Com uma abordagem simples e direta o autor aponta e analisa os principais problemas ambientais atuais e futuros. A relação de dependência entre o homem e a natureza é evidenciada em todo o decorrer da leitura, e há uma crítica clara e forte a todos países, autores, teóricos e cientistas que, segundo o autor ignoram este fato. Outro tema enfatizado é a relação direta existente entre crescimento populacional e catástrofes ambientais.

Há uma divisão simples, composta pela introdução, seis capítulos (que contém vários subtítulos) e conclusão. O primeiro capítulo – Um pequeno inventário do caos ambiental – lista as mais relevantes agressões ecológicas feitas pelo homem. Teorias econômicas: Paraíso perdido, o segundo, evidencia a ineficiência, mas especialmente a omissão das teorias econômicas perante a busca pelo equilíbrio entre natureza e sociedade. O terceiro e quarto capítulo – A obsessão pelo crescimento infinito e ininterrupto, e População e fluxo de riquezas, respectivamente- fazem um estudo principalmente de caráter matemático sobre o provável crescimento demográfico mundial. Os dois últimos capítulos – O planeta Predo: Uma parábola e Ecoeconomia como visão alternativa- mais a conclusão, focam na necessidade de uma mudança radical, contínua e global, de hábitos sociais criados pela tecnologia, mercado e mídia.

Hugo Penteado, usa de recursos matemáticos em vários momentos da obra objetivando comprovar suas afirmações, mais precisamente quando o tema abordado é o crescimento demasiado . E sobre esse tema, logo na introdução, ele já demonstra sua admiração por Thomaz Malthus, a quem não deixa de criticar, levemente, ao apontar suas falhas teóricas e de tempo, no desenvolvimento da teoria da população.

A obra a todo o momento prioriza a diminuição da população absoluta, como forma de evitar um possível caos ecológico. E explana a contradição existente entre a economia tradicional e a ecoeconomia, denominada por Hugo como uma alternativa para evitar uma catástrofe. A primeira traça uma busca constante por mais consumidores capazes de absorver os diversos produtos que o mercado oferece, enquanto a segunda visa diminuir tanto o número de consumidores, quanto os produtos ofertados pelos produtores, a fim de diminuir de forma diretamente proporcional à relação consumidor-oferta. No entanto, se esse fato se concretizar, haverá uma queda significativa no lucro dos empresários, e tanto o setor macro, como o microeconômico, não vêem isso como positivo para a economia e sociedade.

Como forma de simplificar suas teorias, Hugo Penteado usa como instrumento uma parábola sobre um planeta chamado Predo. Com ela o leitor pode visualizar a trajetória de um planeta similar a Terra, no entanto àquele se adapta às balizas implantadas pela ecoeconomia, e com isso ele acaba se recuperando de problemas ambientais sérios, como os que vivemos atualmente. O ponto determinante está em uma analogia com a vida dos ursos, pois estes não destroem a fonte de sua alimentação, diferente de nós seres humanos.

Hugo Penteado faz inúmeras críticas a diversos autores, cientistas, economistas etc, e está certo em afirmar que a maioria das teorias ignoram a existência de um problema ambiental atual, e um colapso a médio e longo prazo. É fato que há um desencontro de teorias, quando se afirma que um aumento da produção gera emprego, este gera crescimento e posteriormente desenvolvimento, e ao mesmo tempo sabe-se da necessidade de controlar e amenizar bruscamente a extração de matéria-prima da natureza. O autor não menciona sobre algum tipo de equilíbrio, ele é direto ao afirmar que tem que haver uma redução e não estagnação do consumo.

E o mesmo deve ocorrer com a população que precisa ter seu crescimento contido de maneira rápida e eficaz. Pois esta, segundo o autor cresce de maneira infinita, enquanto o planeta tem seu espaço físico finito – fato. Apesar de estar correto em suas afirmações, Hugo Penteado é traído pelo exagero em vários momentos da leitura. Claro que esse exagero é proposital, e sua ênfase repetitiva em vários assuntos, em certos momentos soa como clichê, especialmente quando o tema abordado é população ou a relação de dependência entre homem e natureza.

Prova de que a persistência em alguns assuntos e a imaginação em demasia foram percebidas pelo autor, está no capítulo O planeta Predo: Uma Parábola, onde ele se desculpa com os leitores pelo abuso de imaginação e admite ter sido premeditado.

“Ecoeconomia – uma nova abordagem” é uma leitura atrativa para estudantes das ciências sociais, de algumas áreas da engenharia, ou para quem se interessar pelo assunto e queria ter uma visão econômica dos impactos causados pela destruição da natureza. Com um linguajar bastante simples, ele não requer nenhum material adicional que auxilie na leitura, pois o autor explica as principais nomenclaturas de caráter mais específico.

Estrategista e economista-chefe de investimentos do ABN AMRO Asset Management, Hugo Penteado é graduado e mestre pela Universidade de São Paulo- USP. Com amplo conhecimento em ecologia, após a publicação de seu livro, já ministrou mais de 200 palestras sobre o tema ecoeconomia. Seu propósito para um futuro breve é escrever um livro de ficção, que terá uma carta testamento do atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo desculpas pelos erros cometidos aos habitantes da Terra.

Resenha produzida por: Lucy Hellen Delfino Nunes
Estudante – Economia – Univille
Disciplina: História do Pensamento Econômico

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