O investidor e o caos

Dezembro 9, 2009

Recordo-me que, investidor bem iniciante, apostei algumas fichas nas blues chips – consideradas as menos arriscadas pela liquidez extraordinária. No início do fatídico ano de 2008 se falava apenas em uma tal crise que estaria por vir em decorrência da farra do crédito imobiliário americano que atingiria frontalmente os balanços de bancos em todo o mundo. Como excelentes precificadoras de boatos, as bolsas mundiais tiveram dias de fortes quedas seguidos de repiques espetaculares.

Tirei proveito dessa volatilidade que se intensificou bastante entre março e maio do mencionado ano. Meses atrás havia entrado em fundos lastreados na Petrobrás e na Vale do Rio Doce, mas era extremamente desagradável ter como retorno a rentabilidade média diária dos papéis dessas duas empresas. De investidor de fundos com resultados modestos passei a investidor com retorno superior a 10% em apenas dois meses. A confiança era tanta que não hesitei em desafiar o noticiário nebuloso dos Estados Unidos e marcar posições em outras empresas.

Decidi formar uma carteira bem diversificada composta de papéis de consumo interno – consideradas defensivas por analistas -, setor bancário petróleo e mineração. Afoito com os resultados e inexperiente nos movimentos das bolsas firmei posição acreditando em excelentes resultados no médio prazo. A tal crise sobre a qual se especulava desde janeiro parecia algo distante; devaneios daqueles que fazem os deslocamentos dos mercados acontecerem em busca de oportunidades de entradas ou saídas nas duas pontas.

Em setembro de 2008 uma notícia bombástica confirma a veracidade do problema: o banco Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, pede concordata após mal sucedidas negociações com o governo desse País para um possível socorro. Funcionários desolados deixando as dependências da imponente sede com seus pertences em caixas de papelão após uma catastrófica queda de 5% da Dow Jones Industrial Average marcaram o ‘setembro negro’. Nos meses seguintes, as bolsas mundiais proporcionariam um show de horrores regado a muita histeria, desespero e falta de estratégia.

Tenho para mim, depois que o pior parece ter passado e a crença na segunda perna do W se enfraquece, que sob o ponto de vista do investidor individual alguns aspectos foram determinantes para as fortes perdas que aconteceram até novembro de 2008: primeiro, o pânico estabelecido que proporcionou circuit breaks nos primeiros quinze minutos de pregões com volumes baixíssimos e gaps de abertura gigantescos; segundo aquela paralisia que atinge o iniciante quando a posição não tem êxito e corre pelas veias aquele desejo incontrolável de recuperá-la, o que o leva a reforçar a posição perdedora, acarretando em mais perdas.

Continuando, aquela crença quase inabalável do ‘um dia recupera’, que leva o investidor à letargia de esperar o fundo do poço para começar a vislumbrar em um período X de tempo uma recuperação de suas posições; e por fim, o desconhecimento das possibilidades que o mercado oferece na ponta vendedora, o que poderia ter proporcionado ganhos extraordinários que compensariam o prejuízo na outra ponta. Particularmente, cometi o erro de reforçar posições perdedoras, mas não hesitei em vendê-las para aguardar o fundo da crise e buscar no mercado a compensação das perdas. A compra dos papéis preferenciais da Petrobrás a 16,84 reais deu início à minha estratégia de cobrir as perdas operando diariamente.

Após um ano da bagunça total que se estabeleceu nos mercados, estou convicto que a atitude de vender posições, esperar o fundo do poço ou algo próximo dele para operar diariamente e recuperar os prejuízos decorrentes foi demasiadamente acertada. Com uma rentabilidade parcial de cerca de 70% no presente ano de 2009 e uma bagagem razoável de mercado obtida com as duras lições da crise alerto sobre a necessidade de respeitar o Senhor Mercado e suas incongruências, já que os imponderáveis sentimentos dos investidores estão acima de quaisquer análises técnicas, fundamentalistas ou de outros gêneros.

Colaborou: Artur Salles Lisboa de Oliveira

Taxa básica de juros da economia continua em 8,75%

Dezembro 9, 2009

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros da economia em 8,75% ao ano, resultado que corresponde às expectativas dos analistas financeiros da iniciativa privada, como mostra a pesquisa Focus, realizada pelo BC na última sexta-feira (4).

O comitê avaliou que a taxa “é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas, ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária a atividade econômica.” A taxa foi aprovada por unanimidade, sem viés, ou seja, vale até a próxima reunião do Copom marcada para o dia 27 de janeiro.

O mercado financeiro prevê que a Selic deva permanecer nesse patamar por todo o primeiro semestre de 2010, uma vez que não há sinais de pressão inflacionária no curto prazo.

Para os analistas, só a partir de julho do próximo ano os juros básicos, que estão no patamar mais baixo da história recente do país, voltem a subir, gradativamente, de modo a terminar 2010 um pouco acima de 10,50%.

Em janeiro, na sua primeira reunião do ano, o Copom decidiu reduzir a Selic de 13,75% para 12,75% ao ano. Em março, a taxa caiu para 11,25%, com nova redução em abril, para 10,25%. Em junho, houve novo corte de 1 ponto percentual, para 9,25%. Na sequência, o comitê reduziu o ritmo de corte e, na reunião de julho, a Selic teve queda de meio ponto percentual.

O BC usa a Selic para controlar a inflação, cuja meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2009 e 2010 é de 4,5%. Essa meta, definida com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Agência Brasil

Copom mantém taxa básica de juros em 8,75% ao ano

Outubro 21, 2009

A taxa básica de juros, Selic, vai continuar em 8,75% ao ano nos próximos 45 dias. O índice vigora nesse patamar desde 22 de julho, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) estancou o processo de afrouxamento gradativo da política monetária, iniciado em janeiro.

Em janeiro, a Selic estava em 13,75%. Na reunião de hoje (21), a taxa foi mantida sem possibilidade de revisão até a próxima reunião do colegiado, marcada para 8 e 9 de dezembro.

Com a manutenção, o Copom manifestou sintonia com as expectativas dos analistas financeiros. Em comunicado depois do encontro, o Copom diz que mantém o índice “tendo em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas”. A decisão foi tomada por unanimidade.

Na nota, o colegiado diz que “levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo de horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica”.

Stênio Ribeiro - Repórter da Agência Brasil

BC altera regra para liquidação de oferta simultânea de ações no Brasil e em outro país

Setembro 29, 2009

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (29) que passará a determinar prazos diferenciados para liquidação (pagamento) de operações de oferta pública de ações, com abertura de capital, que ocorram simultaneamente no Brasil e em outros países.

As ofertas públicas servem para as empresas aumentarem capital e capacidade de investimento. É o caso do Banco Santander que fará esse tipo de operação, com lançamento no Brasil e na Bolsa de Nova York. A ideia é que a liquidação possa correr simultaneamente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e nos Estados Unidos.

Segundo o Banco Central, se as operações não fossem feitas de forma simultânea, poderia haver problemas de arbitragem, porque haveria diferenças nos prazos de liquidação. De acordo com comunicado do BC, a liquidação poderá ser feita em quatro dias úteis após a negociação.

A medida também possibilitará que as ações compradas do Santander possam ser vendidas para outros interessados (mercado secundário) no mesmo dia.

Conforme comunicado do BC, para cada caso de operações como essa, será definida a necessidade de adequação dos prazos de liquidação. A mudança foi proposta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Agência Brasil / Kelly Oliveira
Edição: Nádia Franco

Receita abre nesta quinta consultas a lote residual do Imposto de Renda

Setembro 17, 2009

A Receita Federal abre nesta quinta-feira (17) consultas a um lote residual do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2006, ano-base 2005. Dos 30,4 mil contribuintes deste lote, que caíram na malha fina, 8,45 mil terão direito à restituição, no valor de R$ 13 milhões. Outras 19 mil pessoas físicas terão imposto a pagar, no montante de R$ 76,5 milhões. No lote, há ainda 2,8 mil contribuintes sem imposto a pagar ou a restituir.

As consultas poderão ser feitas no site da Receita ou no telefone 146. As restituições estarão disponíveis para saques na rede bancária a partir do dia 24 de setembro, com correção de 39,85%.

Com informações do G1.

Financeiras apoiam decisão do Copom

Setembro 2, 2009

Secif-RJ prevê juros básicos a 8,75% por, pelo menos, um ano

O Sindicato das Financeiras do estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ) apoiou a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) que, agora há pouco, manteve a taxa básica de juros em 8,75% ao ano.

O presidente da instituição que agrega as financeiras, José Arthur Assunção, preferia um corte de 0,25 ponto, mas acredita que a decisão do BC levou em conta um possível limite para que a inflação fique na meta esse ano e em 2010. “Mesmo assim, esse índice de 8,75% era inimaginável há um tempo atrás. Juros nominais de um dígito é coisa de Primeiro Mundo”

“E não creio que, no momento em que as economias desenvolvidas começarem a elevar suas taxas, nós sejamos obrigados a fazer também esse movimento, já que passamos bem pela crise e nossos juros, mesmo assim, ainda ficarão muito superiores aos deles”, afirma.

Para Assunção, o Brasil enfim é um país civilizado: “Nossa economia entrou num ciclo virtuoso, conquistado, aos poucos, desde a implantação do Real, no governo de Fernando Henrique Cardoso. O governo do presidente Lula manteve as conquistas anteriores e, com a presença de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central, trouxe uma austeridade monetária marcante, que nos propiciou uma passagem serena e tranqüila por essa crise financeira que abalou o mundo. Hoje, temos uma taxa de juros que nos permite não somente controlar a inflação, mas também manter um crescimento econômico sustentável nos próximos anos, excetuando-se esse de 2009 evidentemente, devido à crise econômica mundial”.

Fonte: Gláucia Xavier - Mercado da Comunicação

Caderneta de Poupança

Agosto 13, 2009

A caderneta de poupança é um dos investimentos mais procurados e utilizados pela maioria das pessoas que possuem contas em banco. Apesar de muitas destas pessoas possuírem estas cadernetas de poupança, poucas sabem como funciona a mesma, somente sabem de seu rendimento mensal, o que tende a bastar para a maioria das pessoas. Antes de investir deve-se conhecer a forma como a poupança remunera o capital investido, para que seja possível avaliar se o investimento realmente será lucrativo, boa parte das vezes o rendimento da caderneta é ilusório, protegendo apenas o capital da inflação.

Por lei, os capitais aplicados na caderneta são remunerados mensalmente a uma taxa de 0,5% + TR sobre o valor aplicado. Isso dá um rendimento de 6% ao ano + TR. A TR (Taxa Referencial) é uma taxa média de juros calculada através de uma média ponderada do rendimento dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) das principais instituições financeiras do país.

Abaixo temos a tabela de rendimento do mês de julho de 2009

01 0,6056

02 0,5822

03 0,5394

04 0,5388

05 0,5622

06 0,5848

07 0,5752

08 0,5867

09 0,5281

10 0,5336

11 0,5285

12 0,5515

13 0,5788

14 0,5474

15 0,5559

16 0,5156

17 0,5149

18 0,5224

19 0,5444

20 0,5638

21 0,5655

22 0,5829

23 0,5167

24 0,5056

25 0,5139

26 0,5356

27 0,5664

28 0,5762

29 0,5198

30 0,5198

31 0,5198

0,6056 – Mês de julho

4,2108 - Acumulado no ano de 2009

Analisando a tabela pode-se dar um exemplo: Digamos que o investimento inicial foi de 100 no dia 5 de junho de 2009 a sua caderneta estará fazendo aniversário (completando um mês de aplicação), neste caso ao valor inicial será aplicado a correção de acordo com o índice do dia 5, ficando da seguinte forma (Valor Aplicado * (Índice / 100)):

100,00 * ( 0,562 / 100) = R$ 100,56.

No exemplo temos o rendimento de 56 centavos em 1 mês.

No mês de julho segundo o exemplo ganhamos 0,56 centavos de real de rendimento. No entanto, para verificar se este rendimento realmente foi bom, devemos analisar a inflação no mesmo período, ou seja, analisar a desvalorização do capital desde o inicio da aplicação até a data do rendimento. No mês de julho de 2009, a inflação medida pelo IBGE foi de 0,24%, ou seja, o rendimento do mês de julho da poupança foi suficiente para manter o valor do dinheiro.

Para entender melhor, vou dar um pequeno exemplo. Digamos que em junho com R$ 100,00 você compraria um telefone novo. Em julho, você precisaria de R$ 100,24 para comprar o mesmo telefone, e o seu resultado final foi de R$ 100,56, sobrando 0,32 centavos de real após comprar o celular. Este é o principal cuidado que se deve ter ao aplicar na poupança. Se a inflação for muito alta, a poupança não é um bom investimento, pois servirá, quando muito, para manter o valor do seu dinheiro no tempo. Se a inflação for baixa, não ultrapassando os 6% ao ano, aí sim a caderneta de poupança será um investimento valido.

Romero Albuquerque - O Economista

Fonte: IBGE

Juros do financiamentro imobiliário devem cair mais, avisa executivo de finanças

Junho 13, 2009

O consumidor interessado em comprar um imóvel financiado deve esperar por pelo menos mais dois meses, na opinião do vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, as taxas de juros, que já estão sendo reduzidas pelos bancos, devem cair ainda mais, com a percepção de melhora na economia e com as reduções da taxa básica de juros, a Selic.

Na última semana, o Banco do Brasil e a Caixa anunciaram redução de juros, com condições diferenciadas de acordo com a forma de pagamento das prestações, ou se o interessado é correntista, por exemplo. Bancos privados, como o Bradesco, também estão de olho no mercado. Em maio, a instituição anunciou a ampliação do prazo de financiamento da casa própria de 25 para 30 anos em todas as modalidades previstas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e anunciou redução de taxas. Confira dicas do especialista sobre a compra de imóveis financiados.

Agência Brasil - As condições para a compra de imóveis estão melhorando?
Miguel José Ribeiro de Oliveira - Depois que a crise financeira internacional se agravou, principalmente no período de setembro de 2008 até fevereiro deste ano, os bancos subiram as taxas de juros, encurtaram o prazo de financiamento e passaram a ser mais seletivos. Estavam preocupados com a possibilidade de que a crise pudesse se agravar e levar à inadimplência de seus clientes. Os bancos públicos, pressionados pelo governo, passaram a emprestar mais para compensar a queda na oferta de crédito dos bancos privados. Passado esse momento, os bancos perceberam que tinha boas oportunidades pela frente e que os públicos pegaram o espaço deles e voltaram a emprestar. Atualmente, há uma competição maior nesse segmento, o que possibilita aos consumidores melhores condições. Os bancos vêm alongando prazos. Atualmente é possível encontrar prazo de até 30 anos. Tem os bancos anunciando redução das taxas de juros e em algumas situações financiando 100% do valor do imóvel. Entretanto, essas condições tenderão a ficar ainda melhores. Mas aquele consumidor que não pode esperar, é importante ficar atento para não comprometer demais a renda, preferencialmente escolher o sistema Sacre [Sistema de Amortização Crescente] que possibilita pagar a um custo menor. Claro que tem uma desvantagem porque as parcelas inicialmente são maiores. Mas a dívida é amortizada de forma mais rápida. O consumidor deve prestar atenção também que quando vai comprar o imóvel, além dos juros, tem seguros e a Taxa Referencial (TR).

ABr - Quanto tempo mais aqueles que querem financiar um imóvel devem esperar?
Oliveira - As condições de crédito no segundo semestre vão estar melhores. Daqui a dois ou três meses, haverá uma quantidade maior de bancos oferecendo condições melhores, o que possibilita uma competição maior e beneficia os consumidores. Taxas menores, prazos maiores, menor burocracia no sentido de que deve haver uma liberação maior.

ABr - Os efeitos da crise no financiamento imobiliário estão passando?
Oliveira - Tenho a convicção de que o pior da crise já passou, o que se reflete na própria atitude dos bancos. Se os bancos acreditassem que a situação estaria complicada, não fariam o que estão fazendo agora. Agregado a isso, temos a Selic sendo reduzida, o que possibilita aos bancos continuar reduzindo as taxas de juros.

ABr - Qual é o feito da Selic nas taxas de juros de financiamento de imóveis?
Oliveira - A Selic é uma taxa de juros que referencia todas as demais. Quando a Selic sobe, todas as taxas de juros sobem. Por se tratar de financiamento de longo prazo e de alto valor, qualquer um ponto percentual de redução da Selic traz uma enorme efeito no custo do financiamento de imóveis.

ABr - Os bancos estão realmente baixando os juros ou só estão retomando ao patamar anterior à crise?
Oliveira - Aconteceram as duas coisas. Alguns bancos subiram as taxas de juros no momento de crise e agora, passado aquele momento, estão levando as taxas aos patamares que cobravam anteriormente. Mas também tivemos bancos que mantiveram a taxa e agora, acreditando que a economia vai ficar melhor, baixaram os juros. Tanto aquele banco retornou à taxa anterior como o que reduziu vai continuar reduzindo. A competição está se iniciando nesse segmento e vai levar a queda mais fortes nas taxas de juros.

ABr - Qual a diferença entre os sistemas de amortização Price (Sistema Francês de Amortização), Sacre e SAC (Sistema de Amortização Constante)?
Oliveira - Quando você faz um financiamento, paga sempre os juros sobre o saldo devedor. Entretanto, tem alguns tipos de sistema que definem como vai ser amortizada a dívida. Tem o sistema Price, que é o mais conhecido pelos brasileiros, em que você paga parcelas iguais durante o financiamento. Tem o sistema Sacre, que é crescente, adotado pela Caixa, em que as prestações iniciais são maiores e vão sendo reduzidas a cada 12 meses. O SAC, usado tanto pela caixa quanto por bancos privados, é muito parecido com o Sacre. Como com esses dois sistemas, você começa igualmente a amortizar mais no início do financiamento. Para se ter uma idéia, no caso de um financiamento de dez anos, o consumidor que optar pelo sistema Price vai pagar 10% a mais do que pagaria nos outros dois sistemas.

ABr - Para quem não tem disciplina para juntar dinheiro, o financiamento pode ser uma boa opção, já que a pessoa terá que reservar os recursos para pagar as prestações?
Oliveira - Em qualquer hipótese é melhor juntar dinheiro para comprar à vista ou para financiar uma parcela menor do valor do imóvel. Assim, o consumidor economiza com juros. Mas para aquele consumidor que não é muito regrado, a melhor indicação é o sistema de consórcio, porque vai ter a obrigatoriedade de pagar todo o mês.

ABr - E o financiamento é melhor opção do que pagar aluguel?
Oliveira - Hoje em dia, eu diria que sim. As condições de crédito melhoraram, o que possibilita pagar o mesmo valor de um aluguel. Atualmente, os juros de financiamento estão, em média, entre 0,90% e 1% ao mês. O aluguel corresponde em geral de 0,80% a 1% do preço do imóvel.

ABr - Quais são as dicas na hora de pesquisar nos bancos?
Oliveira - Estamos falando que as taxas de juros estão caindo. Mas isso não quer dizer que todas as taxas estejam iguais e que todos os bancos reduziram. Nem sempre que os bancos dizem que reduziram os juros, a redução foi para todas as categorias. Às vezes, caíram para financiamento de dez anos, por exemplo, ou em uma situação em que o consumidor ofereça uma boa entrada. A melhor alternativa é pesquisar muito. O consumidor deve procurar o seu banco e os demais para saber quais são a taxa de juros e os demais encargos. Ele só vai saber onde é mais barato, se fizer uma comparação de custos.

Kelly Oliveira - Agência Brasil

Banco Central reduz juros para 9,25% ao ano

Junho 10, 2009

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual. Com isso, os juros básicos da economia caíram de 10,25% ao ano para 9,25% ao ano e ficam, pela primeira vez na história, abaixo de dois dígitos. O anúncio foi feito há pouco, ao final da quarta reunião que o Copom realizou neste ano.

Neste ano, os juros básicos foram reduzidos em 1 ponto percentual, dia 21 de janeiro, mais 1,5 ponto percentual, dia 11 de março, e novamente 1 ponto percentual, dia 29 de abril. A redução feita hoje deixa a taxa Selic em 9,25% ao ano até a próxima reunião do Copom, agendada para os dias 21 e 22 de julho.

Em nota, o Copom diz que “tendo em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,25% ao ano, sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,75 ponto percentual. Levando em conta que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade econômica e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo, o comitê concorda que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa. O Copom acompanhará atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos da estratégia de política monetária”.

Na última reunião, em abril, com a taxa básica definida em 10,25% ao ano, o Brasil já havia alcançado o menor nível de juros na série histórica iniciada em 1996.

Com a decisão do Copom, o Brasil manteve-se em terceiro lugar no ranking de juros reais (descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses) de 40 países, segundo levantamento da consultoria UpTrend. Como a inflação projetada até junho do ano que vem é de 4,3%, a taxa real de juros no Brasil fica em 4,9% ao ano, atrás da China (6,9%) e da Hungria (5,9%).

No ranking dos juros nominais, o Brasil ocupa o quarto lugar, atrás da Venezuela (21,4%), Rússia (11,5%) e Argentina (10,5%). Descontada a inflação dos últimos 12 meses (de junho de 2008 a maio deste ano), os juros mais altos dentre os 40 países ranqueados pela UpTrend foram praticados pela Turquia (8%), China (7,8%) e Brasil (6,6%).

O levantamento da empresa de consultoria considera as 40 principais economias do mundo, das quais apenas 12 praticam taxas de juros acima de 1% ao ano, 11 outras têm taxas entre 0,1% e 1%, Dinamarca e Grécia zeraram suas taxas e 15 países trabalham com a perspectiva de juros negativos nos próximos 12 meses.

Stênio Ribeiro e Kelly Oliveira - Repórteres da Agência Brasil

Investidor opta por vender ações “caras” e Bovespa cai; dólar bate R$ 1,94

Junho 2, 2009

As ações brasileiras são negociadas com perdas na jornada desta terça-feira. O investidor prefere vender ações que subiram bem nas últimas semanas, em um dia de agenda econômica mais tranquila, tanto por aqui quanto nos EUA. Pela manhã, a Bolsa oscilou, principalmente após alguns números mais positivos da economia americana. A taxa de câmbio retrai para R$ 1,94.

O Ibovespa, índice que reflete os preços das ações mais negociadas, tem baixa de 0,66%, aos 54.127 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,91 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 0,22%.

O dólar comercial é vendido por R$ 1,941, em um decréscimo de 0,61% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país marca 277 pontos, número 2,59% acima da pontuação anterior.

Entre as principais notícias do dia, a entidade privada National Association of Realtors (Associação Nacional de Corretores de Imóveis) revelou que as vendas pendentes de casas nos EUA cresceram 6,7% em abril, em sua maior taxa desde outubro de 2001.

E a “novela” do setor automobilístico americano começa a se aproximar de seu desfecho, principalmente após a General Motors ter recorrido ontem ao chamado “Capítulo 11″ (o capítulo da legislação dos EUA para falências). A GM anunciou hoje que chegou a um acordo preliminar para a venda de sua marca Hummer.

Já a Ford Motors, embora em melhor situação que as rivais GM e Chrysler, não passou incólume pela crise: suas vendas tiveram uma queda de 24% em maio, na comparação com idêntico mês do ano passado. Sobre abril, no entanto, houve um incremento de 20%.

O Eurostat (órgão estatístico da União Europeia) informou que a taxa de desemprego na zona do euro ficou em 9,2%, um nível recorde desde setembro de 1999.

No front doméstico, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apontou que a inflação medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no município de São Paulo fechou o mês de maio com alta de 0,33%, contra 0,34% na terceira quadrissemana do mês passado.

Folha Online

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