Revista ‘Economist’ avalia efeitos da turbulência econômica no Brasil
Novembro 7, 2008
A revista The Economist afirma que a crise financeira internacional desembarcou no Brasil apesar da confiança inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a chamar a turbulência global de “crise do (presidente dos Estados Unidos) Bush”.
Só que desta vez o problema é o setor privado, e não as finanças públicas, afirma a publicação na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira. “O crédito está ficando cada vez mais escasso e os bancos cada vez mais desconfiados entre si”, diz o artigo, intitulado “A crise de crédito chega ao Brasil privado”.
A revista cita a fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada no último dia 3 de novembro - que deve criar a maior instituição financeira da América Latina e uma das 20 maiores do mundo - reproduzindo uma frase de Roberto Setúbal, do Itaú, em que ele afirma que a crise acelerou este processo.
“Apesar de as notícias terem agradado os sócios do novo banco, elas não tiraram a atenção de ninguém do nervosismo generalizado”, diz a revista, que relata que várias companhias da Zona Franca de Manaus deram férias não remuneradas a seus empregados, o que acontece pela primeira vez em três décadas.
Para a revista, o negócio entre os dois bancos deve alavancar uma nova onda de fusões no sistema bancário no país.
Efeitos repentinos
A publicação britânica afirma que os efeitos da crise no Brasil começaram repentinamente, depois de um período em que “a economia brasileira estava crescendo no passo mais rápido desde meados dos anos 1990, ajudada pelo preço recorde das commodities e pelo crescimento de crédito”.
“Os problemas começaram de repente, no mês passado, com a venda em massa de ações brasileiras e investidores estrangeiros fugindo para tentar cobrir perdas em outros lugares ou apenas voltando para casa”.
Segundo a revista, junto com a desvalorização do real, este fenômeno provocou perdas inesperadas nos contratos de derivativos em moeda estrangeira que eram usados para tentar limitar a exposição de companhias brasileiras dos altos e baixos do preço do dólar.
“Enquanto o real estava se valorizando, estes contratos pareciam uma boa aposta, mas as companhias ficaram com uma falsa sensação de segurança”, disse Marcelo Carvalho, do Morgan Stanley, à publicação.
A Economist afirma que 200 empresas firmaram este tipo de contrato, sendo que algumas registraram grandes perdas. “O temor sobre quantas outras podem apresentar prejuízos espalharam mais medo e fez com que os banco diminuíssem seus empréstimos”.
O crédito também ficou mais escasso no país no último mês. A publicação cita dados do Banco Central que apontam que o crédito para o comércio caiu pela metade em relação a meados de setembro, além de notícias sobre dificuldades de crédito para a agricultura (”o que pode prejudicar a safra do próximo ano”) e para o consumidor.
Medidas do governo
A Economist afirma que membros do governo não estão mais dizendo que o Brasil não será afetado pela recessão global e cita o fato de o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ter confirmado, no final de outubro, que o governo vai reduzir a meta de superávit fiscal para 2009 de 4,3% para 3,8%.
Outra medida citada é a injeção de dólares pelo Banco Central para tentar estabilizar o valor da moeda. Os movimentos do governo brasileiro no sentido de permitir que bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, possam comprar ações de bancos em crise também são citados.
A revista aponta que, no entanto, por causa de crise financeiras anteriores, a maior parte dos bancos do país tem gestões bastante conservadoras, o que torna improváveis falências de grandes instituições financeiras no momento.
Culpa do setor privado
Elogiando o governo brasileiro, a publicação afirma que o país usou as condições favoráveis dos últimos anos para melhorar suas finanças, diminuindo a dívida pública e finalizando grande parte de sua dívida em dólar, o que pode fazer com que a desvalorização do real não traga grandes problemas fiscais.
“Mas, com a estabilidade financeira, muitas empresas fizeram dívidas em dólar e contratos de derivativos. O resultado é uma novidade para o Brasil: um problema financeiro causado pelo setor privado e não pelo público. É um progresso, de alguma forma, mas significa que os investimentos vão ter uma queda brusca. Analistas reduziram as previsões de crescimento para 2009 para entre 2% e 3%. Mesmo assim, muitas economias maiores irão cair ainda mais”, diz a publicação.
Com informações BBC Brasil
Eleição de Obama é fundamental para mudanças em todo o mundo, avalia Garibaldi
Novembro 5, 2008
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), considerou positiva a eleição do democrata Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos. “Considero a eleição do Obama um fato fundamental para que tenhamos mudanças, não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro”, afirmou.
“Foi a demonstração que a política que estava sendo levada e feita pelos republicanos era errada, intervencionista e agora tenho a convicção de que ele vai procurar o melhor relacionamento não apenas na América Latina, mas no mundo todo”, disse em evento no Congresso que comemorou os 20 anos da promulgação da Constituição.
Para Garibaldi, haverá agora “um novo horizonte” no enfrentamento da crise financeira internacional. “O sonho americano mudou. O sonho americano hoje se chama Barack Obama”, disse.
Agência Brasil / Priscilla Mazenotti
Países da América do Sul devem adotar ações conjuntas contra crise econômica
Outubro 28, 2008
Os Ministérios da Economia e os Bancos Centrais dos países da América do Sul devem reforçar as ações conjuntas para lidar com a crise internacional. Essa foi uma das conclusões da sétima reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, que reuniu, ontem (27), em Brasília, representantes de 12 países da América do Sul.
Para o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, o melhor caminho para lidar com a crise é “fortalecer o patrimônio da integração” ao invés de adotar medidas que barrem a entrada de produtos estrangeiros. “A resposta para a crise não é o protecionismo, sobretudo dentro do Mercosul. As medidas mais adequadas seriam, mais integração, mais comércio intra-regional, menos subsídio e menos distorção”, destacou.
No encontro, ficou acertado que os governos da região intensificarão a troca de informações e tornarão mais ágil a comunicação entre altos funcionários para acompanhar os desdobramentos da crise. Cada um dos ministérios da área econômica e dos bancos centrais envolvidos concordaram em definir pontos prioritários que servirão como base para possíveis ações.
Outro ponto acordado foi a necessidade de reforçar a integração financeira por meio da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Banco do Sul. Os países da região poderão ainda ampliar o sistema de trocas comerciais em moedas locais, que excluem o dólar nas transações, como já ocorre entre o Brasil e a Argentina desde o início do mês.
Essas propostas, informou Amorim, são apenas o início de um processo de aumento na integração do continente diante da crise econômica mundial. As propostas serão consolidadas na próxima reunião ordinária do Mercosul, que ocorrerá em 15 de dezembro, em Salvador.
Além dos membros efetivos do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), a reunião contou com a participação dos membros associados ao bloco econômico, mais a Guiana e o Suriname, que estiveram presentes como observadores. Dos países da América do Sul, apenas a Guiana Francesa e Trinidad e Tobago não participaram.
O presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, senador Aloízio Mercadante (PT-SP) também esteve na reunião. De acordo com ele, os países defenderam que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) ofereçam linhas imediatas para economias sólidas com restrição de crédito.
“Foi levantada a necessidade de que os organismos multilaterais forneçam mais liquidez ao sistema financeiro internacional”, ressaltou o senador. A proposta, no entanto, não constou do documento final do encontro.
Agência Brasil / Ana Luiza Zenker e Wellton Máximo
Primeiro leilão de dólares para exportadores será na segunda-feira, diz Meirelles
Outubro 17, 2008
Os dólares destinados a financiar as empresas exportadoras serão repassados aos bancos por leilões e o primeiro deles está programado para a próxima segunda-feira (20). O anúncio foi feito hoje (17) pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista concedida na sede do BC em São Paulo.
Ele não revelou, porém, o total de dólares que serão leiloados. A autorização para financiar os exportadores foi dada ontem pelo Conselho Monetário Nacional.
Meirelles lembrou que os dólares serão obrigatoriamente usados para financiamento do comércio exterior, depois de afirmar que serão feitos tantos leilões quantos forem necessários.
“A demanda de dólares é limitada e as reservas do Brasil são muito superiores a essa demanda”, disse. Meirelles disse que o BC vai fiscalizar a aplicação dos recursos emprestados aos bancos, monitorando as linhas de crédito das instituições. Atualmente, as reservas internacionais ultrapassam US$ 200 bilhões.
Segundo ele, os bancos que adquirem dólares terão que demonstrar que emprestaram a empresas do setor de comércio exterior, no mínimo, o mesmo valor arrematado no leilão.
De acordo com a Circular 3.415 do BC, divulgada hoje (17), somente poderão participar do leilão as instituições financeiras bancárias autorizadas a operar no mercado de câmbio. Segundo o BC, as operações de empréstimo devem ter, no máximo, 360 dias.
No ato de realização do leilão, o Banco Central pode determinar que os recursos sejam direcionados, no todo ou em parte, para operações de comércio exterior. A taxa usada será a Libor (taxa interbancária do mercado de Londres), além de adicional a ser fixado pelo BC.
O BC aceitará como garantia, no primeiro leilão, títulos soberanos da dívida externa brasileira denominados, os chamados Global Bonds. Posteriormente, também poderão ser aceitos títulos de países com classificação de risco A, ou grau equivalente, atribuída por, no mínimo, duas agências de rating (classificação de risco).
As instituições poderão, ainda, oferecer como garantia os Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE).
No caso de vencimento dos títulos dados em garantia do empréstimo, no prazo da operação de empréstimo, a instituição financeira fica obrigada a complementar a garantia, na mesma proporção ou pagar o valor correspondente.
Por critério do BC, a administração dos ativos dados em garantia poderá ficar a cargo da instituição financeira tomadora do empréstimo.
Fonte: Vinicius Konchinski - Repórter da Agência Brasil
Governo revisa a meta de exportações de 2008 para US$ 202 bilhões
Setembro 24, 2008
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, anunciou nesta terça-feira (23/9) a revisão da meta das exportações brasileiras de 2008 para US$ 202 bilhões. A meta divulgada hoje, durante entrevista coletiva realizada no MDIC, significa um crescimento de 25,7% em relação às exportações de 2007, que chegaram a US$ 160 bilhões.
Alguns fatores são importantes em relação às perspectivas de bom desempenho da balança comercial brasileira para este ano. De acordo com Barral, o preço de commodities como carnes, minério de ferro, café, ferro gusa, açúcar, farelo e óleo de soja estão em alta ou estáveis. Outras, como petróleo, metais, soja em grão, couro, celulose e milho, mesmo em baixa, permanecem acima dos preços praticados em 2007.
Além das commodities, o aumento das exportações de aeronaves, a retomada nas exportações de telefone celular, o crescimento das exportações de tratores e caminhões, e a retomada dos embarques de petróleo são outros fatores que contribuíram positivamente para o desempenho da balança comercial.
O secretário destacou ainda que a previsão para os últimos quatro meses de 2008 é que o Brasil exporte mais US$ 71 bilhões, o que representa uma média 22% superior ao mesmo período do ano passado. ” Nós pretendemos que a média dorsal entre setembro e dezembro seja superior a média mensal do resto do ano”.
A última revisão do índice foi feita em julho deste ano, quando foi estabelecido o valor de US$ 190 bilhões. A primeira meta prevista para 2008, divulgada em novembro de 2007, havia sido de US$ 172 bilhões.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC
Balança registra superávit de US$ 839 milhões na terceira semana de setembro
Setembro 22, 2008
A balança comercial brasileira, na terceira semana de setembro (entre os dias 15 e 21), registrou exportações de US$ 4,355 bilhões (média diária de US$ 871 milhões) e importações de US$ 3,516 bilhões (média diária de US$ 703,2 milhões), desempenhos que resultaram num superávit – diferença entre o valor exportado e o importado – de US$ 839 milhões (média diária de 167,8 milhões). A corrente de comércio (soma das exportações com as importações) verificada na semana foi de US$ 7,871 bilhões (média diária de US$ 1,574 bilhão).
Mês
No mês, até o dia 21 de setembro, as exportações totalizaram US$ 13,981 bilhões, o que correspondeu a um desempenho médio diário de US$ 932,1 milhões, valor 25% maior que o desempenho médio diário das exportações em todo o mês de setembro do ano passado (US$ 745,6 milhões) e 0,9% menor que a média diária das vendas internacionais brasileiras em agosto deste ano (US$ 940,3 milhões).
As importações, nas três semanas de setembro, acumularam US$ 11,590 bilhões (média diária de US$ 772,7 milhões), um crescimento de 37,3% sobre o desempenho médio diário apresentado no mesmo mês do ano passado (US$ 562,6 milhões). Em relação à média diária registrada no mês de agosto último (US$ 832,3 milhões), entretanto, observou-se retração de 7,2% nas importações, até a terceira semana do mês.
O saldo comercial apresentado até a terceira semana de setembro foi de US$ 2,391 bilhões, com média diária de US$ 159,4 milhões, e ficou 12,9% menor que o superávit médio diário registrado em todo o mês de setembro do ano passado (US$ 183 milhões). Em relação à média diária do saldo verificada em agosto de 2008 (US$ 108 milhões), houve um incremento de 47,5%.
Clique aqui e acesse os dados.
MDIC
Drawback Verde e Amarelo vai estimular exportações
Agosto 29, 2008
O governo deve anunciar nos próximos dias a regulamentação do Drawback Verde e Amarelo para estimular as exportações. Segundo Lytha Spíndola, secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a finalidade da medida é equiparar o tratamento do insumo nacional com aquele dado à matéria-prima exportada.
“Talvez seja a maior reivindicação do setor exportador brasileiro”, disse. “Muitas vezes a empresa, que vai produzir para vender para o mercado, prefere importar partes, peças, componentes, produtos intermediários, matérias-primas e material de embalagem, ao invés de comprar no mercado interno”, completou
Com o drawback, de acordo com a secretária executiva da Camex, isso vai mudar, porque vai haver uma equiparação do tratamento tributário, favorecendo a compra do mercado interno, o que aumentará a produção e geração de emprego. O sistema de drawback beneficia contribuintes nas operações de comércio exterior com a suspensão, isenção ou restituição de imposto que incidem nas exportações, especificamente o Imposto de Importação, o Imposto sobre Produtos Industrializados e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.
Repórter da Agência Brasil / Daniel Lima
Ex-presidente da CVM defende internacionalização de empresas brasileiras
Agosto 22, 2008
O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atual conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais Roberto Teixeira da Costa afirmou ontem (21) que o processo de internacionalização das empresas brasileiras é irreversível e constitui uma exigência da globalização.“Nos últimos dez anos, essa talvez tenha sido uma das modificações mais marcantes no contexto empresarial brasileiro”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil, depois de participar do 20º Congresso da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), no Rio de Janeiro.
Segundo Costa, a globalização obrigou algumas empresas brasileiras de grande porte a olhar não apenas o mercado local, mas também o internacional. “Quando o mercado se globaliza, surge um fator novo, que é a produção em escala, e mesmo um produtor eficiente tem que aumentar substancialmente sua escala para ser competitivo.”
Costa disse que a empresa que busca o exterior tem de apresentar vantagens comparativas e competitivas e passar por um processo cultural de adaptação e ajustamento aos países onde vai operar. A entrada no mercado externo, explicou, pode ocorrer de várias formas, como abertura de uma filial no exterior, compra de uma empresa ou estabelecimento de parcerias.
Agência Brasil / Alana Gandra
Banco Central divulga informações econômico-financeiras
Agosto 21, 2008
Balanço de pagamentos - Julho de 2008
O balanço de pagamentos registrou superávit de US$2,4 bilhões em julho. As transações correntes apresentaram déficit de US$2,1 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$19,5 bilhões, equivalentes a 1,41% do PIB. O saldo comercial atingiu US$3,3 bilhões no mês, resultado similar ao de julho de 2007. No mês, a conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$4,3 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira e diretos que somaram US$4,2 bilhões e US$3,2 bilhões, respectivamente.
A conta de serviços foi deficitária em US$1,4 bilhão, resultado 10% superior ao apresentado no mesmo mês de 2007. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$838 milhões, aumento de 102,1% na mesma base de comparação, resultantes do crescimento de 60,7% nos gastos de brasileiros em viagens ao exterior e de 17,5% nos gastos de não-residentes em viagens ao Brasil. No período analisado, as despesas líquidas com transportes apresentaram elevação de 27,1%, somando US$359 milhões. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se a elevação nas despesas líquidas de royalties e licenças, 28,9%, e em serviços de computação e informações, 11,2%. As remessas líquidas de aluguel de equipamentos, US$545 milhões, permaneceram estáveis no período. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$987 milhões, 105,3% acima do resultado de julho de 2007.
As remessas líquidas de renda para o exterior alcançaram US$4,4 bilhões no mês, acréscimo de 37,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, resultante da elevação de 5% nas receitas e de 30,8% nas despesas. As saídas líquidas de renda de investimento direto e em carteira atingiram, respectivamente, US$2,8 bilhões e US$1,2 bilhão. As despesas líquidas com lucros e dividendos, incluindo investimentos diretos e em carteira, somaram US$3,1 bilhões, aumento de 49,2%. A despesa líquida com juros, US$1,3 bilhão, foi 14% superior em relação ao resultado de julho de 2007.
Os investimentos brasileiros diretos no exterior apresentaram saídas líquidas de US$412 milhões, em julho, compreendendo US$446 milhões em aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior e US$34 milhões de retorno líquido de empréstimos intercompanhia.
Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$3,2 bilhões no mês, acumulando US$30,1 bilhões nos últimos doze meses, o que representou 2,18% do PIB. No mês, os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no país, incluídas as conversões em investimentos, somaram US$2,7 bilhões, enquanto os desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias totalizaram US$573 milhões.
Em julho, os investimentos estrangeiros em carteira registraram saldo líquido de US$4,2 bilhões, comparativamente a US$405 milhões no mês anterior. Os investimentos líquidos em ações foram negativos em US$157 milhões, sendo que as negociadas no país apresentaram remessas líquidas de US$3,8 bilhões, enquanto os recibos de ações de companhias brasileiras negociados no exterior registraram ingressos líquidos de US$3,6 bilhões. Os títulos de renda fixa negociados no País registraram ingressos líquidos de US$4,2 bilhões em julho. As amortizações líquidas de bônus negociados no exterior somaram US$229 milhões, resultantes de operações de recompra do Tesouro Nacional. As notes e commercial papers registraram ingressos líquidos de US$73 milhões, comparados às amortizações líquidas de US$300 milhões no mês anterior. Os investimentos líquidos em títulos de curto prazo atingiram US$326 milhões.
Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em saídas líquidas de US$2,4 bilhões, compreendendo US$1,6 bilhão de redução de depósitos de bancos brasileiros no exterior e US$3,8 bilhões de constituição de ativos dos demais setores. A concessão líquida de empréstimos brasileiros a não-residentes alcançou US$403 milhões.
Os outros investimentos estrangeiros no País somaram saídas líquidas de US$750 milhões em julho. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$2,4 bilhões, referentes, fundamentalmente, às operações de curto prazo. Os empréstimos somaram desembolsos líquidos de US$1,2 bilhão, dos quais US$979 milhões referentes a empréstimos de médio e longo prazos, com destaque para créditos de compradores, US$585 milhões, e de agências, US$265 milhões.
II - Reservas internacionais
As reservas internacionais cresceram US$2,7 bilhões, em julho, comparativamente ao observado no mês anterior, somando US$203,6 bilhões.
No período analisado, o Banco Central liquidou compras de US$1,7 bilhão no mercado doméstico de câmbio. Entre as operações externas, sobressaiu a receita de US$619 milhões obtida com a remuneração das reservas, enquanto as demais operações, que incluem, entre outras, variações de preço e de paridades, elevaram o estoque em US$421 milhões.
III - Dívida externa
A dívida externa total estimada para o mês de julho alcançou US$208,5 bilhões, aumento de US$3,3 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior. Desse total, US$166,1 bilhões correspondem à dívida de médio e longo prazos e US$42,4 bilhões, à de curto prazo. No período analisado, essas parcelas do endividamento externo cresceram US$639 milhões e US$2,6 bilhões, na ordem.
No mês, os principais fatores de variação da dívida externa de médio e longo prazos foram ingressos líquidos de Buyer’s, US$585 milhões; agências governamentais, US$265 milhões; empréstimos diretos, US$137 milhões; e Notes, US$75 milhões. Dentre as amortizações, destaquem-se as recompras do Tesouro, US$179 milhões, e as amortizações de Supplier’s, US$65 milhões. Contribuiu, ainda, para o resultado, a redução estimada de US$187 milhões da dívida externa em dólares, decorrente de variação por paridade.
Quanto à dívida de curto prazo, a variação em relação ao mês de junho deveu-se a ingressos líquidos de empréstimos e financiamentos, US$660 milhões, e ao aumento das obrigações em moedas estrangeiras dos bancos comerciais, US$2 bilhões.
Fonte: Banco Central
Balança apresenta superávit de US$ 1,6 bilhão na terceira semana de agosto
Agosto 21, 2008
Na terceira semana de agosto de 2008, entre os dias 11 e 17, a balança comercial brasileira registrou o melhor superávit comercial – diferença entre o valor exportado e o importado – semanal do ano: US$ 1,666 bilhão, com média diária US$ 333,2 milhões. No período, as exportações brasileiras somaram US$ 5,304 bilhões, com média diária de US$ 1,060 bilhão, segundo melhor desempenho semanal do ano, ficando atrás apenas da primeira semana de fevereiro, quando a média diária dos embarques internacionais somou US$ 1,069 bilhão. As importações, na terceira semana de agosto, chegaram a US$ 3,638 bilhões (média diária de US$ 727,6 milhões). A corrente de comércio (soma das exportações mais as importações) totalizaram US$ 8,942 bilhões.
A média das exportações da terceira semana do mês chegou a US$ 1,060 bilhão, cifra 8,1% maior que a média de US$ 981,5 milhões registrada até a segunda semana de agosto, em função de crescimento das exportações de básicos (+22,5%) – principalmente, petróleo em bruto, soja em grão, minério de cobre, café em grão, minério de manganês e milho em grão – e manufaturados (+1,4%) – com destaque para gasolina, autopeças, laminados planos de ferro e aço, açúcar refinado e suco de laranja não congelado. As exportações de produtos semimanufaturados registraram queda de 23,7%, por conta de açúcar em bruto, celulose, ferro-ligas e ferro fundido.
Na mesma comparação, as importações apresentaram retração de 19,7% explicada, sobretudo, pela diminuição nos gastos com combustíveis e lubrificantes, adubos e fertilizantes, equipamentos eletroeletrônicos, químicos orgânicos e inorgânicos, instrumentos de ótica e precisão e siderúrgicos.
Mês
Até o dia 17 de agosto (11 dias úteis), as exportações totalizaram US$ 11,193 bilhões, com média diária de US$ 1,017 bilhão, valor 55% superior ao desempenho médio diário registrado em todo mês de agosto do ano passado (US$ 656,5 milhões). Nessa comparação, foram observados aumentos nas exportações de básicos (+97,5%) – por conta de petróleo em bruto, minério de ferro, carnes suína, bovina e de frango, soja em grão, farelo de soja, café em grão, minério de cobre e fumo em folhas – semimanufaturados (+60,3%) – em função de semimanufaturados de ferro e aço, ferro-ligas, ferro fundido, celulose, óleo de soja em bruto, açúcar em bruto e alumínio em bruto – e manufaturados (+23,5%) – com destaque para suco de laranja não congelado, gasolina, máquinas e aparelhos para uso agrícola, etanol, medicamentos, aviões, tratores, óxidos e hidróxidos de alumínio, e máquinas e aparelhos para terraplanagem.
Sobre a média diária registrada em julho deste ano (US$ 889,3 milhões), houve um incremento de 14,4% por conta de crescimento nas vendas das três categorias de produtos: básicos (+21,7%), semimanufaturados (+10,8%) e manufaturados (+8,3%).
As importações, no mesmo período, acumularam US$ 9,074 bilhões – média diária de US$ 824,9 milhões. Ao se comparar o desempenho médio diário com o de todo mês de agosto do ano passado (US$ 502,5 milhões), verificou-se um incremento de 64,2%, e em relação à média diária registrada em julho último (US$ 745,6 milhões), as importações registraram alta de 10,6%. Em relação a agosto de 2007, aumentaram as compras de adubos e fertilizantes (+200,9%), combustíveis e lubrificantes (+122,4%), equipamentos mecânicos (+64,6%), instrumentos de ótica e precisão (+63,7%), veículos automóveis e partes (+52,0%) e produtos plásticos (+49,3%). Sobre julho de 2008, houve aumento nos importações dos seguintes produtos: farmacêuticos (+41,3%), combustíveis e lubrificantes (+26,0%), adubos e fertilizantes (+23,4%), equipamentos mecânicos (+16,3%) e instrumentos de ótica e precisão (+9,9%).
O superávit acumulado até a terceira semana de agosto foi de US$ 2,119 bilhões (média diária de US$ 192,6 milhões). Em comparação com o desempenho médio diário apresentado em agosto de 2007 (US$ 154 milhões), observou-se um crescimento de 25,1%. Em relação à média diária do superávit, em julho deste ano (US$ 143,7 milhões), a alta foi de 34,1%.
Ano
Nos 157 dias úteis acumulados no ano, de janeiro a 17 de agosto, a balança comercial brasileira somou exportações de US$ 122,291 bilhões, com média diária de US$ 778,9 milhões, cifra 29,4% maior que a registrada no mesmo período do ano passado (US$ 602 milhões). As importações no ano somaram US$ 105,519 bilhões, um desempenho médio diário de US$ 672,1 milhões – acréscimo de 52,4% sobre a média diária no mesmo período de 2007 (US$ 441,1 milhões). O saldo comercial no ano totaliza US$ 16,772 bilhões, com uma média diária de US$ 106,8 milhões, valor 33,6% menor que o registrado no mesmo período de 2007 (US$ 160,9 milhões).
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

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