Cofecon elege presidência para o ano de 2010
Fevereiro 9, 2010
Os conselheiros federais Waldir Pereira Gomes (D) e Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo (E) são, respectivamente, os novos presidente e vice-presidente do Conselho Federal de Economia. Ambos foram eleitos e empossados no último sábado (06). O mandato presidencial vai até 31 de dezembro de 2010. O pleito ocorreu no auditório do Corecon-DF, em Brasília. A comissão eleitoral foi formada pelos conselheiros Ermes Zapelini (como presidente), Júlio Miragaya e Paulo Brasil. A chapa eleita foi a única a registrar-se no prazo apropriado e recebeu 23 votos. Houve seis abstenções.

Waldir Pereira Gomes, o novo presidente
O novo presidente do Cofecon desenvolveu sua trajetória em São Paulo, onde inclusive presidiu o Conselho Regional de Economia (2008). Waldir atua como professor titular da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), consultor na área de Educação e diretor do Sindicato de Professores de Mogi das Cruzes e Região. Na UMC foi coordenador do curso de Ciências Econômicas e Decano do Centro de Ciências Humanas. Foi também coordenador do curso de Economia e vice-diretor do centro de Ciências Jurídicas, Administrativas e Econômicas da PUC-SP.
Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo, o vice-presidente
O novo vice-presidente do Cofecon é doutor em ciências sociais Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (Ceppac) da Universidade de Brasília (2007). Foi professor de Microeconomia e Macroeconomia na Universidade Católica de Brasília. Atuou também na Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (UniDF) e na Universidade Federal de Uberlândia. Foi economista do Serpro, Auditor Fiscal da Receita Federal, chefe de gabinete do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e coordenador na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Foi presidente do CORECON-DF em 2007 e 2008.
Conselheiros participantes
Participaram da eleição os conselheiros efetivos Ermes Tadeu Zapelini (até então no exercício da presidência do Cofecon), Antonio Alberto Machado Pires Valença, Antonio Melki Júnior, Carlos Alberto Gandolfo, Fabíola Andréa Leite de Paula, João Manoel Gonçalves Barbosa, José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, José Luiz Amaral Machado, Júlio Flávio Gameiro Miragaya, Kanitar Aymoré Sabóia Cordeiro, Marcelo Pereira de Mendonça, Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo, Osmar Gonçalves Sepúlveda, Paulo Brasil Corrêa de Mello, Paulo Dantas da Costa, Paulo Roberto Lucho, Pepeu Garcia, Raimundo Rocha Júnior, Ricardo José Senna, Sebastião José Balarini, Waldir Pereira Gomes, Wellington Leonardo da Silva, Wilson Benício Siqueira e Wilson Roberto Villas Boas Antunes; e os conselheiros suplentes Cândido Luiz de Lima Fernandes, Virgílio Pacheco de Araújo Neto, Marcos Antonio Moreira Calheiros, Carlos Roberto de Castro e Nei Jorge Correia Cardim.
Com informações do Conselho Federal de Economia (Cofecon).
Cofecon prorroga prazo da campanha de recadastramento
Fevereiro 8, 2010
Devido ao grande sucesso e à importante resposta dos Economistas, a Campanha Nacional de Recadastramento foi prorrogada até o dia 31 de agosto. A decisão foi tomada com base no trabalho da Comissão de Acompanhamento, que esteve reunida em Brasília. Outra decisão importante facilita a vida de quem mora longe do Corecon de origem e permite levar o formulário preenchido a algum Conselho Regional ou Delegacia Regional (onde se coletará assinatura e impressão digital) mais próxima de casa.
Maior prazo para a campanha
A primeira grande novidade da Resolução 1.825/10 é a ampliação do prazo para o recadastramento (sem qualquer ônus para o economista) até o dia 31 de agosto. Embora a medida beneficie a todos, será especialmente útil para os economistas que se encontram distantes dos Corecon’s, permitindo um prazo maior para conciliar seus compromissos e o comparecimento ao Conselho Regional ou Delegacia Regional. A resolução também flexibiliza a arrecadação de leite em pó a critério de cada Corecon. Os Regionais adotarão os procedimentos administrativos necessários e escolherão as instituições que receberão o material arrecadado.
Facilidades para quem mora longe
Para os economistas que residem em um estado e possuem registro em outro, o recadastramento poderá ser feito mais perto de casa. Para tanto, é preciso levar o formulário preenchido ao Conselho Regional ou Delegacia Regional mais próxima, onde se efetuará a coleta de impressão digital. Os dados atualizados serão encaminhados ao Corecon no qual o economista tem seu registro, acompanhados de uma Certidão de Encaminhamento.
Tire suas dúvidas sobre a campanha
Tem alguma dúvida sobre a campanha de recadastramento? Disponibilizamos a seguir algumas das perguntas mais frequentes com as devidas respostas.
1. Caso um profissional tenha recebido a correspondência do Cofecon sobre a nova carteira, mas perdeu, extraviou ou não recebeu o formulário, como proceder?
O profissional deverá comparecer ao Regional munido de uma fotografia 3 x 4, com fundo branco, e solicitar a segunda via do formulário, para a posterior solicitação da nova carteira profissional.
2. Depois do formulário preenchido e assinado devo encaminhar para qual endereço?
O formulário somente deve ser assinado na presença de um funcionário do Corecon ou Delegacia Regional, o qual irá conferir o preenchimento do documento, fazer a coleta da digital e da foto para depois encaminhar à empresa que irá confeccionar a carteira. Se o profissional tiver encaminhado o formulário equivocadamente pelo correio ou portador, o mesmo deverá ser convocado a comparecer no respectivo Conselho Regional para procedimento adequado.
3. Tenho registro em um Estado, porém resido em outro, como devo proceder?
O profissional deverá comparecer ao Corecon ou Delegacia Regional mais próximo da sua residência para que o Regional faça a conferencia dos dados bem como coleta dos dados biométricos para posterior envio do formulário ao Corecon de origem.
Não se aplica esse procedimento para os casos de alteração do domicílio, pois nos casos de nova residência definitiva, este profissional deverá efetuar a transferência do registro.
4. Em caso do registro de origem seja em outro Estado, a lata de leite em pó pode ser entregue no Regional que receber o formulário?
Sim. Não há necessidade de encaminhar a lata de leite em pó para seu Regional de origem.
5. É necessária a presença para realização do recadastramento?
Sim. O profissional deverá estar pessoalmente no Conselho Regional ou Delegacia Regional, pois não se trata somente de recadastramento, mas sim da verificação dos dados corretos (assinatura e digital) para confecção da nova carteira.
6. O recadastramento é obrigatório?
Não. Caso não haja interesse em participar da Campanha Nacional de Recadastramento, o profissional poderá continuar utilizando a carteira de identidade profissional que já possui. Contudo, vencido o prazo de recadastramento a eventual emissão de nova carteira implicará na cobrança de taxas e conseqüente desobrigação de doação da lata de leite em pó.
7. O prazo para a entrega da documentação será prorrogado?
Sim. O prazo foi prorrogado até o dia 31/08/2010.
8. Quando fazemos a validação é necessário imprimir novamente o formulário?
Não. Somente é necessária a impressão de um novo formulário caso haja erros durante a coleta dos dados biométricos (assinatura e digital).
9. Os lotes com as solicitações deverão ser encaminhadas ao Cofecon ou a empresa?
Os lotes deverão ser encaminhados diretamente para a empresa contratada para emissão das carteiras profissionais.
10. Se o profissional perder a nova carteira dentro do prazo da campanha de recadastramento, ele poderá solicitar a emissão de outra?
Sim. Não haverá mais necessidade de ser feita coleta de dados biométricos e nem a presença física do profissional, pois esses já estarão disponíveis no sistema unificado. No entanto, o mesmo deverá recolher a taxa de emissão da carteira, não aplicando o principio da gratuidade e a doação da lata de leite em pó, instituído apenas no processo de implantação de substituição das carteiras.
O Cofecon encaminhará expediente contendo todas as instruções necessárias.
11. As carteiras serão encaminhadas para as Regionais ou direto para a residência dos economistas?
O processo licitatório prevê a remessa aos Corecon’s, porém o Cofecon irá estudar a possibilidade de encaminhar as carteiras diretamente à residência do profissional.
12. Qual é o prazo da confecção?
Devido à grande demanda de procura por parte dos profissionais, em âmbito Nacional, durante a campanha infelizmente não dispomos de informações precisas neste momento, solicitamos a compreensão dos Corecon’s no aguardo de novas orientações acerca do tema.
13. A carteira terá um chip?
Não. O layout aprovado pelo Plenário durante a realização da 606ª Sessão Plenária do Cofecon não prevê a confecção das carteiras profissionais com chip.
Se ainda ficar alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail cofecon@cofecon.org.br.
Cofecon prorroga prazo da campanha de recadastramento
Fevereiro 3, 2010
Devido ao grande sucesso e à importante resposta dos Economistas, a Campanha Nacional de Recadastramento foi prorrogada até o dia 31 de agosto. A decisão foi tomada com base no trabalho da Comissão de Acompanhamento, que esteve reunida em Brasília. Outra decisão importante facilita a vida de quem mora longe do Corecon de origem e permite levar o formulário preenchido a algum Conselho Regional ou Delegacia Regional (onde se coletará assinatura e impressão digital) mais próxima de casa.
Maior prazo para a campanha
A primeira grande novidade da Resolução 1.825/10 é a ampliação do prazo para o recadastramento (sem qualquer ônus para o economista) até o dia 31 de agosto. Embora a medida beneficie a todos, será especialmente útil para os economistas que se encontram distantes dos Corecon’s, permitindo um prazo maior para conciliar seus compromissos e o comparecimento ao Conselho Regional ou Delegacia Regional. A resolução também flexibiliza a arrecadação de leite em pó a critério de cara Corecon. Os Regionais adotarão os procedimentos administrativos necessários e escolherão as instituições que receberão o material arrecadado.
Facilidades para quem mora longe
Para os economistas que residem em um estado e possuem registro em outro, o recadastramento poderá ser feito mais perto de casa. Para tanto, é preciso levar o formulário preenchido ao Conselho Regional ou Delegacia Regional mais próxima, onde se efetuará a coleta de impressão digital. Os dados atualizados serão encaminhados ao Corecon no qual o economista tem seu registro, acompanhados de uma Certidão de Encaminhamento.
Tire suas dúvidas sobre a campanha
Tem alguma dúvida sobre a campanha de recadastramento? Disponibilizamos a seguir algumas das perguntas mais frequentes com as devidas respostas.
1. Caso um profissional tenha recebido a correspondência do Cofecon sobre a nova carteira, mas perdeu, extraviou ou não recebeu o formulário, como proceder?
O profissional deverá comparecer ao Regional munido de uma fotografia 3 x 4, com fundo branco, e solicitar a segunda via do formulário, para a posterior solicitação da nova carteira profissional.
2. Depois do formulário preenchido e assinado devo encaminhar para qual endereço?
O formulário somente deve ser assinado na presença de um funcionário do Corecon ou Delegacia Regional, o qual irá conferir o preenchimento do documento, fazer a coleta da digital e da foto para depois encaminhar à empresa que irá confeccionar a carteira. Se o profissional tiver encaminhado o formulário equivocadamente pelo correio ou portador, o mesmo deverá ser convocado a comparecer no respectivo Conselho Regional para procedimento adequado.
3. Tenho registro em um Estado, porém resido em outro, como devo proceder?
O profissional deverá comparecer ao Corecon ou Delegacia Regional mais próximo da sua residência para que o Regional faça a conferencia dos dados bem como coleta dos dados biométricos para posterior envio do formulário ao Corecon de origem.
Não se aplica esse procedimento para os casos de alteração do domicílio, pois nos casos de nova residência definitiva, este profissional deverá efetuar a transferência do registro.
4. Em caso do registro de origem seja em outro Estado, a lata de leite em pó pode ser entregue no Regional que receber o formulário?
Sim. Não há necessidade de encaminhar a lata de leite em pó para seu Regional de origem.
5. É necessária a presença para realização do recadastramento?
Sim. O profissional deverá estar pessoalmente no Conselho Regional ou Delegacia Regional, pois não se trata somente de recadastramento, mas sim da verificação dos dados corretos (assinatura e digital) para confecção da nova carteira.
6. O recadastramento é obrigatório?
Não. Caso não haja interesse em participar da Campanha Nacional de Recadastramento, o profissional poderá continuar utilizando a carteira de identidade profissional que já possui. Contudo, vencido o prazo de recadastramento a eventual emissão de nova carteira implicará na cobrança de taxas e conseqüente desobrigação de doação da lata de leite em pó.
7. O prazo para a entrega da documentação será prorrogado?
Sim. O prazo foi prorrogado até o dia 31/08/2010.
8. Quando fazemos a validação é necessário imprimir novamente o formulário?
Não. Somente é necessária a impressão de um novo formulário caso haja erros durante a coleta dos dados biométricos (assinatura e digital).
9. Os lotes com as solicitações deverão ser encaminhadas ao Cofecon ou a empresa?
Os lotes deverão ser encaminhados diretamente para a empresa contratada para emissão das carteiras profissionais.
10. Se o profissional perder a nova carteira dentro do prazo da campanha de recadastramento, ele poderá solicitar a emissão de outra?
Sim. Não haverá mais necessidade de ser feita coleta de dados biométricos e nem a presença física do profissional, pois esses já estarão disponíveis no sistema unificado. No entanto, o mesmo deverá recolher a taxa de emissão da carteira, não aplicando o principio da gratuidade e a doação da lata de leite em pó, instituído apenas no processo de implantação de substituição das carteiras.
O Cofecon encaminhará expediente contendo todas as instruções necessárias.
11. As carteiras serão encaminhadas para as Regionais ou direto para a residência dos economistas?
O processo licitatório prevê a remessa aos Corecon’s, porém o Cofecon irá estudar a possibilidade de encaminhar as carteiras diretamente à residência do profissional.
12. Qual é o prazo da confecção?
Devido à grande demanda de procura por parte dos profissionais, em âmbito Nacional, durante a campanha infelizmente não dispomos de informações precisas neste momento, solicitamos a compreensão dos Corecon’s no aguardo de novas orientações acerca do tema.
13. A carteira terá um chip?
Não. O layout aprovado pelo Plenário durante a realização da 606ª Sessão Plenária do Cofecon não prevê a confecção das carteiras profissionais com chip.
Se ainda ficar alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail cofecon@cofecon.org.br.
Mensagem aos Jovens Economistas Brasileiros
Julho 21, 2009
Por Marcus Eduardo de Oliveira
“Perceber que o mais importante é o social foi a
descoberta mais relevante de minha vida”
Celso Furtado, em O Longo Amanhecer
Em “Princípios de Economia”, Alfred Marshall (1842-1924) afirma que a Economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.
Gregory Mankiw diz que “Economia é um grupo de pessoas que interagem entre si”.
Das muitas definições/objetivos que o termo Economia carrega talvez a de Colin Clark (1905-1989) seja a que melhor se enquadra naquilo que entendemos ser o objetivo precípuo das ciências econômicas: “O objetivo da economia não é a produção de riqueza, mas proporcionar bem estar aos indivíduos”, nos diz C. Clark.
O certo é que desde a obra seminal de Adam Smith, (A Riqueza das Nações) as ciências econômicas vêm ganhando destaque e relevo na administração pública, guardando assim estreita sintonia com a origem do termo que remonta ao pensador grego Xenofonte (430-355 a.C) que definiu Economia pela primeira vez como “administração da casa”; nos dias de hoje, também pode ser entendido como “administração da coisa pública”.
Feitas essas primeiras incursões o fito deste artigo se põe agora a discutir junto aos jovens economistas brasileiros qual o atual e o mais preponderante papel que a economia (enquanto ciência) vem desempenhando na sociedade moderna e, em especial, em sociedades que amargam profundas e históricas desigualdades sociais, como é o típico caso brasileiro.
Quantos de nossos jovens, recém saídos das universidades, diplomados em Ciências Econômicas, se põem a perguntar: quais os desafios da profissão de economista? E agora, como economista formado, o que quero e devo fazer? Como devo agir? Quais são as inquietações reflexivas a que um economista estará exposto? Quais interrogações os cercarão?
Os desafios da profissão em uma sociedade desigual
Uma primeira constatação que o jovem economista brasileiro se depara ao chegar ao mercado de trabalho, é que é impossível fechar os olhos para as gritantes conseqüências sociais que o atual modelo econômico desagregador impõe a grande parte da população que ora encontra-se sem emprego, sobrevivendo no limite, habitando os já conhecidos “bolsões de pobreza”.
Nesse pormenor, a exclusão social será, certamente, uma situação em que o jovem economista porá um olhar crítico para um completo entendimento da situação social que o aguarda. Talvez esteja ai o primeiro e mais importante desafio para os jovens economistas brasileiros desse século XXI: entenderem as razões que levam um país como o Brasil, com grande potencial de recursos, a amargar um quadro vexatório em quesitos sociais.
Cabe a esses jovens economistas tentar explicar como é possível, numa sociedade moderna, a ocorrência de fortíssima segregação social que põe de um lado os incluídos e, do outro, os excluídos; os ricos-milionários separados dos pobres-miseráveis; os sem terra segregados dos latifundiários. Em suma, um país formado por uma sociedade elitista e uma massificação de excluídos.
Aos jovens economistas conhecedores de história econômica caberá responder por que ao Brasil, historicamente, coube um papel específico na economia mundial de grande fornecedor de commodities e, dessa maneira, enquanto os mercados externos eram (e são) abastecidos pelo trabalho dos brasileiros, a economia interna regressa no tempo, desamparando os que aqui labutam.
O desafio maior que espera esses jovens economistas no mercado de trabalho talvez seja estudar, pormenorizadamente, essa exclusão social a que fizemos alusão a fim de “entender” um país que é capaz de produzir e exportar aviões, mas incapaz de alimentar decentemente quase 40 milhões de pessoas. Um país que, por anos a fio, tem sido o maior produtor e exportador de suco de laranja, mas que abriga dezenas de milhares de crianças que nunca tomaram um copo desse suco. Um país que fabrica e exporta calçado de qualidade, mas muitos dentre sua população ainda andam descalços dormindo ao relento dos grandes centros urbanos.
Está reservado aos jovens economistas brasileiros, como um dos mais intensos desafios da profissão, responder os motivos de sermos uma das sociedades mais desiguais do mundo, com forte concentração de renda, em que os meios de produção estão nas mãos de apenas 6% da população. Um país em que de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda (empresa, imóvel ou mesmo o conhecimento).
Esses jovens economistas brasileiros da atualidade, mais do que qualquer outro profissional das ciências humanas, têm a árdua tarefa de explicar por que temos uma carga tributária que onera tanto os pobres (os 10% mais pobres pagam 44,5% mais impostos do que os 10% mais ricos); por que nossa reforma agrária nunca saiu do papel, sendo nosso país o quinto maior em extensão territorial do planeta; um país que exporta vitaminas, mas, no entanto, 40 milhões dos que aqui habitam passam fome.
Especificamente sobre a questão agrária, que no bojo está implícita o paradoxo de muita terra disponível e muita gente passando fome, segundo os Cálculos do Plano Nacional de Reforma Agrária – Cadastro do INCRA – existem, aproximadamente, 55 mil imóveis rurais classificados como grandes proprietários improdutivos, que controlam 116 milhões de hectares. Eles são apenas 1% de todos os proprietários rurais do Brasil. Também sobre isso deverá o economista moderno lançar análise reflexiva.
O desafio da retomada do crescimento econômico
Esses jovens economistas que ora estão entrando no mercado de trabalho vão se deparar com uma armadilha específica que põe severas amarras à economia brasileira. Atualmente, embora o governo afirme o contrário, a economia brasileira não cresce porque está presa a uma armadilha de altas taxas de juros e baixas taxas de câmbio que mantém as taxas de poupança e de investimentos deprimidas. De tal maneira não há espaço para a criação da demanda necessária (desestímulo ao mercado interno) para que a taxa de acumulação de capital alcance o nível necessário à retomada do crescimento econômico.
Crescimento econômico, por sinal, será algo que deverá perseguir o economista todo o tempo; principalmente aqueles que buscarem na administração pública uma colocação no mercado de trabalho. Mais do que encontrar modelos que respondam por uma adequada taxa de crescimento da economia, deverá o economista, a serviço do setor público, ter clara noção de que o crescimento econômico para ser solidificado e produzir frutos deverá esse ser transformado em desenvolvimento.
Para tanto, o economista moderno obrigatoriamente necessitará ter uma visão ampla do processo social, visto que desenvolvimento econômico, no dicionário da profissão, significa qualidade de vida, significa ainda bem-estar a todos.
Combinando compreensão teórica com explicação técnico-didática, esse profissional somente estará apto a exercer sua profissão, à medida que conseguir explicar os fatos econômicos dos tempos atuais com o rigor de excelência que se espera daquelas que tratam a profissão com esmero. E somente conseguirá fazer isso, mediante uma visão panorâmica do ambiente econômico, estando, nesse pormenor, aberto ao processo de criação, uma vez que a sociedade é algo que os homens não param de refazer.
Diante, portanto, de uma sociedade e de sistemas econômicos (incluindo a atividade econômica) que estão longe de serem estáticos, pois suas naturezas são dinâmicas, o economista moderno deve antes ser um analista social capaz de aferir com extrema sensibilidade as manifestações daqueles que almejam construir uma sociedade plural.
Cabe insistir, nesse pormenor, que em sociedades com agudos desequilíbrios sociais, o primeiro compromisso da macroeconomia sempre deverá ser o de erradicar a pobreza, visto que a pluralidade em uma sociedade somente ganhará espaço quando o coletivo sair fortalecido, embora os manuais de introdução à economia insistam em pregar o individualismo.
Depois de erradicada a miséria e banido os “bolsões de pobreza” que ainda marcam a ferro e fogo a história econômica recente desse país, com a economia doméstica, aos poucos, se ajustando aos padrões de bem-estar coletivo, pensar-se-á na criação de riquezas, como muitos entendem ser esse o real e primeiro objetivo da economia.
Antes disso, uma longa e árdua tarefa espera pelos jovens economistas: a de fazer da economia, por meio da cooperação, uma ferramenta capaz de incluir. Para tanto, cabe ao observador da economia entender que essa ciência não se restringe apenas à frieza dos números, das taxas, dos índices, da econometria, da matematização constante, mas, antes, trata-se de uma economia que tem no ser humano seu ponto focal; afinal, como disse Marshall, a economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário.
Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional
Autor do livro “Conversando sobre Economia” (ed. Alínea)
Campo de atuação do Economista e seu piso salarial
Junho 18, 2009
Qual é o campo de atuação do Economista? E suas atribuições? Onde eu posso atuar?
De acordo com a Consolidação da Legislação Profissional do Economista, o campo de atuação se faz presente conforme a seguir:
Do Campo Profissional
Art. 2° - A profissão de economista, observadas as condições previstas neste Regulamento, se exerce na órbita pública e na órbita privada:
a) nas entidades que se ocupem das questões atinentes à economia nacional e às economias regionais, ou a quaisquer de seus setores específicos e dos meios de orientá-las ou resolvê-las através das políticas monetária, fiscal, comercial e social;
b) nas unidades econômicas públicas, privadas ou mistas, cujas atividades não se relacionem com as questões de que trata a alínea anterior, mas envolvam matéria de economia profissional sob aspectos de organização e racionalização do trabalho.
Em relação às atividades inerentes à profissão de Economista, de acordo com a Consolidação da Legislação do Economista em anexo, Capítulo 2.3.1, são:
a) assessoria, consultoria e pesquisa econômico-financeira;
b) estudos de mercado e de viabilidade econômico-financeira;
c) análise e elaboração de cenários econômicos, planejamento estratégico nas áreas
social, econômica e financeira;
d) estudo e análise de mercado financeiro e de capitais e derivativos;
e) estudo de viabilidade e de mercado relacionado à economia da tecnologia, do
conhecimento e da informação, da cultura e do turismo;
f) produção e análise de informações estatísticas de natureza econômica e
financeira, incluindo contas nacionais e índices de preços;
g) planejamento, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação
econômico-financeira de política tributária e finanças públicas;
h) assessoria, consultoria, formulação, análise e implementação de política
econômica, fiscal, monetária, cambial e creditícia.
i) planejamento, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de
planos, programas, projetos de natureza econômico-financeira;
j) Avaliação patrimonial econômico-financeira de empresas e avaliação econômica de
bens intangíveis;
k) perícia judicial e extrajudicial e assistência técnica, mediação e arbitragem, em
matéria de natureza econômico-financeira, incluindo cálculos de liquidação;
l) análise financeira de investimentos;
m) estudo e análise para elaboração de orçamentos públicos e privados e avaliação
de seus resultados;
n) estudos de mercado, de viabilidade e de impacto econômico-social relacionados
ao meio ambiente, à ecologia, ao desenvolvimento sustentável e aos recursos
naturais;
o) auditoria e fiscalização de natureza econômico-financeira;
p) formulação, análise e implementação de estratégias empresariais e
concorrenciais;
q) economia e finanças internacionais, relações econômicas internacionais, aduanas
e comércio exterior;
r) certificação de renda de pessoas físicas e jurídicas e consultoria em finanças pessoais;
s) regulação de serviços públicos e defesa da concorrência;
t) estudos e cálculos atuariais nos âmbitos previdenciário e de seguros.
Mais informações no link: http://www.cofecon.org.br/dmdocuments/2.3.1.pdf
A profissão de economista se exerce na órbita pública e na órbita privada:
a) nas entidades que se ocupem das questões atinentes à economia nacional e às economias regionais, ou a quaisquer de seus setores específicos e dos meios de orientá-las ou resolvê-las através das políticas monetária, fiscal, comercial e social;
b) nas unidades econômicas públicas, privadas ou mistas, cujas atividades não se relacionem com as questões de que trata a alínea anterior, mas envolvam matéria de economia profissional sob aspectos de organização e racionalização do trabalho.(Decreto 31794/52, art. 2º)
Mais informações no link: http://www.cofecon.org.br/dmdocuments/2.2.pdf
O Economista tem fixado o seu piso salarial ou honorários de remuneração?
Infelizmente, ainda não há fixado o piso salarial da profissão de economista. Porém, atualmente o COFECON estuda uma possibilidade de regulamentar, por meio de Resolução, as referências para remuneração e honorários profissionais do economista.
Este Conselho estuda a possibilidade de apresentar junto ao Congresso Nacional uma proposta com o objetivo de fixar por meio de Lei Federal o piso mínimo de remuneração para os economistas em nível nacional.
Conselho Federal de Economia - COFECON
A participação do economista no governo
Maio 5, 2009
A profissão de economista no Brasil nasceu em estreita conexão com o governo e a sua participação teve um enorme crescimento a partir do regime militar. Desde então numerosos pontos estratégicos no governo têm sido predominantemente ocupados por economistas.
A necessidade do setor público de atuar sempre com uma visão macroeconômica, ou seja, ter uma visão do sistema econômico como um todo, concentra grande parte dos economistas nesta área. Isto tanto no nível federal, quanto estadual e municipal. Seu objetivo é examinar como funciona o setor público em uma economia de mercado, analisando quais funções o governo deve exercer e comparando isso com a sua real situação.
Das áreas ocupadas por economistas no governo, cinco delas merecem destaque: planejamento, orçamento, financiamento, assessoria geral e a análise de conjuntura econômica, que é a situação de variações nas atividades produtivas ou nos preços. Os economistas atuam na formulação de planos e ações, na análise de conseqüência de cada decisão político-econômica e no planejamento para desenvolver futuros projetos e a sua concretização. No campo federal a maior parte dos economistas está nos ministérios da Fazenda e do Planejamento, no Banco Central e nos ministérios setoriais. Para conquistar a vaga, precisa estar bem informado sobre o que acontece na economia do país. O trabalho é sugerir medidas, apurar resultados e avaliar índices. Já no campo estadual e municipal o economista deve desenvolver trabalhos, principalmente nas secretarias de Planejamento e Finanças, nos bancos estatais e em secretarias regionais. Nas demais áreas, ele avalia o interesse e a vantagem de financiamentos e identifica as melhores oportunidades de investimentos.
De todas as atividades que podem ser exercidas por um economista, talvez a de maior destaque esteja no setor de Planejamento das Políticas Governamentais, que tem como objetivo obter melhorias nas condições de vida da população. Assim no setor público o trabalho do economista exige cautela, pois cada análise econômica provoca também impactos políticos e sociais em um país.
Sendo muito importante a sua participação dentro de um governo, ele procura viabilizar os recursos escassos da sociedade, propondo soluções eficientes aos problemas de ordem econômica, o que torna essa uma atividade de grande responsabilidade, pois o desenvolvimento e o equilíbrio na economia dependem do mesmo. Precisamos de pessoas específicas que atuem nessa área, com cautela e habilidade, tornando-se imprescindível sua capacitação profissional.
Referências:
LOUREIRO, Maria Rita. A participação dos Economistas no Governo. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/face/article/viewFile/314/251>. Acesso em 30/03/2009.
LOUREIRO, Maria Rita. Os economistas no governo. Gestão econômica e democracia. Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1997.
Texto produzido por acadêmicos do primeiro ano do curso de Economia da Universidade da Região de Joinville para a disciplina Introdução à Economia.
Acadêmicas:
- Camila Schneider
- Luana Vanessa Medeiros
- Priscila de Borba
- Priscilla Madeleyne da Cruz
- Viviana Novakoski de Oliveira
A importância do economista numa empresa em tempos de crise
Abril 26, 2009
Pudera a economia global ser feita apenas de tempos fartos, onde a palavra crise não exista. Palavras como: lucro, sustentabilidade e emprego, estariam entre as mais utilizadas. Porém, esse patamar é surrealista. A economia é feita de ciclos e – querendo ou não – as crises são necessárias. E durante essas crises, algumas perguntas costumam ser repentinas. O que fazer para sair da crise? Cortar custos? Reduzir investimentos? Diminuir o quadro de funcionários? Perguntas, estas, que devem ser respondidas, preferencialmente, por cientistas econômicos. Numa tomada de decisão, é imprescindível a ajuda de um economista, tanto para calcular e planejar quanto para analisar e agir.
É sabido que crises sempre haverão. Não adianta tentar fugir ou postergá-la. Uma hora ela há de adentrar em sua empresa. E, nesses momentos, aqueles que outrora foram chamados, segundo o economista e consultor empresarial de alta gestão Humberto Dalsasso, em artigo publicado no dia 04 de Dezembro de 2008 no site do Cofecon*, de “catastrofistas com elevado pessimismo” são os mais recorridos. “O Economista tem o passado no arquivo e os pés no presente, mas mantém os olhos e a mente no futuro. Ou seja, pratica forte visualização”, segundo o mesmo. Outrossim, percebe-se o porquê da procura por economistas aumentar em tempos de crise.
Uma escolha errada ou um ato desprovido, e a sorte está lançada. Em tempos de vacas macérrimas – neologismo este, criado em referência à maior crise das últimas décadas –, um tiro errado pode ser o golpe final da empresa. Não obstante, nada melhor do que prevenir. Consultar um economista, estudar as possibilidades, entender as conjunturas macro e microeconômicas, antes de qualquer decisão, tornaram-se cruciais à sobrevivência da empresa. O Economista, como já dito, que tem essa forte visualização do todo, do ambiente em qual habita a empresa, ajudará na criação de variadas estratégias para promover a ascensão da empresa novamente. Redução de custos, agregação de valor, programas de demissões voluntárias etc. devem ser estudadas pormenorizadamente, para que as estratégias se adequem à realidade vivida pela empresa.
Apesar de crises não serem boas a ninguém, a aprendizagem pode ser tirada dela e levada à frente. Discorrendo-a corretamente, erros praticados no passado não ressurgirão – pelo menos é o que se espera. E, se as estratégias forem montadas e postas em ação com exatidão, a empresa há de renascer mais forte e amadurecida. E os Economistas ouvirão um belo e sonoro: “bem que você há tempo já falou isso. Graças a você deixamos de perder muito ou ganhamos muito”, diz Dalsasso.
*Conselho Federal de Economia.
Referência:
CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA. Disponível em: http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1642&Itemid=104. Acesso em: 23 de Abril de 2009.
Texto produzido por acadêmicos do primeiro ano do curso de Economia da Universidade da Região de Joinville para a disciplina Introdução à Economia.
Acadêmicos:
Andreza Borges
Elizandra Souza
Jaderson Kuhnen
Marshel Ricardo Bento
Oziel Santos
Livro mostra que meios de produção do país pertencem a 6% da população
Abril 3, 2009
Os meios de produção de riqueza do país estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros. É uma das conclusões apresentadas no livro Proprietários: Concentração e Continuidade lançado ontem (2), na sede do Conselho Regional de Economia (Corecon), em São Paulo.
A publicação é o terceiro volume da série Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil, produzida por Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e vários economistas do órgão. Do livro, consta um levantamento que revela que, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento – também considerado um bem pelos pesquisadores.
Em entrevista coletiva organizada para o lançamento do livro, Pochmann afirmou que a concentração das propriedades no Brasil é antiga e remete aos tempo da colonização. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrialização ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.
“A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós [brasileiros] nunca vivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso país”, disse.
De acordo com o livro, os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum. A grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior, e não tem sócios.
Para Pochmann, o quadro da distribuição das propriedades brasileira é grave. O Brasil tem seus meios produção de riqueza mais mal distribuídos entre os países da América Latina, por exemplo. E isso não deve mudar em um curto prazo, segundo o economista.
“Estamos fazendo reforma agrária desde os anos 50 e nossa distribuição fundiária é pior do que a de 50 anos atrás; nossa carga tributária onera os mais pobres; a única coisa que vai bem é a educação”, afirmou ele, citando dados que apontam que o percentual dos jovens que frequenta a universidade passou de 5,6%, em 1995, para cerca de 12%, em 2007.
Pochmann disse, porém que mesmo com o aumento dos índices da educação, ele ainda está muito aquém do encontrado na Europa, onde 40% dos jovens têm diploma universitário. Ressaltou também que a mudança da distribuição das propriedades por meio da educação é a forma mais lenta de justiça.
Agência Brasil / Vinicius Konchinski
A Rede Nacional de Economia
Janeiro 2, 2009
A transição para a sociedade da informação é, sem dúvida, o acontecimento que está revolucionando o século XXI. Não se trata de uma questão meramente tecnológica, como ainda acreditam alguns desavisados, pois o impacto das mudanças está afetando a organização da Economia e da Sociedade.
De acordo com Abraham Sicsu, “o elemento chave da dinâmica econômica da chamada ‘nova economia’ não é simplesmente a informação, ou o conhecimento codificado; depende de um complexo processo de aprendizagem, envolvendo a mobilização, por exemplo, no que se refere ao desenvolvimento, em base local, de um conjunto de atores sociais, a partir de arranjos institucionais para os quais é fundamental a ação das autoridades públicas e Universidades. A mobilização do conhecimento tácito exige a troca e o contato diretos entre os trabalhadores, intelectuais e, portanto, uma concentração espacial dos recursos humanos capazes de interagir, através de redes formais ou informais, articulando conhecimentos e unificando códigos”.
O surgimento de uma “cadeia do conhecimento” abrangendo o conjunto das universidades e outras instituições ligadas à produção científica e tecnológica articulada às atividades produtivas num mesmo espaço geográfico, foi considerado pelos autores do artigo citado como uma tendência necessária às políticas de desenvolvimento regional. Os autores mencionam ainda “a possibilidade de uma cadeia de conhecimento única, onde cada um de seus elos com o setor produtivo cria uma esfera pública setorial, constituída de indivíduos, trabalhadores intelectuais, que interagem num espaço comum de comunicação produtiva, mesclando as lógicas acadêmica, mercantil e pública”.
Certamente a maioria dos nossos colegas economistas, dentro de suas áreas de atuação específicas, utilizam os instrumentos tecnológicos disponíveis, interagindo em redes locais, regionais, nacionais ou internacionais.
Todavia, temas como Capitalismo Financeiro, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e as próprias transformações sócio econômicas geradas pelas TICs, que constituem o macro tema da Economia do Conhecimento, só para citar alguns exemplos, são elos externos às cadeias setoriais, locais ou regionais, mas determinantes para a construção de uma macro “Rede Nacional de Economia” ou um “Centro de Inteligência em Economia Nacional”. Uma rede que pode ampliar as formulações dos seus usuários através da troca de informações com redes específicas locais, setoriais, regionais, nacionais, internacionais.
Ao interagir com as redes, os profissionais têm a chance de estabelecer contatos, parcerias, divulgar, aperfeiçoar ou simplesmente, aprofundar o seu trabalho, potencializando seu conhecimento. Esta é a possibilidade que se abriu com a Economia do Conhecimento. O novo século que se inicia, traz uma mudança inimaginável.
Por outro lado, percebo nos colegas, muita preocupação com a redução da procura pelos cursos de Economia e, por outro lado, a percepção, pelos professores, da necessidade de adequação dos currículos, visto que o setor público, outrora um grande absorvedor de economistas, principalmente, para as atividades de Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas, está passando por uma reestruturação de eficiência, meramente administrativa, onde são priorizadas as técnicas de gestão e controle de resultados de curto prazo.
Enfim, com exceção dos notáveis ou daqueles que exercem funções compatíveis em alguns redutos ainda existentes no setor público ou em instituições de pesquisa públicas ou privadas, ou que já se estabeleceram como consultores, para a grande maioria, a profissão perdeu seu status, na medida em que muitas das atribuições que eram específicas do economista são hoje executadas por profissionais de diferentes áreas.
A proposta da criação de uma Rede Nacional de Economia oferece a possibilidade de valorizar o profissional economista e redefinir o futuro da profissão. A análise econômica é imprescindível para as discussões das políticas públicas ou de investimentos, já que os argumentos técnicos têm sua base de sustentação apenas após o estudo da sua viabilidade econômica. Nós mesmos estamos assistindo frequentemente, pela mídia, debates longuíssimos, desgastantes, que poderiam ser facilmente resolvidos à luz da racionalidade econômica.
Este período de transição para a sociedade da informação pode ser melhor aproveitado por nossa categoria. É preciso lembrar que somos poucos. O número de economistas é bem reduzido se comparado ao de outras profissões. Por isso, poucos economistas participam das discussões das comissões do congresso nacional ou das câmaras legislativas estaduais ou municipais ou mesmo de comitês regionais. Às vezes, economistas aparecem como convidados nestes lugares representando instituições públicas ou como palestrantes.
A oportunidade da troca de argumentos, formulações estratégicas através da rede, certamente funcionará como indutor de algumas adaptações curriculares, à medida que a Rede Nacional de Economia abrir campos para novas áreas de pesquisa mais sintonizadas com as necessidades do mundo real.
O estudante terá a oportunidade de vivenciar situações reais, em contato direto com profissionais atuantes, empresários, líderes de movimentos sociais, que irão lhe proporcionar maiores motivações para definir sua área de atuação. Certamente os estudantes também irão se interessar em ajudar no gerenciamento da rede, que pode vir a ser uma atividade extra curricular.
Uma Rede Nacional de Economia, se bem articulada, pode dar uma enorme projeção à categoria. Fica evidente que uma rede tão abrangente, mesclando as lógicas acadêmica, mercantil e pública, deve estar associada a uma instituição com a credibilidade do Conselho Federal de Economia e dos Conselhos Regionais de Economia.
Talvez os colegas ponderem sobre a complexidade dessa proposta. Concordo plenamente, trata-se de um projeto de grande envergadura. Mas a Economia é uma ciência social, por isso a sua amplitude. Gosto muito da frase que alguns colegas utilizam: “é uma profissão de múltiplas possibilidades”.
Por outro lado, a formação da rede é um trabalho que pode ser iniciado pouco a pouco, com partes de um dos macro temas. Não é necessário ter pressa porque estamos inaugurando uma nova era onde nós todos, querendo ou não, estaremos conectados todo o tempo.
Fonte: Cofecon: Alcione Ribeiro de Castro - Conselheira do CORECON-MG
Senador Sérgio Guerra é o novo relator do projeto de lei do Economista
Novembro 25, 2008
Depois de mais de um mês na Comissão de Educação, Cultura e Esportes (CE) do Senado Federal, o senador Sérgio Guerra (PSDB/PE) foi nomeado relator do PLS 658/07, que altera a Lei 1411/51 para atualizar a regulamentação do exercício da profissão do economista.
Sérgio Guerra é economista formado pela Universidade Católica de Pernambuco e cursou economia internacional na Universidade de Harvard. Com mandato até 2011, o senador foi secretário da Indústria e do Comércio, secretário de Ciência e Tecnologia e secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado de Pernambuco. É o atual presidente nacional do PSDB.
O PLS 658/07 foi apresentado pelo senador Inácio Arruda em novembro de 2007. Foi encaminhado à Comissão de Assuntos Sociais (CAS) onde recebeu parecer favorável do senador Expedito Júnior (PR/RO) e não foi votado em razão de divergências sobre as emendas apresentadas pelo relator.
No dia 20, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) apresentou à Mesa do Senado Federal dois requerimentos para que fossem ouvidas as comissões de Educação, Cultura e Esportes (CE) e a Assuntos Econômicos (CAE). Os requerimentos foram aprovados no plenário do Senado e o projeto foi enviado à Comissão de Educação onde se encontra desde segunda-feira 21 nas mãos do senador Sérgio Guerra (PSDB/PE).
Renato Alves - Assessor Parlamentar do COFECON

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