A Tarefa do Economista Moderno
Fevereiro 28, 2010
A primeira e, talvez, a mais importante constatação que o economista moderno deve fazer é que, hoje, infelizmente, a ciência econômica ignora o indivíduo e se preocupa, exclusivamente, com a acumulação de capital. É forçoso ressaltar, nesse sentido, que desde que surgiu, a Economia está focada no materialismo, no individualismo e no “salve-se quem puder”.
A socialização de bens e serviços, a luta por uma boa colocação no mercado de trabalho e uma justa e equilibrada distribuição da renda, são objetivos que, em matéria de políticas econômicas, tem passado longe das preocupações governamentais. O discurso contrário tem ficado apenas restrito aos “programas de governo”, ou seja, apenas no papel. Quando “saem” do papel encontram morada tranquila nas gavetas dos “escritórios do poder”. Nesse pormenor, os objetivos econômicos (que em época de campanha política elege muita gente) ficam apenas no plano teórico e são muito bem explicitados, por sinal, apenas, e tão somente, na propaganda política televisiva. É nesse momento que se “vende” aos eleitores um mundo de sonhos que jamais será entregue. Daqui alguns meses veremos isso novamente.
No entanto, o objetivo aqui é outro. Queremos ressaltar a tarefa que cabe ao economista moderno diante de uma sociedade repleta de injustiças sociais. Esse economista, conhecedor teórico dos problemas sociais, que não vive num “mundo onírico”, precisa ter em mente que um mundo melhor para todos somente será possível quando as gritantes disparidades entre o modo de ser/agir dos ricos e o dos pobres for diminuída substancialmente.
Para que isso ocorra, deve o economista moderno pensar, antes, no social, e fazer com que isso esteja sempre acima do econômico. Por que isso? É necessário entender que um rompimento com a tradicional teoria econômica precisa ocupar lugar.
A economia moderna não pode continuar ignorando os aspectos não-monetários. Há muitas coisas interessantes que estão “fora” do padrão monetário-financeiro apregoado pela tradicional teoria econômica.
A economia tradicional dos manuais de Introdução à Economia sempre ignorou o aspecto não-monetário. A moderna economia que desejamos que aconteça precisa equacionar essa pendência. O lado não-monetário envolve aspectos da vida, dos desejos que nem sempre passam pelas portas do crédito financeiro como pré-condição para a obtenção de bens e serviços. É necessário entender que o lado não-monetário tem a ver com a real concepção de Economia propugnada por Alfred Marshall: “a economia cuida das atividades correntes da vida”. Por isso é tão urgente “repensar” a economia, mesmo que isso implique em remar contra a maré.
É necessário, para tanto, uma vez mais combinar reflexão com ação. Basicamente, para o ambiente econômico em questão, é preciso fazer aquilo que frei Leonardo Boff diz com bastante propriedade: “idéias podemos até tê-las, mas o que realmente move o mundo são nossas ações”.
Se todos estiverem imbuídos desse pensamento (ação para mudar), ficará mais fácil então cobrar por ações da política pública nesse sentido. Todo governo, e todo governante, tem o direito de dizer o que fez em sua administração, mas tem também o dever de dizer o que não fez e, por isso, pedir desculpas pelas falhas cometidas ou omissões praticadas. Todo governo, por conseguinte, todo governante, precisa entender que está à serviço da comunidade que o elegeu. Todo governo precisa saber entender a vontade popular e ficar sensível aos anseios do povo, principalmente quando os desejos populares vêem embasados em perspectivas humanísticas, igualitárias, democráticas, com senso de ética e solidariedade. A ciência econômica, por sua vez, precisa, em certo momento, remar contra a maré e abandonar o pragmatismo acadêmico, ressaltando aos estudantes, nos cursos superiores, essa premissa (a da necessidade de mudanças) que aqui me parece básica e fundamental.
Insistindo nesse assunto, é imperioso ressaltar que a ciência econômica precisa se colocar junto à força do povo, buscando promover ações em favor das mudanças de paradigmas. Paradigmas, é imperioso ter isso em voga, em certas ocasiões, são mais fortes que teorias.
Historicamente, toda vez que o povo saiu às ruas, algo aconteceu. Curiosamente, em todas as ocasiões em que houve manifestação popular, o lado econômico encontrava-se abalado; por vezes era uma inflação qualquer que estava fora de controle, por outras era um orçamento público incompatível com os anseios populares, ou ainda foi a falta de pão (ainda que alguém da elite, virando às costas ao povo, como de costume, recomedasse comer broas) ou fora o dinheiro do contribuinte “confiscado”. O fato é o seguinte: sempre um acontecimento econômico se fez (e esteve) presente nas diversas manifestações populares que provocaram mudanças.
Nem tudo se resume a mera questão de mercado
Conquanto, um primeiro passo para qualquer mudança, em especial no ambiente econômico, talvez seja fazer com que os economistas modernos e outros cientistas sociais, se sintonizem no fato de que nem tudo se resume em commodities; portanto, nem tudo deve ser condicionado à mera questão do mercado. Por consequência, nem tudo deve se resumir na pré-condição de mercadoria pronta a ser vendida. Segundo creio, o essencial (a vida em toda sua abrangência) não está a venda! A economia não pode ser resumida a estreita visão de que o mercado (as vendas, por consequência) é o único caminho a ser percorrido. É importante salientar que o mercado não produz progresso, apenas o segue.
Essa visão mercantilista, fortemente reforçada pelos mecanismos capitalistas de mercado, e por políticas que tem destruído a proteção social, leva a um fato crucial: tudo está (é colocado) à venda; assim querem os donos do dinheiro! Dessa forma, preconizam os defensores do capitalismo que querem tudo vender e, para tanto, em tudo colocam seus preços.
De nossa parte, entendemos a economia de outra maneira: vale aduzir que a economia vai além dos preços; vai além dos mecanismo de mercado. A economia não se restringe apenas a variável “consumo”. A economia vai além dos fatores não-monetários, para reiterar-se uma vez mais essa premissa.
Frei Betto, frade dominicano e escritor respeitado no cenário nacional, foi categórico, a esse respeito, em A Mosca Azul, afirmando que “o consumo consome o consumidor”. Em outras palavras, o que Frei Betto diz é que a economia não reconhece direitos, apenas o poder de compra, daí a necessidade da economia tradicional em valorizar o tempo todo o consumidor, não o cidadão. Cabe procurar escapar a essa “provocação econômica”, pois a vida, definitivamente, não se restringe a compra de meras mercadorias.
No entanto, as leis do mercado, centradas exclusivamente na venda de tudo, devora o “muito” daqueles que “pouco” tem. Longe dessa visão puramente mercantil (e mercadológica), cabe ao economista moderno pensar primeiramente nos pressupostos que devem nortear uma sociedade que visa o equilíbrio como objetivo central.
A mudança para isso passa inexoravelmente por entender a economia de outra maneira. Para tanto, os ideais de justiça, liberdade e igualdade precisam, constantemente, virem à baila. Contra a exclusão e a desigualdade sócio-econômica o economista de hoje deve insistentemente se posicionar. Igualdade não combina com exclusão; assim como liberdade não combina com injustiça.
O tipo de sociedade que o economista moderno deve pensar (e procurar fazer) tem que necessariamente passar pela cooperação, em lugar da competição. Esta última, até mesmo por ser quase sempre praticada de maneira desigual (concorrência desleal e imperfeita no jargão econômico), privilegiando apenas os mais abastados, apresenta evidências, a todo instante, e mais que suficientes, que serve apenas para dividir e segregar. Quem ganha na competição se dá bem. The winner takes it all, (O vencedor leva tudo!) diz o título de uma canção do grupo musical sueco Abba. O perdedor? Ah, esse será um eterno excluído! A ele dá-se as batatas!
Alguém lendo isso poderá recorrer ao velho axioma: quem não é competente não se estabelece. Logo, é justo que o vencedor leve tudo. Acontece que, antes de olhar nessa direção, é necessário saber em quais condições estão se dando essa tal competição.
Muitos são sabedores que a competição privilegia àqueles com mais acesso às informações. Certamente, esse gozam de privilégios financeiros que a imensa maioria (os despossuídos) nem sonha chegar perto. Logo, por possuírem vantagens em relação aos que tem enormes dificuldades de se manter em pé, quem é que ganhará esse jogo competitivo que mais parece um jogo entre gato e rato? A pergunta que fica então é a seguinte: é justo, nesse sentido, que o vencedor deva levar tudo?
Essa é uma das razões da sociedade ser extremamente dividida. A primeira premissa dessa separação se dá pela ótica das posses; pela extrema e elevada condição financeira de uns que facilita, na ponta final, a posição social que cada um desses irá ocupar em relação aos que nada possuem. A continuar tal “separação”, dada pela questão financeira, jamais se chegará a condição sonhada de ter-se um amanhã melhor para todos. Somente somando forças, e não dividindo, se poderá, quiçá, alcançar uma sociedade mais justa e menos desigual. É sabido que a força coletiva faz o progresso acontecer. Com o progresso, a chance dos que nada tem passa a ser considerável.
A cooperação, nesse sentido, pode ser à luz que falta àqueles que hoje vivem completamente à margem dos benefícios, tanto econômicos, quanto sociais, que uma sociedade equilibrada e justa é capaz de oferecer.
É nessa direção que o economista moderno deve direcionar esforços. E, antes de qualquer outra coisa, é nessa linha de conduta que o economista moderno deve remar contra a maré da sabedoria econômica tradicional.
As causas e consequências da pobreza em que vive 1/3 dos brasileiros, para tomar-se aqui como paradigma o Brasil, deve ser ensinada pelas ciências econômicas como sendo a mais abjeta situação, comparável a ignomínia da escravidão que marcou esse país por séculos. Essa deve ser a primeira lição ensinada no primeiro dia de aula no primeiro ano do curso de graduação em Ciências Econômicas. E essa mesma “preocupação” deve continuar nos cursos de pós-graduação na área de Economia e de outras ciências sociais. Essa preocupação com o social precisa nortear, definitivamente, as ações de nossos economistas e cientistas sociais.
Há uma passagem ilustrativa de Ladislau Dowbor em O Mosaico Partido, que abrilhanta essa assertiva: “Quem não entende os processos econômicos, acaba não entendendo coisas tão elementares como porque somos capazes de façanhas fenomenais como as viagens no espaço, mas somos incapazes de reduzir a tragédia de 11 milhões de crianças que morrem anualmente de fome e outras causas absurdas, ou ainda de conter o ritmo de destruição ambiental do planeta. Já estamos tentando brincar de criadores clonando a vida, mas não somos capazes de resolver o problema do carrapato”.
A pobreza, a fome, a miséria e todo e qualquer tipo de exclusão social devem ser os temas de maior interesse do economista moderno; principalmente em sociedades com elevados índices de desigualdades. É simplesmente inadmissível aceitar que no mundo de hoje haja gente passando fome em qualquer parte do planeta, visto que os recursos para acabar com a fome sobram – são até mesmo desperdiçados.
Uma questão de ética
Esses temas (fome, miséria), abarcados, pois, na definição ampla de exclusão social, devem, antes, ser encarados como temas concernentes aos Direitos Humanos; portanto, não apenas restrito a uma área específica do conhecimento, até porque a existência da fome, em especial, é uma questão de ética, e não apenas de “desequilíbrio” econômico ou uma mera questão de ajustes produtivos. Isso não quer dizer que o economista não deva se debruçar sobre essa questão como enfatizado anteriormente.
Nesse pormenor, o economista precisa se engajar em outras áreas do conhecimento para junto a outros “pensadores” encontrarem, coletivamente, as alternativas para a necessária mudança. Uma simbiose com a Sociologia, com as Ciências Políticas, a Administração, o Direito ou mesmo a Psicologia precisa aflorar. Sozinha, a Ciência Econômica não conseguirá dar boas respostas a tais anomalias, embora seja um instrumental riquíssimo de análise dos fatos e acontecimentos que correm atualmente.
Propor alternativas para erradicar esses males deve ser a tarefa a ser empreendida por todos os profissionais que chegam a todo momento ao mercado de trabalho, independente da área de atuação.
A Economia, em especial, precisa resgatar seu DNA social, afinal, a ciência econômica “nasceu” também para isso: para dar uma resposta positiva aos problemas sociais que tanto aflinge o pensamento do homem moderno. Certamente, os problemas da fome e da pobreza que marcam a ferro e fogo a desigualdade social no Brasil, precisam ser pensados a todo instante por aqueles que tem a rara oportunidade de dirigir a vida econômica de um país.
Definitivamente, a meu ver, o que deve ser entendido é que, por meio das conhecidas políticas econômicas, abre-se grande chance de mudar a vida de milhões de pessoas. Mudar para melhor a vida de milhões de pessoas: eis a grande tarefa que cabe ao economista moderno.
Prof. Marcus Eduardo de Oliveira
Economista, mestre pela USP e professor do UNIFIEO (Depto. de Comércio Exterior) e da FAC-FITO (Depto. de Economia). Autor dos livros “Conversando sobre Economia” (Ed. Alínea) e “Provocações Econômicas” (no prelo).
Cofecon prorroga prazo da campanha de recadastramento
Fevereiro 8, 2010
Devido ao grande sucesso e à importante resposta dos Economistas, a Campanha Nacional de Recadastramento foi prorrogada até o dia 31 de agosto. A decisão foi tomada com base no trabalho da Comissão de Acompanhamento, que esteve reunida em Brasília. Outra decisão importante facilita a vida de quem mora longe do Corecon de origem e permite levar o formulário preenchido a algum Conselho Regional ou Delegacia Regional (onde se coletará assinatura e impressão digital) mais próxima de casa.
Maior prazo para a campanha
A primeira grande novidade da Resolução 1.825/10 é a ampliação do prazo para o recadastramento (sem qualquer ônus para o economista) até o dia 31 de agosto. Embora a medida beneficie a todos, será especialmente útil para os economistas que se encontram distantes dos Corecon’s, permitindo um prazo maior para conciliar seus compromissos e o comparecimento ao Conselho Regional ou Delegacia Regional. A resolução também flexibiliza a arrecadação de leite em pó a critério de cada Corecon. Os Regionais adotarão os procedimentos administrativos necessários e escolherão as instituições que receberão o material arrecadado.
Facilidades para quem mora longe
Para os economistas que residem em um estado e possuem registro em outro, o recadastramento poderá ser feito mais perto de casa. Para tanto, é preciso levar o formulário preenchido ao Conselho Regional ou Delegacia Regional mais próxima, onde se efetuará a coleta de impressão digital. Os dados atualizados serão encaminhados ao Corecon no qual o economista tem seu registro, acompanhados de uma Certidão de Encaminhamento.
Tire suas dúvidas sobre a campanha
Tem alguma dúvida sobre a campanha de recadastramento? Disponibilizamos a seguir algumas das perguntas mais frequentes com as devidas respostas.
1. Caso um profissional tenha recebido a correspondência do Cofecon sobre a nova carteira, mas perdeu, extraviou ou não recebeu o formulário, como proceder?
O profissional deverá comparecer ao Regional munido de uma fotografia 3 x 4, com fundo branco, e solicitar a segunda via do formulário, para a posterior solicitação da nova carteira profissional.
2. Depois do formulário preenchido e assinado devo encaminhar para qual endereço?
O formulário somente deve ser assinado na presença de um funcionário do Corecon ou Delegacia Regional, o qual irá conferir o preenchimento do documento, fazer a coleta da digital e da foto para depois encaminhar à empresa que irá confeccionar a carteira. Se o profissional tiver encaminhado o formulário equivocadamente pelo correio ou portador, o mesmo deverá ser convocado a comparecer no respectivo Conselho Regional para procedimento adequado.
3. Tenho registro em um Estado, porém resido em outro, como devo proceder?
O profissional deverá comparecer ao Corecon ou Delegacia Regional mais próximo da sua residência para que o Regional faça a conferencia dos dados bem como coleta dos dados biométricos para posterior envio do formulário ao Corecon de origem.
Não se aplica esse procedimento para os casos de alteração do domicílio, pois nos casos de nova residência definitiva, este profissional deverá efetuar a transferência do registro.
4. Em caso do registro de origem seja em outro Estado, a lata de leite em pó pode ser entregue no Regional que receber o formulário?
Sim. Não há necessidade de encaminhar a lata de leite em pó para seu Regional de origem.
5. É necessária a presença para realização do recadastramento?
Sim. O profissional deverá estar pessoalmente no Conselho Regional ou Delegacia Regional, pois não se trata somente de recadastramento, mas sim da verificação dos dados corretos (assinatura e digital) para confecção da nova carteira.
6. O recadastramento é obrigatório?
Não. Caso não haja interesse em participar da Campanha Nacional de Recadastramento, o profissional poderá continuar utilizando a carteira de identidade profissional que já possui. Contudo, vencido o prazo de recadastramento a eventual emissão de nova carteira implicará na cobrança de taxas e conseqüente desobrigação de doação da lata de leite em pó.
7. O prazo para a entrega da documentação será prorrogado?
Sim. O prazo foi prorrogado até o dia 31/08/2010.
8. Quando fazemos a validação é necessário imprimir novamente o formulário?
Não. Somente é necessária a impressão de um novo formulário caso haja erros durante a coleta dos dados biométricos (assinatura e digital).
9. Os lotes com as solicitações deverão ser encaminhadas ao Cofecon ou a empresa?
Os lotes deverão ser encaminhados diretamente para a empresa contratada para emissão das carteiras profissionais.
10. Se o profissional perder a nova carteira dentro do prazo da campanha de recadastramento, ele poderá solicitar a emissão de outra?
Sim. Não haverá mais necessidade de ser feita coleta de dados biométricos e nem a presença física do profissional, pois esses já estarão disponíveis no sistema unificado. No entanto, o mesmo deverá recolher a taxa de emissão da carteira, não aplicando o principio da gratuidade e a doação da lata de leite em pó, instituído apenas no processo de implantação de substituição das carteiras.
O Cofecon encaminhará expediente contendo todas as instruções necessárias.
11. As carteiras serão encaminhadas para as Regionais ou direto para a residência dos economistas?
O processo licitatório prevê a remessa aos Corecon’s, porém o Cofecon irá estudar a possibilidade de encaminhar as carteiras diretamente à residência do profissional.
12. Qual é o prazo da confecção?
Devido à grande demanda de procura por parte dos profissionais, em âmbito Nacional, durante a campanha infelizmente não dispomos de informações precisas neste momento, solicitamos a compreensão dos Corecon’s no aguardo de novas orientações acerca do tema.
13. A carteira terá um chip?
Não. O layout aprovado pelo Plenário durante a realização da 606ª Sessão Plenária do Cofecon não prevê a confecção das carteiras profissionais com chip.
Se ainda ficar alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail cofecon@cofecon.org.br.
Cofecon prorroga prazo da campanha de recadastramento
Fevereiro 3, 2010
Devido ao grande sucesso e à importante resposta dos Economistas, a Campanha Nacional de Recadastramento foi prorrogada até o dia 31 de agosto. A decisão foi tomada com base no trabalho da Comissão de Acompanhamento, que esteve reunida em Brasília. Outra decisão importante facilita a vida de quem mora longe do Corecon de origem e permite levar o formulário preenchido a algum Conselho Regional ou Delegacia Regional (onde se coletará assinatura e impressão digital) mais próxima de casa.
Maior prazo para a campanha
A primeira grande novidade da Resolução 1.825/10 é a ampliação do prazo para o recadastramento (sem qualquer ônus para o economista) até o dia 31 de agosto. Embora a medida beneficie a todos, será especialmente útil para os economistas que se encontram distantes dos Corecon’s, permitindo um prazo maior para conciliar seus compromissos e o comparecimento ao Conselho Regional ou Delegacia Regional. A resolução também flexibiliza a arrecadação de leite em pó a critério de cara Corecon. Os Regionais adotarão os procedimentos administrativos necessários e escolherão as instituições que receberão o material arrecadado.
Facilidades para quem mora longe
Para os economistas que residem em um estado e possuem registro em outro, o recadastramento poderá ser feito mais perto de casa. Para tanto, é preciso levar o formulário preenchido ao Conselho Regional ou Delegacia Regional mais próxima, onde se efetuará a coleta de impressão digital. Os dados atualizados serão encaminhados ao Corecon no qual o economista tem seu registro, acompanhados de uma Certidão de Encaminhamento.
Tire suas dúvidas sobre a campanha
Tem alguma dúvida sobre a campanha de recadastramento? Disponibilizamos a seguir algumas das perguntas mais frequentes com as devidas respostas.
1. Caso um profissional tenha recebido a correspondência do Cofecon sobre a nova carteira, mas perdeu, extraviou ou não recebeu o formulário, como proceder?
O profissional deverá comparecer ao Regional munido de uma fotografia 3 x 4, com fundo branco, e solicitar a segunda via do formulário, para a posterior solicitação da nova carteira profissional.
2. Depois do formulário preenchido e assinado devo encaminhar para qual endereço?
O formulário somente deve ser assinado na presença de um funcionário do Corecon ou Delegacia Regional, o qual irá conferir o preenchimento do documento, fazer a coleta da digital e da foto para depois encaminhar à empresa que irá confeccionar a carteira. Se o profissional tiver encaminhado o formulário equivocadamente pelo correio ou portador, o mesmo deverá ser convocado a comparecer no respectivo Conselho Regional para procedimento adequado.
3. Tenho registro em um Estado, porém resido em outro, como devo proceder?
O profissional deverá comparecer ao Corecon ou Delegacia Regional mais próximo da sua residência para que o Regional faça a conferencia dos dados bem como coleta dos dados biométricos para posterior envio do formulário ao Corecon de origem.
Não se aplica esse procedimento para os casos de alteração do domicílio, pois nos casos de nova residência definitiva, este profissional deverá efetuar a transferência do registro.
4. Em caso do registro de origem seja em outro Estado, a lata de leite em pó pode ser entregue no Regional que receber o formulário?
Sim. Não há necessidade de encaminhar a lata de leite em pó para seu Regional de origem.
5. É necessária a presença para realização do recadastramento?
Sim. O profissional deverá estar pessoalmente no Conselho Regional ou Delegacia Regional, pois não se trata somente de recadastramento, mas sim da verificação dos dados corretos (assinatura e digital) para confecção da nova carteira.
6. O recadastramento é obrigatório?
Não. Caso não haja interesse em participar da Campanha Nacional de Recadastramento, o profissional poderá continuar utilizando a carteira de identidade profissional que já possui. Contudo, vencido o prazo de recadastramento a eventual emissão de nova carteira implicará na cobrança de taxas e conseqüente desobrigação de doação da lata de leite em pó.
7. O prazo para a entrega da documentação será prorrogado?
Sim. O prazo foi prorrogado até o dia 31/08/2010.
8. Quando fazemos a validação é necessário imprimir novamente o formulário?
Não. Somente é necessária a impressão de um novo formulário caso haja erros durante a coleta dos dados biométricos (assinatura e digital).
9. Os lotes com as solicitações deverão ser encaminhadas ao Cofecon ou a empresa?
Os lotes deverão ser encaminhados diretamente para a empresa contratada para emissão das carteiras profissionais.
10. Se o profissional perder a nova carteira dentro do prazo da campanha de recadastramento, ele poderá solicitar a emissão de outra?
Sim. Não haverá mais necessidade de ser feita coleta de dados biométricos e nem a presença física do profissional, pois esses já estarão disponíveis no sistema unificado. No entanto, o mesmo deverá recolher a taxa de emissão da carteira, não aplicando o principio da gratuidade e a doação da lata de leite em pó, instituído apenas no processo de implantação de substituição das carteiras.
O Cofecon encaminhará expediente contendo todas as instruções necessárias.
11. As carteiras serão encaminhadas para as Regionais ou direto para a residência dos economistas?
O processo licitatório prevê a remessa aos Corecon’s, porém o Cofecon irá estudar a possibilidade de encaminhar as carteiras diretamente à residência do profissional.
12. Qual é o prazo da confecção?
Devido à grande demanda de procura por parte dos profissionais, em âmbito Nacional, durante a campanha infelizmente não dispomos de informações precisas neste momento, solicitamos a compreensão dos Corecon’s no aguardo de novas orientações acerca do tema.
13. A carteira terá um chip?
Não. O layout aprovado pelo Plenário durante a realização da 606ª Sessão Plenária do Cofecon não prevê a confecção das carteiras profissionais com chip.
Se ainda ficar alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail cofecon@cofecon.org.br.
Itaú Personnalité reforma palacete tradicional de Joinville
Agosto 31, 2009
O Itaú Personnalité entregou hoje um presente à cidade de Joinville: o Palacete Oswaldo Dória, cartão-postal da cidade, foi reaberto totalmente restaurado. Por ser um imóvel tombado pelo patrimônio histórico, o Itaú Personnalité seguiu criteriosamente as orientações da Fundação Cultural para a reforma do imóvel. No local, funciona agora agência do Itaú Personnalité.
“É um prazer e uma honra entregar esse presente à cidade e poder atuar em prédio tão importante da história de Joinville”, diz Fernando Chacon, diretor executivo do Banco Itaú.
A nova agência vai atender aos clientes Personnalité da cidade, que antes tinham reservado um espaço em agência da rede do Itaú na cidade. Assim, os clientes Personnalité de Joinville passam a contar com um local exclusivo para seu atendimento, com consultorias de investimento e todo o diferencial que o segmento oferece.
História
O “Castelinho”, apelido carinhoso mais recente, ou “Quitandinha”, como é conhecido entre os joinvilenses mais tradicionais, foi construído na década de 40, pela família Dória, que morava antes ao lado da Minancora. Levou dois anos para ficar pronto. Mas o resultado encantou tanto aos moradores da cidade quanto aos turistas, que a visitavam como um dos pontos mais bonitos de Joinville. Muitas vezes, a dona da casa a abria aos curiosos, que descobriam que seu interior era tão bonito quanto a fachada.
A família Dória morou ali por quatro décadas. Depois, a casa foi vendida ao Banco Francês e Brasileiro, que, após a incorporação pelo Itaú, passou a ser o Itaú Personnalité.
Com informações da Assessoria de Imprensa Itaú / Unibanco
Parabéns Economista!
Agosto 13, 2009
Neste dia especial desejamos aos colegas de profissão os parabéns pelo nosso dia.
Sucesso a todos os economistas!
Prof. Celso Ricardo
Pensando como um Economista
Agosto 11, 2009
A primeira e, talvez, a mais importante constatação que o economista moderno deve fazer é de que, hoje, infelizmente, a economia ignora o indivíduo e se preocupa, exclusivamente, com a acumulação de capital.
A socialização de bens e serviços, a luta por uma boa colocação no mercado de trabalho e uma justa e equilibrada distribuição da renda, são objetivos que tem passado longe das preocupações governamentais ficando apenas restrita aos “programas de governo” inseridos na democracia política. Esses objetivos ficam apenas no plano teórico e são muito bem explicitados, por sinal, apenas, e tão somente, em época de propaganda política televisiva, quando se “vende” um mundo de sonhos e uma “cartilha de ações” que apresenta inúmeras “soluções” para afastar da sociedade os mais intensos problemas sociais.
O economista moderno, conhecedor teórico dos problemas sociais, precisa ter em mente, no entanto, que um mundo melhor para todos somente será possível quando as gritantes disparidades entre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres for diminuída substancialmente. Para isso, deve o economista moderno pensar, antes, no social, e fazer com que isso esteja sempre acima do econômico. É necessário, nesse pormenor, combinar reflexão com ação. Basicamente é preciso fazer aquilo que o frei Leonardo Boff diz com bastante propriedade: “idéias podemos até tê-las, mas o que realmente move o mundo são nossas ações”.
Se todos estiverem imbuídos desse pensamento, ficará mais fácil então cobrar por ações do governo nesse sentido. Todo governo, num certo momento, até mesmo por temer a vontade popular, fica sensível aos anseios do povo, principalmente quando os desejos populares vêem embasados em perspectivas humanísticas, igualitárias, democráticas, com senso de ética e solidariedade. Essa é a força do povo, capaz de promover ações em favor das mudanças. Historicamente, toda vez que o povo saiu às ruas, algo aconteceu.
Conquanto, um primeio passo nessa direção é fazer com que o economista moderno e outros cientistas sociais, se sintonizem no fato de que nem tudo se resume em commodities; portanto, nem tudo deve ser condicionado a mera questão do mercado. Por consequência, nem tudo deve se resumir na pré-condição de mercadoria pronta a ser vendida.
Essa visão mercantilista, fortemente reforçada pelos mecanismos capitalistas de mercado, e por políticas que tem destruído a proteção social, leva ao fato de que tudo está a venda, assim como preconizam os defensores do capitalismo que querem tudo vender e, para tanto, em tudo colocam seus preços.
Frei Betto, frade dominicano e escritor respeitado no cenário internacional, foi categórico em A Mosca Azul, afirmando que “o consumo consome o consumidor”. De fato, as leis do mercado, centradas na venda de tudo, devora o “muito” daqueles que “pouco” tem.
Longe dessa visão puramente mercantil, cabe ao economista moderno pensar primeiramente nos pressupostos que devem nortear uma sociedade que visa o equilíbrio como objetivo central. Para tanto, os ideais de justiça, liberdade e igualitarismo precisam vir à tona. Contra a exclusão e a desigualdade sócio-econômica o economista de hoje deve constantemente se posicionar. Igualdade não combina com exclusão, assim como liberdade não combina com injustiça.
O tipo de sociedade que o economista deve pensar tem que necessariamente passar pela cooperação, em lugar da competição. Esta última, até mesmo por ser quase sempre praticada de maneira desigual (concorrência desleal e imperfeita no jargão econômico), privilegiando os mais abastados, apresenta evidências, a todo instante, que serve apenas para dividir e segregar. Desse jeito, dividindo e separando os seres pela condição financeira ou posição social que ocupam, jamais se chegará a condição sonhada de termos um amanhã melhor para todos.
Somente somando forças, e não divindo, se poderá alcançar uma sociedade mais justa e menos desigual. É sabido que a força coletiva faz o progresso acontecer. Com o progresso, a chance dos que nada tem passa a ser considerável. A cooperação, nesse sentido, pode ser a luz que falta àqueles que hoje vivem completamente à margem dos benefícios que uma sociedade equilibrada e justa é capaz de oferecer.
É nesse sentido que o economista moderno deve pensar. As causas e consequências da pobreza em que vive 1/3 dos brasileiros deve ser ensinada pelas ciências econômicas como sendo a mais abjeta situação, comparável a ignomínia da escravidão que marcou esse país por séculos. Essa deve ser a primeira lição ensinada no primeiro dia de aula no primeiro ano do curso de graduação em Ciências Econômicas.
A pobreza, a fome, a miséria e todo e qualquer tipo de exclusão social devem ser os temas de maior interesse dos economistas modernos; principalmente em sociedades com elevados índices de desigualdades. É simplesmente inadimissível aceitar que no mundo de hoje haja gente passando fome em qualquer parte do planeta.
Tais temas, abarcados na definição ampla de exclusão social, devem, antes, ser encarados como temas concernentes aos Direitos Humanos; portanto, não apenas restrito a uma área específica do conhecimento, até porque a existência da fome, em especial, é uma questão de ética, e não apenas de “desequilíbrio” econômico.
Propor alternativas para erradicar esses males deve ser a tarefa a ser empreendida pelos profissionais da Economia que chegam a todo momento ao mercado de trabalho. Afinal, a Economia nasceu para isso; para dar uma resposta positiva aos problemas sociais que tanto aflingem o homem moderno.
Certamente, os problemas da fome e da pobreza que marcam a ferro e fogo a desigualdade social do Brasil, precisam ser pensados o tempo todo por aqueles que tem a rara oportunidade de dirigir a política econômica de um país. Até mesmo porque, por meio dessas políticas econômicas, abre-se grande chance de mudar a vida de milhões de pessoas. Mudar para melhor a vida de milhões de pessoas: eis o grande desafio que cabe ao economista moderno superar.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário.
Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional. Autor do livro “Conversando sobre Economia” (ed. Alínea)
Dia do Economista: CORECON-PR promove série de atividades neste mês
Agosto 6, 2009
EnTENDA de Economia, Prêmio Economista Paranaense do Ano, Palestras e Debates Sobre Assuntos Econômicos, Divulgação na Mídia e 19ª Prêmio Paraná de Economia e do 4º Prêmio BRDE, estão entre as ações.
Com o objetivo de promover a discussão econômica e também fortalecer a presença e destacar a importância do economista na sociedade, o Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-Pr) irá promover uma série de atividades em comemoração ao Dia do Economista. O projeto da entidade é tornar o mês de agosto, quando é comemorado o Dia do Economista, um período tradicional para incentivar debates sobre o cenário econômico e apurar os reflexos na Economia do Paraná e Brasil. Entre os destaques, está a realização dos eventos EnTenda de Economia, 1º Prêmio Economista Paranaense do Ano, com a presença do Ministro da Agricultura e economista Reinhold Stephanes e o 19ª Prêmio Paraná de Economia e do 4º Prêmio BRDE.
No dia 13 de agosto, o Conselho vai realizar a ação EnTENDA de Economia, com a instalação de uma tenda na Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba. Na tenda, profissionais de economia, com o apoio de alunos e professores, vão oferecer orientação gratuita à população sobre conceitos econômicos, como taxa de juros, inflação, câmbio, importação, exportação, subsídio, taxa, tarifa, imposto, bolsa de valores, ações, produtos financeiros, além de prestar esclarecimentos quanto à obtenção de empréstimos, financiamentos, uso do cartão de crédito e do cheque especial e aplicação na Bolsa de Valores.
A entrega do 1º Prêmio Economista Paranaense do Ano será realizada no dia 28 de agosto, no auditório da Ocepar, em Curitiba. A abertura do evento contará com a palestra do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Essa iniciativa tem como objetivo reconhecer o trabalho realizado por economistas que se destacam no setor acadêmico e no mercado, bem como por jornalistas e comentaristas econômicos. Por meio dessa iniciativa, a Entidade visa, também, a prestar uma homenagem e incentivar os economistas importantes para o Estado, com o reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos pela classe. O prêmio compreenderá três categorias, “Economista Acadêmico do Ano”, “Jornalista Econômico” e “Economista do Ano”.
Em Campo Mourão (PR), será promovida a solenidade de entrega do 19º Prêmio Paraná de Economia e do 4º Prêmio BRDE de Desenvolvimento, no dia 26 de agosto. Promovido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (CORECON–PR), o prêmio tem a finalidade de estimular a produção científica, ampliando o foco dos temas ligados à economia paranaense e economia pura aplicada, além de incentivar a pesquisa e a investigação econômica pelos profissionais da área. A premiação será destinada à categoria artigo (Economista e Estudante de Economia) e Categoria Monografia de Conclusão de Curso de Graduação (Economia Paranaense e Economia Pura e Aplicada). Este prêmio é resultado da parceria entre o Corecon-Pr e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE.
Palestras e debates também fazem parte da programação. A primeira palestra foi realizada no dia 4 de junho, com a participação do economista de grande notoriedade no Paraná, Gilmar Mendes Lourenço, que ministrou a palestra “A Crise Internacional e a Economia do Paraná”. No dia 13 de agosto, o debate ficará por conta da população e dos economistas, através dos esclarecimentos que serão prestados sobre temas econômicos. O encerramento desta atividade será com a palestra do ministro e economista Reinhold Stephanes, no dia 28 de agosto.
O Corecon-Pr pretende prestar uma homenagem ao Economista e também comemorar os 58 anos da regulamentação da profissão com uma ação de mídia. As rádios CBN e Band News vão veicular um comercial no período que antecede a festividade. A CBN veiculará para todo o Paraná, em rede.
As ações planejadas para comemorar os 58 anos da Lei 1.411/51, que regulamentou a profissão do Economista, têm a finalidade de aproximar o Economista da população, enaltecendo a importância da sua atuação em diversas áreas. Para o Corecon-Pr, este é um modo de destacar o Economista perante os demais profissionais na sociedade, esclarecendo que ele é o profissional mais capacitado para entender e interpretar os fatos econômicos que afetam o cotidiano das pessoas.
Mensagem aos Jovens Economistas Brasileiros
Julho 21, 2009
Por Marcus Eduardo de Oliveira
“Perceber que o mais importante é o social foi a
descoberta mais relevante de minha vida”
Celso Furtado, em O Longo Amanhecer
Em “Princípios de Economia”, Alfred Marshall (1842-1924) afirma que a Economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.
Gregory Mankiw diz que “Economia é um grupo de pessoas que interagem entre si”.
Das muitas definições/objetivos que o termo Economia carrega talvez a de Colin Clark (1905-1989) seja a que melhor se enquadra naquilo que entendemos ser o objetivo precípuo das ciências econômicas: “O objetivo da economia não é a produção de riqueza, mas proporcionar bem estar aos indivíduos”, nos diz C. Clark.
O certo é que desde a obra seminal de Adam Smith, (A Riqueza das Nações) as ciências econômicas vêm ganhando destaque e relevo na administração pública, guardando assim estreita sintonia com a origem do termo que remonta ao pensador grego Xenofonte (430-355 a.C) que definiu Economia pela primeira vez como “administração da casa”; nos dias de hoje, também pode ser entendido como “administração da coisa pública”.
Feitas essas primeiras incursões o fito deste artigo se põe agora a discutir junto aos jovens economistas brasileiros qual o atual e o mais preponderante papel que a economia (enquanto ciência) vem desempenhando na sociedade moderna e, em especial, em sociedades que amargam profundas e históricas desigualdades sociais, como é o típico caso brasileiro.
Quantos de nossos jovens, recém saídos das universidades, diplomados em Ciências Econômicas, se põem a perguntar: quais os desafios da profissão de economista? E agora, como economista formado, o que quero e devo fazer? Como devo agir? Quais são as inquietações reflexivas a que um economista estará exposto? Quais interrogações os cercarão?
Os desafios da profissão em uma sociedade desigual
Uma primeira constatação que o jovem economista brasileiro se depara ao chegar ao mercado de trabalho, é que é impossível fechar os olhos para as gritantes conseqüências sociais que o atual modelo econômico desagregador impõe a grande parte da população que ora encontra-se sem emprego, sobrevivendo no limite, habitando os já conhecidos “bolsões de pobreza”.
Nesse pormenor, a exclusão social será, certamente, uma situação em que o jovem economista porá um olhar crítico para um completo entendimento da situação social que o aguarda. Talvez esteja ai o primeiro e mais importante desafio para os jovens economistas brasileiros desse século XXI: entenderem as razões que levam um país como o Brasil, com grande potencial de recursos, a amargar um quadro vexatório em quesitos sociais.
Cabe a esses jovens economistas tentar explicar como é possível, numa sociedade moderna, a ocorrência de fortíssima segregação social que põe de um lado os incluídos e, do outro, os excluídos; os ricos-milionários separados dos pobres-miseráveis; os sem terra segregados dos latifundiários. Em suma, um país formado por uma sociedade elitista e uma massificação de excluídos.
Aos jovens economistas conhecedores de história econômica caberá responder por que ao Brasil, historicamente, coube um papel específico na economia mundial de grande fornecedor de commodities e, dessa maneira, enquanto os mercados externos eram (e são) abastecidos pelo trabalho dos brasileiros, a economia interna regressa no tempo, desamparando os que aqui labutam.
O desafio maior que espera esses jovens economistas no mercado de trabalho talvez seja estudar, pormenorizadamente, essa exclusão social a que fizemos alusão a fim de “entender” um país que é capaz de produzir e exportar aviões, mas incapaz de alimentar decentemente quase 40 milhões de pessoas. Um país que, por anos a fio, tem sido o maior produtor e exportador de suco de laranja, mas que abriga dezenas de milhares de crianças que nunca tomaram um copo desse suco. Um país que fabrica e exporta calçado de qualidade, mas muitos dentre sua população ainda andam descalços dormindo ao relento dos grandes centros urbanos.
Está reservado aos jovens economistas brasileiros, como um dos mais intensos desafios da profissão, responder os motivos de sermos uma das sociedades mais desiguais do mundo, com forte concentração de renda, em que os meios de produção estão nas mãos de apenas 6% da população. Um país em que de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda (empresa, imóvel ou mesmo o conhecimento).
Esses jovens economistas brasileiros da atualidade, mais do que qualquer outro profissional das ciências humanas, têm a árdua tarefa de explicar por que temos uma carga tributária que onera tanto os pobres (os 10% mais pobres pagam 44,5% mais impostos do que os 10% mais ricos); por que nossa reforma agrária nunca saiu do papel, sendo nosso país o quinto maior em extensão territorial do planeta; um país que exporta vitaminas, mas, no entanto, 40 milhões dos que aqui habitam passam fome.
Especificamente sobre a questão agrária, que no bojo está implícita o paradoxo de muita terra disponível e muita gente passando fome, segundo os Cálculos do Plano Nacional de Reforma Agrária – Cadastro do INCRA – existem, aproximadamente, 55 mil imóveis rurais classificados como grandes proprietários improdutivos, que controlam 116 milhões de hectares. Eles são apenas 1% de todos os proprietários rurais do Brasil. Também sobre isso deverá o economista moderno lançar análise reflexiva.
O desafio da retomada do crescimento econômico
Esses jovens economistas que ora estão entrando no mercado de trabalho vão se deparar com uma armadilha específica que põe severas amarras à economia brasileira. Atualmente, embora o governo afirme o contrário, a economia brasileira não cresce porque está presa a uma armadilha de altas taxas de juros e baixas taxas de câmbio que mantém as taxas de poupança e de investimentos deprimidas. De tal maneira não há espaço para a criação da demanda necessária (desestímulo ao mercado interno) para que a taxa de acumulação de capital alcance o nível necessário à retomada do crescimento econômico.
Crescimento econômico, por sinal, será algo que deverá perseguir o economista todo o tempo; principalmente aqueles que buscarem na administração pública uma colocação no mercado de trabalho. Mais do que encontrar modelos que respondam por uma adequada taxa de crescimento da economia, deverá o economista, a serviço do setor público, ter clara noção de que o crescimento econômico para ser solidificado e produzir frutos deverá esse ser transformado em desenvolvimento.
Para tanto, o economista moderno obrigatoriamente necessitará ter uma visão ampla do processo social, visto que desenvolvimento econômico, no dicionário da profissão, significa qualidade de vida, significa ainda bem-estar a todos.
Combinando compreensão teórica com explicação técnico-didática, esse profissional somente estará apto a exercer sua profissão, à medida que conseguir explicar os fatos econômicos dos tempos atuais com o rigor de excelência que se espera daquelas que tratam a profissão com esmero. E somente conseguirá fazer isso, mediante uma visão panorâmica do ambiente econômico, estando, nesse pormenor, aberto ao processo de criação, uma vez que a sociedade é algo que os homens não param de refazer.
Diante, portanto, de uma sociedade e de sistemas econômicos (incluindo a atividade econômica) que estão longe de serem estáticos, pois suas naturezas são dinâmicas, o economista moderno deve antes ser um analista social capaz de aferir com extrema sensibilidade as manifestações daqueles que almejam construir uma sociedade plural.
Cabe insistir, nesse pormenor, que em sociedades com agudos desequilíbrios sociais, o primeiro compromisso da macroeconomia sempre deverá ser o de erradicar a pobreza, visto que a pluralidade em uma sociedade somente ganhará espaço quando o coletivo sair fortalecido, embora os manuais de introdução à economia insistam em pregar o individualismo.
Depois de erradicada a miséria e banido os “bolsões de pobreza” que ainda marcam a ferro e fogo a história econômica recente desse país, com a economia doméstica, aos poucos, se ajustando aos padrões de bem-estar coletivo, pensar-se-á na criação de riquezas, como muitos entendem ser esse o real e primeiro objetivo da economia.
Antes disso, uma longa e árdua tarefa espera pelos jovens economistas: a de fazer da economia, por meio da cooperação, uma ferramenta capaz de incluir. Para tanto, cabe ao observador da economia entender que essa ciência não se restringe apenas à frieza dos números, das taxas, dos índices, da econometria, da matematização constante, mas, antes, trata-se de uma economia que tem no ser humano seu ponto focal; afinal, como disse Marshall, a economia “é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos diários da vida”.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário.
Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional
Autor do livro “Conversando sobre Economia” (ed. Alínea)
Blog de economia é referência nacional para crianças e adultos
Junho 26, 2009
Um dos principais blogs de economia do Brasil, O Economista (www.oeconomista.com.br), se posiciona como fonte de informações para os principais veículos de informação do país. Na edição de junho da revista Crescer (editora Globo), o economista e coordenador do canal, Celso Valentim, participou da reportagem que cita 28 dicas para economizar (com as crianças em casa). Ao traduzir o “economês” em uma linguagem de fácil compreensão, o projeto tornou-se uma base nacional de conteúdo especializado. Na prestigiada revista VIP (editora Abril), O Economista também marcou território. Na seção 60 Segundos, Valentim dá dicas sobre como enfrentar a crise sem apertar demais o orçamento.
No blog, ativo desde 2006, são publicados artigos, dicas de economia, notícias, agenda de eventos, informações sobre investimentos, entre outras informações inerentes à profissão do economista, abordando questões da macro e microeconomia presentes no atual cenário global.
Acesse a reportagem da revista Crescer e a reportagem da revista VIP
Campo de atuação do Economista e seu piso salarial
Junho 18, 2009
Qual é o campo de atuação do Economista? E suas atribuições? Onde eu posso atuar?
De acordo com a Consolidação da Legislação Profissional do Economista, o campo de atuação se faz presente conforme a seguir:
Do Campo Profissional
Art. 2° - A profissão de economista, observadas as condições previstas neste Regulamento, se exerce na órbita pública e na órbita privada:
a) nas entidades que se ocupem das questões atinentes à economia nacional e às economias regionais, ou a quaisquer de seus setores específicos e dos meios de orientá-las ou resolvê-las através das políticas monetária, fiscal, comercial e social;
b) nas unidades econômicas públicas, privadas ou mistas, cujas atividades não se relacionem com as questões de que trata a alínea anterior, mas envolvam matéria de economia profissional sob aspectos de organização e racionalização do trabalho.
Em relação às atividades inerentes à profissão de Economista, de acordo com a Consolidação da Legislação do Economista em anexo, Capítulo 2.3.1, são:
a) assessoria, consultoria e pesquisa econômico-financeira;
b) estudos de mercado e de viabilidade econômico-financeira;
c) análise e elaboração de cenários econômicos, planejamento estratégico nas áreas
social, econômica e financeira;
d) estudo e análise de mercado financeiro e de capitais e derivativos;
e) estudo de viabilidade e de mercado relacionado à economia da tecnologia, do
conhecimento e da informação, da cultura e do turismo;
f) produção e análise de informações estatísticas de natureza econômica e
financeira, incluindo contas nacionais e índices de preços;
g) planejamento, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação
econômico-financeira de política tributária e finanças públicas;
h) assessoria, consultoria, formulação, análise e implementação de política
econômica, fiscal, monetária, cambial e creditícia.
i) planejamento, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de
planos, programas, projetos de natureza econômico-financeira;
j) Avaliação patrimonial econômico-financeira de empresas e avaliação econômica de
bens intangíveis;
k) perícia judicial e extrajudicial e assistência técnica, mediação e arbitragem, em
matéria de natureza econômico-financeira, incluindo cálculos de liquidação;
l) análise financeira de investimentos;
m) estudo e análise para elaboração de orçamentos públicos e privados e avaliação
de seus resultados;
n) estudos de mercado, de viabilidade e de impacto econômico-social relacionados
ao meio ambiente, à ecologia, ao desenvolvimento sustentável e aos recursos
naturais;
o) auditoria e fiscalização de natureza econômico-financeira;
p) formulação, análise e implementação de estratégias empresariais e
concorrenciais;
q) economia e finanças internacionais, relações econômicas internacionais, aduanas
e comércio exterior;
r) certificação de renda de pessoas físicas e jurídicas e consultoria em finanças pessoais;
s) regulação de serviços públicos e defesa da concorrência;
t) estudos e cálculos atuariais nos âmbitos previdenciário e de seguros.
Mais informações no link: http://www.cofecon.org.br/dmdocuments/2.3.1.pdf
A profissão de economista se exerce na órbita pública e na órbita privada:
a) nas entidades que se ocupem das questões atinentes à economia nacional e às economias regionais, ou a quaisquer de seus setores específicos e dos meios de orientá-las ou resolvê-las através das políticas monetária, fiscal, comercial e social;
b) nas unidades econômicas públicas, privadas ou mistas, cujas atividades não se relacionem com as questões de que trata a alínea anterior, mas envolvam matéria de economia profissional sob aspectos de organização e racionalização do trabalho.(Decreto 31794/52, art. 2º)
Mais informações no link: http://www.cofecon.org.br/dmdocuments/2.2.pdf
O Economista tem fixado o seu piso salarial ou honorários de remuneração?
Infelizmente, ainda não há fixado o piso salarial da profissão de economista. Porém, atualmente o COFECON estuda uma possibilidade de regulamentar, por meio de Resolução, as referências para remuneração e honorários profissionais do economista.
Este Conselho estuda a possibilidade de apresentar junto ao Congresso Nacional uma proposta com o objetivo de fixar por meio de Lei Federal o piso mínimo de remuneração para os economistas em nível nacional.
Conselho Federal de Economia - COFECON

Carregando ...