Crise econômica global freou avanço da classe média em 2009
Fevereiro 11, 2010
A crise econômica global freou o avanço da classe média em 2009. Houve uma queda mais acentuada ao longo do primeiro trimestre do ano passado e, em dezembro, ocorreu uma recuperação, voltando ao mesmo nível do fim de 2008. Essa é a principal conclusão de pesquisa divulgada na quarta-feira (10), pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O levantamento mostra que a classe C, com renda entre R$ 1.115 e R$ 4.807, abrangia 53,81% dos brasileiros antes da chegada da crise financeira internacional, há dois anos. O percentual ficou praticamente estável e fechou 2009 com 53,58% da população. Essa faixa de renda vinha crescendo desde 2004 – quando representava 42,99% dos brasileiros
De acordo com a pesquisa, nos últimos seis anos, a classe C incorporou 32 milhões de pessoas, um aumento de 26% nessa faixa. O avanço, em termos percentuais, é menor do que o crescimento das classes A e B (com renda acima de R$ 4.807), que foi de mais de 50% entre 2003 e 2009.
“Nem tsunami, nem marolinha. Ressaca pesada”, disse o economista Marcelo Neri, responsável pela pesquisa, sobre os efeitos das turbulências econômicas iniciadas em setembro de 2008. “Todo mundo perdeu um pouco do que ganhou. A melhor descrição para 2009 é uma revolução de 360º [graus], com as classes voltando ao mesmo lugar. O dado positivo é que parou o avanço, mas não houve retrocesso.”
Dentre as faixas de renda mais baixas, a classe D, com vencimentos entre R$ 804 e R$ 1.115, avançou de 13,18%, em dezembro de 2008, para 13,37%, em dezembro de 2009. A classe E, com renda de até R$ 804 por mês, teve uma pequena queda de 17,68% para 17,42%.
Neri espera a retomada da classe média e projeta um cenário otimista ao calcular que o país vai manter um ritmo de crescimento médio de 5% ao ano, equivalente à taxa do período compreendido entre 2003 e 2008, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utilizadas como base para o estudo da FGV.
“Até 2014, as classes A, B e C, com um pouco de distribuição de renda no país, podem incorporar 36 milhões de pessoas – o equivalente à metade da população da França – que, junto com os 32 milhões que foram incorporados antes da crise, resulta em quase 66 milhões de pessoas no mercado consumidor do país”, acrescentou.
O economista também destaca a força das periferias no aquecimento do consumo e na retomada do crescimento. “Isso [a nova classe média, formada pelas classes A, B e C] foram nosso verdadeiro Pelé contra a crise externa. É verdade que esse Pelé se contundiu em janeiro do ano passado, mas agora está em forma e pode botar o Brasil para crescer a boas taxas.”
Agência Brasil / Isabela Vieira
Edição: Lana Cristina
Economia chinesa cresce 8,7% em 2009
Janeiro 21, 2010
A economia da China cresceu 8,7% em 2009. O índice ficou acima da meta oficial que era de 8%. No entanto, o crescimento está abaixo do registrado em 2008, de 9,6%. De acordo com o Birô Nacional de Estatísticas do país, o valor acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e dezembro do ano passado alcançou US$ 4,91 trilhões. O número faz com que a China fique muito próxima do Japão, podendo se transformar na segunda economia mundial.
Com a crise financeira internacional do final de 2008 e início de 2009, a economia chinesa foi fortemente afetada. Mas os estímulos do governo garantiram as fortes taxas de crescimento econômico.
Com o resultado de 2009, o PIB chinês se iguala ao PIB do Japão de 2008. O Japão deve anunciar os dados referentes à sua economia no ano passado em fevereiro. Espera-se uma contração de até 6% na economia japonesa. Apesar dos dados, o chefe da agência nacional de estatísticas chinesa, Ma Jiantang, relativizou a comparação, reconhecendo que a China é um país em desenvolvimento e possui ainda 150 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza.
Com informações do G1.
Na crise, investimento estrangeiro direto no país diminuiu 42,41% em 2009
Janeiro 20, 2010
O investimento estrangeiro direto (IED) no setor produtivo somou US$ 25,949 bilhões no ano passado, 42,41% abaixo do recorde histórico de US$ 45,06 bilhões contabilizados em 2008, como mostra o Relatório do Setor Externo, divulgado nesta quarta-feira (20) pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.
Ele considera, no entanto, que a entrada de investimento estrangeiro foi “bastante razoável”, considerando-se que o mundo inteiro estava em crise. Altamir ressaltou que, com a melhora do cenário econômico, o BC trabalha com a expectativa de que o volume de recursos neste ano retorne ao patamar de 2008.
O relatório do BC mostra também que o saldo de conta corrente (formado por balança comercial, serviços e transações financeiras) foi negativo em US$ 24,334 bilhões (1,55% do PIB). Apesar disso, foi melhor que em 2008 quando o déficit fechou em US$ 28,192 bilhões (1,72% do PIB).
De acordo com Lopes, a redução é explicada em parte pela crise financeira mundial, uma vez que houve menores transferências de lucros e dividendos para o exterior. As empresas estrangeiras instaladas no país lucraram menos em 2009, e as remessas de lucros caíram de US$ 25,2 bilhões, em 2008, para US$ 33,87 bilhões, no ano passado.
O economista do BC acredita, porém, que com a retomada da atividade econômica e a projeção de maior crescimento nas importações que nas exportações, o Brasil deve registrar déficit recorde de conta corrente externa neste ano – algo ao redor de US$ 40 bilhões. Aí estão incluídas, também, as maiores remessas de juros e dividendos e mais gastos com viagens ao exterior, por conta, principalmente, da valorização do câmbio.
A conta de serviços em 2009 registrou saídas líquidas de US$ 19,3 bilhões, com crescimento de 15,4% na comparação com 2008, e as viagens internacionais contribuíram com gastos de US$ 5,6 bilhões no ano. Outros itens como transportes, computação e royalties também ajudaram na formação do déficit, mas a rubrica que pesou mais foi aluguel de equipamentos, com despesas de US$ 9,4 bilhões, que cresceram 20,3% em relação ao ano anterior.
Agência Brasil / Stênio Ribeiro
Edição: Enio Vieira
Falências caem ao menor nível dos últimos quatro anos, mostra pesquisa da Serasa
Janeiro 7, 2010
O número de falências decretadas no país em 2009 foi de 908, o menor desde junho de 2005, quando entrou em vigor a nova Lei de Falências. A informação é da empresa de consultoria do setor privado Serasa Experian.
Segundo nota divulgada nesta quinta-feira (7) pela Serasa, 91,5% (831) dos processos envolvem micro e pequenas empresas. Embora alto, esse percentual é o menor dos últimos quatro anos. Em 2008, do total de falências, 92,2% eram de micro e pequenas; em 2007, foram 95,5%; em 2006, 95,2% e em 2005, 97,7%. O volume restante dos pedidos de falência concedidos é de 58 para o grupo das empresas de tamanho médio, o que representa um aumento na comparação com 2008 (52) e de 19 para as grandes empresas, também com acréscimo sobre o ano anterior (17).
De acordo com a análise técnica da Serasa, as empresas de médio e grande porte “sofreram mais com a crise [financeira internacional deflagrada em setembro de 2008], em razão da recessão dos mercados internacionais e da valorização do real”.
A pesquisa indica que aumentaram os pedidos de falência, totalizando 2.371 ante 2.243, em 2008 e 2.721, em 2007. Desse total, l.512 são de micro e pequenas empresas ante l.622, em 2008 e 2.070, em 2007. No caso de médias empresas foram 546 contra 427, em 2008 e 461, em 2007. Os pedidos das grandes empresas somaram 313, bem acima do total do ano passado (194) e o de 2007 (190).
Esses requerimentos, segundo a Serasa, serviram de instrumento de cobrança em consequência das incertezas sobre os desdobramentos da crise e também em razão das dificuldades de acesso ao crédito. Também foi expressiva a elevação nos pedidos de recuperação judicial, somando 670 pedidos contra 365.
Para este ano, as projeções da área econômica da Serasa são de recuperação do crédito com mais prazo e custo menor, o que, conforme a análise, levará à queda tanto dos pedidos de recuperação quanto dos de falências.
Agência Brasil / Marli Moreira
Edição: Tereza Barbosa
Venda de motocicletas no mercado interno cai 16,6% em novembro
Dezembro 11, 2009
A venda de motocicletas no mercado interno caiu 16,6% em novembro, de acordo com balanço divulgado na quinta-feira (10), pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Na comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, as vendas aumentaram 12,1%.
Segundo a Abraciclo, foi o segundo mês consecutivo de queda, já que em outubro houve diminuição de 2% ante o mês anterior. Nos últimos 12 meses, o setor registra retração de 31,1%. As exportações tiveram alta de 12,8% sobre outubro, mas, comparadas a novembro do ano passado, houve queda de 41,4%. No acumulado do ano, as perdas chegaram a 56,1%.
Para o presidente da Abraciclo, Paulo Shuiti Takeuchi, a queda nas vendas está diretamente ligada à dificuldade de obtenção de crédito direto ao consumidor, o que levou essa modalidade, que em 2008 representou cerca de 60% das vendas, para o patamar de 45% em 2009.
“A redução da oferta de crédito ocorreu porque, depois da crise, houve maior seletividade e rigor para aprovação de cadastro. Antes também tínhamos prazos mais alongados para pagar as parcelas e hoje isso está restrito a no máximo 48 meses, além da exigência de uma parcela de entrada”, explicou.
Takeushi estima que o setor feche o ano com a produção de 1,490 milhão de motocicletas, 30% a menos do que em 2008, quando o total foi de 2,126 milhões de unidades. Em termos de vendas, a Abraciclo deve registrar queda de 17%, com a comercialização de 1,56 milhão de motocicletas contra o total de 1,879 milhão em 2008. As exportações devem totalizar 55 mil unidades, 58% a menos do que em 2008, quando foram exportadas 137 mil unidades.
Para 2010, Takeushi espera a retomada do crescimento do setor, impulsionado por um aumento de 15% nas vendas, com 1,8 milhão de motocicletas comercializadas. “A previsão é termos um cenário econômico favorável para o ano que vem, influenciado pela Copa do Mundo, pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento [PAC], pelo aumento do consumo, do emprego e da renda, além do fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.”
Para tentar incrementar o mercado, a Abraciclo está em negociação com os bancos privados e públicos para obter linhas especiais de financiamento. “Estamos conversando principalmente com os bancos públicos para ver se conseguimos um recurso específico para que possamos alavancar o setor de duas rodas. Esperamos ter uma resposta positiva em breve”, disse.
Agência Brasil / Flávia Albuquerque
Edição: Nádia Franco
Economia latino-americana crescerá 3,4% em 2010, diz estudo da ONU
Dezembro 3, 2009
A economia mundial terá um crescimento moderado de 2,4% no próximo ano, puxado pela atividade econômica chinesa, segundo análise da Organização das Nações Unidas (ONU). A média de crescimento na América Latina e Caribe deverá ser de 3,4%, nos Estados Unidos, de 2,1% e, na União Europeia, de apenas 0,4%.
As avaliações fazem parte do estudo Situação e Perspectivas da Economia Mundial. Nele, os especialistas da ONU afirmam que a tendência de crescimento foi estimulada pelas medidas adotadas pelos vários governos, no esforço para conter os efeitos provocados pela crise financeira internacional.
No entanto, os especialistas advertem que é necessário ter cautela e não se deixar levar pelo otimismo de estimativas positivas.
“A presença de recuperação global incipiente pode dar lugar a um otimismo sem limites, e ficará frágil e desigual se levarmos em consideração que boa parte do impulso provém da Ásia”, disse o diretor de Análise do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Rob Vos.
De acordo com informações da própria ONU, os prognósticos são de que as economias da China e da Índia é que vão encabeçar o crescimento, com índices de 8,8% e 6,5%, respectivamente.
Agência Brasil / Renata Giraldi
Edição: Nádia Franco
Crise mundial levará 9 milhões de pessoas à pobreza na América Latina, afirma Cepal
Novembro 20, 2009
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) calcula que a mais recente crise financeira mundial, originada nos Estados Unidos, deverá levar pelo menos 9 milhões de pessoas à situação de pobreza e mais 5 milhões à de indigência na América Latina somente este ano.
No relatório Panorama Social da América Latina 2009, divulgado na quinta-feira (19), a Cepal prevê que a pobreza na região aumentará 1,1% e o nível de indigência crescerá 0,8%, na comparação com o ano passado. As pessoas em situação de pobreza devem passar de 180 milhões para 189 milhões (o equivalente a 34,1% da população local) e os indigentes de 71 milhões para 76 milhões, 13,7% da população.
Apresentado pela secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, o documento assinala que a quantidade de pessoas afetadas equivale a quase um quarto da população que havia superado a pobreza entre 2002 e 2008 (41 milhões de pessoas), graças ao maior crescimento econômico, à expansão do gasto social, ao crescimento demográfico e às melhorias na distribuição da renda.
Embora preveja que alguns países como o México irão experimentar médias de aumentos maiores em seus níveis de pobreza e indigência devido à diminuição do Produto Interno Bruto (PIB) e à deterioração de empregos e salários, a Cepal acredita que, em termos regionais, o impacto será menor que o de turbulências anteriores, como a crise mexicana, de 1995, a asiática, entre 1998 e 2000 e a chamada crise “ponto.com” e da Argentina, respectivamente em 2001 e 2002.
Mesmo assim, de acordo Alicia Bárcena, os efeitos da crise irão impedir que a região elimine a pobreza extrema e a fome até 2015 conforme estabelece a primeira Meta de Desenvolvimento do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU).
O relatório também assinala a urgência dos países latino-americanos de investirem em um novo sistema de proteção social, adotando medidas que combinem o atendimento de urgência a uma estratégia de longo prazo, evitando a irresponsabilidade fiscal e o endurecimento da legislação trabalhista, aumentando a carga tributária de forma progressiva e redistribuindo os gastos sociais.
Agência Brasil / Alex Rodrigues
Edição: Aécio Amado
Para FMI ainda é cedo para tirar estímulos à economia
Novembro 20, 2009
O subdiretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, afirmou nesta sexta-feira (20) que ainda é cedo para os governos retirarem os estímulos econômicos dado às nações, em função dos riscos de uma nova desaceleração. Para ele, a economia global está caminhando lentamente na direção de uma recuperação sustentável.
Após o crescimento das taxas de desemprego nos Estados Unidos e de especulações de que algumas economias europeias poderiam entrar numa recessão mais profunda em 2010, o mercado global têm ficado em alerta nos últimos dias.
O FMI vem instando países a não flexibilizar suas políticas monetárias para implementar o que se convencionou chamar de estratégia de saída.
Com informações da Folha Online.
Zona do euro deixa a recessão após crescimento do PIB no trimestre
Novembro 13, 2009
A economia da zona do euro (grupo de 16 países que adotam a moeda) voltou a crescer e a região saiu da recessão, de maneira não oficial. A alta, após cinco trimestres, foi de 0,4% frente ao trimestre anterior.
No entanto, de acordo com a agência de estatísticas Eurostat, na comparação com o mesmo período do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) segue mostrando contração, de 4,1%.
O crescimento da zona do euro foi puxado por Alemanha e França, que tiveram o segundo trimestre consecutivo de alta no PIB. Na Alemanha, o índice cresceu 0,7% sobre o trimestre anterior. Na França, a alta foi de 0,3% no mesmo período.
Com informações do G1.
Pedidos de recuperação judicial caem em outubro, segundo Serasa
Novembro 6, 2009
O total de pedidos de recuperação judicial registrados em outubro caiu 32,1% na comparação com setembro. De acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira (6) pela Serasa Experian, o índice do mês passado foi o menor deste ano.
As empresas apelam pelo recurso de recuperação judicial quando estão em fortes dificuldades financeiras. Quando entram com o processo, o destino da companhia é decidido pelos credores.
Em setembro, 53 empresas pediram recuperação. Em outubro foram 36, sendo 15 micro e pequenas empresas, 13 médias e oito grandes. Mas, no acumulado, na comparação com o ano passado, o índice apresentou elevação: são 599 processos entre janeiro e outubro de 2009 contra 227 no mesmo período de 2008.
Com relação aos pedidos de falência, foram 200 em setembro e 208 em outubro.
De acordo com analistas da Serasa Experian, a queda nos pedidos de recuperação judicial pode ser entendida como um sinal de normalização do fluxo de caixa, em função da recuperação da economia.
Com informações do G1.

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