Efeitos da Globalização

31 de maio de 2010

A Globalização econômica trouxe às empresas uma necessidade de olhar para dentro e fora, melhorar e repensar suas atividades, dada competitividade e o acirramento da concorrência. As grandes transformações se dão devido às aberturas econômicas internacionais e a necessidade de se buscar uma eficiência e eficácia cada vez maior em razão do mercado cada vez mais acirrado.

A quebra de fronteiras mercadológicas e a necessidade de capital para a expansão das atividades e aprimoramento tecnológico também são um fator de extrema relevância para as empresas na atualidade. A conjuntura tem resultado na reconfiguração das relações econômicas nacionais e internacionais, em especial na necessidade das empresas serem mais eficientes e eficazes em suas atividades.

Para os empreendedores os problemas começam já na definição do qual negócio montar, quando será o melhor momento, onde, a concorrência, os impostos, a burocracia para abrir a empresa nos órgãos competentes e por aí vai. No geral os empreendedores têm uma idéia da atividade a ser desenvolvida e em muitos casos a experiência no ramo que desenvolverão seu negócio, porém quando começa a falar na administração do negócio, nas questões financeiras, controles e administração dos estoques, sistemas de tributação os problemas começam.

A adoção das principais práticas de gestão é fundamental para que as empresas de pequeno e médio porte continuem no movimento crescente dos negócios, avanços tecnológicos, capacidade de investimentos e capacidade de alianças fundamentais para a expansão dos negócios estando a cultura das empresas e famílias como o grande desafio para implementar as melhores práticas.

Dados de pesquisa realizada em 2006 pelo DNRC – Departamento Nacional de Registros de comercio, mostra que no período de 2001 a 2005 foram abertas na média 470.202 empresas por ano e pesquisa realizada pelo SEBRAE mostra que do total de empresas que tiveram seu encerramento a cada ano, 49,4% tem menos de 2 anos de atividade, 56,4% menos de 3 anos e 59,9% menos de 5 anos.

Este alto percentual de mortalidade de empresas não são por falta de recursos, mas certamente por falta de planejamento quando da abertura destas empresas, pois caso fosse falta de recursos estas empresas não seriam abertas.

Outro ponto é a grande mudança de controle acionário das empresas, onde quem vendeu o fez não apenas pela oportunidade de sair dos negócios com vantagens comerciais atrativas, mas pela dificuldade na manutenção destes negócios e a baixa lucratividade. Os investidores que compram empresas buscam negócios bons e mal administrados, onde com uma administração eficiente obtém retorno do investimento superior do que em outros investimentos.

Planejar as atividades, os custos, as receitas e os resultados fazem parte de uma estruturação mínima para o sucesso de uma empresa, e principalmente na possibilidade de se corrigir rotas de problemas.

Os conselhos de administração, nas pequenas e médias empresas são mais importantes que nas grandes, no sentido da necessidade. Ocorre que por desconhecimento da necessidade e de custos estas empresas não buscam ajuda externa.

Os pequenos empresários normalmente são pessoas que decidem sozinho os rumos dos negócios, por estarem no dia a dia da atividade e não terem as informações precisas e no momento necessário, tomam as decisões por intuição ou como dizem “pela experiência”.

Quando a empresa tem um negócio excelente e tem seu crescimento com muita velocidade, os problemas na administração e condução dos negócios passam a ser maiores.

O crescimento não planejado e estruturado faz com que as empresas passem por grandes dificuldades e perda de recursos de tempo, uma vez que o crescimento pode ser apenas no volume das operações e pode significar em um primeiro momento, aumento de recursos, porém como não há informações em tempo e confiáveis, pode não gerar resultados positivos para a empresa.

A falta de controles adequados resulta na falta de planejamento que se inicia na operação e irá terminar na administração dos recursos, culminando em muitos casos na necessidade de recursos externos.

O empresário neste momento identifica que precisa de ajuda de bancos e descobre que para obter recursos a custos e formas de crédito que não o leve a dificuldades ainda maiores podendo comprometer a continuidade de sua empresa, ele deverá apresentar informações financeiras adequadas e que caso as tivesse poderia ter planejado melhor seus negócios e seu crescimento.

Portanto, as boas práticas de gestão independem dos objetivos dos empreendedores pelo crescimento ou venda da empresa em parte ou no todo. Estas práticas podem significar a sobrevivência das empresas.

Por:
Marco César de Oliveira
Economista – PUC/SP, MBA Gestão Empresarial – FIA/USP, palestrante, Professor na UNIFIEO, sócio da CORPORATE Management Consulting