e-commerce

Entre números positivos e outros negativos, é fato que a economia brasileira ainda está em crise, oscilando bastante. Mas há um subsetor que vem dando de ombros para essa realidade e apresentando crescimento contínuo. Estamos falando do e-commerce, que cresceu 11% em 2016 e deve ter um incremento de 10% até o fim do ano, com faturamento de R$ 48,8 bilhões, segundo estimativa da Ebit – empresa que atua com a avaliação de lojas virtais.

No primeiro semestre deste ano, o setor cresceu 7,5%, na comparação com o mesmo período do ano passado, com faturamento de R$21 bilhões. O número de pedidos também aumentou, passando de 48,5 milhões para 50,3 milhões. O tíquete médio, por sua vez, subiu de R$ 403 para R$ 418.

Neste segundo semestre, a estimativa é de um crescimento em torno de 12% a 15%, segundo a Ebit. A expectativa é de que as três grandes datas do calendário do varejo – Dia das Crianças, Natal e, principalmente, Black Friday – impulsionem as vendas do comércio eletrônico no período.

Para termos uma ideia do que significam esses números do e-commerce, a expectativa de crescimento do varejo é de 1,6% para 2017, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em junho de 2017, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 1,2% em relação a maio e 3% na comparação com o mesmo período de 2016. Já no acumulado do primeiro semestre, a variação foi negativa em 0,1%, ou seja, bem distante da realidade do comércio eletrônico.

O que provoca essa diferença, segundo Gerson Rolim, diretor de comunicação e consultor do comitê de Varejo Online da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, é a percepção do consumidor de que na internet os preços são mais baratos, devido aos sites de busca e comparação de preços. “É exatamente em momentos de crise econômica que o e-commerce se posiciona como um canal de vendas diferenciado”, explica Rolim.

Os preços do e-commerce, inclusive, acumularam queda de 5,38% nos últimos 12 meses terminados em junho de 2017. A redução foi registrada em todos os meses de 2017, o que, segundo a Ebit, acontece quando há condições favoráveis no mercado, que é beneficiado por algumas características próprias.

Crescimento do número de consumidores

Na base de sustentação do crescimento do e-commerce está o aumento significativo no número de consumidores que fazem suas compras pela internet. Entre 2013 e 2016, o acréscimo foi de cerca de 50%, passando de 31,27 milhões para 47,93 milhões de pessoas. No primeiro semestre de 2017, o total foi de 25,5 milhões, registrando um aumento em torno de 80% na comparação com o mesmo período de 2013.

O perfil desses consumidores no primeiro semestre de 2017, de acordo com a Ebit, mostra um equilíbrio entre homens e mulheres, uma média de idade de 43 anos e renda média familiar de R$ 5.573.

Outro dado importante sobre o perfil dos consumidores aponta que eles vêm parcelando menos as compras. No primeiro semestre, 48,2% compraram à vista, 19,4% fizeram em duas ou três vezes e 32,4% optaram por fazer entre quatro e 12 vezes. No mesmo período de 2016, esses percentuais eram de 42%, 25,1% e 33%, respectivamente.

O crescimento do m-commerce

Quando olhamos para o comércio eletrônico realizado por dispositivos móveis, chamado de m-commerce, é possível observar uma tendência bem clara. Somente neste segmento, o total de pedidos aumentou 35,9%, o faturamento saltou 56,2% e o ticket médio subiu 14,9%. Todos esses percentuais estão bem acima do verificado no e-commerce como um todo. De todas as vendas feitas na internet, 24,6% são realizadas em dispositivos móveis.

De acordo com o estudo da Ebit, o aumento do tíquete médio do m-commerce deve-se ao crescimento do share de pedidos de categorias com tíquete médio maior. “Um exemplo disso é a categoria Telefonia e Celulares, que entrou pela primeira vez no ranking das cinco mais vendidas, com aumento no volume de pedidos de 60%”, diz a pesquisa.

Realidade e desafios do e-commerce no Brasil

O principal diferencial do e-commerce brasileiro em relação a outros países, segundo Rolim, é a estratégia de utilizar frete grátis e pagamento parcelado, o que não acontece com tanta frequência em outros países. No primeiro semestre de 2017, 35% das compras tiveram a entrega sem custos para o consumidor.

Mas os números de frete grátis vêm diminuindo, pois já foi 43% do total. De acordo com o estudo da Ebit, o mercado tem procurado manter o posicionamento na oferta de frete gratuito apenas para algumas categorias mais específicas ou quando o consumidor não tem urgência para receber o produto. Desta forma, pode aguardar por um tempo maior de entrega ou ainda retirar os produtos em alguma loja física.

Mas essa redução, segundo a pesquisa, impacta nas vendas de algumas lojas e, certamente, contribuiu para o aumento do abandono de carrinho no varejo on-line. “Na briga constante pelo aumento de market share no e-commerce brasileiro, oferecer frete grátis ou com valores abaixo dos concorrentes diretos tem se tornado fator decisivo para fechamento de vendas”, diz o estudo.

O maior desafio do e-commerce no Brasil, segundo Rolim, é a hiper-regulação pela qual vivemos no país, que, de acordo com ele, normalmente impacta negativamente no empreendedorismo digital brasileiro. “Outra enorme barreira é a nossa pesadíssima carga tributária, atrelada ao mais complexo sistema tributário do mundo”, ressalta.

A segurança, apesar de ser uma questão que chama a atenção por contas dos mais recentes ataques cibernéticos, não interfere nos números do e-commerce. “A impressão de que a segurança é um fator que aflige os brasileiros é uma lenda urbana, pois há muitos anos a segurança não aparece mais entre os principais fatores de “não compra” via internet nas pesquisas realizadas pelo setor. Este não é um fator que interfere na migração do varejo físico para o on-line, pois o que ocorre atualmente é justamente o contrário”, argumenta Rolim.

A vez do digital commerce

Não foram apenas a vendas de bens de consumo pela internet que cresceram. O digital commerce que, além do e-commerce, engloba turismo, venda de ingressos e marketplaces de produtos novos e usados (B2C e C2C) e artesanato, também vem apresentando ótimos números nos últimos anos no Brasil.

De acordo com a pesquisa da Ebit, no período de 2012 a 2016, o digital commerce apresentou crescimento nominal de 88% e crescimento médio anual (CAGR – Taxa Composta Anual de Crescimento, em português) de 17%.

Todos os quatro segmentos que incorporam o digital commerce apresentaram crescimento no período. O destaque foram os marketplaces de produtos novos e usados (B2C e C2C) e artesanato, que cresceram 178%, com ganho de participação de mercado de 4,5 pontos percentuais no período.

O setor de turismo on-line cresceu 73%, o de ingressos teve acréscimo de 99% e o e-commerce teve uma alta de cerca de 80%. Todos acima de seus correspondentes no mercado off-line.

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