Banco Central não descarta queda do preço da gasolina em 2009
Dezembro 18, 2008
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a projeção de que não haverá aumento no preço da gasolina neste ano. Entretanto, o colegiado avaliou que, por conta do recuo dos preços do petróleo no mercado internacional, não está descartada possibilidade de redução no valor da gasolina no país em 2009. A informação consta da ata da última reunião do Copom, realizada nos dias 9 e 10 deste mês, quando o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.
Segundo a ata, divulgada hoje (18), ao “persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorram reduções de preços [da gasolina] em 2009”.
O Copom ressaltou, entretanto, que “independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo pode eventualmente se transmitir à economia doméstica, tanto por meio de cadeias produtivas como a petroquímica quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação”.
Na ata, o comitê avalia ainda que os preços de outras commodities (matérias-primas ou com pequeno grau de industrialização, como petróleo e minério de ferro) “também mostraram reduções importantes desde a última reunião do Copom, reagindo tanto ao maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial quanto à continuidade da turbulência nos mercados financeiros globais”.
Segundo a ata, o Copom aumentou para 3,8% a expectativa de alta do conjunto de preços administrados por contrato (derivados de petróleo, energia elétrica, gás, planos de saúde, tarifas de água, esgoto e transportes públicos). Antes, o aumento estava estimado em 3,5%.
Esse conjunto de preços administrados, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correspondeu a 29,62% do total do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de novembro.
Segunda a ata, não há expectativa de aumento nos preços da gasolina, mas os diretores do BC ajustaram de 0% para 2,6% o ajuste do botijão de gás. A ata também informa que a projeção de alta das tarifas de telefonia fixa foi alterada de 3,5% para 3,6% e a de energia elétrica foi mantida em 1,1%.
A projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi mantida em 5,5%.
Agência Brasil - Kelly Oliveira
Medidas anunciadas por Mantega vão ampliar crédito e consumo, avalia economista
Dezembro 12, 2008
As medidas anunciadas ontem (11) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão estimular o consumo, o crédito e o aumento da demanda agregada no país, como é chamado o dinheiro do investimento do governo, afirmou em entrevista à Agência Brasil o economista Cláudio Considera, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ao criar faixas intermediárias do Imposto de Renda Pessoa Física, visando a aliviar a carga tributária em 2009, o governo propicia, segundo o economista, um aumento dos recursos que as famílias têm para usar para consumo. “Na verdade, esse consumo é mais direcionado para atender o mercado”, explicou Considera, que foi secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.
Da mesma forma, a redução do Imposto sobre Circulação Financeira (IOF) para pessoa física de 3% para 1,5% ao ano “permite que você entre no cheque especial ou faça contratações de crédito. Então, a redução do IOF aumenta também a renda disponível das famílias e o consumo”.
Considera salientou ainda que a intenção do governo de cortar gastos com custeio e ampliar o investimento público em janeiro próximo “já deveria ter sido feito. Porque o gasto com investimento acaba. Ele não tem continuidade. E o gasto de custeio, principalmente com pessoal, passa a ser um gasto permanente”. Isso não é um fato positivo do ponto de vista da gestão do orçamento público, acentuou.
“O governo deveria fazer o que está pretendendo agora, que são mais investimentos, obras de infra-estrutura”, disse ele. Nesse sentido, lembrou que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, está justamente querendo desenvolver um programa grande de obras públicas, “em vez de dar recursos aos bancos, porque a construção civil cria muitos empregos. É fortemente intensiva em emprego”.
O economista da UFF disse ignorar, contudo, até que ponto vão sobrar recursos do Orçamento para o governo investir em 2009. É preciso considerar, destacou, que o aumento das despesas do próprio governo só foi coberta pela elevação da arrecadação, ou seja, da carga tributária. “Só que, no ano que vem, essa arrecadação não deve ser tão grande. O PIB [Produto Interno Bruto] caindo reduz a arrecadação de todos os impostos. E o próprio Imposto de Renda deve se reduzir”.
Ele acredita que isso pode trazer problemas em 2009 para o cumprimento de metas do governo de superávit primário, “que, afinal, deram a saúde à economia brasileira para que ela pudesse crescer”.
Agência Brasil / Alana Gandra
Governo cria mais duas alíquotas de Imposto de Renda e reduz IPI de carros
Dezembro 12, 2008
Os trabalhadores assalariados vão pagar menos Imposto de Renda na fonte, a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme garantiu ontem (11) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a criação de mais duas alíquotas na tabela do IR para pessoa físicas: uma de 7,5% e outra de 22,5%.
Atualmente só existem duas alíquotas: de 15% e de 27,5%, com direito a descontos no cálculo final. Com a mudança, o desconto agora fica diferente. Os salários até R$ 1.434 mil ficam isentos, e deste patamar até R$ 2.150 mil vão pagar 7,5%; de R$ 2.151 mil a R$ 2.866 mil a alíquota será de 15%; de R$ 2.,867 mil a R$ 3.582 mil fica na faixa de 22,5%; e daí em diante pagam 27,5%.
O ônus fiscal dessa medida será de R$ 4,9 bilhões, de acordo com Mantega. Será um dinheiro a menos nos cofres públicos, mas que, segundo ele, “será injetado na economia como consumo. Vai aliviar a carga fiscal, que é o que todo mundo quer, e ao mesmo tempo vai estimular a demanda”.
O ministro informou que, a partir de amanhã (12), haverá desoneração fiscal de R$ 12,5 bilhões por ano com a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje de 3% mais 0,38%. Ele assegurou que a alíquota vai cair para 1,5%, voltando ao que era no início do ano, mais 0,38% correspondente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
De acordo com seus cálculos, o impacto dessa medida no spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na captação de depósitos e na concessão de empréstimos) deve ser de aproximadamente 4%. “Com isso, esperamos baratear uma parte importante dos juros, que aumentaram muito nesse período de crise e de escassez de crédito”, afirmou.
O ministro ressaltou, contudo, que à medida que o crédito vai sendo restabelecido e a oferta aumenta, ao mesmo tempo a insegurança diminui. “Acredito que estamos numa situação caminhando para a normalidade”, disse Mantega. Ele ressaltou, no entanto, que os juros podem se reduzir ainda mais, de modo a reativar a atividade econômica e a demanda por consumo.
No caso dos bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), ele garantiu que “haverá redução imediata”. Para ele, os bancos privados irão pelo mesmo caminho, para que o nível de crescimento se mantenha satisfatório no país no próximo ano.
Também presente à entrevista, no Ministério da Fazenda,o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, explicou as mudanças na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrados da indústria automobilística, que vão gerar incentivo fiscal estimado em R$ 1 bilhão.
Com o objetivo de preservar empregos e ajustar gradualmente a promoção de vendas do setor automotivo, a medida visa a baratear temporariamente a compra de automóveis, de amanhã (12) até 31 de março de 2009. Por isso, carros de até 1.000 cilindradas, que pagavam alíquota de 7% de IPI, estarão isentos do tributo nesse período.
Acima disso, continuarão recolhendo o IPI, mas em bases menores. Para os carros de 1.001 a 2000 cilindradas, a taxa cai dos atuais 13% para 6,5% (a gasolina) e de 11% para 5,5% (a álcool e flex); de 2.000 cilindradas em diante ficam mantidas as alíquotas de 25% (gasolina) e de 18% (álcool e flex).
No caso das pickups até 1.000 cilindradas, consideradas veículos leves, a queda será de 8% para 1% qualquer que seja o combustível. As pickups de 1.001 a 2.000 cilindradas terão IPI reduzido de 8% para 4%, tanto a álcool quanto a gasolina.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Governo cria mais duas alíquotas de Imposto de Renda e reduz IPI de carros
Dezembro 12, 2008
Os trabalhadores assalariados vão pagar menos Imposto de Renda na fonte, a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme garantiu ontem (11) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a criação de mais duas alíquotas na tabela do IR para pessoa físicas: uma de 7,5% e outra de 22,5%.
Atualmente só existem duas alíquotas: de 15% e de 27,5%, com direito a descontos no cálculo final. Com a mudança, o desconto agora fica diferente. Os salários até R$ 1.434 mil ficam isentos, e deste patamar até R$ 2.150 mil vão pagar 7,5%; de R$ 2.151 mil a R$ 2.866 mil a alíquota será de 15%; de R$ 2.,867 mil a R$ 3.582 mil fica na faixa de 22,5%; e daí em diante pagam 27,5%.
O ônus fiscal dessa medida será de R$ 4,9 bilhões, de acordo com Mantega. Será um dinheiro a menos nos cofres públicos, mas que, segundo ele, “será injetado na economia como consumo. Vai aliviar a carga fiscal, que é o que todo mundo quer, e ao mesmo tempo vai estimular a demanda”.
O ministro informou que, a partir de amanhã (12), haverá desoneração fiscal de R$ 12,5 bilhões por ano com a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje de 3% mais 0,38%. Ele assegurou que a alíquota vai cair para 1,5%, voltando ao que era no início do ano, mais 0,38% correspondente à antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
De acordo com seus cálculos, o impacto dessa medida no spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na captação de depósitos e na concessão de empréstimos) deve ser de aproximadamente 4%. “Com isso, esperamos baratear uma parte importante dos juros, que aumentaram muito nesse período de crise e de escassez de crédito”, afirmou.
O ministro ressaltou, contudo, que à medida que o crédito vai sendo restabelecido e a oferta aumenta, ao mesmo tempo a insegurança diminui. “Acredito que estamos numa situação caminhando para a normalidade”, disse Mantega. Ele ressaltou, no entanto, que os juros podem se reduzir ainda mais, de modo a reativar a atividade econômica e a demanda por consumo.
No caso dos bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), ele garantiu que “haverá redução imediata”. Para ele, os bancos privados irão pelo mesmo caminho, para que o nível de crescimento se mantenha satisfatório no país no próximo ano.
Também presente à entrevista, no Ministério da Fazenda,o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, explicou as mudanças na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrados da indústria automobilística, que vão gerar incentivo fiscal estimado em R$ 1 bilhão.
Com o objetivo de preservar empregos e ajustar gradualmente a promoção de vendas do setor automotivo, a medida visa a baratear temporariamente a compra de automóveis, de amanhã (12) até 31 de março de 2009. Por isso, carros de até 1.000 cilindradas, que pagavam alíquota de 7% de IPI, estarão isentos do tributo nesse período.
Acima disso, continuarão recolhendo o IPI, mas em bases menores. Para os carros de 1.001 a 2000 cilindradas, a taxa cai dos atuais 13% para 6,5% (a gasolina) e de 11% para 5,5% (a álcool e flex); de 2.000 cilindradas em diante ficam mantidas as alíquotas de 25% (gasolina) e de 18% (álcool e flex).
No caso das pickups até 1.000 cilindradas, consideradas veículos leves, a queda será de 8% para 1% qualquer que seja o combustível. As pickups de 1.001 a 2.000 cilindradas terão IPI reduzido de 8% para 4%, tanto a álcool quanto a gasolina.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Disparidades entre os países do Mercosul são desafio para a integração produtiva do bloco
Dezembro 11, 2008
Representantes dos países membros discutiram as assimetrias econômicas, as lições da integração na Ásia e na Europa e o papel dos setores público e privado neste processo
“O Mercosul terá de lutar pela construção de um caminho próprio para sua integração produtiva”, disse o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri, após debates com representantes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai no Seminário Internacional Integração Produtiva: Caminhos para o Mercosul, na última terça-feira. O grupo, formado por empresários, governantes e acadêmicos, acompanhou as apresentações de consultores internacionais sobre as experiências de integração produtiva na Ásia e na Europa, na busca por lições que possam servir ao Mercosul. O encontro foi realizado pela ABDI, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
De acordo com o especialista alemão Sebastian Dullien, professor da University of Applied Sciences (Berlim), os atores mais importantes da integração produtiva na União Européia vêm da iniciativa privada. “A Alemanha, economia mais forte do bloco, está especialmente integrada com os países do leste europeu, pela vantagem de custo que isso representa. Ou seja, a integração produtiva acontece, neste caso, mais pelo fenômeno do outsourcing das atividades produtivas do que por ações dos governos”, afirmou ele. Nobuaki Hamaguchi, professor da Kobe University (Japão), evidenciou a importância da estrutura logística na Ásia para a integração produtiva. “Temos uma infra-estrutura extremamente eficiente, deste o transporte terrestre até o sistema portuário. Isso é fundamental para as atividades baseadas nos acordos de livre comércio e para o desempenho das empresas multinacionais, que promovem um seqüenciamento de produção muito importante neste processo”.
Por outro lado, o especialista tailandês Kriengkrai Techakanont destacou a importância de políticas governamentais no processo de integração produtiva. “Levando em conta que a industrialização é um pré-requisito neste processo, a atuação do poder público é muito importante para desenvolver a indústria dos países envolvidos. Depois deste estágio, quando a integração estiver consolidada, o governo passa a intervir menos e apoiar mais”, complementa.
De acordo com Mariano Laplane, diretor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas, as diferenças entre a América Latina e a Ásia e Europa mostram a necessidade de um modelo específico para o Mercosul, aliando atuações públicas e privadas. “Exemplo disso é que, no papel de economias mais fortes em seus blocos, Brasil e Alemanha são muito diferentes. Na América do Sul, ainda temos que homogeneizar os marcos regulatórios, integrar estratégias nacionais para desenvolvimento, entre outras coisas”, declarou. João Bosco Machado, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também aponta para a necessidade de ajustes básicos. “Falta resolvermos várias questões aduaneiras importantíssimas e investir num sistema de transporte eficiente”.
Pequenas e Médias Empresas
Enquanto muitos especialistas destacam a importância das empresas multinacionais no processo de integração produtiva, o Mercosul se dedica também a diagnosticar a necessidade de integração das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). “São as PMEs que podem adensar o tecido produtivo, já que as grandes empresas se internacionalizam sozinhas”, diz Renato Godinho, representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE).
“É preciso ter muita transparência nas regras e segurança no mercado comum para que as PMEs se integrem ao bloco”, indica Sebastian Dullien, mostrando que em 2003 cerca de 20% das PMEs do país já consideravam a possibilidade de investir fora da Alemanha. Mario Mugnaini Junior, diretor executivo de Mercados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), sugere que as empresas médias do Mercosul busquem sócios locais nos países do bloco. “Já as pequenas empresas têm que conhecer muito bem o mercado em que pretendem atuar fora do seu país e se capacitar. Precisam de conhecimento sobre a internacionalização, sobre as condições do mercado, além de facilitações para este processo”, diz ele.
De acordo com Reginaldo Arcuri, é preciso haver mais diálogos envolvendo o empresariado. “O governo tem o papel de criar um ambiente favorável para a integração produtiva, oferecendo estruturas de suporte para tecnologia, elaboração de normas comuns, formação de recursos humanos, entre outras. Mas quem fecha o negócio são sempre os empresários!”
Arcuri lembrou ainda que, em 2008, a integração produtiva do Mercosul foi enfatizada pelo Governo brasileiro como uma das iniciativas fundamentais da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em maio. Com seu programa de integração para a América Latina focado no Mercosul, a PDP pretende aumentar a articulação das cadeias produtivas e elevar o comércio na região, buscando ampliar escala e produtividade industrial. Dentro deste objetivo, o Seminário Internacional Integração Produtiva: Caminhos para o Mercosul permitiu a identificação de pontos a serem trabalhados nas agendas dos órgãos governamentais dos países do bloco, órgãos relacionados e setor empresarial.
Fonte: ABDI
Recursos para financiar exportações chegam a US$ 1,1 bi na primeira semana do mês
Dezembro 11, 2008
No caso dos contratos de pagamentos antecipados de exportação (PA), o saldo foi de US$ 441 milhões na semana passada e de US$ 42,5 bilhões no acumulado do ano, contra US$ 515 milhões e US$ 42,5 bilhões registrados no mesmo período de 2007.
Com o agravamento da crise financeira internacional, em meados de setembro, os exportadores enfrentaram dificuldades para conseguir financiamento. Mas, segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, com os leilões do Banco Central com o objetivo de financiar as exportações, houve “uma melhora acentuada” na concessão de financiamentos para o setor. Ele ressaltou, entretanto, que o problema agora está na redução da demanda mundial, que é um efeito da crise financeira internacional.
No último dia 4, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou que, desde setembro, foram leiloados US$ 3,8 bilhões para as instituições financeiras, que oferecem como garantia concessões de ACC e Adiantamento Cambial Entregue (ACE). O objetivo é que os bancos financiem as exportações com esses recursos.
Castro afirmou que, mesmo com a melhora na liberação dos recursos, os bancos estão mais rigorosos na concessão de crédito e que há uma desconfiança tanto de exportadores quanto dos compradores de produtos por conta da crise. Além disso, há redução dos preços das commodities. De acordo com Castro, quem mais sofre com essa situação são as micro e pequenas empresas, que representam 90% das 20 mil empresas exportadoras do país.
A expectativa “mais otimimista” de Castro é de redução das exportações em US$ 20 bilhões (10%) em 2009, na comparação com este ano. No acumulado do ano até a primeira semana de dezembro, as exportações brasileiras somam US$ 187,112 bilhões. Castro não quis informar a projeção “mais pessimista”. Ele lembrou que até o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior adiou a divulgação da meta de exportações em 2009. A informação só será divulgada no próximo ano. “Se o governo divulgasse hoje, seria um valor negativo, mas esse cenário pode mudar”.
Agência Brasil / Kelly Oliveira
Força Sindical e Fecomercio criticam manutenção da taxa de juros pelo Copom
Dezembro 11, 2008
A Força Sindical e a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) criticaram ontem (10) a manutenção da taxa de juros em 13,75%, sem viés. Em nota, a Força Sindical diz que o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) “é um desastre para a economia brasileira” e “um banho de água fria no crescimento da economia” para o primeiro semestre de 2009.
“O governo não pode continuar com esta política que privilegia os especuladores em detrimento da produção e o emprego. A somatória da crise econômica com os juros em patamares estratosféricos vai prejudicar os trabalhadores que lutam para manter seus empregos”, disse o presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva.
Para a Fecomércio, a decisão do Copom está “dissociada da realidade econômica mundial”. “Pode-se dizer que mesmo parada, a Selic subiu até 2% nos últimos meses, na comparação com os juros vigentes nos EUA e na Europa, que têm sido drasticamente reduzidos pelos respectivos bancos centrais. Enquanto isso o nosso BC ignora o risco do contágio pela recessão mundial e se preocupa com o perigo mais imaginário do que real da inflação”, disse o presidente Abram Szajman.
Já o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes considerou a decisão do Copom “desastrosa”. Em nota assinada, o presidente do sindicato Miguel Torres afirma que a decisão “só serve para impedir o acesso ao crédito e permitir que os bancos continuem alimentando-se de taxas abusivas”.
“Enquanto o resto do mundo reduz suas taxas para aliviar os encargos para os seus cidadãos e afastar os efeitos nocivos da crise financeira, no Brasil, os senhores da economia dão as costas aos problemas da população e dos trabalhadores ameaçados de perderem os seus empregos, e mantêm os juros nas alturas”, disse.
Agência Brasil / Elaine Patricia Cruz
Fiesp considera manutenção da taxa de juros um absurdo
Dezembro 11, 2008
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) considerou a manutenção da taxa de juros em 13,75%, sem viés, anunciada ontem (10), um absurdo. Segundo a Fiesp, a economia brasileira está num ritmo bom, mas, em sua opinião, será difícil manter o ritmo de crescimento em 2009 sem reduzir os juros.
Em nota, o presidente da entidade, Paulo Skaf, disse sentir saudades de 2008. “É absurdo manter a taxa de juros em nível tão elevado, quando a inflação está sob controle e precisamos lutar para impedir que haja uma queda brusca do crescimento. Desse jeito, já começo a sentir saudade de 2008. O governo brasileiro, ao insistir em não abaixar a Selic, coloca-se na contramão do que países como Japão, Estados Unidos e outros da Europa estão praticando: cortes drásticos nos juros para proteger emprego e renda”, afirmou.
Agência Brasil / Elaine Patricia Cruz
Decisão do Copom de manter juros em 13,75% foi unânime
Dezembro 11, 2008
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), manteve a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano até a próxima reunião do colegiado de diretores do BC, dias 20 e 21 de janeiro.
O anúncio revela que os membros do Copom discutiram a possibilidade de reduzir a taxa, mas consideraram que o ambiente macroeconômico “continua cercado por grande incerteza”.
A decisão de manter a taxa como está, e sem viés, foi adotada por unanimidade, e a nota do Comitê diz que o BC “irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária”.
A decisão já era esperada pela maioria dos agentes financeiros consultados pela pesquisa Focus, do BC, na última sexta-feira (5). Embora a inflação esteja em baixa, no momento, a média das expectativas dos analistas de mercado é de que possível redução da Selic só virá no início de 2009.
A definição da taxa básica de juros é sempre aguardada com expectativa pelo marcado financeiro, uma vez que ela remunera os títulos públicos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é usada pelo BC como instrumento de controle da inflação.
Quanto mais alta a Selic, mais caro os bancos cobram pelo crédito, o que desestimula o consumo de bens e serviços. Em conseqüência, diminui a pressão inflacionária. Mas taxa alta também gera desvio de objetivo das instituições financeiras, que preferem comprar títulos do governo, ao invés de emprestar aos consumidores.
O Brasil tem a taxa básica de juros mais alta do mundo, e promoveu sua redução gradativa, de setembro de 2006 até o final do ano passado, quando atingiu seu menor nível: de 11,25%.
Mas, com o recrudescimento da inflação, principalmente por causa dos preços internacionais, o BC retomou a trajetória de altas da Selic em abril, elevando-a para 11,75%; depois para 12,25% em junho, 13% em julho e 13,75% em setembro.
As justificativas para a manutenção da Selic em 13,75% serão detalhadas na ata da reunião, que será divulgada quinta-feira da semana que vem, dia 18.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Juros de empréstimo pessoal têm a maior alta desde 1999, constata Procon-SP
Dezembro 10, 2008
A taxa média de juros cobrada pelos bancos no início do mês chegou a 6,25% anuais, no caso de empréstimo pessoal. Foi a maior elevação já registrada desde março de 1999 (6,77%), segundo pesquisa divulgada hoje pela Fundação Procon de São Paulo com base em dados apurados no dia 2, com dez instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco.
Apesar da alta, o número de instituições que aumentaram a taxa foi menor do que em novembro. A majoração foi detectada em dois bancos, enquanto no mês passado cinco instituições haviam aumentado os juros. O Unibanco passou a cobrar 6,99% ante uma taxa anterior de 6,59%, com alta de 0,40 ponto percentual; e o Santander alterou a cobrança, que era de 6% para 6,69%. O HSBC foi o único a promover pequena redução. Nessa instituição, a taxa caiu de 4,85% para 4,83%.
No caso do cheque especial, houve aumento em três instituições. Em novembro, sete bancos haviam elevado as taxas. Nessa modalidade de crédito, os juros subiram pelo segundo mês seguido para a taxa média de 9,33% ao ano, ante 9,24%, em novembro. É a mais alta já cobrada desde junho de 2003 (9,43%).
O Unibanco e o HSBC acrescentaram 0,40 ponto percentual nas taxas do cheque especial, que passaram de 8,59% para 8,99% e de 9,25% para 9,65%, repectivamente. No Santander, os clientes arcaram com juros de 9,85% ao ano, 0,15 ponto percentual acima da taxa anterior. Os demais bancos mantiveram as taxas.
A nota técnica do Procon lembra que a reunião que está ocorrendo do Comitê de Política Monetária (Copom) vai definir a taxa básica de juros (Selic), a partir de amanhã (11). Na reunião anterior, realizada nos últimos dias 28 e 29 de outubro, conforme ressalta a nota, a decisão foi a de manter a taxa em 13,75% ao ano.
“O grande desafio é conter as pressões inflacionárias diante da crise financeira global, sem comprometer o investimento e o crescimento econômico”, diz a nota.
Agência Brasil / Marli Moreira

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