Economia brasileira está se recuperando da crise, diz Meirelles

Maio 22, 2009

A economia brasileira está mostrando “sinais bastante claros de recuperação”, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Segundo ele, há sinais de recuperação na procura por bens e serviços, “em função do forte componente de crescimento do emprego e da renda nos últimos anos”. Além disso, Meirelles citou a inflação sob controle, o que preserva o poder de compra da população.

“Tudo isso dá capacidade ao Brasil de sair da crise mais forte. Não estamos criando desequilíbrios para combater a crise, estamos mantendo o Estado brasileiro equilibrado”, disse o presidente do BC. Na avaliação de Meirelles, o país sairá da crise em condições de “acelerar esse crescimento fortemente” ao final deste ano e em 2010.

Meirelles argumentou ainda que os dados do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, são divulgados com uma certa defasagem. “O PIB do primeiro trimestre será divulgado em junho, quando certamente a situação da economia já será outra”.

De acordo com Meirelles, o mercado tem variado muito as suas estimativas para o crescimento do PIB, o que é “normal”. “A dispersão de estimativas de crescimento para todos os países do mundo é muito grande. Naturalmente pela dimensão global da crise”.

Agência Brasil / Kelly Oliveira

Brasil pode ter juros de um dígito no final de 2009

Maio 21, 2009

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ontem (20) que a taxa básica de juros poderá cair dos atuais 10,25% ao ano para um nível de 9% no final deste ano. “É um valor abaixo do que o mercado financeiro está prevendo”, lembrou Barbosa, após audiência pública da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que acompanha os impactos da crise econômica no setor de serviços e emprego.

Segundo ele, o mercado interno e a construção civil (puxada pelo Programa de Aceleração do Crescimento e pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida) serão motores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1%, de acordo com a previsão divulgada hoje pelo Ministério do Planejamento. Em sua avaliação, a estimativa “embute uma recuperação da economia mundial no segundo semestre, ainda com uma velocidade lenta”.

O crescimento de 1% do PIB “é um cenário ambicioso”, mas “factível”, disse Barbosa, acreditando no efeito das medidas adotadas pelo governo e no desempenho da economia. “Parte importante do crescimento será um desafio para o governo”, acrescentou, pois terá que executar investimentos públicos que podem ter impacto 1,2 ponto percentual no crescimento do PIB e mais 1,7 ponto percentual como efeito dos investimentos da Petrobras.

Além do secretário de Política Econômica, participaram da audiência pública a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, e o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto. Segundo Inês, o programa Minha Casa, Minha Vida pode gerar 700 mil empregos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fará acompanhamento dos empregos gerados em cada canteiro, anunciou.

Antônio Neto considerou positivas as medidas adotadas pelo governo durante a crise, inclusive a redução dos juros, mas ponderou que o Brasil tem a terceira maior taxa do mundo. “Ainda estamos no pódio”, assinalou. O sindicalista defendeu que o governo reduza impostos de setores que contratam muita mão de obra e que passe a cobrar tributos não mais sobre a folha de pagamento, mas sobre o faturamento das empresas.

Neto propôs a criação de um Imposto sobre a Movimentação Financeira (permanente, não mais provisório como a extinta CPMF) com alíquota de 0,5% para financiamento da Previdência Social. “Se a Previdência é uma coisa para todos, então que toda a sociedade pague”, disse.

Agência Brasil / Gilberto Costa

Créditos com recursos direcionados foram a grande proteção da economia na crise

Maio 21, 2009

A atuação dos bancos públicos na operacionalização de créditos com recursos direcionados “permitiu proteger a economia, de modo a não chegar às situações críticas de outros países”, afirmou na quarta-feira (20) o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal (CEF), Márcio Percival, em audiência pública na Comissão Especial da Câmara dos Deputados que avalia os impactos da crise financeira mundial na economia doméstica.

Percival disse que o crédito é realmente o tema mais importante nas discussões sobre a crise financeira que afetou a economia real de todos os países, de setembro do ano passado para cá, uma vez que faltaram recursos para financiar a atividade produtiva em todos os setores. No Brasil, porém, os bancos públicos garantiram os recursos direcionados, principalmente para os setores habitacional e rural, enquanto os bancos privados se retraíram – ressaltou.

Ele lembrou que a economia brasileira dependia em grande parte dos investimentos externos, mas, como os investidores estrangeiros tiveram que retirar dinheiro do país para cobrir prejuízos nos países de origem, faltaram recursos para a economia em geral. A carência do mercado, porém, foi “irrigada”, segundo ele, com créditos para atividades específicas, com gestões do Banco do Brasil, Caixa e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além dos bancos regionais.

Segundo ele, esse é o caso da Caixa, que atua mais nos financiamentos habitacionais e já investiu mais de R$ 8 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano, quase um terço da meta de R$ 27 bilhões fixada para 2009. Percival acredita que o dinheiro será todo usado, porque “a demanda por habitação é crescente”.

Agência Brasil / Stênio Ribeiro

Mais 140 mil demitidos na crise vão ter seguro-desemprego extra

Maio 21, 2009

O governo deve anunciar hoje uma ampliação na concessão de parcelas adicionais do seguro-desemprego por causa da crise econômica, beneficiando mais 140 mil trabalhadores demitidos em dezembro.

Os novos benefícios atendem a um pleito das centrais sindicais, que consideraram haver lacunas na primeira leva divulgada pelo Ministério do Trabalho –em março, 104 mil desempregados já tinham sido atendidos com duas parcelas extras do seguro. O argumento dos sindicalistas é que os estudos técnicos não contemplaram subsetores em algumas regiões do país, deixando para trás categorias fortemente afetadas pelas demissões em dezembro, quando mais de 650 mil empregos formais foram fechados.

Segundo a Folha apurou, os novos estudos do ministério apontaram que a concessão dos benefícios adicionais atenderá, principalmente, trabalhadores demitidos nos setores de metalurgia, couro, calçados e fumo. As parcelas adicionais ainda precisarão ser ratificadas pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), que tem uma reunião prevista para a próxima semana.

A lei do seguro-desemprego permite o pagamento de duas parcelas adicionais aos trabalhadores em casos excepcionais. Na primeira lista de beneficiários, foram cobertos 42 subsetores da economia em 16 Estados, com um custo de até R$ 126 milhões para o FAT. Os Estados de São Paulo e de Minas Gerais foram os que apresentaram o maior número de beneficiários, e os setores em que o mercado de trabalho foi mais prejudicado foram as indústrias metalúrgica e mecânica.

Folha Online

Para Stephanes, fusão da Sadia com a Perdigão aumenta competitividade do Brasil no exterior

Maio 20, 2009

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que a fusão da Sadia com a Perdigão, que resultou na empresa Brasil Foods, “era necessária”. Ele disse, ainda, que a nova empresa aumenta a capacidade de competição do país no exterior.

“Eles estão acostumados a trabalhar de forma integrada com os produtores, têm um filosofia de trabalho, que é considerada boa. Portanto, eu acho que, sob todos os aspectos, a fusão é importante para as empresas. Vai ser importante para os produtores e vai ser importante para o país.”

Stephanes não acredita que haverá concentração de mercado e, com isso, uma possível padronização de preços de aves e suínos. O ministro ressaltou que, além da nova empresa, que representará 40% do setor, há outras cooperativas de médio e grande porte e algumas indústrias independentes que detêm os outros 60% do mercado.

“É um setor até certo ponto bastante pulverizado”, afirmou. O ministro também acredita que, com a conquista de novos mercados internacionais pela Brasil Foods, os produtores brasileiros terão mais força e condições de produção.

Agência Brasil / Danilo Macedo

Mesmo na crise, Brasil manteve tendência de redução do número de pobres

Maio 20, 2009

Estudo divulgado ontem (19) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, apesar da crise financeira internacional, quase 316 mil pessoas saíram da linha de pobreza no Brasil no período de outubro de 2008 a março de 2009. O dado se refere às pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, explicou que a redução da pobreza foi registrada nas seis regiões metropolitanas brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre).

O estudo mostra que em crises anteriores, como a de 1999, o número de pobres no país foi ampliado em quase 1,9 milhão de pessoas. A pobreza aumentou mais em períodos recessivos como, por exemplo, na crise de 1982/1983, quando a quantidade de pobres cresceu quase 7,7 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas.

Segundo ele, a diminuição do número de pobres em meio à atual crise se deve à adoção de uma estratégia diferente. “Antes, o governo aumentava os juros, reduzia os gastos, e o salário mínimo não crescia”, disse. Hoje, ao contrário, a elevação do valor do salário mínimo e a existência de uma rede de garantia de renda aos pobres contribuem para que a base da pirâmide social não seja a mais atingida, salienta o estudo.

Pochmann indicou que os efeitos são válidos também para o interior brasileiro, como reflexo de programas sociais, entre os quais o Bolsa Família, a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social (BPC). Este é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988 e consiste no pagamento de um salário mínimo mensal a pessoas com 65 anos de idade ou mais e a pessoas com deficiência incapacitante para a vida independente e para o trabalho.

De acordo com o levantamento do Ipea, em março deste ano, a taxa de pobreza no Brasil metropolitano foi de 30,7%, mostrando queda de 28,1% em comparação ao mês de abril de 2004. Na comparação com março do ano passado, a taxa caiu 1,7%, com redução de 670 mil pessoas da condição de pobreza.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que a pesquisa confirma o desempenho mais favorável do Brasil na crise financeira internacional. Segundo ele, “os pobres não estão pagando a crise”.O preço maior está sendo pago pela indústria e pessoas físicas, disse Bernardo. Mas observou que o tamanho do problema está sendo mais distribuído.

Agência Brasil / Alana Gandra

Sadia e Perdigão se unem e criam a Brasil Foods

Maio 19, 2009

Após muita negociação, os obstáculos à assinatura do contrato de compra da Sadia pela Perdigão foram superados e os papéis foram assinados na noite desta segunda-feira (18). A conclusão do acordo foi confirmada pela assessoria de imprensa da Perdigão, mas os detalhes ainda não foram anunciados - o que deve ocorrer ainda na manhã desta terça-feira.

O acordo cria uma gigante brasileira de alimentação, que deverá se chamar Brasil Foods. Segundo a consultoria Economática, a empresa ocupará o 9º lugar no ranking das maiores empresas de alimentos das Américas. A conclusão da operação, no entanto, depende de uma série de aprovações - entre elas, a do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que poderá inclusive avaliar a necessidade da nova empresa de se desfazer de algumas das marcas, já que haverá uma forte concentração de mercado em alguns setores.

O que teria atrasado a assinatura dos contratos, que estava prevista para quinta-feira foi o destino a ser dado ao Banco Concórdia, que pertence à Sadia. Desde o começo estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan.

No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma. No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.

Em conversas nos últimos dias ficou resolvido que o Banco Concórdia não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.

A discussão desses pontos fez com que os advogados de ambos os lados fizessem uma pausa ao longo do fim de semana. A equação dessas pendências ficou a cargo dos assessores financeiros e contadores. Os trabalhos foram retomados intensamente na segunda-feira. As condições inicialmente contratadas para a união, contudo, não tiveram alteração substancial. Portanto, estaria mantida a fatia de 11,5% a qual as famílias controladoras da Sadia teriam direito na Brasil Foods.

Na prática, a base atual de acionistas da empresa comporia 33% dá companhia combinada com a Perdigão. Já a Previ, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, maior acionista da Perdigão e principal minoritária da Sadia, será a principal sócia da Brasil Foods.

G1/Globo.com

Banco Central registra aumento das operações de crédito em todas as regiões do país

Maio 7, 2009

O Banco Central registrou aumento das operações de crédito em todas as regiões brasileiras no período de dezembro de 2008 a fevereiro deste ano, em relação ao trimestre anterior. No entanto, o ritmo de crescimento foi menor. Os dados foram divulgados hoje (7) no Boletim Regional da instituição.

De acordo com o levantamento, na Região Sudeste, por exemplo, as operações de crédito em fevereiro tiveram um aumento de 1,7% em relação ao trimestre encerrado em novembro do ano passado, totalizando R$ 621 bilhões. Nos 12 meses fechados em fevereiro, o crescimento foi de 30,4%.

Na Região Sul, o aumento foi de 1,4% em relação a novembro de 2008 e de 29,6% em relação a fevereiro do ano passado. Na Região Nordeste, os aumentos foram de 2,5% e 33,7%, respectivamente. O Norte teve aumentos de 1,1% e 29,3% e o Centro-Oeste, de 3% e 26,8%.

Segundo o boletim, o mês mais crítico para a economia brasileira foi dezembro de 2008, no auge da atual crise internacional, enquanto os primeiros meses deste ano apresentaram desempenho positivo para a maior parte das regiões brasileiras, tanto na indústria quanto no comércio.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse que os indicadores apontam para uma recuperação gradual da economia brasileira. Apesar disso, ele não crê que o país consiga, nos próximos trimestres, aos níveis de crescimento que apresentou antes da crise financeira.

“Vale lembrar que o pré-crise da economia brasileira era um crescimento muito intenso da demanda. A contribuição da demanda doméstica para o crescimento era bastante forte. Não necessariamente, a gente deve ver aquela trajetória, como uma trajetória sustentável. Existiam vários elementos naquela época, que causavam preocupação. Não sei se é altamente provável que a gente volte para aquele ritmo de atividade, nem se seria totalmente adequado na atual conjuntura da economia mundial”, afirmou.

Agência Brasil / Vitor Abdala

Estudo prevê que Brasil perderá participação em exportações mundiais até 2030

Maio 7, 2009

O Brasil deve perder participação nas exportações mundiais entre 2007 e 2030. A previsão consta do estudo Brasil Sustentável: Horizontes da Competitividade Industrial, realizado pela Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) Projetos.

Divulgado no início da semana, em São Paulo, o estudo mostra que as exportações mundiais crescerão 3,7% ao ano e as exportações brasileiras, 1,8% ao ano, chegando aos US$ 182,67 bilhões.

De acordo com o estudo, o baixo desempenho projetado para o país é consequência do aumento insuficiente de competitividade, causado pelo custo crescente da energia, pelos gargalos da infraestrutura, pela estrutura tributária que encarece o preço final dos bens e da mão de obra e os investimentos insuficientes em pesquisa e desenvolvimento.

“O Brasil nunca teve liderança tecnológica. Tem hoje liderança tecnológica em algumas áreas da biotecnologia que são importantes, mas o grande capital internacional que lidera esses movimentos tecnológicos dissemina esse movimento tecnológico dentro de suas multinacionais”, afirmou o coordenador do Núcleo de Economia da FGV Projetos, Fernando Garcia.

Segundo o estudo, mesmo com um cenário que conte com avanços, o desempenho do país no mercado mundial de bens manufaturados será modesto, chegando a 2,7%.

A pesquisa mostra ainda que o comércio internacional de mercadorias está aumentando em ritmo maior do que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. O total de mercadorias comercializadas cresceu 5,3% entre 1990 e 2007 e o de manufaturas, 5%. Já o PIB mundial cresceu 3,7%. “O crescimento é comandado pelos países em desenvolvimento. O comércio cresce mais do que a economia mundial porque é dinâmico”, disse Garcia.

Segundo Garcia, o Brasil dependerá, no período estimado no estudo, da exportação de bens primários e precisa melhorar a exportação de produtos com valor agregado. “Isso não depende só de nós, mas do que os outros países querem. Nossas limitações também são desenhadas pela estratégia dos outros.”

O estudo indicou que, embora as exportações de aço, de máquinas e equipamentos de escritório e de telecomunicações tenham peso menor no comércio exterior brasileiro, o crescimento anual dessa pauta, no país, será satisfatório.

Segundo Garcia, o ponto favorável para a produção industrial e a expansão de negócios é a escala de produção do Brasil, que acaba atraindo o investimento estrangeiro. Ele disse que, nos próximos 22 anos, o crescimento da indústria brasileira será voltado mais para o mercado doméstico do que para as exportações. Calcula-se que a indústria crescer 4% nesse período.

“O Brasil tornou-se, na América do Sul e no Hemisfério Sul, um polo disseminador de produtos que têm um mercado doméstico grande e crescente. A dinâmica do consumo das famílias e a aquisição de bens vão ser mais importantes para o crescimento do que o setor exportador”, concluiu o coordenador da FGV Projetos.

Agência Brasil / Flávia Albuquerque

Dobra o calote das grandes empresas com a Receita

Maio 6, 2009

Além da queda na arrecadação causada pelo desaquecimento da economia, a crise internacional dobrou a inadimplência no pagamento de impostos pelas maiores empresas do país e elevou em 43% as compensações de tributos. Somados, esses efeitos reduziram a receita em R$ 4,9 bilhões desde outubro.

“Não sabemos ainda se (esses efeitos) continuarão assim ou se vão se estabilizar ao longo do ano”, diz a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira.

A média de calote pelas grandes empresas era de R$ 150 milhões por mês no período anterior à crise. Trata-se de companhias que fizeram a declaração reconhecendo a dívida, mas não pagaram o que deviam. Entre outubro de 2008 e janeiro, no entanto, a inadimplência subiu para cerca de R$ 300 milhões por mês, com impacto de R$ 1,2 bilhão no período.

Já as compensações de impostos, que no primeiro trimestre de 2008 totalizaram R$ 8,7 bilhões, aumentaram para R$ 12,4 bilhões no mesmo período deste ano.

Pela legislação, as empresas têm até cinco anos para fazer o abatimento de saldos de impostos que tenham sido pagos a mais. Na prática, esse mecanismo reduz a arrecadação federal, já que esses valores deixam de ser recolhidos ao fisco. Esses créditos vão se acumulando com o recolhimento antecipado de tributos, por exemplo o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, que é retido na fonte, ou o IR pago por meio de estimativas mensais da receita das pessoas jurídicas.

Para ter direito à compensação, a empresa preenche uma declaração à Receita Federal indicando o saldo do imposto devido e o mês em que deveria ter sido pago e o tributo que foi pago a mais e que está servindo para abatimento. Cabe à Receita Federal verificar, em até cinco anos, se esse crédito é real.

“As empresas podem ter ficado credoras por conta dos prejuízos ocorridos no último trimestre do ano passado com a queda repentina da atividade econômica”, diz o tributarista Ilan Gorin.

No caso de inadimplência, as empresas são obrigadas a pagar juros e multa à Receita. Se fizerem o recolhimento antes da fiscalização, a punição equivale à Selic acumulada no período e multa de até 20%.

“Em situações de sufoco, as empresas correm atrás de qualquer crédito. Isso aconteceria num momento ou outro”, diz o advogado Igor Mauler Santiago, sócio do escritório Sacha Calmom e Mizabel Derzi.

A Receita Federal tem prazo de cinco anos para cobrar os impostos atrasados. Quando isso ocorre, a punição ao contribuinte aumenta para 75%.

A arrecadação no primeiro trimestre de 2009 caiu 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março de 2008, o governo recolheu R$ 171,7 bilhões em tributos. Até março, havia arrecadado R$ 160,3 bilhões.

O impacto da crise, no entanto, começou a ser sentido na arrecadação de novembro. O que tem ocorrido nos últimos meses é uma desaceleração no ritmo de queda das receitas.

Com informações da FSP

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