Países pobres já estavam marginalizados e ficarão ainda mais com a crise, diz economista
Outubro 27, 2008
Os países pobres já estavam “marginalizados” antes da desestabilização dos mercados internacionais e, na nova conjuntura, ficarão ainda mais – uma vez que se inserem na economia mundial como simples exportadores de matérias primas, com investimentos estrangeiros exatamente na exploração desses recursos.
A avaliação foi feita hoje (27) pelo professor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Clélio Campolina, ao comentar os reflexos da crise financeira mundial.
“A crise mundial também afetará os países pobres, mas a esperança é que, em uma retomada do sistema – e a gente tem que esperar que ele retome – isso se faça em novos padrões de organização da economia mundial que possam, de certa forma, reconhecer o direito político desses países de ter algum tipo de apoio”.
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Campolina reforçou que o alcance da atual crise financeira é maior do que o de qualquer crise precedente, já que a economia mundial está extremamente integrada. O impacto, segundo ele, será generalizado e os efeitos serão em cadeia. De acordo com o especialista, à medida que aumenta o peso do comércio internacional, das relações internacionais e da integração do sistema financeiro internacional, tocar em qualquer um dos “pontos de relevância”, “contamina” o restante do sistema.
Ele negou que a decisão do passado de globalizar a economia mundial possa ser considerada um equívoco e acrescentou que as mudanças tecnológicas da época apontavam para uma integração crescente. Para Campolina, o problema vivenciado pelo neoliberalismo na atualidade é que os grandes países “relaxaram” na atuação do Estado na economia.
“O sistema terá que estabelecer novos mecanismos de regulação mundial e não será mais sob a liderança de um único país, como foi o caso dos Estados Unidos [depois da ] Segunda Guerra Mundial. As forças econômicas que se reconstroem seguramente vão levar à formação de um sistema multipolar de poder, o que é bom porque dá mais estabilidade, mais solidariedade e um pouco mais de cuidado e juízo na tomada de decisões”.
Para o economista, o Brasil será “indiscutivelmente” afetado pela crise, mas ele considera que a atual posição internacional em que se encontra o país é “relativamente confortável”, diante de uma certa estabilidade institucional e política que permite a busca de caminhos “de maneira mais racional”.
“Nossa fonte de US$ 200 bilhões [de reservas internacionais] não é inesgotável, mas os bancos brasileiros estão em uma situação relativamente sólida. Pela perversidade da nossa dívida interna, os bancos brasileiros são, hoje, os grande detentores de títulos da dívida interna – não estão no mercado privado de títulos, o que aconteceu com os bancos norte-americanos e europeus”.
Campolina afirmou que não há um risco exagerado de corrida de estrangeiros tirando dinheiro do Brasil, o dinheiro não tem muito para onde ir. “O outro lado do mundo está pior do que a gente. Os detentores de capitais internacionais vão pensar duas vezes antes de repatriar dinheiro. Como a situação do vizinho é pior do que a nossa, temos uma situação de relativo conforto”.
Agência Brasil / Paula Laboissière
Investimento estrangeiro direto em setembro é o maior para o período desde 1947
Outubro 24, 2008
Lopes, ressaltou que não houve interrupções no investimento estrangeiro direto, mesmo com a crise financeira internacional. “Não houve interrupções nesses fluxos e o que confirma a tese de que para o investimento direto o olhar se volta para o longo prazo”. De acordo com Lopes, o Brasil tem “boas condições” e “um quadro macroeconômico mais estável”, mas ele ressaltou que “evidentemente” é necessário estar atento. “Observar os próximos meses se há algum refluxo nessa modalidade”, afirmou Lopes.
Agência Brasil / Kelly Oliveira
Horário de verão quer aliviar sobrecarga de sistema, mais que economizar
Outubro 20, 2008
O principal objetivo do horário de verão, que começou à meia-noite de sábado (18), não é economizar energia elétrica, mas proporcionar “alívio” no sistema de geração elétrica, garante o secretário-adjunto de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Homrich. Segundo ele, o excesso de consumo - que costuma ocorrer por volta das 20h - faz com que as usinas trabalhem perto do seu limite.
“No horário mais crítico, as pessoas têm o hábito de tomar banho e de ligar aparelhos de grande consumo, como o de ar condicionado. Com o horário de verão, a claridade do sol é mais bem aproveitada nas casas e na iluminação pública, pelo retardamento na ligação da energia”, explica.
Com o horário de verão, os relógios são adiantados em uma hora nos estados das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A economia de energia, de acordo com os cálculos do governo, é em torno de 4% a 5%. Durante esse período, são economizados, por dia, cerca de 2.300 megawatts de um total de 62 mil megawatts consumidos.
O horário de verão foi instituído em 1931, mas vem sendo empregado anualmente desde 1985.
Agência Brasil / Lourenço Canuto
Plano Verão: o prazo termina em dezembro
Outubro 17, 2008
O Instituto de Defesa dos Direitos Sociais (IDS) alerta os poupadores com cadernetas ativas em 1989, época do Plano Verão do governo Sarney, que eles devem ficar atentos para a última chance de recorrer à Justiça. Em dezembro de 2008 termina o prazo para o ingresso das ações de recuperação do dinheiro retido indevidamente pelos bancos, resultado da mudança do indexador oficial de correção. O Banco Central calcula que as perdas chegam a R$44 bilhões. Isso dá, em valores atualizados, pelo menos R$ 110 bilhões de prejuízo aos titulares das poupanças que podem chegar a 64 milhões de pessoas.
Para entrar com uma ação judicial, Paulo Zancaneli, consultor jurídico do IDS - entidade que se dedica à defesa dos direitos do cidadão - orienta que as pessoas procurem seus bancos para solicitar os extratos de janeiro e fevereiro de 1989, que comprovam a existência da poupança. A instituição bancária tem um prazo de cerca de trinta dias para fornecer os extratos. Caso se recuse a fornecer a documentação, ela estará sujeita a uma multa diária até que os extratos sejam entregues. Quando estiver munido desses documentos, o poupador deve buscar o seu direito junto ao Poder Judiciário.
- Como o prazo expira no final do ano, é melhor não deixar para solicitar os extratos em cima da hora. A instituição financeira pode demorar além do esperado para entregar os comprovantes. É melhor não correr riscos de perder o prazo – aconselha o consultor.
A estimativa é que os poupadores têm para receber em torno de R$2.844,27 mil para cada mil cruzados novos que ele tinha depositado na poupança.
- Considerando os processos que já concluímos do Plano Verão, temos uma média de recebimento de R$8 mil para cada poupador – acrescenta Zancaneli.
Marcos Antonio Galdino, aposentado, morador de São Paulo, demorou cerca de dois anos, depois que entrou com a ação, para receber a quantia que tinha direito e que, segundo ele, “era bem considerável”.
- Eu acompanhava as decisões da justiça sobre os planos econômicos há um bom tempo. No ano 2000, solicitei os extratos ao Unibanco e consegui com facilidade. Mas vi que faltava uma parte e voltei a procurar o banco apenas em 2006. Aí já foi mais complicado. Apenas em 2008 consegui receber o dinheiro - explica ele.
Entenda o que aconteceu
O Plano Verão foi instituído pelo então presidente José Sarney quando o país vivia um período de crise inflacionária. O governo criou esse plano através do artigo 17 da lei 7.730 de 89, modificando o índice que iria calcular o rendimento da poupança. Se antes os rendimentos tinham como base o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a partir da publicação da lei os ganhos deveriam ser calculados tendo como base a Letra Financeira do Tesouro (LFT).
Zancaneli explica que, como a data de publicação da lei é 16 de janeiro de 1989, a nova regra não poderia ser aplicada para quem tinha poupanças com aniversário entre o dia 1º e 15 de janeiro. Contudo, os bancos aplicaram um efeito retroativo e, em fevereiro, não remuneraram as poupanças de acordo com o IPC, que era calculado em 42,72%, mas sim de acordo com a LFT, que era 22,36%.
- A diferença entre esses dois índices é o que os poupadores, com cadernetas aniversariando entre 1º e 15 de janeiro, têm direito a receber de volta, devidamente corrigido - complementa ele.
O caso é o mesmo que aconteceu com os correntistas durante o Plano Bresser, mas, para este, o prazo acabou em maio de 2007. É importante que o poupador fique atento para casos como o do aposentado Dorival Marcelino. Ele ingressou com ação pelo Plano Bresser em 2007 e recebeu cerca de R$2.600, após um acordo feito com o Banco Real. Mas como verificou que o aniversário da sua poupança de1989 era na segunda quinzena, nem ingressou com a ação por saber que não tem direito ao Plano Verão.
Serviço: Instituto de Defesa dos Direitos Sociais (IDS)
Sede em São Paulo: 11 3159-0225
Florianópolis: 48 3028-8225
Dirigente da Febraban diz que o sistema bancário brasileiro vive um momento ímpar diante da crise
Outubro 16, 2008
O vice presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Antônio Jacinto Matias, voltou a ressaltar hoje que o sistema bancário brasileiro vive um “momento ímpar” e que está sólido para enfrentar a crise econômica mundial.
“Os bancos já demonstraram essa solidez em outras crises menos graves, como a da Ásia e a da Rússia. Eles ajudaram muito a economia brasileira por estarem sólidos nessas crises, como estão ajudando e ajudarão neste momento”, disse Matias. Ele não quis comentar o aviso do presidente Lula de que voltará a implementar o depósito compulsório do bancos caso eles não disponibilizem os recursos em operações de crédito ao tomador final.
O compulsório é uma parcela dos depositos à vista e a prazo que os bancos são obrigados a recolher, sem remuneração, ao Banco Central. Diante da crise de liquidez no mercado internacional , o Banco Central liberou uma parte desse valor dos depósitos compulsório para que os bancos elevem o volume de empréstimos à pessoa física e jurídica. Agora ao usar os recursos dos compulsórios em linhas de financiamento, ou com aplicações em papéis do Tesouro Nacional, os bancos terão remuneração sobre esta parcela de recursos, coisa que não tinha quando estavam com o Banco Central.
Agência Brasil / Mariana Jungmann
Bovespa fecha em queda de 11,39% e dólar sobe para R$ 2,166
Outubro 15, 2008
A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão de hoje (15) em queda de 11,39%, aos 36.833 pontos. O volume negociado foi de R$ 9,706 bilhões. As ações em alta foram Telemar (+5,30% ), Brasil Telecom Participações (+2,42%) e Telemar Norte Leste PNA (+2,18%). Em baixa, JBS ON (22,44%), Gafisa ON (21,51%) e B2W Varejo ON (20,68%).
A Bovespa encerrou as negociações às 17h30, meia hora após o horário normal, devido ao circuit breaker realizado durante a tarde. O mecanismo é acionado toda vez que o pregão apresenta queda de 10% ou mais. Consiste em suspender os negócios por 30 minutos, de modo a acalmar os investidores. Às 14h25, o pregão foi suspenso porque o Ibovespa operava em queda de 10%.
Mesmo com os leilões realizados durante o dia pelo Banco Central, o dólar fechou cotado a R$ 2,166, alta de 3,48%, após ter chegado a disparar quase 5% durante o dia.
Maria Eugênia Castilho - Agência Brasil
Ação conjunta de Bancos Centrais reduz juros em vários países
Outubro 8, 2008
Bancos Centrais de vários países anunciaram hoje (8) ações conjuntas de redução das taxas de juros. A ação coordenada tem o objetivo de evitar maior desaceleração econômica por conta da crise financeira. Segundo nota do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, que reduziu os juros de 2% para 1,5%, a pressão inflacionária tem se reduzido em vários países, refletindo a redução dos preços de commodities.
O Banco Central da Inglaterra reduziu os juros em 0,5 ponto percentual e a taxa ficou em 4,5%. O Banco Central Europeu reduziu os juros de 4,25% para 3,75%. O BC do Canadá optou por reduzir a taxa de juros em 0,50 ponto percentual para 2,50%. Os bancos da Suécia e da Suíça também cortaram os juros, de 4,75% para 4,25% e de 3% para 2,50%, respectivamente.
O Banco Central do Japão expressou apoio à decisão coordenada, mas optou por não reduzir os juros, por considerar que a taxa já está muito baixa e as condições monetárias estão acomodadas. O BC japonês informou que já tomou medidas para dar maior liquidez e o mercado financeiro do país está estável.
Na Inglaterra, a redução dos juros foi acompanhada por anúncio de detalhes de um pacote no valor de até 50 bilhões de libras esterlinas (o equivalente a cerca de US$ 88 bilhões) para resgatar o sistema bancário do país.
Segundo a BBC Brasil, logo após o anúncio do corte de juros, as principais bolsas européias ainda não haviam reagido à notícia e continuavam operando no vermelho, seguindo a tendência de queda observada nas últimas semanas.
Fonte: Agência Brasil
Banco Central leiloa US$ 1,359 bilhão
Outubro 7, 2008
O Banco Central vendeu hoje (7) US$ 1,359 bilhão em mais um leilão de swap cambial tradicional (contratos que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar).
Por meio dessa operação, o Banco Central assume posição vendedora em câmbio e comprada em juros. Ou seja, se o dólar subir, o mercado ganha; se os juros subirem, quem ganha é o BC. Para quem compra, esse contrato pode ser um seguro contra as variações cambiais.
O total comprado foi pouco mais da metade dos US$ 2,280 bilhões ofertados. Foram vendidos 10.800 contratos com vencimento no dia 3 de novembro e 16.600, no dia 1º de dezembro deste ano.
Nessas mesmas datas também vencem contratos de swap cambial reverso. Nesses contratos, o BC dá às instituições financeiras a variação da taxa de juros (Selic) e recebe, em contrapartida, a variação do dólar.
Ou seja, com o vencimentos dessas operações na mesma data, o dinheiro que o BC vende hoje, irá voltar à autoridade monetária na data de vencimento dos contratos. Ontem, o Banco Central vendeu US$ 1,470 bilhão em operações de swap cambial tradicional.
Kelly Oliveira - Agência Brasil
Circuit Breaker é trava de segurança em momentos de tensão: entenda como funciona
Outubro 6, 2008
O Circuit Breaker é uma proteção contra a movimentação especulativa, travando o famoso “efeito manada”. A BM&F descreve o instrumento como “proteção à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado”. Quando os negócios atingem o limite de baixa de 10% em relação ao fechamento anterior, a bolsa interrompe o pregão por 30 minutos. O período de paralisações serve, entre outras coisas, para que os negociadores tenham tempo de respirar, não entrem em pânico e não agravem uma situação já por si só complicada.
Após este período, em caso de perdas excessivas, chegando a uma desvalorização de 15% em relação ao pregão anterior, os negócios são interrompidos por uma hora. Tal fato ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando o Circuit Breaker foi acionado e os negócios suspensos depois dos ataques terroristas nos EUA.
Leia um documento em PDF com a regulamentação do circuit breaker no site da Bovespa.
Bush sanciona pacote de ajuda ao setor financeiro aprovado no início da tarde pelo Congresso
Outubro 3, 2008
O presidente norte-americano, George W.Bush, já sancionou o pacote de ajuda ao setor financeiro, aprovado no começo da tarde de hoje (3) pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos.
Em discurso divulgado pela Casa Branca, Bush agradeceu a cooperação entre o Legislativo e o Executivo e o “trabalho duro” de democratas e republicanos, tanto no Senado quanto na Câmara.
“Trabalhando juntos nessa legislação, ajudamos a evitar que a crise de Wall Street se transformasse em uma crise das comunidades de todo o país”, disse Bush. “Mostramos ao mundo que os Estados Unidos da América estabilizarão seus mercados financeiros e manterão papel de liderança na economia global”, completou.
O presidente norte-americano também destacou que o pacote é fundamental para acalmar a escassez de crédito que ameaça a economia americana – o que, segundo ele, permitirá que os empresários reponham seus estoques e as famílias americanas obtenham novos empréstimos para “carros, casas e educação”. “Mais governos estaduais e locais serão capazes de financiar serviços básicos.”
Para reduzir a rejeição popular ao pacote e, assim, facilitar sua aprovação na Câmara, Bush fez vários apelos para que o povo americano compreendesse a necessidade de ajuda ao setor financeiro como forma de evitar a recessão no país. Outra estratégia para diminuir a rejeição foi a inclusão de medidas populares, como a ampliação do limite de depósitos bancários garantidos pelo governo federal.
Hoje, ao promulgar o pacote de ajuda ao setor financeiro, Bush disse saber da preocupação dos americanos quanto ao custo desse tipo de ajuda e deixou claro que intervenções devem ser pontuais. “Acredito que a intervenção do governo deve ocorrer apenas quando necessário. Nessa situação, é claramente necessário”, afirmou, lembrando que estatísticas divulgadas hoje indicam queda no nível de emprego nos Estados Unidos, em setembro.
A medidas aprovadas, segundo ele, ainda levarão algum tempo para ter impacto na economia norte-americana. “Nossa economia continua enfrentando sérios desafios”, ressaltou. “Com confiança, liderança e cooperação bipartidária, superaremos os desafios que enfrentamos, e recolocaremos nossa nação no caminho do crescimento, da criação de emprego e da prosperidade econômico de longo prazo.”
Agência Brasil - Mylena Fiori

Carregando ...