além disso, outras empresas produtoras de serviços e tecnologia de informação utilizam a plataforma da Apple para desenvolver aplicativos segundo esta interface, assim garantindo maior abrangência de seus serviços, como realizar o check in de um determinado voo de uma companhia aérea pelo Ipad.

Mas o que é preciso para inovar? Uma receita simples é: primeiro escolha uma contradição/problema; depois tente idealizar uma solução para essa contradição e, terceiro; veja se essa solução pode ser comprada por alguém, por isso o custo deve ser baixo para que o preço final seja competitivo no mercado. Obviamente que estou aqui simplificando o processo, mas a minha intenção é iniciar uma discussão sobre inovação.

Finalmente, para inovar, é preciso de um ambiente que propicie pensar novas ideias. O Vale do Silício nos Estados Unidos reúne uma série de empresas ligadas à alta tecnologia às quais estão conectadas grandes universidades onde se respira inovação ou solução de problemas.

No seu caso, caro leitor, o ambiente onde você trabalha ou vive é propício para inovar?

*Hugo Eduardo Meza Pinto é economista, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba. Mais artigos e materiais do economista, podem ser lidos no seu blog.

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Considerações sobre o “subdesenvolvimento” brasileiro http://www.oeconomista.com.br/consideracoes-sobre-o-subdesenvolvimento-brasileiro/ http://www.oeconomista.com.br/consideracoes-sobre-o-subdesenvolvimento-brasileiro/#comments Wed, 02 Feb 2011 13:13:30 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6669

Por que é tão recorrente a discussão acerca de questões que colocam a economia brasileira com características de país subdesenvolvido? Existem alguns aspectos que marcam a sociedade brasileira: a concentração de renda, o colonialismo cultural, as grandes disparidades regionais – no que se refere à geração de emprego, renda e salários – e ausência de uma educação libertadora. Tais condições estão presentes no Brasil já faz alguns séculos.

Entre os vários intelectuais que trataram de estudar os problemas econômicos e sociais do Brasil merece destaque, ultrapassando as fronteiras da América Latina, o economista Celso Furtado (1920-2004), um brilhante pensador e expoente da corrente estruturalista que dedicou sua trajetória no estudo da gênese da economia brasileira. O pensamento furtadiano continua moderno, mesmo tendo se passado meio século desde suas primeiras obras. No centro de suas discussões sempre protagonizaram as raízes e impactos do subdesenvolvimento, temas que continuam contemporâneos, pois os problemas de cunho estrutural abordados por Furtado, ainda são visíveis na realidade econômica e social do País.

A teoria do subdesenvolvimento cuida do caso especial de processos sociais em que aumentos de produtividade e assimilação de novas técnicas não conduzem à homogeneização social, ainda que causem a elevação do nível de vida médio da população. Essa teoria tem como ponto de partida a visão de Prebisch do capitalismo como um sistema que comporta uma ruptura estrutural, sistema que ele chamou de Centro-Periferia. Prebisch atribuiu essa ruptura ao fato de que, em certas áreas, o progresso técnico penetrou lentamente concentrando-se nas atividades que produziam matérias-primas destinadas à exportação. Ele não aprofundou o estudo dessa hipótese, mas as ideias que semeou alimentaram a pesquisa na América Latina no curso de minha geração (FURTADO, 1992, p. 7).

O Brasil, nação de mais 500 anos, apresenta indicadores sociais preocupantes. Sua taxa de analfabetismo das pessoas a partir de 10 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 9,1% em 2007. Uma taxa considerada alta e que não reflete a realidade sob o prisma da capacidade interpretativa da maioria dos leitores, visto que há um percentual que supera a referida taxa de brasileiros que são analfabetos funcionais – pessoas que não sabem interpretar ou compreender um simples texto ou sequer tem a percepção da realidade que o cerca, e não conseguem, assim, fazer uma leitura crítica da política nacional.

Em 1979, o coeficiente de Gini, que mede o grau de desigualdade na distribuição da renda domiciliar per capita entre os indivíduos era de 0,623, em 2009 registrou 0,543 e, embora o índice tenha reduzido, ainda é considerado alto. Passados os últimos 30 anos será que a economia brasileira se desenvolveu a contento? O conceito de desenvolvimento econômico é amplo e engloba também a distribuição de renda para o conjunto da sociedade.

Uma pessoa pobre não pode reproduzir o padrão de consumo de uma pessoa rica. De que modo uma sociedade como a brasileira, com uma renda per capita hoje mais ou menos dez vezes inferior à renda per capita das economias centrais, poderá generalizar para o conjunto da sua população o mesmo padrão e o mesmo estilo de vida dos países do centro? Isso não é possível, porque é um problema material, concreto, de escassez econômica. Nós não temos um desenvolvimento das forças produtivas capaz de permitir esse padrão de consumo para o conjunto da nossa população (SAMPAIO JUNIOR, 2004, p. 120).

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mais de 13 milhões de brasileiros em 2009 formaram o número de pessoas extremamente pobres, o que representa mais do que a população de São Paulo. O que essas pessoas que sobrevivem com menos de US$ 2 por dia poderiam fazer se, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para satisfazer as necessidades básicas é superior à cifra de R$ 2.000,00? Então, nos perguntamos o que há de errado no Capítulo II, dos direitos sociais da Constituição Federal de 1988, que afirma:

“Art. 7º – São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim.”

Por que se torna uma contradição a realidade brasileira e a Constituição Federal? Todos os direitos acima citados são atendidos com o salário mínimo vigente? Tal problemática evidencia que as forças do mercado no Brasil precisam evoluir para um patamar de remuneração pela força do trabalho capaz de satisfazer as premissas da economia, visto que o salário representa o preço da mão de obra no mercado de trabalho. Ou seja, os salários que os trabalhadores auferem devem garantir-lhes o poder de consumir produtos essenciais, pois só dessa forma os desequilíbrios no sistema econômico serão minimizados.

A estabilidade econômica alcançada com o Plano Real, a solidez do sistema financeiro e a capacidade que o país demonstrou ao enfrentar a crise financeira mundial de 2008, permite perceber que ao mesmo tempo em que o Brasil possui indicadores econômicos positivos em alguns segmentos, de outro modo, se depara com um grande desafio a ser superado a longo prazo: melhorar os indicadores sociais para tornar-se de fato uma economia desenvolvida em seu conjunto.

Dentro desse contexto, a interpretação que se faz do desenvolvimento da economia brasileira é que não houve a ruptura com o subdesenvolvimento em certos aspectos, houve apenas certa modernização ao invés de desenvolvimento, porque na verdade o atual modelo econômico ainda não é capaz de romper com alguns laços coloniais.

Referências

FURTADO, Celso. O subdesenvolvimento revisitado. Economia e Sociedade, v. 1, ago. 1992. P. 5-19.

SAMPAIO JUNIOR, P. S. A.. Desconstruindo o Velho Modelo. In: Ramalho, J.P. e Arrochellas, M.H.. (Org.). Desenvolvimento, Subsistência e Trabalho Informal no Brasil.: Ed. Cortez, 2004.

Constituição Federal. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1998.

*Danillo Teles de Britto Bispo é economista baiano formado pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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Sustentabilidade deve ser praticada e ensinada na escola http://www.oeconomista.com.br/sustentabilidade-deve-ser-praticada-e-ensinada-na-escola/ http://www.oeconomista.com.br/sustentabilidade-deve-ser-praticada-e-ensinada-na-escola/#comments Tue, 18 Jan 2011 19:22:46 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6580

Sustentável, estável, durável e ecologicamente correto. Parcimonioso para com a natureza visando assim assegurar vida plena. De forma concisa e sem delongas, é por meio desses conceitos (que melhor seria chamá-los de filosofia ecológica) que a vida – o bem mais valioso que nos foi dado – deve ser enxergada e ensinada.

Partindo dessa abordagem, de resguardar e preservar a vida qualitativamente, devem nossos alunos ao ingressarem na escola se dar conta de que possuem uma relação muito especial para com a natureza.

Desde os primeiros contatos com a prática de ensino-aprendizagem, os alunos precisam ser informados conceitualmente que a verdadeira qualidade de vida só é possível mediante a preservação ambiental. Mais tarde, quando na prática entenderem o significado de um sistema econômico, saberão ao certo que a produção, para que aconteça a contento, precisa (e deve) ser combinada com a ideia da preservação. Assim, lá na frente, nossos futuros jovens profissionais terão ciência para discernir que a economia (ciência e atividade produtiva) deve se “afinar” com a ecologia para juntas buscarem proporcionar vida com qualidade e qualidade de vida a todos.

Na essência das primeiras tarefas escolares, os alunos precisam ter em mente conceitos como reciclagem e transformação do lixo, reuso da água, economia de energia, aproveitamento de materiais descartáveis, preservação das espécies, consumo moderado. É desejoso incutir no imaginário da garotada a ideia central da necessidade de termos um “Futuro Comum”. Por que isso? Simplesmente porque a decisão de cada um, mesmo ainda na fase da infância e da pré-adolescência, se baseia num amplo processo de escolhas. E essas escolhas esbarram na necessidade de se pensar a vida no futuro.

Enquanto não houver consenso que nossas necessidades atuais para serem atendidas devem passar pelo irrestrito respeito ao meio ambiente, permitindo com isso que às gerações vindouras também tenham chance de participar do processo de escolhas, nosso dito “futuro” corre sério risco de ser algo nada agradável.

Dessa forma, a ideia de sustentabilidade é, grosso modo, olhar para o futuro para que tenhamos plenas e dignas condições de sobrevivência. Para que isso ocorra, nada melhor que trabalhar logo nos primeiros anos de ensino-estudo-aprendizagem, conceitos fundamentais de preservação ambiental incutindo no dia a dia dos alunos o cabedal da pedagogia ecológica.

É fundamental, nesse sentido, repensar e discutir com a geração que certamente fará o mundo se movimentar no desenrolar desse século XXI os atuais padrões de consumo e todas as alterações climáticas envolvendo escassez de água, seca, aquecimento global e a extinção de plantas e animais.

Nossos alunos, no momento certo, devem começar a ser informados da existência de um sistema econômico que no ato de produzir qualquer coisa perturba e destrói os sistemas naturais da Terra.

Contudo, não é necessário nem recomendável, evidentemente, aprofundar-se conceitos como a existência de limites naturais ou mesmo da “pegada ecológica”. Deve-se apenas – e tão somente -, nos estudos iniciais, reforçar a ideia crucial que para se produzir algo a economia precisa antes salvaguardar o meio ambiente; caso contrário não haverá continuidade. Isso é tarefa e compromisso que também cabe a cada aluno no trato diário de seus afazares.

Entendemos que nesse pormenor se encaixa perfeitamente a noção de trabalhar com o alunato conceitos de uma economia sustentável e ambientalmente saudável, implicando parcimônia no uso dos recursos naturais. A ideia central aqui defendida, baseando-se nos pontos principais que norteiam a “pedagogia ecológica” como pano de fundo, é que o alunato não perca de vista que, por trás de todos esses conceitos e preocupações ecológicas mencionadas, é a vida (e somente a vida) que estamos discutindo. Vida essa que para ser essencialmente bem vivida, deve antes ser recheada de qualidade e bem-estar. E qualidade e bem-estar na vida de qualquer um, pensando primeiramente no ar que respiramos, na água que bebemos, nas frutas que comemos, na saúde que teremos, independente da condição sócio-econômica, passa pela única porta de entrada para isso: respeitar o ambiente para salvá-lo de nossa brutal agressão.

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FEAO), mestre pela USP e professor de economia da Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FAC-FITO) e da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (UNIFIEO). Mais artigos e materiais do economista, podem ser lidos no seu blog.

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Sementes da nova crise http://www.oeconomista.com.br/sementes-da-nova-crise/ http://www.oeconomista.com.br/sementes-da-nova-crise/#comments Thu, 13 Jan 2011 16:27:33 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6545

Calote de um país europeu pode mudar todas as previsões de bons ventos para a economia brasileira

Em março de 2010, afirmei que a zona do euro se despedaçaria ou a crise da dívida pública europeia pioraria muito, provavelmente ambos. Comentei que a Grécia era só o começo. Agora, quando a crise atinge em cheio a Irlanda, forçando-a a aceitar um pacote financeiro de quase R$ 200 bilhões da União Europeia e do FMI para evitar um calote de sua dívida, é hora de retomarmos o assunto.

Neste momento, as economias desenvolvidas – com exceção das exportadoras de matérias-primas, Austrália, Canadá e Noruega – têm um desempenho econômico e uma situação fiscal frágeis. Para estimular suas economias, os outros países ricos reduzem taxas de juros praticamente a zero, imprimem dinheiro como nunca antes e desvalorizam suas moedas. Assim, estimulam seus consumidores a gastar e aumentam a competitividade de suas exportações. Além disso, estão tentando acelerar a inflação para aumentar a arrecadação de impostos, facilitando o pagamento da dívida. Qualquer semelhança com o Brasil da década de 1980 não é mera coincidência.

Acontece que os países da zona do euro não controlam suas políticas monetária e fiscal. As taxas de câmbio e juros básicos são as mesmas para todos. Países em dificuldades não conseguem ter juros tão baixos nem taxa de câmbio tão desvalorizada como necessitam. Mesmo adotando medidas duras – aumento de impostos, cortes de serviços públicos, aposentadorias e salários de funcionalismo –, sem conseguir estimular seu crescimento econômico, Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália estão em situação cada vez pior. Preocupados, investidores internacionais exigem juros mais elevados para financiá-los, o que acaba tornando a situação insustentável.

Um a um, estes países têm de escolher entre calote da dívida – como na Argentina em 2001, com o PIB encolhendo mais de 10% no ano seguinte – ou perda de soberania na política econômica, em troca de um pacote de salvamento do FMI. Grécia e Irlanda já fizeram a segunda opção. Portugal tomará o mesmo caminho em breve.

A seguir é que a coisa fica complicada. A Espanha, cujo PIB não cresce há nove trimestres, dificilmente terá tal escolha. A dívida espanhola é muito maior do que as de Grécia, Irlanda e Portugal somadas. É improvável que a União Europeia e o FMI tenham recursos suficientes para um pacote tão grande. Mesmo que se consiga evitar o calote espanhol, será ainda mais difícil impedir o colapso seguinte, o da Itália.

Em 2008, falou-se em um tsunami no mundo e marolinha no Brasil. Em 2010, nem a marolinha da crise europeia atingiu o Brasil. Um calote espanhol e/ou italiano mudará radicalmente este quadro. A primeira consequência seria uma crise bancária em toda a Europa. Os maiores credores dos países europeus em dificuldades são os bancos alemães e ingleses. O calote desencadearia perdas de centenas de bilhões de dólares, interrompendo a oferta de crédito e tragando as poucas economias europeias supostamente sólidas para o buraco. Com a crise se generalizando na Europa, só um milagre impediria que ela atingisse o Brasil e o resto do mundo.

Ponha as barbas de molho e acompanhe o noticiário europeu. Em 2011, o lucro da sua empresa, seu emprego e seus investimentos dependerão mais disso do que de qualquer outra coisa.

* Este artigo foi publicado originalmente na revista IstoÉ.

** Ricardo Amorim é economista, apresentador dos programas Manhattan Connection da GNT e Economia e Negócios da Rádio Eldorado, colunista da revista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria Empresarial.

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Pensando no lucro http://www.oeconomista.com.br/pensando-no-lucro/ http://www.oeconomista.com.br/pensando-no-lucro/#comments Tue, 11 Jan 2011 17:19:52 +0000 Equipe O Economista http://www.oeconomista.com.br/?p=6519

Quando alguém decide abrir um negócio, seja ele qual for, obviamente que o principal objetivo será a obtenção de recursos financeiros, tanto para continuar no ramo e se possível crescer, quanto para prover recursos para seu sustento. Esses “recursos” aos quais estou me referindo podem ser resumidos em uma palavra: lucro.

Para entender melhor tudo o que lucro significa precisamos entender também tudo aquilo que está por trás dele.

Tudo começa pelo serviço oferecido. Tudo aquilo que oferecemos em nosso negócio possui um custo. Custo é o quanto precisamos gastar em um determinado produto/ serviço. Por exemplo, se estamos vendendo uma mercadoria, o custo dela é o quanto gastamos para adquiri-la. Esse seria o que vamos chamar de “preço de aquisição” ou “custo da mercadoria vendida”. Além do preço de aquisição das mercadorias, precisamos somar a esse valor outros dois tipos de custos: Os “custos fixos” e os “custos variáveis” do negócio como um todo.

Entende-se por custo fixo tudo aquilo que precisamos gastar todos os meses e que não sofre alteração caso aumentemos a produção: salários de funcionários, aluguel do imóvel comercial, limpeza e manutenção, etc. Já os custos variáveis, como o próprio nome já sugere, são aqueles que podem variar de acordo com o nível de produção, como por exemplo, matérias-primas, água, energia, etc.

Já temos então na nossa soma o custo da mercadoria vendida, mais o custo fixo e mais o custo variável. Começamos a ter agora uma noção de quanto será aproximadamente nosso custo total.

Vamos somar então mais um fator à nossa conta: os impostos sobre as vendas das mercadorias. Não há como fugir deles, não é mesmo? Pronto, finalizamos o quanto o produto ou serviço vai nos custar. Veja o exemplo abaixo:

CUSTO DA MERCADORIA VENDIDA
+
DESPESAS FIXAS
+
DESPESAS VARIÁVEIS
+
IMPOSTOS
=
CUSTO TOTAL

Porém, não devemos comercializar o preço do custo total, pois precisamos obter um retorno positivo sobre essa venda, e é agora que aparece o lucro. De maneira simplista, o lucro nada mais é que o saldo final positivo quando tirado o custo total. Isso estará embutido no preço que deverá ser oferecido ao cliente, conforme observamos no exemplo a seguir:

PREÇO DE VENDA a R$20,00 -(menos) CUSTO TOTAL a R$18,00 = LUCRO de R$ 2,00

Hoje, para que uma empresa se mantenha viva, estimamos que o percentual de lucro mínimo fique por volta de 2% à 4% ao mês do capital investido na empresa. Então, se você investiu R$ 100.000,00 para abrir seu negócio, seu lucro líquido mensal deve girar em torno de no mínimo R$ 2.000,00 para que seu empreendimento permaneça saudável. E acredite, no Brasil isso não é tarefa fácil, tanto pela alta carga tributária, quanto pelos altos custos fixos e variáveis hoje exercidos.

Depois de ter uma noção do que é lucro e como podemos calculá-lo, o que precisa ser dito é que não adianta apenas aumentar o preço de venda ou diminuir o seu custo total para que o seu lucro seja maior. Essas medidas são apenas paleativas e nem sempre trazem o resultado esperado. Muitas vezes o cliente não está atrás apenas de preço baixo, e sim de atendimento e produtos bons e exclusivos. Se você quiser cobrar um preço maior que a média de mercado, você precisará oferecer ao seu cliente um conjunto de benefícios que mostre a ele que o preço é justo, que seu serviço realmente possui um diferencial. Quanto maior a qualidade do seu serviço, mais pessoas se interessarão e seu lucro virá como consequência de um bom trabalho. Boa sorte!

*Ingrid Barth é economista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente, trabalha no mercado financeiro.

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